Grupo de Economia da Energia

Desenvolvimento econômico, energia e emissões de CO2

In energias renováveis on 27/06/2011 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

A maneira como a energia – ponto de partida para o desenvolvimento econômico e social – foi historicamente empregada envolveu não apenas a utilização intensa dos recursos naturais como também, muitas vezes, a sua degradação.

A Agência Internacional de Energia, em um estudo de referência, o Clean Energy Progress Report, apresenta a assertiva de que é preciso quebrar o elo entre desenvolvimento econômico e emissão de CO2. Se lembrarmos que o estudo foi lançado num período em que os Estados Unidos enfrentavam (e continuam enfrentando) uma crise econômica de grandes proporções, essa perspectiva ganha ainda mais peso em termos de possibilidades de construir uma distinta visão de futuro. Algumas considerações do estudo merecem ser ponderadas aqui, iniciando uma série de discussões sobre o tema da utilização de energias limpas e renováveis – global e localmente. Há alguns temas pontuados no relatório que são úteis para revermos os itens centrais da questão.

A primeira consideração é a de que os países que se empenharam em minimizar as emissões de Gases de Efeito Estufa proporcionaram um incentivo notável ao desenvolvimento de tecnologias geradoras de energias limpas. A utilização de energias renováveis tem crescido a taxas de 30% a 40%, nos últimos anos, graças a políticas de criação de mercados e reduções de custo.No entanto, observa-se que ainda há uma grande demanda pela utilização de energia baseada em combustíveis fósseis – demanda que, hoje, ultrapassa a observada para energias renováveis.

Numa tentativa de criar propostas e iniciativas de aceleração da utilização de energias limpas, vários países nos diversos continentes uniram-se num fórum global, comprometidos em aplicar políticas energéticas que contribuam para a disseminação e aceleração do emprego de tecnologias envolvendo energias limpas e renováveis. Estão comprometidos também em fazer com que essas iniciativas reduzam a desigualdade econômica. Eles constituem o CEM – Clean Energy Ministerial -, do qual o Brasil faz parte.

Consumo incremental de energia primária total dos países CEM e não-CEM entre 2000 e 2008

 

Fonte: EIA. Clean Energy Progress Report, 2011.

Também somos lembrados de que há um fator considerado, por si só, um combustível: a eficiência energética. Medidas como a padronização e etiquetagem de equipamentos ou a utilização de lâmpadas fluorescentes fazem com que haja uma redução no quociente de energia não-utilizada/disponível já significativa nas considerações sobre demanda energética. Assim, dentre os recursos de energia limpa, poderíamos listar o carvão (combinando alta eficiência e CCS), a energia nuclear, energias renováveis, biocombustíveis, biomassa, utilização de veículos elétricos e a própria eficiência energética.

Apesar dos avanços na competitividade dessas fontes energéticas, tecnologias de base fóssil ainda desfrutam de muitos subsídios governamentais, em detrimento às fontes renováveis. Algumas das ações governamentais sugeridas no estudo a fim de reverter esse quadro, são:

  • Aumentar o investimento público em inovação através de suporte à Pesquisa e Desenvolvimento;
  • Implementar políticas energéticas mais inteligentes, incluindo a remoção de barreiras não-econômicas, incentivando opções mais limpas;
  • Facilitar a utilização de energias limpas em sistemas energéticos tais como os smart grids;
  • Diminuir subsídios a combustíveis fósseis;
  • Taxar emissões de CO2.

O Clean Energy ProgressReport apresenta o importante legado dos países que já realizaram esforços consideráveis para a implantação de energias renováveis: a experiência na utilização das políticas de incentivo; a criação de um pequeno mercado inicial para as tecnologias limpas que levará a uma significativa redução no custo dos equipamentos; e a exportação de sua competência especializada e  tecnologia para o resto do mundo.

Esse novo padrão de utilização da energia é uma questão de política energética global, que deve partir das iniciativas locais. No que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa, é preciso uma revolução mundial. Uma revolução pelo uso de energias limpas, com iniciativas locais.  Seu início deve ocorrer com abordagens estratégicas, comunicando ao público que segurança energética, desenvolvimento econômico e social, e benefícios ambientais podem advir do investimento em energia limpa. Esse é o maior desafio: a ruptura do paradigma desenvolvimento econômico/emissão de CO2. Essa é apenas uma das formas de desenvolvimento. Não é a única. É preciso pensar de forma diferente e criar as condições necessárias para se quebrar esse elo e contruir uma perspectiva distinta de futuro.

Leia outros textos de Jacqueline Batista Silva no Blog Infopetro

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