Posts com Tag ‘segurança energética’
China, política energética, política energética chinesa, segurança energética
Em energia, 22/04/2013 às 00:22
Por Ronaldo Bicalho e Felipe de Souza
Em Dezembro de 2012, a China tomou o lugar dos Estados Unidos como o maior importador de Petróleo do mundo. Nesse mês, de acordo com dados preliminares da US Energy Information Administration, a China importou o correspondente a 6,12 b/d enquanto os Estados Unidos importaram 5,98 b/d. Os americanos lideravam o ranking dos importadores desde meados dos anos 1970 e, apesar dos dados se referirem apenas ao mês Dezembro e no consolidado do ano os EUA seguirem liderando, analistas acreditam que essa ultrapassagem mensal sinaliza claramente a tendência de longo prazo de supremacia chinesa nas importações mundiais de petróleo.
Embora a China seja o maior produtor de carvão do mundo, a forte expansão do consumo e os preços domésticos desfavoráveis fizeram com que a importação de carvão começasse a crescer a partir de 2002; de tal forma que em 2009 o país já era um importador líquido e em 2010 ocupava o segundo lugar no ranking mundial de importações carboníferas, perdendo apenas para o Japão.
Mesmo no caso do gás natural, a China se tornou um importador dessa fonte de energia pela primeira vez em 2007. Desde então a participação da importação líquida cresceu fortemente, saltando de 2% do consumo nesse ano para 22% em 2011.
Assim, a China, que em 1971 apresentava uma importação líquida negativa, correspondente a (-) 0,5% da sua demanda total de energia, em 2010 importava 14 % da energia que consumia e era responsável por 8% das importações mundiais de energia. Leia o resto deste post »
eficiência energética, emissão de CO2, energia verde, Estados Unidos, política energética, política energética americana, regulação, renováveis, segurança energética, sustentabilidade
Em energias renováveis, 18/02/2013 às 00:25
Por Jacqueline Batista Silva
Há uma revolução acontecendo na forma com que os americanos produzem, consomem e, até mesmo, pensam a energia. As mudanças trazem implicações econômicas e de segurança nacional, aumentando, por um lado, a diversidade de fontes energéticas no país, consequentemente sua segurança energética, e, por outro, reduzindo a pegada de carbono deixada pela cadeia produtiva.
Essas mudanças são discutidas em um relatório sobre as energias renováveis na América lançado em Janeiro de 2013, realizado pela Bloomberg Finance L. P. e pelo Business Council for Sustainable Energy. O objetivo desse relatório é apresentar um quadro do papel desempenhado pelas tecnologias voltadas à energia sustentável nos EUA até o final de 2012.
Um grande impulsionador dessas mudanças foi o brusco desenvolvimento de inovações em energia, tecnologias e aplicações. Vale mencionar: novas técnicas de extração de gás natural, painéis fotovoltaicos de menor custo e maior eficiência, inserção de veículos movidos a gás natural e eletricidade, e smart grids. Leia o resto deste post »
abastecimento, cenários, consumo automotivo, crise do álcool, Petrobras, preços, segurança energética
Em etanol, gasolina, 10/12/2012 às 01:31
Por Luciano Losekann
Nos últimos dez anos, a balança comercial brasileira de gasolina sofreu uma inversão (figura 1). Com a introdução do carro flex e quando os preços do etanol eram competitivos, o país produziu excedentes significativos de gasolina para colocação no mercado internacional até 2009. Em 2007, as exportações líquidas de gasolina alcançaram 3,7 bilhões de litros. Valor que não era observado desde o final da década de 1980, quando os automóveis a etanol eram dominantes no Brasil.
Nos últimos três anos, a situação se transformou radicalmente. O etanol pouco competitivo fez o consumo de gasolina disparar. Em 2011, foram importados 1,9 bilhões de litros de gasolina e, em 2012, as importações líquidas atingiram 2,8 bilhões de litros até o mês de outubro. Segundo nossas estimativas, 11% da gasolina consumida será importada. O Brasil não importava montantes tão significativos de gasolina desde a década de 1970. Leia o resto deste post »
política energética, segurança energética, consumo automotivo, preços, setor de gás, emissão de CO2, GNV, matriz de combustível, distribuição de gás, conversão de veículos
Em gás natural, GNV, 12/11/2012 às 00:15
Por Marcelo Colomer
A partir de 2007, as incertezas a respeito do fornecimento de gás da Bolívia, o aumento dos preços do gás natural no mercado doméstico, a expansão da frota de veículos bicombustíveis (Gasolina/Etanol) e a mídia negativa gerada em torno do uso do gás natural veicular (GNV) reverteram a forte expansão do mercado de GNV que vinha ocorrendo no Brasil desde 2000. Nesse contexto, as conversões anuais, que em 2006 atingiram 271 mil veículos, caíram para menos de 50 mil em 2010 (GASNET, 2012).
Além da queda do número de conversões, houve uma acentuada reversão no volume de gás consumido no segmento veicular que após atingir um pico de 7 MMm3/d em Dezembro de 2007 recuou para cerca de 5 MMm3/d em Janeiro de 2011 (ABEGAS, 2011). Contudo, apesar do cenário adverso do final da década passada, o segmento de gás natural veicular vem sobrevivendo graças aos esforços inovadores das companhias locais de distribuição, dos fornecedores de equipamentos e das montadoras de veículos.
Assim, espera-se que com o desenvolvimento de novas tecnologias de conversão e abastecimento, com o novo cenário de oferta de gás natural e com as novas condições de contorno da política de preços de combustíveis que começam a se delinear no Brasil, o mercado de gás natural veicular se aqueça novamente. Leia o resto deste post »
competitividade, desenvolvimento, industrialização, MP 579, política energética, política industrial, preços, recursos naturais, segurança energética
Em energia, energia elétrica, 05/11/2012 às 00:15
Por Edmar de Almeida
No artigo anterior desta série, tentamos colocar em evidência os fatores por detrás do “elo perdido” entre energia e desenvolvimento. Argumentamos que um dos principais fatores foi a dificuldade de encontrar um equilíbrio entre as políticas públicas visando garantir o suprimento energético num contexto de participação do capital privado e as políticas para promover a qualidade e modicidade tarifária.
Esta dificuldade foi mais patente no caso do setor elétrico nacional, que agora passa a ser matéria de políticas para promoção da modicidade tarifária. Após a progressiva liberalização do mercado elétrico na década de 1990, todos os esforços do governo se orientaram para buscar garantir a atratividade para o investimento privado a fim de assegurar novos investimentos e segurança de suprimento.
A privatização do setor de distribuição de eletricidade através da oferta de contratos de concessão atrativos; a oferta de crédito farto pelo BNDES aos investidores privados; as regras de self-dealing para os investimentos na geração por parte das distribuidoras; e o Programa Prioritário de Geração Termelétrica (PPT) lançado em 2000 são exemplos de iniciativas para atrair os investimentos do capital privado para setor elétrico, num contexto de escassez de capital no mercado internacional e instabilidade econômica no país. Leia o resto deste post »
Índia, mudança climática, política energética, política energética indiana, segurança energética, sustentabilidade
Em energia, 15/10/2012 às 00:15
Por Ronaldo Bicalho
Na Índia, 25% da população não têm acesso à eletricidade e 72% usam lenha para cozinhar. Isto significa que 289 milhões de indianos não têm luz elétrica em suas casas e que 836 milhões não têm fontes de energia modernas para preparar seus alimentos.
A Índia tem uma demanda energética (692,6 Mtep) 40% maior do que a do Japão (496,8 Mtep), contudo, cada indiano consome (0,59 tep) apenas o correspondente a 15% da energia consumida por um japonês (3,90 tep).
Mesmo considerando as reduções previstas para essas carências energéticas, em 2030 as parcelas da população indiana sem acesso à energia elétrica (194 milhões) e às fontes modernas para a cocção (778 milhões) continuarão sendo significativas (10% e 53%, respectivamente).
Desse modo, a demanda de energia de uma grande parte da população indiana não é atendida hoje e, mais do que isso, continuará sem ser atendida por um longo tempo.
Em função das graves consequências econômicas e sociais dessa pobreza, prover o acesso às energias modernas para toda a sua população, principalmente à eletricidade, é a prioridade maior da política energética indiana. Essa inclusão tem sido, historicamente, o grande desafio das políticas públicas do Estado indiano na área de energia.
A Índia apresenta a terceira maior demanda de energia do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Leia o resto deste post »
expansão, interconexão, intermitência, PDE 2021, planejamento energético, renováveis, segurança energética, setor elétrico, transmissão
Em energia elétrica, 01/10/2012 às 00:29
Por Clarice Ferraz
A versão preliminar do Plano Decenal de Expansão (PDE 2021), disponibilizada em Consulta Pública no último dia 26 de setembro pela EPE, revela um expressivo crescimento das fontes de geração de eletricidade de origem renovável na matriz elétrica brasileira. Os gráficos abaixo mostram o mix elétrico atual e projeções para os anos de 2015 e 2021.
Gráficos 1 a 3 : Evolução da capacidade de geração em 2011; 2015 e 2025 (em GW e em %)



Fonte: EPE, PDE 2021: 92.
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Estados Unidos, estocagem, geração térmica, regulação, segurança energética, setor de gás, setor elétrico, shale gas
Em gás natural, 20/08/2012 às 00:09
Por Marcelo Colomer
O aumento da produção de gás de folhelho (shale gas) nos EUA, o acidente nuclear de Fukushima e o acirramento das pressões ambientais vêm contribuindo para o redirecionamento das atenções mundiais para a indústria de gás natural. Esse otimismo, recentemente despertado sobre o gás natural, não é um episódio recente. De fato, desde a década de 70 o gás vem captando os olhares, não só dos Estados Nacionais, mas também das principais empresas petrolíferas como uma alternativa aos hidrocarbonetos líquidos.
A partir da década de 80, e no Brasil a partir da década de 90, o processo de abertura e liberalização da indústria de gás natural vem exigindo mecanismos operacionais e contratuais cada vez mais flexíveis. Em outros termos, nesse novo ambiente competitivo, as especificidades associadas aos investimentos na malha de transporte e distribuição, assim como a complexa interação existente com o setor elétrico, aumentam a importância de modelos de negócio mais flexíveis. É nesse contexto que se destaca a importância crescente da atividade de estocagem em formações geológicas.
Os estudos sobre estocagem de gás natural em formações geológicas datam do início do século XX sendo que foi somente a partir de meados da década de 70 que a atividade de estocagem passou a assumir um papel mais relevante dentro da cadeia do gás natural, principalmente nos EUA. Leia o resto deste post »
competitividade, desenvolvimento, história do setor energético brasileiro, industrialização, política energética, política industrial, preços, recursos naturais, segurança energética, setor energético
Em energia, 13/08/2012 às 00:15
Por Edmar de Almeida
Qual deve ser o objetivo da intervenção do Estado no setor de energia do Brasil? É interessante notar que atualmente esta pergunta pode suscitar um grande número de respostas divergentes.
Para uns, o objetivo principal é garantir a sustentabilidade ambiental e uma transição para uma matriz descarbonizada. Para outros, o papel do Estado é velar pelo bom funcionamento do mercado energético de forma a atrair investimentos privados e garantir a segurança do abastecimento. Outros ainda poderiam apontar o objetivo de viabilizar a expansão do setor energético através da exportação de energia, criando renda e empregos no país.
Esta gama de possibilidades representa objetivos que se sobrepõem/coabitam na política energética nacional. Entretanto, a diversidade de objetivos tem contribuído para o enfraquecimento do tradicional elo existente entre o setor energético e o desenvolvimento econômico nacional.
Energia deixou de ser uma vantagem comparativa do Brasil. Os preços da energia no Brasil são comparáveis e muitas vezes mais elevados do que os dos países sem dotação de recursos energéticos. A incontrolável elevação dos custos energéticos no país é o sintoma de que a política energética nacional perdeu sua capacidade de elaborar e implementar uma visão estratégica, em que o setor energético representa uma infraestrutura para a promoção do crescimento e desenvolvimento econômico nacional. Leia o resto deste post »
cenários, instituições, mudança climática, política energética, segurança energética, setor energético, sustentabilidade, tecnologia
Em energia, 06/08/2012 às 11:44
Por Ronaldo Bicalho
As instituições têm um papel decisivo na configuração do futuro da energia. Este texto discute o papel das políticas energéticas dos diversos Estados nacionais na evolução do cenário energético no médio (2030) e no longo (2050) prazos.
O peso das instituições
Dois fatores determinam a evolução estrutural do cenário energético: tecnologia e instituições.
Se, por um lado, as tecnologias vão definindo o horizonte de possibilidades de mediação entre as necessidades energéticas e os recursos naturais, por outro, as instituições vão enquadrando essas possibilidades; incentivando ou penalizando, sancionando ou vetando tecnologias, estratégias, empresas e países.
A evolução energética no médio e no logo prazo, vista sob a perspectiva de hoje, depende do posicionamento das instituições que regulam, em sentido amplo, o mercado energético frente a dois temas cruciais: segurança energética e mudança climática.
Esse posicionamento, na medida em que se traduza em políticas públicas, definidoras das ações dos diversos Estados Nacionais no enfrentamento desses dois problemas, irá se constituir em um dos elementos chave para a definição dos futuros possíveis da energia. Leia o resto deste post »
política energética, segurança energética, China, cenários, Fukushima, Japão, Europa, emissão de CO2, mudança climática, shale gas, IAEE, Estados Unidos
Em energia, 16/07/2012 às 00:19
Por Luciano Losekann
Nos dias 24 a 27 de junho, a 35ª edição da conferência internacional da Associação Internacional de Economia da Energia (IAEE) foi sediada em Perth na Austrália. Essa conferência é a mais importante da área de economia de energia. Os principais temas discutidos foram: as perspectivas para o gás natural resultantes da oferta não convencional, o panorama da energia nuclear no Japão pós-Fukushima e a mitigação de emissão de CO2 no setor elétrico.
A relação entre as indústrias de petróleo e gás natural foi discutida, principalmente quanto a formação de seus preços. A apresentação de Fereidun Fesaraki abordou o tema, recorrendo a seguinte ilustração: “se o petróleo é um namoro, o gás natural é um casamento”. Apesar da introdução de flexibilidade a partir da difusão do GNL e da maior importância de mercados spot, a infraestrutrura de gás exige maior comprometimento entre os envolvidos. Assim, os contratos de longo prazo ainda tendem a ser dominantes. Usualmente, contratos de GNL têm duração de quatro a dezessete anos. São os contratos longos que permitem o financiamento dos projetos, já que bancos só aceitam participar quando os contratos de compra de longo prazo são apresentados. Leia o resto deste post »
política energética, tecnologia, sustentabilidade, segurança energética, eficiência energética, AIE, cenários, emissão de CO2, mudança climática
Em energia, 02/07/2012 às 00:15
Por Jacqueline Batista Silva
Em junho foi lançada a edição 2012 do Energy Technology Perspectives (ETP), da Agência Intenacional de Energia (AIE). A publicação é apresentada como sendo a mais ambiciosa e abrangente no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias em energia. Nela, é demonstrado como tecnologias – de veículos elétricos a parques eólicos – podem contribuir significativamente para o objetivo internacionalmente acordado de limitar o aumento global da temperatura em, no máximo, 2°C sobre os níveis pré-industriais. O relatório é norteado, portanto, pelo cenário de 2°C ou 2DS (2 Degrees Scenario).
O Energy Technology Perspectives 2012 ganhou repercussão no New York Times e no The Guardian, numa época em que, a despeito dos resultados, vimos diversos países envolvidos em torno de questões ambientais na Rio+20.
O estudo disponibiliza no site a visualização do padrão de emissões e projeções de diferentes países (incluindo o Brasil) para os diferentes cenários de emissão. O gráfico que apresenta a condição do Brasil para o nível de emissões de CO2 em Gt, numa projeção para 2050, é reproduzido a seguir: Leia o resto deste post »
eficiência energética, Europa, integração energética, política energética, política energética europeia, renováveis, segurança energética, sustentabilidade
Em energia, 18/06/2012 às 00:15
Por Gustavo Haydt
As estratégias de incentivos a utilização de energias renováveis e a utilização racional de energia não são uma novidade no contexto Europeu, ou melhor, nos países que formam a Comunidade Europeia (CE). A CE, em virtude da primeira crise mundial de petróleo, que abalou o mercado da energia em 1973, definiu em 1974 uma resolução [1] na qual estabeleceu uma maior racionalização do consumo de energia, sem que isto afetasse o crescimento da sua economia e alterasse os objetivos de melhoria no conforto e qualidade de vida dentro da Comunidade. Além da racionalização no lado da demanda, a oferta de energia também foi alvo desta mesma resolução.
Com o objetivo de melhorar a segurança do abastecimento (principal motivo da época com foco na segurança da economia), a resolução recorria ao apoio ao desenvolvimento da produção de energia (electricidade) de origem nuclear (mais estável do ponto de vista do custo de energia na época) e ao apoio a extração de recursos fósseis provenientes da própria Comunidade. Apesar de alguma preocupação com o meio ambiente e o grande foco com a segurança do abastecimento, as energias renováveis ainda não eram vistas como oportunidade para a Comunidade. Leia o resto deste post »
Alemanha, Japão, mudança climática, política energética, segurança energética, sustentabilidade
Em energia nuclear, 04/06/2012 às 00:15
Por Renato Queiroz e Felipe Lobo
Há um dilema energético que tanto a chanceler alemã Angela Merkel quanto o primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda enfrentam neste momento: atender ao clamor público que exige o fechamento das usinas nucleares existentes em seus países ou seguir os ditames da segurança energética que aconselham a manutenção dessas usinas em funcionamento para assegurar a confiabilidade e os custos do suprimento de energia, essenciais para a competitividade de suas economias.
Esse não é um dilema novo para esses países. A peculiaridade do atual momento reside na dramaticidade introduzida pelo desastre de Fukushima, ocorrido no início do ano passado, no trade-off segurança energética versus insegurança nuclear; ou seja, risco de déficit energético versus risco de acidente nuclear. Leia o resto deste post »
política energética, regulação, segurança energética, sustentabilidade
Em energia, 28/05/2012 às 00:15
Por Helder Queiroz
Um dos traços mais marcantes das mudanças estruturais e institucionais no modo de organização das indústrias energéticas, observadas desde o fim da década de 1980, foi a criação das agências reguladoras. Em todos os países que promoveram tais transformações, a criação de órgãos de regulação setorial de energia promoveu uma redefinição das fronteiras de competência e responsabilidades dentro do próprio Estado.
Cabe destacar que a multiplicação recente do número de órgãos reguladores em todos os países ampliou a variedade e a qualidade do exercício da regulação. As agências reguladoras ainda não atingiram a plena maturidade para o exercício de sua atividade e qualquer análise comparativa de suas estruturas e desempenhos pode revelar a imensa variedade de situações de um país a outro.
Desse modo, é sempre de grande utilidade confrontar as experiências de diferentes países e órgãos reguladores a fim de aprimorar a qualidade da regulação. É nessa perspectiva que se realizam, a cada três anos, os Fóruns Mundiais de Regulação de Energia. A sua quinta edição, realizada em maio de 2012, em Quebec, no Canadá, reuniu representantes de mais de 70 (setenta) países. Leia o resto deste post »
política energética, meio ambiente, sustentabilidade, segurança energética, China, emissão de CO2, mudança climática, economia limpa, energia verde
Em energias renováveis, 23/04/2012 às 00:15
Por Ronaldo Bicalho e Felipe de Souza
A China é o maior consumidor de energia e o maior emissor de CO2 do mundo. Sua matriz energética é baseada no carvão, que atende a 67 % da sua demanda energética e gera 79 % da sua eletricidade.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, o gigante asiático será responsável por um terço do aumento da demanda global de energia de hoje até 2035.
Se em 2000 a China demandava o correspondente a metade da energia consumida pelos Estados Unidos, em 2035 os chineses irão consumir 73% a mais do que os americanos; em um quadro no qual além de maiores consumidores de energia eles serão também os maiores importadores mundiais de petróleo.
Por outro lado, em 2009 a China ultrapassou o Estados Unidos como o país que detém a maior capacidade instalada de energias limpas. Nesse mesmo ano e no seguinte a China foi o país que mais investiu nesse tipo de energia (US$ 39,1 bilhões e US$ 54,4 bilhões de dólares, respectivamente); de tal forma que hoje os chineses são os maiores produtores mundiais de turbinas eólicas e painéis solares. Leia o resto deste post »
geopolítica, política energética, Rússia, segurança energética
Em gás natural, 19/03/2012 às 00:15
Por Renato Queiroz e Felipe Imperiano
O acesso a recursos que revertam em segurança energética constitui-se em tema relevante nas pautas de política externa dos países. A concentração espacial de recursos naturais estratégicos para o desenvolvimento das nações e garantidores do nível de bem-estar de seus cidadãos tem consequências profundas no delineamento das políticas energéticas das nações. O uso de ativos energéticos como ferramenta de defesa de interesses políticos e econômicos não é algo novo no cenário internacional.
Um bom exemplo que se tornou emblemático para os estudiosos em geopolítica energética é a situação de dependência da Europa em relação ao gás russo e, em contrapartida, como o gás natural é estratégico para o desenvolvimento econômico da Rússia. O Estado russo sempre se valeu de suas enormes reservas de óleo e gás. O país tem a sétima maior reserva de petróleo do mundo e a maior reserva de gás natural, isto é, 24% do total. Em 2010 a Rússia foi ao mesmo tempo maior produtor de gás natural, alcançando a cifra de 637 bcm (bilhões de metros cúbicos), isto é, 19,4% do total produzido mundialmente, sendo ao mesmo tempo o número um em exportações (IEA, 2011). Leia o resto deste post »
China, geopolítica, OPEP, oriente médio, política energética, política energética americana, segurança energética
Em energia, 30/01/2012 às 00:14
Por Ronaldo Bicalho
Em um curto período de uma semana, no final de Outubro do ano passado, três grandes jornais anunciaram que os Estados Unidos estavam a um passo de alcançar a sua independência energética.
Se no New York Times as novas tecnologias redesenhavam o quadro energético mundial, no Washington Post nascia uma nova ordem petrolífera mundial, enquanto que no Financial Times o pendulo energético mudava o seu curso e passava a apontar na direção da independência petrolífera americana.
Por trás das boas novas encontravam-se os avanços na produção de petróleo e gás não convencionais – das areias betuminosas do Canadá à revolução mundial do shale gás – e na exploração offshore em águas profundas – do Golfo do México às costas brasileiras e africanas – que colocavam à disposição do ocidente um volume significativo de hidrocarbonetos que redesenharia completamente o mapa energético mundial; em detrimento do oriente médio, que perderia a sua relevância no suprimento da energia ocidental. Leia o resto deste post »
cenários, crise, estratégias empresariais, meio ambiente, mudança climática, planejamento energético, segurança energética, setor energético, sustentabilidade
Em energia, 12/12/2011 às 00:15
Por Renato Queiroz
Os formuladores de política energética e executivos da indústria de energia estão, certamente, nesse momento debruçados nas análises voltadas a economia da energia e a geopolítica energética na busca de um entendimeno do atual cenário mundial que os levem a implantar ações que minimizem os riscos de abastecimeno energético em seus países e em suas empresas.
Afinal o mundo atual que convoca revoluções via facebook ,twitter, pega de surpresa os estrategistas das corporações e de governos que avaliam o complexo mundo da indústria da energia. Métodos tradicionais e modelos clássicos racionais para prever desempenhos econômicos, preços de combustíveis, inserção de novas tecnologias podem trazer,nesse novo contexto,uma dose de inocência. A sofisticação é uma exigência para o entendimento do imenso leque de informações que as “ redes” nos proporcionam. A geopolítica da energia que trata das relações entre energia ,economia e políticas dos países pode aumentar o feeling dos profissionais e reduzir os riscos de suas decisões. Leia o resto deste post »
política energética, pré-sal, segurança energética, sustentabilidade, tecnologia
Em energias renováveis, petróleo, 28/11/2011 às 00:10
Por Edmar de Almeida
Os recentes acidentes com derramamento de petróleo no Golfo do México e agora na Bacia de Campos colocam em tela um questionamento à exploração do Pré-sal brasileiro: Não estaria o Brasil entrando numa aventura desnecessária com a iminência da substituição do petróleo por fontes de energia renováveis?
Este questionamento está ligado à idéia de que o petróleo é uma energia do passado e que não vale a pena mobilizar recursos da sociedade em um negócio fadado a encolher e desaparecer rapidamente. Esta idéia não tem sustentação na realidade dos fatos.
Os estudos de previsão da matriz energética mundial apontam para um papel do petróleo e do gás natural ainda dominante no horizonte de longo-prazo. Segundo a Agência Internacional de Energia, estas fontes de energia, em conjunto com os demais combustíveis fósseis, deverão representar 75 % da matriz energética mundial em 2035, no cenário mais otimista para as energias renováveis.
Esse tipo de previsão é confirmado por outras agências governamentais e pelas principais empresas energéticas mundiais. Podemos dizer que o petróleo e o gás conservarão um papel destacado na longa transição para uma economia descarbonizada. Nesse sentido, o Pré-sal constitui uma expressiva vantagem comparativa para o Brasil. Nosso país poderá assumir um papel de destaque na transição energética, não apenas devido à sua grande dotação de petróleo e gás, mas também em função do seu potencial significativo de recursos renováveis. Leia o resto deste post »
política energética, meio ambiente, sustentabilidade, segurança energética, eficiência energética, setor energético, emissão de CO2, mudança climática
Em energia, 07/11/2011 às 00:12
Por Ronaldo Bicalho
Segundo a nossa última postagem, pensar a transição entre a atual economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis e uma futura economia sustentada nas energias renováveis como um processo definido, com uma trajetória única, um timing único e um conteúdo único, é uma simplificação que não ajuda no entendimento da natureza dessa transição, de suas possibilidades e de suas dificuldades.
A transição, de fato, é um processo indefinido e aberto, com várias trajetórias, conteúdos e tempos de duração possíveis.
Em outras palavras, não há uma transição única, mas várias transições.
Nesse sentido, analisar as possibilidades de evolução do setor de energia no mundo hoje implica na análise dessas várias transições.
Mapeando transições
Para se identificar essas diferentes possibilidades de transição é fundamental mapear as distintas maneiras de se perceber o trade-off segurança energética versus mudança climática e as diversas formas de enfrentá-lo.
Para isso, pode-se considerar, em termos gerais, que a redução da intensidade do processo de mudança climática seja o objetivo principal e, a partir daí, se avaliar qual o tipo de impacto negativo (custos) que a redução das emissões de CO2 tem sobre a segurança energética, em função de diferentes hipóteses para a obtenção dessa redução. Leia o resto deste post »
emissão de CO2, meio ambiente, mudança climática, política energética, segurança energética, setor energético, sustentabilidade
Em energia, 19/09/2011 às 00:10
Por Ronaldo Bicalho
Duas questões fundamentais dominam o debate contemporâneo sobre energia: mudança climática e segurança energética.
A princípio, essas questões pertencem a áreas de políticas públicas diferentes, contudo, a evolução recente dos acontecimentos, tanto no âmbito energético quanto no ambiental, fez com que a interdependência entre elas crescesse de forma significativa.
Face a isto, a peculiaridade do atual momento não se encontra simplesmente na presença do tema ambiental – mudança climática – no debate sobre energia, mas no protagonismo adquirido por esse tema na evolução do quadro energético atual. Em consequência, não basta reconhecer a necessidade de incorporar a variável ambiental no debate, mas reconhecer a necessidade de incorporá-la como uma questão de primeira ordem, em igualdade de condições com o tema energético por excelência que é a segurança energética.
A necessidade de se colocar as dimensões ambiental e energética no mesmo patamar na discussão sobre energia é fruto da presença marcante dos combustíveis fósseis tanto na mudança climática quanto na segurança energética.
Para a área de meio ambiente, os combustíveis fósseis constituem a principal causa da mudança climática, em função do aumento da temperatura gerado pela concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera; em particular, do CO2 emitido pela queima desses combustíveis.
Para a área de energia, os combustíveis fósseis desempenham um papel fundamental na garantia do suprimento de energia necessário ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar social; graças a um conjunto de atributos – estocabilidade, densidade, disponibilidade e controle – que permite a utilização desses combustíveis em níveis de escala e custo extremamente favoráveis. Leia o resto deste post »
meio ambiente, mudança climática, política energética, segurança energética, setor energético, sustentabilidade, tecnologia
Em energia, 18/07/2011 às 00:10
Por Ronaldo Bicalho
A construção de uma política energética, que administre a difícil passagem de uma economia baseada nos combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono, não é uma tarefa fácil.
A massiva substituição dos combustíveis fósseis pelas fontes de energia renováveis envolve mudanças tecnológicas, econômicas e institucionais significativas. Essas mudanças transcendem o setor energético e abarcam temas que dizem respeito a um conjunto de valores associados ao papel crucial da energia no desenvolvimento econômico e no bem estar social e à relação com os recursos naturais e o meio ambiente derivada, justamente, dessa crucialidade.
A compatibilização entre os imperativos da segurança energética e os da mudança climática, mediante o recurso à penalização dos combustíveis fósseis e ao incentivo às renováveis, tem-se demonstrado na prática muito mais complexa do que o imaginado inicialmente.
A idéia de reunir o melhor dos dois mundos – a autossuficiência e a baixa emissão, o aumento da segurança energética e o combate aos fatores geradores da mudança climática – em torno da ampliação das fontes renováveis na matriz energética vem encontrando dificuldades tecnológicas, econômicas e político-institucionais crescentes.
A primeira dificuldade é tecnológica e diz respeito à necessidade de que haja avanços significativos nas tecnologias renováveis para que elas possam competir de fato com as tecnologias tradicionais. Esses avanços referem-se à superação dos problemas associados às baixas estocabilidade, densidade e escala, características do atual estágio de desenvolvimento das renováveis. Leia o resto deste post »
política energética, meio ambiente, sustentabilidade, segurança energética, eficiência energética, gestão da demanda, emissão de CO2
Em energias renováveis, 27/06/2011 às 00:15
Por Jacqueline Batista Silva
A maneira como a energia – ponto de partida para o desenvolvimento econômico e social – foi historicamente empregada envolveu não apenas a utilização intensa dos recursos naturais como também, muitas vezes, a sua degradação.
A Agência Internacional de Energia, em um estudo de referência, o Clean Energy Progress Report, apresenta a assertiva de que é preciso quebrar o elo entre desenvolvimento econômico e emissão de CO2. Se lembrarmos que o estudo foi lançado num período em que os Estados Unidos enfrentavam (e continuam enfrentando) uma crise econômica de grandes proporções, essa perspectiva ganha ainda mais peso em termos de possibilidades de construir uma distinta visão de futuro. Algumas considerações do estudo merecem ser ponderadas aqui, iniciando uma série de discussões sobre o tema da utilização de energias limpas e renováveis – global e localmente. Há alguns temas pontuados no relatório que são úteis para revermos os itens centrais da questão. Leia o resto deste post »
segurança energética, setor de gás, tecnologia
Em gás natural, 06/06/2011 às 00:10
Por Marcelo Colomer
O desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas de perfuração horizontal e de fraturamento hidráulico têm permitido a expansão da capacidade de produção de gás natural em formações geológicas de baixa permeabilidade, especialmente em formações de xisto. Nesse novo contexto exploratório, destaca-se o crescimento da produção de gás de xisto nos EUA e no Canadá onde o aumento da oferta interna de gás natural vem modificando completamente o mercado do energético.
Contudo, apesar do aumento da produção canadense e norte americana de gás de xisto, ainda existem grandes incertezas a respeito do potencial produtivo de gás natural em formações geológicas de baixa permeabilidade. Isso se explica não somente pela inexistência de dados geológicos em determinadas formações de xisto como também pelos elevados e ainda pouco conhecidos impactos ambientais da produção de shale gas. Leia o resto deste post »
consumo automotivo, crise do álcool, política energética, regulação, segurança energética, setor de biocombustíveis
Em etanol, 30/05/2011 às 00:15
Por Edmar de Almeida e Thales Viegas
Após queda nos preços do etanol, com o início da safra, a questão que fica para o Governo e para os consumidores é se a crise de oferta do etanol é uma questão conjuntural ou estrutural. Ou seja, este foi um problema pontual referente apenas à última entressafra ou algo que tende a se repetir nos próximos anos.
Para responder a esta pergunta é necessário uma análise mais cuidadosa dos fatores que estão detrás do problema. A razão básica do recente pico de preços foi o desequilíbrio entre oferta e demanda. Algumas causas deste desequilíbrio são conjunturais. Entretanto, nos parece que existem outras cujos efeitos podem durar por um período mais longo de tempo.
Depois da crise de 2008, a demanda potencial de etanol cresceu muito à frente da oferta de etanol. Em março de 2011, o setor automotivo alcançou a marca de 13,19 milhões de veículos flex-fuel licenciados desde 2003 e a participação destes veículos na frota total de veículos leves alcançou 43%. Somente em 2010 foram vendidos cerca de 3 milhões de veículos flex-fuel. Leia o resto deste post »
meio ambiente, política energética, segurança energética, setor energético, sustentabilidade, tecnologia
Em energia, 23/05/2011 às 00:10
Por Ronaldo Bicalho
Segurança energética e mudança climática são os dois grandes eixos em torno dos quais se estruturam atualmente as políticas energéticas no mundo.
Com isto, garantir o suprimento de energia e reduzir as emissões dos gases de efeito estufa tornaram-se grandes objetivos estratégicos dos Estados Nacionais no campo da energia, com reflexos significativos na composição desejada da matriz energética futura e na configuração das estratégias mais adequadas para alcançá-la.
Contudo, a avaliação das reais conseqüências da presença desses dois objetivos no cerne da política energética necessita de uma qualificação. Principalmente, no que diz respeito à maneira como os Estados Nacionais percebem, hierarquizam e introduzem em seu conjunto de políticas públicas esses objetivos; o que, ao fim e ao cabo, se traduz no volume de recursos que, de fato, esses Estados estão dispostos a mobilizar para alcançá-los. Leia o resto deste post »
consumo automotivo, crise do álcool, política energética, segurança energética, setor de biocombustíveis
Em etanol, 16/05/2011 às 00:10
Por Luciano Losekann
Até recentemente, o governo brasileiro destacava o país como potência mundial exportadora de etanol. Nesse sentido, em 2007, o governo brasileiro divulgou um estudo que apontava a possibilidade do Brasil atender com etanol a 5% do consumo mundial de gasolina e que, com técnicas mais avançadas, essa participação poderia chegar a 10% em 2025[1], com uma produção de 205 bilhões de litros de etanol no país.
Passados quatro anos, a perspectiva é totalmente distinta. O cenário recente do etanol no Brasil é caracterizado por dificuldades de abastecimento do combustível, preços disparados e necessidade de importação do produto. Leia o resto deste post »
acidente nuclear, cenários, China, Fukushima, Japão, planejamento energético, política energética, segurança energética, setor energético
Em energia nuclear, 11/04/2011 às 00:15
Por Renato Queiroz
O acidente na central de Fukushima Daiichi, situada a cerca de 250 km de Tóquio, e a classificação da Autoridade de Segurança Nuclear da França (ASN) de que as explosões ocorridas na planta de geração japonesa atingiram o nível 6 de gravidade, em uma escala internacional de classificação de eventos nucleares que vai até 7 [*], mexeu com os especialistas voltados às questões energéticas no mundo. O fato acrescenta um forte elemento de incerteza para a indústria nuclear mundial.
O nível seis da escala INES significa acidente grave, apontando que houve liberação de material radioativo e traz como consequência a adoção, na área atingida, de medidas que protejam a população. Isso reflete na opinião pública mundial, provocando grandes apreensões e pressões contrárias à geração de energia elétrica através dessa fonte.
Logo após o acidente, alguns especialistas, sob o impacto das trágicas notícias e imagens em tempo real, concordavam com a tese de que o renascimento da indústria nuclear estaria sendo abortado. Mas talvez a questão que tenha faltado no debate foi: Como atender sem a nuclear ao crescente consumo de energia que as sociedades vão demandar nos próximos anos sob um contexto de redução das emissões de gases de efeito estufa? Leia o resto deste post »
acidente nuclear, crise, Fukushima, Japão, política energética, segurança energética, setor elétrico, sustentabilidade
Em energia nuclear, 28/03/2011 às 00:15
Por Ronaldo Bicalho
O desastre ocorrido na central de Fukushima Daiichi no Japão colocou em xeque o processo de recuperação da imagem da energia nuclear como uma fonte segura e confiável. Esse fato gerou sérias dúvidas sobre a consistência da política energética de vários países que contavam com essa fonte para fazer face ao atual contexto energético de latente desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia e de crescente restrição ambiental ao uso dos combustíveis fósseis.
O impacto inicial desse acidente sobre a opinião pública foi muito desfavorável à expansão dessa fonte de energia na matriz energética e suscitou respostas políticas que apontaram na direção da reavaliação dos planos de construção de novas usinas. Esse movimento englobou desde a suspensão temporária do final da moratória nuclear alemã, até a sinalização da China e da Índia no sentido de reconsiderar seus planos de expansão da geração nuclear, passando pela intenção americana de também rever a segurança das suas centrais. Leia o resto deste post »
coordenação, geração térmica, instituições, novo governo, política energética, regulação, segurança energética, setor de gás, sustentabilidade
Em gás natural, 03/01/2011 às 00:13
Por Marcelo Colomer
No dia 14 de dezembro de 2010 foi realizado no Rio de Janeiro pela Associação Brasileira de Estudos de Energia – AB3E – o seminário “Uma Agenda para a Política Energética Brasileira nos Próximos 4 Anos”. Entre todos os temas abordados destaca-se o papel do gás natural na passagem de uma matriz energética predominantemente fóssil para uma matriz energética sustentada em energias renováveis. Nesse contexto, faz-se necessário pensar em uma nova agenda para o gás natural no Brasil.
O cenário atual que se põe à indústria de gás natural mostra-se muito diferente do cenário sobre o qual foi elaborada a lei 11.909. As incertezas sobre a segurança do abastecimento de gás natural, trazidas pela reestruturação do setor de hidrocarbonetos na Bolívia em 2006, e o crescimento acelerado da demanda davam sinais de que o Brasil passaria de uma situação de excesso para uma situação de escassez de gás natural. Leia o resto deste post »
concessões, geração térmica, novo governo, política energética, segurança energética, setor elétrico
Em energia elétrica, 08/11/2010 às 00:15
Por Luciano Losekann
Ao iniciar o primeiro mandato do governo Lula, o setor elétrico estava em situação crítica sendo clara a necessidade de reformas. O país havia passado por um racionamento que foi um dos fatores que contribuiu para sua eleição. Um ano após a posse, o novo modelo setorial foi implementado.
O Estado passou a ter um papel mais ativo no planejamento setorial, através da criação de novas instituições (EPE e CMSE) e da realização de leilões públicos para a comercialização de eletricidade.
Hoje podemos considerar que o modelo está consolidado. Mais de uma dezena de leilões para aquisição de energia de novas centrais[1] foram realizados desde 2004, assegurando o equilíbrio entre oferta e demanda[2].
Desta forma, o mandato de Dilma irá se iniciar em um contexto bem menos turbulento. Ainda que uma nova reformulação institucional como a de 2003/2004 não seja necessária, desafios significativos deverão ser enfrentados no setor elétrico. Esse artigo busca elencar esses desafios. Leia o resto deste post »
política energética, segurança energética, sustentabilidade
Em energia, 30/08/2010 às 00:15
Por Helder Queiroz
Dia 30 de agosto, o Grupo de Economia da Energia (GEE) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) promovem um debate, na sede do próprio IBP, intitulado “Política Energética: da dependência à inserção internacional”. A iniciativa visa promover uma reflexão ampla sobre tema e contará com convidados externos ao GEE.
A oportunidade de promover este tipo de reflexão vai muito além do fato de que teremos um novo governo em janeiro de 2011. O debate sobre as questões energéticas tem sido pautado, no plano internacional e nacional, sobre o futuro da produção e uso das fontes de energia, o qual não pode ser mais dissociado das políticas que visam atingir simultaneamente três objetivos: a segurança do abastecimento energético, a redução da dependência energética dos Estados nacionais e a diminuição dos impactos das mudanças climáticas provocadas por gases de efeito estufa, em especial oriundos da queima de combustíveis fósseis. Não há nada de trivial na compatibilização desses objetivos, os quais provavelmente apontam para uma crescente importância do binômio Energia-Tecnologia no processo de busca de soluções. Leia o resto deste post »
planejamento energético, segurança energética, setor energético
Em energia, 05/04/2010 às 01:00
Por Renato Queiroz
“Todos os homens podem ver as táticas pelas quais conquisto, mas ninguém consegue antever a estratégia em que se baseia a minha vitória.” Sun Tzu (544 – 496 A.C)
1. INTRODUÇÃO
A segurança energética é cada vez mais um fator prioritário na agenda política dos países. No entanto, medidas efetivas para afastar da sociedade o risco da falta de energia ou para diminuir a instabilidade da falta de acesso às fontes energéticas exigem a identificação e aplicação de ações de modo a permitir que o Estado tenha um planejamento de cunho estratégico, levando ao estabelecimento de ações de política energética de médio e longo prazo. Leia o resto deste post »