Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘sustentabilidade’

Bioeconomia em construção III – A chegado do etanol 2G: um passo importante para a inovação na bioeconomia

In biocombustíveis, etanol on 22/09/2014 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor092014O etanol 2G foi durante muito tempo o foco das políticas de inovação voltadas para os biocombustíveis. Há cinco anos, os recursos aplicados pelo Biomass Program do Department of Energy (DOE), certamente o mais importante programa de inovação em biocombustíveis do mundo, se concentravam no etanol celulósico. O resultado esperado desse grande esforço de inovação estava refletido nas metas de consumo de etanol 2G do RFS (Renewable Fuels Standard).

Entre 2007 e 2009, mais de 30% dos recursos aplicados – US$ 200 milhões anuais, em média – eram dirigidos diretamente ao etanol celulósico. Somente em 2010 as aplicações em biocombustíveis não etanol e outros produtos se tornaram expressivas, atingindo em 2011 mais de 40% do total de recursos aplicados. Pouco se falava dos combustíveis drop in e dos demais bioprodutos, como químicos e plásticos, como alvo dos projetos inovadores. Entretanto, a produção comercial de etanol 2G, como não é raro em inovações mais ambiciosas, revelou-se uma meta muito mais difícil do que se esperava. Houve fracassos, decepções e mudanças de planos. Empresas deixaram de existir, como a Range Fuels. Projetos de demonstração pioneiros acabaram não se viabilizando em escala comercial, como o da Iogen. Projetos tiveram que rever seus conceitos iniciais, como o da Coskata que trocou a biomassa pelo gás natural como matéria-prima. Como consequência, as metas do RFS não foram atingidas no tempo previsto.

Finalmente, o etanol 2G – etanol baseado em materiais lignocelulósicos como resíduos agrícolas e florestais – parece estar se concretizando com o início de operação das primeiras plantas em escala comercial. Em 2013, começou a operar a planta da Beta Renewables (Grupo M&G) em Crescentino, na Itália. Em 2014, três outros projetos importantes estão iniciando a produção em escala: Du Pont e Poet/DSM, nos EUA, e Granbio, no Brasil. Ainda no Brasil, Raizen está concluindo também uma planta e Petrobras tem um projeto em definição. Os projetos americanos são baseados em resíduos agrícolas do milho, Granbio utiliza a palha da cana e Raizen o bagaço. Leia o resto deste post »

O carro do futuro III: comparando políticas de incentivos – Japão, França e Estados Unidos

In energia on 25/08/2014 at 00:15

Por Michelle Hallack e Eduardo Guimarães (*)

michelle082014Na busca por um carro/combustível do futuro o carro elétrico certamente é uma das grandes apostas. Dentre os pontos positivos do carro elétrico vale ressaltar as questões relacionadas à emissão de CO2 (obviamente, se o parque gerador de eletricidade for baseado em fontes não, ou pouco, poluentes). Ademais, esta tecnologia não está atrelada a um recurso energético específico, podendo se basear em matriz heterogênea de acordo com as especificidades de cada país.  Atualmente, apesar do estoque de carros elétricos ainda ser pouco representativo o crescimento das vendas e multiplicação recente de políticas de incentivos apontam para uma crescente importância do carro elétrico.

As políticas públicas podem ser justificadas de diversas formas, entre elas: (1) as externalidades ambientais (em âmbito local – qualidade do ar urbano, como também global – efeito estufa); (2) as economias de rede (visto a relação com a indústria elétrica); e (3) os potenciais spillovers [1] tecnológicos no desenvolvimento de baterias (que é um dos fatores chaves para o desenvolvimento do carro elétrico (YOUNG et al. 2013).  A outra face da diversidade das motivações é o grande leque de políticas públicas que pode ser observado internacionalmente.

Abordaremos neste artigo, as políticas públicas em três países: França, Japão e Estados Unidos que, como chamamos atenção no  primeiro artigo da série, são os países que historicamente possuem o maior estoque de carros elétricos. No que se refere às políticas norte-americanas o estudo será focado no estado da Califórnia, visto que grande parte das políticas são estaduais e com grande heterogeneidade. A escolha da Califórnia se deve a sua importância no mercado de carros nos Estados Unidos, e por possuir o maior estoque de carros elétricos e o maior número de postos de recarga (EIA, 2014; CCSE, 2013). A título de ilustração, em outubro de 2013 os EUA tinham comercializado em torno de 140 mil unidades de veículos elétricos. Deste total, 50 mil unidades foram comercializadas na Califórnia. Leia o resto deste post »

O carro do futuro II: reflexões sobre os resultados do último relatório do IPCC

In energia on 26/05/2014 at 00:15

Por Michelle Hallack

michelle052014Um dos principais impulsos para o desenvolvimento de tecnologias alternativas para o transporte é a preocupação com as emissões de gases de efeito estufa.  Os fundamentos desta preocupação são reforçados pelos resultados do relatório do IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Exchange) que foi aceito em meados de abril 2014, IPCC (2014). O relatório chama atenção para diversos aspectos do crescimento das emissões de CO2 no transporte e nos desafios que o crescimento da mobilidade, principalmente nos países subdesenvolvidos, colocará caso não haja uma mudança radical nas formas de transporte de pessoas e de mercadorias.

Segundo o relatório, o setor de transporte produziu em 2010 6,7 GtCO2[1], sendo assim responsável por 23% da emissão de CO2 relacionadas as atividades energéticas. Este valor vem crescendo significativamente e de maneira sustentada, mesmo com avanço da eficiência dos veículos e das políticas adotadas. Em relação a 1970, a emissão de gases de efeito estufa no setor de transporte mais que dobrou, crescendo com taxas superiores aos outros setores usuários de energia. Note que 80% deste crescimento são gerados por veículos rodoviários.

O relatório chama atenção para a diferença de distribuição do transporte, em torno de 10% da população global representa 80% do total de passageiros (passageiros-kilometros). Isto significa que uma grande parte da população mundial viaja pouco ou nada. Neste sentido, pode-se pensar nos resultados de emissão de CO2 em transporte como uma forma de indicador de acesso aos serviços de transporte[2]. Como já apontado por Shafer e Victor (2000), o crescimento da renda tende a gerar aumento da mobilidade[3]. Leia o resto deste post »

Segurança energética e mudanças climáticas: o caso russo

In energia on 05/05/2014 at 00:15

Por Felipe Imperiano *

imperiano052014Além de ocupar uma posição relevante no que tange o fornecimento energético, a Rússia é um dos maiores consumidores mundiais de energia de origem fóssil, portanto as suas decisões de política energética têm implicações para a segurança energética e a sustentabilidade do meio ambiente, em uma dimensão global (IEA, 2011, p. 245). O que faz com que o seu posicionamento, dada a perspectiva de elevação de temperatura mundial, em função da liberação de carbono na atmosfera pelo consumo de energia, seja de amplo interesse.

A Rússia foi o terceiro maior produtor de energia do mundo, em 2011. A sua produção total foi de 1.314,88 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), isto é, aproximadamente 10% da produção mundial (IEA, 2013a, p. 54). A demanda interna bruta[i] total, nesse mesmo ano, foi de 730,97 Mtep (IEA, 2013, p. 240). Isso representou um crescimento de 4,1%, em relação ao ano anterior (IEA, 2012, p. 13). Ainda assim, o seu percentual no total do consumo mundial diminuiu ligeiramente de 6% para 5,6% e ela passou a ser o quarto maior demandante de energia, sendo ultrapassada pela Índia (IEA, 2013, p. 13; IEA, 2012, p. 13).

Em 2011, a Rússia emitiu 1.653,23 Mt de dióxido de carbono, isto é, 5,3% das emissões mundiais, o que faz dela a quarta maior emissora de CO2 (IEA, 2013a, p. 54). Estima-se que entorno de 82% das emissões de gases de efeito estufa russas sejam provenientes do setor energético (IFC, 2011, p. 11). O pico das emissões de CO2 acorreu em 1989 e, a partir de então, caíram continuamente até 1998, com ilustra o Gráfico 1 (BP, 2013). No ano seguinte, concomitantemente à mudança de governo e ao início de sua recuperação econômica, essa tendência se inverteu. Entre 1999 e 2011, as emissões russas cresceram em média 0,9% ao ano, porém ainda são, aproximadamente, 30% menores do que em 1989. Leia o resto deste post »

PDE 2022: O planejamento do governo brasileiro para a expansão da oferta de energia elétrica nos próximos 10 anos

In energia elétrica on 25/11/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato112013O planejamento energético brasileiro sob a responsabilidade do Ministério de Minas e Energia (MME) e com suporte técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tem dois instrumentos que indicam as opções que o governo visualiza para a expansão da oferta de energia  no médio e longo prazos: o  Plano Nacional de Energia (PNE) cujo o primeiro documento foi apresentado em 2007 ao público em geral com metas até 2030 – segundo informações da EPE, o próximo PNE expande esse horizonte em 20 anos, ou seja, até 2050, devendo estar disponível no 1º semestre de 2014 – e o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) que representa, segundo o MME, a visão tática de médio prazo do governo para a indústria de energia no Brasil e é revisado anualmente.

O PDE 2022, foco desta postagem, abrange o período de 2013 a 2022 e acaba de ser divulgado neste mês de novembro, após o período de consulta pública.

A comunidade científica, as organizações não governamentais, as associações de classe e consultores especializados vão analisar o documento e deverão discutir, em eventos e/ou  em relatórios e artigos, as suas visões sobre os caminhos que a indústria de energia no país deve perseguir nesse período, concordando e/ou  discordando do PDE.  Essas avaliações enriquecem o processo de prospectar o futuro da energia no país. Uma atenção, no entanto, deve ter o leitor ao se debruçar sobre essas análises, pois um  plano indicativo de expansão de oferta acaba privilegiando ou postergando a  participação de certas tecnologias na matriz elétrica. Como tal, os interesses das indústrias e organizações atrelados a uma determinada fonte de energia são afetados. Nesse caso, certamente, as propostas e críticas estarão coerentes com os objetivos de seus negócios ou dos de quem representam, ou seja, as opiniões podem, muitas vezes, expressar tendências. Leia o resto deste post »

Os desafios da energia no Brasil

In energia on 30/07/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

seminario2Quais são as questões fundamentais para o desenvolvimento do setor energético brasileiro no atual contexto nacional e internacional? De que maneira a energia pode ser um fator decisivo no desenvolvimento econômico e social do país? Quais são os grandes desafios a serem vencidos para que a energia possa servir de alavanca para esse desenvolvimento?

Para responder a essas questões o Grupo de Economia da Energia realizará no próximo mês de Outubro o seminário: Os desafios da energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se dará em dois dias, e está estruturado em torno da discussão de seis grandes temas e duas grandes questões decisivas para a evolução do setor energético brasileiro.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

O primeiro grande tema é a inserção do debate brasileiro no debate energético internacional. Nesse sentido, quais são as grandes tendências e dilemas do cenário energético internacional?

Duas questões fundamentais definem o atual contexto energético internacional: segurança energética e mudança climática. Os diferentes Estados Nacionais encaram de maneiras distintas essas duas questões e, principalmente, a problemática correlação existente entre elas. Essas percepções distintas geram estratégias distintas, que interagindo umas com as outras vão desenhando os cenários possíveis de evolução desse contexto.

Essa pluralidade de percepções, estratégias e evoluções configura um quadro no qual o processo de transição entre a atual economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis e uma futura economia sustentada nas energias renováveis é acima de tudo indefinido e aberto, com várias trajetórias, conteúdos e tempos de duração possíveis. Leia o resto deste post »

Obama, mudança climática e carvão

In carvão on 01/07/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho072013O presidente americano Barack Obama anunciou na última terça-feira, 25 de Junho, um conjunto de iniciativas para combater o aquecimento global, com medidas para reduzir as emissões de carbono, preparar os Estados Unidos para os impactos das alterações climáticas e fortalecer a cooperação internacional para lidar com o problema.

O anúncio representa o movimento político mais importante do atual governo desde a ampla reforma energética proposta em 2009, aprovada inicialmente na Câmara e posteriormente derrotada no Senado.

Nessa nova tentativa de fixar o legado de sua presidência no combate à mudança climática e no apoio às energia limpas, Obama privilegiou as ações no âmbito do próprio Executivo. Dessa forma, procurou evitar o enfrentamento legislativo que marcou o seu primeiro mandato. Contudo, se, por um lado, o presidente se livrou dos desgastes e das derrotas desse tipo de enfrentamento, por outro, sem o recurso a mudanças regulatórias significativas, suas opções se tornaram mais limitadas. Assim como mais sujeitas a questionamentos legais.

Entre as medidas anunciadas na última terça-feira, sem dúvida, a de maior impacto ambiental, econômico e político é a proposta de definição de padrões de emissão de CO2 para as plantas de geração de eletricidade, tanto para as novas quanto para as já existentes; lembrando que a geração de eletricidade é responsável por um terço das emissões americanas de gases de efeito estufa.

Obama considera que tem o mandato legal para agir na redução das emissões de carbono a partir da determinação da Suprema Corte de que o CO2 é um poluente. Nesse sentido, o presidente estabeleceu que a agência federal do meio ambiente (Environmental Protection Agency – EPA) trabalhe em conjunto com os estados, a indústria e outras partes envolvidas com o problema, na determinação de novos padrões de poluição do carbono, similares àqueles que já existem para outros poluentes tóxicos como o mercúrio e o arsênico. Essas novas regras deverão estar definidas e prontas para serem aplicadas dentro de dois anos. Leia o resto deste post »

Futuros desafios para o setor elétrico: a distribuição

In energia elétrica, energia solar on 24/06/2013 at 00:40

Por Clarice Ferraz

clarice062013O relatório Síntese do Balanço Energético Nacional (BEN, 2013), disponibilizado recentemente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revela que o Brasil, assim com a maioria dos países desenvolvidos, tem caminhado para uma maior eletrificação de sua matriz energética. O gráfico abaixo, extraído do Relatório, ilustra a evolução.

Gráfico 1: Evolução do consumo de eletricidade no Brasil em 2012

clarice062013a

Fonte: EPE (2013:30)

Tal “eletrificação” é liderada pelo consumo dos setores industrial e residencial, ambos através da adoção de mais processos automatizados e de novos aparelhos e processos movidos à eletricidade. Ao se modernizarem, essa tendência tende a se acelerar como veremos adiante. Assim, o modo como iremos produzir e consumir eletricidade no futuro irá influenciar fortemente o grau de competitividade de nossa economia, e os impactos ambientais associados ao setor energético. As características de nossa matriz elétrica se tornam cada vez mais relevantes na formulação do planejamento energético do País.

Nos países mais desenvolvidos o tema tem recebido ainda mais destaque e o impacto sobre as empresas distribuidoras de eletricidade começa a ser visto como um possível vetor de ruptura da tradicional estrutura do setor elétrico, tal como o conhecemos atualmente. O World Energy Outlook 2012, também chama atenção para tal fenômeno, entre 2000 e 2012, o consumo de eletricidade aumentou 40% , apesar da desaceleração sentida à partir da crise econômica de 2009 (IEA, 2012:180). Leia o resto deste post »

O desempenho das energias renováveis nos Estados Unidos em 2012

In energias renováveis on 18/02/2013 at 00:25

Por Jacqueline Batista Silva

jacqueline022013Há uma revolução acontecendo na forma com que os americanos produzem, consomem e, até mesmo, pensam a energia. As mudanças trazem implicações econômicas e de segurança nacional, aumentando, por um lado, a diversidade de fontes energéticas no país, consequentemente sua segurança energética, e, por outro, reduzindo a pegada de carbono deixada pela cadeia produtiva.

Essas mudanças são discutidas em um relatório sobre as energias renováveis na América lançado em Janeiro de 2013, realizado pela Bloomberg Finance L. P. e pelo Business Council for Sustainable Energy. O objetivo desse relatório é apresentar um quadro do papel desempenhado pelas tecnologias voltadas à energia sustentável nos EUA até o final de 2012.

Um grande impulsionador dessas mudanças foi o brusco desenvolvimento de inovações em energia, tecnologias e aplicações. Vale mencionar: novas técnicas de extração de gás natural, painéis fotovoltaicos de menor custo e maior eficiência, inserção de veículos movidos a gás natural e eletricidade, e smart grids. Leia o resto deste post »

O desafio energético Indiano: pobreza, segurança energética e mudança climática

In energia on 15/10/2012 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

Na Índia, 25% da população não têm acesso à eletricidade e 72% usam lenha para cozinhar. Isto significa que 289 milhões de indianos não têm luz elétrica em suas casas e que 836 milhões não têm fontes de energia modernas para preparar seus alimentos.

A Índia tem uma demanda energética (692,6 Mtep) 40% maior do que a do Japão (496,8 Mtep), contudo, cada indiano consome (0,59 tep) apenas o correspondente a 15% da energia consumida por um japonês (3,90 tep).

Mesmo considerando as reduções previstas para essas carências energéticas, em 2030 as parcelas da população indiana sem acesso à energia elétrica (194 milhões) e às fontes modernas para a cocção (778 milhões) continuarão sendo significativas (10% e 53%, respectivamente).

Desse modo, a demanda de energia de uma grande parte da população indiana não é atendida hoje e, mais do que isso, continuará sem ser atendida por um longo tempo.

Em função das graves consequências econômicas e sociais dessa pobreza, prover o acesso às energias modernas para toda a sua população, principalmente à eletricidade, é a prioridade maior da política energética indiana. Essa inclusão tem sido, historicamente, o grande desafio das políticas públicas do Estado indiano na área de energia.

A Índia apresenta a terceira maior demanda de energia do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Leia o resto deste post »

Um balanço das políticas de estímulo à utilização das energias renováveis

In energias renováveis on 24/09/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Em recente relatório publicado pela KPMG Internacional são apresentadas as principais iniciativas em termos de taxas e incentivos realizados por 23 países ao redor do mundo em prol do estímulo ao desenvolvimento tecnológico e a promoção de diversas fontes de energias renováveis: eólica, solar, biomassa, geotérmica e hidroelétrica.

Em 2009 havia 83 países com algum tipo de política de promoção de renováveis; hoje, esse número chega a 96.  São observadas políticas regulatórias, além de incentivos fiscais e financiamento público.

Na União Europeia foi observada uma redução dos incentivos, devido ao quadro econômico vivido. No entanto, os países permanecem comprometidos com as metas de redução de emissões: a Suécia excedeu seus requisitos regulatórios; a Alemanha dobrou sua capacidade de geração solar fotovoltaica; a França delineou um plano de participação de 25% de renováveis no mercado de energia até 2020; e, segundo alguns analistas, a energia solar nas regiões mais ensolaradas do Mediterrâneo está a ponto de tornar-se competitiva com os combustíveis fósseis.

Em contrapartida são observadas, ainda assim, reduções no investimento. Mesmo a Alemanha, com muito bons índices, reduziu em 15% os subsídios, com indicações de 29% de cortes em 2012. O Reino Unido e a Itália reduziram subsídios em 50%. Na Espanha, várias instalações solares fecharam, levando ao desemprego na casa dos milhares. A República Tcheca poderá reduzir, ou mesmo eliminar os incentivos, a despeito dos compromissos firmados pela União Européia. Houve também o fator China, reduzindo os preços de painéis fotovoltaicos solares – quase 50% nos últimos 3 anos, devido ao aumento massivo da produção dos painéis. Leia o resto deste post »

As instituições e o futuro da energia

In energia on 06/08/2012 at 11:44

Por Ronaldo Bicalho

As instituições têm um papel decisivo na configuração do futuro da energia. Este texto discute o papel das políticas energéticas dos diversos Estados nacionais na evolução do cenário energético no médio (2030) e no longo (2050) prazos.

O peso das instituições

Dois fatores determinam a evolução estrutural do cenário energético: tecnologia e instituições.

Se, por um lado, as tecnologias vão definindo o horizonte de possibilidades de mediação entre as necessidades energéticas e os recursos naturais, por outro, as instituições vão enquadrando essas possibilidades; incentivando ou penalizando, sancionando ou vetando tecnologias, estratégias, empresas e países.

A evolução energética no médio e no logo prazo, vista sob a perspectiva de hoje, depende do posicionamento das instituições que regulam, em sentido amplo, o mercado energético frente a dois temas cruciais: segurança energética e mudança climática.

Esse posicionamento, na medida em que se traduza em políticas públicas, definidoras das ações dos diversos Estados Nacionais no enfrentamento desses dois problemas, irá se constituir em um dos elementos chave para a definição dos futuros possíveis da energia. Leia o resto deste post »

Integração de energia solar fotovoltaica em larga escala: a experiência alemã

In energia solar, energias renováveis on 23/07/2012 at 01:21

Por Clarice Ferraz

Há mais de 10 anos, a Alemanha lançou um audacioso plano de apoio à expansão da produção e integração das energias renováveis em sua matriz energética, no qual a eletricidade de origem solar fotovoltaica recebeu atenção especial. Recentemente, “vítima de seu sucesso ” – bastante oneroso, e sofrendo os impactos da crise econômica mundial e europeia, o país está revendo sua política energética.

No momento em que o Brasil aguarda a definição dos critérios para a conexão da micro e minigeração distribuída às redes de distribuição, o caso alemão de integração de larga escala de energias renováveis merece ser analisado com atenção sobretudo por duas razões: o êxito da rápida expansão e integração das fontes renováveis e os problemas que decorreram da falta de limites do programa. É importante lembrar que a Alemanha possui importante nível de atividade industrial forte consumidora de eletricidade, e que é o país que melhor tem enfrentado a crise europeia, apesar de ter os preços de sua eletricidade elevados. Leia o resto deste post »

Perspectivas tecnológicas e emissões de CO2

In energia on 02/07/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Em junho foi lançada a edição 2012 do Energy Technology Perspectives (ETP), da Agência Intenacional de Energia (AIE).  A publicação é apresentada como sendo a mais ambiciosa e abrangente no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias em energia. Nela, é demonstrado como tecnologias – de veículos elétricos a parques eólicos – podem contribuir significativamente para o objetivo internacionalmente acordado de limitar o aumento global da temperatura em, no máximo, 2°C sobre os níveis pré-industriais. O relatório é norteado, portanto, pelo cenário de 2°C ou 2DS (2 Degrees Scenario).

O Energy Technology Perspectives 2012 ganhou repercussão no New York Times e no The Guardian, numa época em que, a despeito dos resultados, vimos diversos países envolvidos em torno de questões ambientais na Rio+20.

O estudo disponibiliza no site a visualização do padrão de emissões e projeções de diferentes países (incluindo o Brasil) para os diferentes cenários de emissão. O gráfico que apresenta a condição do Brasil para o nível de emissões de CO2 em Gt, numa projeção para 2050, é reproduzido a seguir: Leia o resto deste post »

A política energética europeia: racionalização do uso e introdução de renováveis

In energia on 18/06/2012 at 00:15

Por Gustavo Haydt

As estratégias de incentivos a utilização de energias renováveis e a utilização racional de energia não são uma novidade no contexto Europeu, ou melhor, nos países que formam a Comunidade Europeia (CE). A CE, em virtude da primeira crise mundial de petróleo, que abalou o mercado da energia em 1973, definiu em 1974 uma resolução [1] na qual estabeleceu uma maior racionalização do consumo de energia, sem que isto afetasse o crescimento da sua economia e alterasse os objetivos de melhoria no conforto e qualidade de vida dentro da Comunidade. Além da racionalização no lado da demanda, a oferta de energia também foi alvo desta mesma resolução.

Com o objetivo de melhorar a segurança do abastecimento (principal motivo da época com foco na segurança da economia), a resolução recorria ao apoio ao desenvolvimento da produção de energia (electricidade) de origem nuclear (mais estável do ponto de vista do custo de energia na época) e ao apoio a extração de recursos fósseis provenientes da própria Comunidade. Apesar de alguma preocupação com o meio ambiente e o grande foco com a segurança do abastecimento, as energias renováveis ainda não eram vistas como oportunidade para a Comunidade. Leia o resto deste post »

Japão e Alemanha: o dilema nuclear

In energia nuclear on 04/06/2012 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Lobo

Há um dilema energético que tanto a chanceler alemã Angela Merkel quanto o primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda enfrentam neste momento: atender ao clamor público que exige o fechamento das usinas nucleares existentes em seus países ou seguir os ditames da segurança energética que aconselham a manutenção dessas usinas em funcionamento para assegurar a confiabilidade e os custos do suprimento de energia, essenciais para a competitividade de suas economias.

Esse não é um dilema novo para esses países. A peculiaridade do atual momento reside na dramaticidade introduzida pelo desastre de Fukushima, ocorrido no início do ano passado, no trade-off segurança energética versus insegurança nuclear; ou seja, risco de déficit energético versus risco de acidente nuclear. Leia o resto deste post »

Novos desafios para os reguladores de energia

In energia on 28/05/2012 at 00:15

Por Helder Queiroz

Um dos traços mais marcantes das mudanças estruturais e institucionais no modo de organização das indústrias energéticas, observadas desde o fim da década de 1980, foi a criação das agências reguladoras. Em todos os países que promoveram tais transformações, a criação de órgãos de regulação setorial de energia promoveu uma redefinição das fronteiras de competência e responsabilidades dentro do próprio Estado.

Cabe destacar que a multiplicação recente do número de órgãos reguladores em todos os países ampliou a variedade e a qualidade do exercício da regulação. As agências reguladoras ainda não atingiram a plena maturidade para o exercício de sua atividade e qualquer análise comparativa de suas estruturas e desempenhos pode revelar a imensa variedade de situações de um país a outro.

Desse modo, é sempre de grande utilidade confrontar as experiências de diferentes países e órgãos reguladores a fim de aprimorar a qualidade da regulação. É nessa perspectiva que se realizam, a cada três anos, os Fóruns Mundiais de Regulação de Energia. A sua quinta edição, realizada em maio de 2012, em Quebec, no Canadá, reuniu representantes de mais de 70 (setenta) países. Leia o resto deste post »

A China e o futuro das energias limpas

In energias renováveis on 23/04/2012 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho e Felipe de Souza

A China é o maior consumidor de energia e o maior emissor de CO2 do mundo. Sua matriz energética é baseada no carvão, que atende a 67 % da sua demanda energética e gera 79 % da sua eletricidade.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, o gigante asiático será responsável por um terço do aumento da demanda global de energia de hoje até 2035.

Se em 2000 a China demandava o correspondente a metade da energia consumida pelos Estados Unidos, em 2035 os chineses irão consumir 73% a mais do que os americanos; em um quadro no qual além de maiores consumidores de energia eles serão também os maiores importadores mundiais de petróleo.

Por outro lado, em 2009 a China ultrapassou o Estados Unidos como o país que detém a maior capacidade instalada de energias limpas. Nesse mesmo ano e no seguinte a China foi o país que mais investiu nesse tipo de energia (US$ 39,1 bilhões e US$ 54,4 bilhões de dólares, respectivamente); de tal forma que hoje os chineses são os maiores produtores mundiais de turbinas eólicas e painéis solares. Leia o resto deste post »

2012 será o ano da energia solar fotovoltaica no Brasil?

In energia solar, energias renováveis on 09/04/2012 at 00:15

Por Clarice Ferraz

No dia 13 de março, o site bloomberg alardeou o fato de diversos países terem atingido a regra de ouro da “grid parity” para a energia fotovoltaica, e o Brasil é um deles. Isso significa que, em muitos casos, para o consumidor final já vale a pena instalar seus painéis fotovoltaicos, e produzir eletricidade para si próprio, em vez de comprar eletricidade de sua distribuidora. A conexão à rede, entretanto, continua sendo fundamental para atender as demandas de alta potência e cumprir a função de bateria para os sistemas individuais conectados. Leia o resto deste post »

2011: um ano surpreendente para a indústria solar americana

In energias renováveis on 02/04/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Para a indústria de energia solar nos EUA, 2011 foi um ano histórico. Assim começa o “US Solar Market Insight: Year-in-Review 2011”, – uma publicação trimestral da Solar Energy Industries Association (SEIA) e da GTM Research, voltada à análise das condições de mercado, oportunidades e perspectivas para a indústria de tecnologias relacionadas à energia solar. São utilizados dados coletados diretamente de produtores, fabricantes e agências de estado afim de prover uma análise sobre instalações, custos, produção e projeções de mercado.

Temos ouvido boas e más notícias do setor de energias renováveis. Em textos anteriores apresentamos dados positivos com relação aos chamados greenjobs e, posteriormente, o duro golpe sofrido pelo governo americano com o financiamento da empresa Solyndra –  uma empresa fabricante de painéis solares que seria um ícone do programa de garantia de empréstimo às renováveis. A Solyndra decretou falência e não o fez sozinha: outras empresas do setor também não tiveram solidez suficiente para continuar no mercado tão competitivo internacionalmente, principalmente devido à presença da China.

As dificuldades apresentadas poderiam fazer com que vislumbrássemos um cenário muito difícil para o desenvolvimento das tecnologias renováveis, por isso as notícias apresentadas nas últimas semanas pelo The New York Times e pelo The Hill – também citando o relatório – trouxeram tanta surpresa. Leia o resto deste post »

O caso Solyndra: um revés às políticas de incentivos às renováveis nos EUA

In energias renováveis on 16/01/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Na postagem anterior, discutimos alguns dos mecanismos de financiamento para as tecnologias de implantação de energias renováveis.  Vários incentivos foram apresentados e foi então discutido um ponto de fragilidade do sistema: o custo de oportunidade gerado por esses incentivos num momento de crise econômica mundial.

Nos EUA, a discussão sobre a quebra da Solyndra – empresa produtora de painéis solares –, depois de ter recebido vultuosos incentivos governamentais, serviu para promover um questionamento a respeito do direcionamento dos investimentos, explicitando de maneira ainda maior o atual contexto conflituoso da definição da política energética americana.

A Solyndra, empresa californiana, produtora de painéis solares, fundada em 2005, tinha como principal proposta a utilização de uma tecnologia inovadora, que revolucionaria completamente a maneira como os painéis eram produzidos até então, viabilizando, dessa forma, uma redução significativa nos custos da energia solar. Leia o resto deste post »

Observatório de geopolítica da energia I: incertezas críticas globais em tempos turbulentos

In energia on 12/12/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

Os formuladores de política energética e executivos da indústria de energia estão, certamente, nesse  momento debruçados nas análises voltadas a economia da energia  e  a geopolítica energética na busca de um entendimeno do atual cenário mundial que os levem a implantar ações que minimizem os riscos  de abastecimeno energético em seus  países  e  em suas empresas.

Afinal  o mundo atual que convoca revoluções via facebook ,twitter,  pega de surpresa os estrategistas das corporações e de governos que avaliam o complexo mundo da indústria da energia. Métodos tradicionais  e modelos clássicos racionais para prever desempenhos econômicos, preços de combustíveis, inserção de novas tecnologias podem trazer,nesse novo contexto,uma dose de inocência. A sofisticação é uma exigência para o entendimento do imenso leque de informações que as “ redes” nos proporcionam. A geopolítica  da energia que trata das relações entre energia ,economia e políticas dos países pode aumentar o feeling  dos profissionais e reduzir os riscos de suas decisões. Leia o resto deste post »

Pré-sal: um obstáculo para as energias renováveis?

In energias renováveis, petróleo on 28/11/2011 at 00:10

Por Edmar de Almeida

Os recentes acidentes com derramamento de petróleo no Golfo do México e agora na Bacia de Campos colocam em tela um questionamento à exploração do Pré-sal brasileiro: Não estaria o Brasil entrando numa aventura desnecessária com a iminência da substituição do petróleo por fontes de energia renováveis?

Este questionamento está ligado à idéia de que o petróleo é uma energia do passado e que não vale a pena mobilizar recursos da sociedade em um negócio fadado a encolher e desaparecer rapidamente. Esta idéia não tem sustentação na realidade dos fatos.

Os estudos de previsão da matriz energética mundial apontam para um papel do petróleo e do gás natural ainda dominante no horizonte de longo-prazo. Segundo a Agência Internacional de Energia, estas fontes de energia, em conjunto com os demais combustíveis fósseis, deverão representar 75 % da matriz energética mundial em 2035, no cenário mais otimista para as energias renováveis.

Esse tipo de previsão é confirmado por outras agências governamentais e pelas principais empresas energéticas mundiais. Podemos dizer que o petróleo e o gás conservarão um papel destacado na longa transição para uma economia descarbonizada. Nesse sentido, o Pré-sal constitui uma expressiva vantagem comparativa para o Brasil. Nosso país poderá assumir um papel de destaque na transição energética, não apenas devido à sua grande dotação de petróleo e gás, mas também em função do seu potencial significativo de recursos renováveis. Leia o resto deste post »

Redução das emissões de CO2: distribuindo custos e sacrifícios

In energia on 07/11/2011 at 00:12

Por Ronaldo Bicalho

Segundo a nossa última postagem, pensar a transição entre a atual economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis  e uma futura economia sustentada nas energias renováveis como um processo definido, com uma trajetória única, um timing único e um conteúdo único, é uma simplificação que não ajuda no entendimento da natureza dessa transição, de suas possibilidades e de suas dificuldades.

A transição, de fato, é um processo indefinido e aberto, com várias trajetórias, conteúdos e tempos de duração possíveis.

Em outras palavras, não há uma transição única, mas várias transições.

Nesse sentido, analisar as possibilidades de evolução do setor de energia no mundo hoje implica na análise dessas várias transições.

Mapeando transições

Para se identificar essas diferentes possibilidades de transição é fundamental mapear as distintas maneiras de se perceber o trade-off segurança energética versus mudança climática e as diversas formas de enfrentá-lo.

Para isso, pode-se considerar, em termos gerais, que a redução da intensidade do processo de mudança climática seja o objetivo principal e, a partir daí, se avaliar qual o tipo de impacto negativo (custos) que a redução das emissões de CO2 tem sobre a segurança energética, em função de diferentes hipóteses para a obtenção dessa redução. Leia o resto deste post »

Políticas de incentivo para as energias renováveis

In energias renováveis on 31/10/2011 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Em texto anterior, vimos a fatia de crescimento que a economia verde é capaz de gerar. Numa iniciativa inovadora, foi escrito um relatório indicativo do crescimento promovido pela energia verde utilizando como parâmetro a quantidade de empregos gerados na área nos Estados Unidos. Esse estudo foi importante para melhor qualificar e justificar o investimento em energia ambientalmente limpa e renovável,  principalmente em momentos como atual, caracterizado por uma grave crise econômico-financeira. Essa primeira iniciativa em mensurar o papel desse setor econômico no quadro econômico geral surpreendeu quanto ao ritmo de crescimento e a capacidade de abarcar mão-de-obra em tempo de crise de maneira muito mais ampla que os empregos tradicionais – o que representa crescimento de toda a cadeia de desenvolvimento.

Outro estudo se apresenta de grande importância para a economia desse setor energético.  Trata-se de um estudo do World Resource Institute (WRI), apresentando as melhores políticas a serem empregadas visando à implantação e à utilização de energias renováveis a partir do estágio de maturidade da tecnologia envolvida em cada caso: Is The Fit Right? Considering Technological Maturity in Designing Renewable Energy Policy. Seu o objetivo é propor o reconhecimentodo mix correto de políticas institucionais a fim de promover inovação em energias renováveis. O estudo menciona também algumas das iniciativas públicas norte-americanas de incentivo. Neste texto, apresentaremos as sugestões do WRI para promover o desenvolvimento dessas tecnologias responsáveis pela maior inserção da energia renovável no mercado. Leia o resto deste post »

Segurança energética e mudança climática: a difícil convergência

In energia on 19/09/2011 at 00:10

Por Ronaldo Bicalho

Duas questões fundamentais dominam o debate contemporâneo sobre energia: mudança climática e segurança energética.

A princípio, essas questões pertencem a áreas de políticas públicas diferentes, contudo, a evolução recente dos acontecimentos, tanto no âmbito energético quanto no ambiental, fez com que a interdependência entre elas crescesse de forma significativa.

Face a isto, a peculiaridade do atual momento não se encontra simplesmente na presença do tema ambiental – mudança climática – no debate sobre energia, mas no protagonismo adquirido por esse tema na evolução do quadro energético atual. Em consequência, não basta reconhecer a necessidade de incorporar a variável ambiental no debate, mas reconhecer a necessidade de incorporá-la como uma questão de primeira ordem, em igualdade de condições com o tema energético por excelência que é a segurança energética.

A necessidade de se colocar as dimensões ambiental e energética no mesmo patamar na discussão sobre energia é fruto da presença marcante dos combustíveis fósseis tanto na mudança climática quanto na segurança energética.

Para a área de meio ambiente, os combustíveis fósseis constituem a principal causa da mudança climática, em função do aumento da temperatura gerado pela concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera; em particular, do CO2 emitido pela queima desses combustíveis.

Para a área de energia, os combustíveis fósseis desempenham um papel fundamental na garantia do suprimento de energia necessário ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar social; graças a um conjunto de atributos – estocabilidade, densidade, disponibilidade e controle – que permite a utilização desses combustíveis em níveis de escala e custo extremamente favoráveis. Leia o resto deste post »

A energia verde como um negócio

In energias renováveis on 29/08/2011 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

A maioria das considerações sobre a energia verde apresenta como motivador para a sua utilização a questão ambiental. Essa abordagem começa a ser substituída. Ao avaliar as possibilidades da economia verde na economia mundial em crise é possível encontrar resultados interessantes.

Por muito tempo, temas como “economia verde” ou “utilização de fontes renováveis de energia em processos produtivos” fizeram parte de uma abordagem sobre mudança climática ou manutenção da qualidade da vida humana no futuro. Dizia respeito a alguma utilização consciente de recursos energéticos, mas sem a devida análise do fator econômico.

Para preencher essa lacuna a The Brookings Institution lançou em Julho deste ano um relatório intitulado Sizing The Clean Economy, em que avalia do ponto de vista econômico – tomando como eixo a geração de empregos – o papel da economia verde nas regiões metropolitanas dos Estados Unidos.

O relatório – um dos mais claros e atualizados desse setor econômico – menciona uma grande dificuldade em mensurar todo o alcance dos empregos gerados pela economia verde, mas ainda assim, nenhum setor da economia americana tem sido mais celebrado como fonte de renovação econômica e geração de empregos.

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Os combustíveis fósseis e o aquecimento global no intrincado jogo da política energética

In energia on 08/08/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

Ao formularem e reavaliarem as políticas energéticas, os países enfrentam uma questão: as futuras matrizes energéticas devem refletir as ações que diminuam em ritmo crescente a queima do petróleo, gás natural e carvão, na busca de frear o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Essa questão vem acompanhada de relatórios de organizações respeitadas, como aqueles do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), advertindo que se tais ações não se concretizarem haverá elevação dos oceanos, secas em determinadas regiões, alterações no clima, etc.

Outro exemplo é o documento publicado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, em 2 de agosto de 2011, “A Ásia 2050”, e cujas conclusões foram divulgadas recentemente pela mídia.  Essa instituição, fundada em 1966 e cujo objetivo é promover o crescimento econômico para países em desenvolvimento na Ásia, alerta, nesse documento, que o impacto das mudanças climáticas está entre os principais entraves, para que a região recupere a posição econômica dominante que tinha antes da Revolução Industrial. Leia o resto deste post »

Dos fósseis aos renováveis: a difícil transição energética

In energia on 18/07/2011 at 00:10

Por Ronaldo Bicalho

A construção de uma política energética, que administre a difícil passagem de uma economia baseada nos combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono, não é uma tarefa fácil.

A massiva substituição dos combustíveis fósseis pelas fontes de energia renováveis envolve mudanças tecnológicas, econômicas e institucionais significativas. Essas mudanças transcendem o setor energético e abarcam temas que dizem respeito a um conjunto de valores associados ao papel crucial da energia no desenvolvimento econômico e no bem estar social e à relação com os recursos naturais e o meio ambiente derivada, justamente, dessa crucialidade.

A compatibilização entre os imperativos da segurança energética e os da mudança climática, mediante o recurso à penalização dos combustíveis fósseis e ao incentivo às renováveis, tem-se demonstrado na prática muito mais complexa do que o imaginado inicialmente.

A idéia de reunir o melhor dos dois mundos – a autossuficiência e a baixa emissão, o aumento da segurança energética e o combate aos fatores geradores da mudança climática – em torno da ampliação das fontes renováveis na matriz energética vem encontrando dificuldades tecnológicas, econômicas e político-institucionais crescentes.

A primeira dificuldade é tecnológica e diz respeito à necessidade de que haja avanços significativos nas tecnologias renováveis para que elas possam competir de fato com as tecnologias tradicionais. Esses avanços referem-se à superação dos problemas associados às baixas estocabilidade, densidade e escala, características do atual estágio de desenvolvimento das renováveis. Leia o resto deste post »

Novas diretrizes para o setor elétrico: o debate europeu e a situação brasileira

In energia elétrica on 11/07/2011 at 00:10

Por Luciano Losekann

Nos dias 19 a 23 de junho, foi realizada a 34ª Conferência Internacional da IAEE (Associação Internacional de Economia da Energia) em Estocolmo. Esse é o principal encontro mundial na área de Economia da Energia, com a fronteira dos debates acadêmicos presente em suas sessões.

Nessa edição, o tema principal, que foi tratado nas plenárias de abertura e de encerramento da conferência, foi o desafio de promover a redução de emissões de CO2 na geração de eletricidade na Europa. É importante notar a plena incorporação da agenda ambiental na política energética para o setor elétrico na Europa. As principais referências acadêmicas de análise do setor elétrico da Europa têm orientado pesquisa para esse tema.

A diretiva da União Européia para fontes renováveis tem a meta ousada de atingir 20% de participação na matriz energética em 2020 (o que é parte do pacote 20 20 20[1]). O método escolhido para atingir esse objetivo foi o cap and trade, através do sistema ETS (Sistema de Comercialização de Emissões). O método fixa permissões de emissões negociáveis para os Estados Membros e o preço do carbono se ajusta às condições de mercado. Leia o resto deste post »

Desenvolvimento econômico, energia e emissões de CO2

In energias renováveis on 27/06/2011 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

A maneira como a energia – ponto de partida para o desenvolvimento econômico e social – foi historicamente empregada envolveu não apenas a utilização intensa dos recursos naturais como também, muitas vezes, a sua degradação.

A Agência Internacional de Energia, em um estudo de referência, o Clean Energy Progress Report, apresenta a assertiva de que é preciso quebrar o elo entre desenvolvimento econômico e emissão de CO2. Se lembrarmos que o estudo foi lançado num período em que os Estados Unidos enfrentavam (e continuam enfrentando) uma crise econômica de grandes proporções, essa perspectiva ganha ainda mais peso em termos de possibilidades de construir uma distinta visão de futuro. Algumas considerações do estudo merecem ser ponderadas aqui, iniciando uma série de discussões sobre o tema da utilização de energias limpas e renováveis – global e localmente. Há alguns temas pontuados no relatório que são úteis para revermos os itens centrais da questão. Leia o resto deste post »

O Pré-sal e a eficiência energética

In energia on 13/06/2011 at 00:10

Por Renato Queiroz e Agenor Garcia*

O Brasil vem trilhando um processo de transformações econômicas estruturais que o colocará, em futuro próximo, em estágio de desenvolvimento no padrão de países desenvolvidos. Muitas ações e decisões ainda devem ser tomadas, é verdade, porém há um sentimento reinante interno no país de que as políticas econômicas que vêm sendo tomadas trarão bons frutos para as gerações futuras.

Os resultados das ações e programas sociais implantados nos últimos anos, no entanto, dão indicação aos  planejadores energéticos de que o país deve ter muita cautela nas decisões que visam a atender a demanda projetada de energia.

O crescimento da renda nacional e sua redistribuição farão com que o consumo de energia por habitante aumente signicativamente. O Brasil já é a 5ª quinta maior população do mundo, situando-se em torno de 191 milhões de habitantes. Os estudos do IPEA sinalizam que, dependendo da taxa de fecundidade, a população brasileira pode ficar entre 209 e 217 milhões de habitantes em 2020. E a sociedade brasileira tem muita demanda reprimida. A nova classe média que surge com as ações sociais e o aumento de renda busca um grau de igualdade de acesso aos bens.

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Segurança energética e mudança climática: diferentes visões, diferentes políticas

In energia on 23/05/2011 at 00:10

Por Ronaldo Bicalho

Segurança energética e mudança climática são os dois grandes eixos em torno dos quais se estruturam atualmente as políticas energéticas no mundo.

Com isto, garantir o suprimento de energia e reduzir as emissões dos gases de efeito estufa tornaram-se grandes objetivos estratégicos dos Estados Nacionais no campo da energia, com reflexos significativos na composição desejada da matriz energética futura e na configuração das estratégias mais adequadas para alcançá-la.

Contudo, a avaliação das reais conseqüências da presença desses dois objetivos no cerne da política energética necessita de uma qualificação. Principalmente, no que diz respeito à maneira como os Estados Nacionais percebem, hierarquizam e introduzem em seu conjunto de políticas públicas esses objetivos; o que, ao fim e ao cabo, se traduz no volume de recursos que, de fato, esses Estados estão dispostos a mobilizar para alcançá-los. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustiveis VII – qual o papel do Brasil?

In biocombustíveis on 09/05/2011 at 00:10

Por José Vitor Bomtempo

Na postagem anterior, discutimos a estratégia da Petrobras, sem dúvida o ator mais importante no futuro da energia no Brasil. Vimos que se pode depreender das iniciativas da empresa uma postura de participação efetiva na indústria de biocombustíveis. Mas essa participação parece se dar dentro de uma visão comprometida mais com a indústria de hoje – dita de primeira geração – do que com a indústria do futuro – dita de biocombustíveis avançados e outros bioprodutos.

Essa perspectiva é reforçada ao se comparar a Petrobras com outras grandes empresas de petróleo, como a Shell, BP, por exemplo (ver as postagens anteriores; o futuro dos biocombustíveis IV e V), que combinam um posicionamento na indústria atual com uma estratégia de construção da nova indústria. Outra empresa de petróleo que tem reforçado de forma interessante sua participação nos biocombustíveis do futuro é a Total. Voltaremos ao caso da Total na próxima postagem. A questão hoje é examinar o papel do Brasil na indústria do futuro e para isso devemos examinar bem mais do que o papel da Petrobras. Leia o resto deste post »

O acidente nuclear no Japão, a escassez energética e a mudança climática global

In energia nuclear on 28/03/2011 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

O desastre ocorrido na central de Fukushima Daiichi no Japão colocou em xeque o processo de recuperação da imagem da energia nuclear como uma fonte segura e confiável. Esse fato gerou sérias dúvidas sobre a consistência da política energética de vários países que contavam com essa fonte para fazer face ao atual contexto energético de latente desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia e de crescente restrição ambiental ao uso dos combustíveis fósseis.

O impacto inicial desse acidente sobre a opinião pública foi muito desfavorável à expansão dessa fonte de energia na matriz energética e suscitou respostas políticas que apontaram na direção da reavaliação dos planos de construção de novas usinas. Esse movimento englobou desde a suspensão temporária do final da moratória nuclear alemã, até a sinalização da China e da Índia no sentido de reconsiderar seus planos de expansão da geração nuclear, passando pela intenção americana de também rever a segurança das suas centrais. Leia o resto deste post »

Questões sobre energia nuclear no Brasil

In energia nuclear on 31/01/2011 at 00:15

Por Thaís Vilela (*)

Diante de políticas mundiais de redução das emissões de dióxido de carbono e de utilização de fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, cresce, no mundo, o debate sobre a utilização do combustível nuclear para a geração de energia elétrica. Apresentada por alguns pesquisadores como solução eficiente e viável economicamente, a energia nuclear encontra forte oposição da população, sendo, na maioria das vezes, associada a programas militares e à possibilidade de acidentes. Não é possível, de fato, negar tais associações, porém não é possível negar também o avanço dos procedimentos de segurança adotados, assim como a evolução tecnológica dos reatores nucleares.

Especificamente sobre a energia nuclear no Brasil, tem-se que as usinas nucleares de Angra dos Reis operam de acordo com as Convenções Internacionais de Segurança Nuclear e de Gerenciamento Seguro de Combustível Usado e Rejeitos Radioativos, seguindo, assim, rigorosos procedimentos de controle e de qualidade ao longo de todo processo produtivo, reduzindo, dessa forma, os riscos de acidentes. São muitos os trabalhos que apresentam os custos e os benefícios da utilização do combustível nuclear para a geração de eletricidade. Contudo, no Brasil, a discussão sobre energia nuclear deve ser mais do que uma simples apresentação das vantagens e desvantagens do uso do combustível nuclear.

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Uma agenda para o gás natural no novo governo

In gás natural on 03/01/2011 at 00:13

Por Marcelo Colomer

No dia 14 de dezembro de 2010 foi realizado no Rio de Janeiro pela Associação Brasileira de Estudos de Energia – AB3E – o seminário “Uma Agenda para a Política Energética Brasileira nos Próximos 4 Anos”. Entre todos os temas abordados destaca-se o papel do gás natural na passagem de uma matriz energética predominantemente fóssil para uma matriz energética sustentada em energias renováveis. Nesse contexto, faz-se necessário pensar em uma nova agenda para o gás natural no Brasil.

O cenário atual que se põe à indústria de gás natural mostra-se muito diferente do cenário sobre o qual foi elaborada a lei 11.909. As incertezas sobre a segurança do abastecimento de gás natural, trazidas pela reestruturação do setor de hidrocarbonetos na Bolívia em 2006, e o crescimento acelerado da demanda davam sinais de que o Brasil passaria de uma situação de excesso para uma situação de escassez de gás natural. Leia o resto deste post »

Competitividade internacional do etanol brasileiro: oportunidades e ameaças

In etanol on 13/12/2010 at 00:15

Por Thales Viegas

A competitividade é um dos principais fatores que garantem o crescimento e o sucesso de um produtor ou de um país. Competitividade é uma questão de grau. Existe um espectro de possibilidades (níveis) de modo que não se trata apenas de ter ou não ter, mas em se possuindo alguma competitividade, importa saber em que patamar ela se encontra. O conceito de competitividade é relativo e se define pela comparação entre produtores ou países. Ela pode ser mensurada, basicamente, por meio do ritmo de crescimento das vendas, da rentabilidade e, principalmente, da participação de mercado (market-share) do agente ou do conjunto de agentes em análise.

Deste modo, é possível que os elementos que compõem a competitividade de uma indústria sofram uma piora em certo momento, mas a indústria pode permanecer competitiva em alguma medida. Em mercados de produto homogêneo, ou com poucas diferenças qualitativas (como é o caso do etanol), o preço é um elemento decisivo na determinação da competitividade. Quando um produtor é capaz de praticar preços abaixo de seus concorrentes, suas vendas podem crescer e ele pode conquistar e manter uma maior participação de mercado. O preço também pode oferecer sinais de mercado a respeito da estrutura de custos e da eficiência de um produtor. É basicamente a relação entre os custos e os preços que determina a rentabilidade do negócio. Assim, os produtores eficientes em custos têm condições para serem mais competitivos no mercado global, mantendo o crescimento das vendas e um maior market-share, ao sustentar preços abaixo daqueles praticados por seus concorrentes.

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A inexorável interdependência das políticas energéticas nacionais

In energia on 30/08/2010 at 00:15

Por Helder Queiroz

Dia 30 de agosto, o Grupo de Economia da Energia (GEE) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) promovem um debate, na sede do próprio IBP, intitulado “Política Energética: da dependência à inserção internacional”. A iniciativa visa promover uma reflexão ampla sobre tema e contará com convidados externos ao GEE.

A oportunidade de promover este tipo de reflexão vai muito além do fato de que teremos um novo governo em janeiro de 2011. O debate sobre as questões energéticas tem sido pautado, no plano internacional e nacional, sobre o futuro da produção e uso das fontes de energia, o qual não pode ser mais dissociado das políticas que visam atingir simultaneamente três objetivos: a segurança do abastecimento energético, a redução da dependência energética dos Estados nacionais e a diminuição dos impactos das mudanças climáticas provocadas por gases de efeito estufa, em especial oriundos da queima de combustíveis fósseis. Não há nada de trivial na compatibilização desses objetivos, os quais provavelmente apontam para uma crescente importância do binômio Energia-Tecnologia no processo de busca de soluções. Leia o resto deste post »

Um panorama sobre os desafios da energia

In energia on 31/05/2010 at 00:30

Por Ronaldo Bicalho

A Associação Brasileira de Estudos em Energia (AB3E) criou o prêmio João Lizardo de Araújo para homenagear aqueles profissionais que contribuíram para o avanço do conhecimento na área de economia da energia no país.

O prêmio será entregue  na 33a Conferência Internacional da Associação Internacional de Economia da Energia, que ocorrerá no Rio de Janeiro de 6 a 9 de Junho, e o primeiro agraciado será o professor  Antonio Dias Leite.

O professor João Lizardo de Araujo dedicou mais de quarenta anos ao ensino e à pesquisa no campo da energia, a maior parte na Universidade Federal do Rio de Janeiro – inicialmente na COPPE e depois no Instituto de Economia.

Pouco tempo antes de falecer, já como diretor do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL) da Eletrobrás, João Lizardo deu uma longa entrevista ao Jornal da UFRJ, de junho de 2008, na qual traçou um amplo panorama sobre os grandes temas envolvendo a energia no Brasil e no mundo. Leia o resto deste post »

Futuro da energia e os caminhos de uma longa transição

In energia on 01/03/2010 at 00:00

Por Helder Queiroz

Ao longo da última década, o tema do desenvolvimento sustentável foi alçado ao primeiro plano das discussões e ações que envolvem empresas, instituições, governos e consumidores/cidadãos. Não obstante a multiplicação de estudos e trabalhos sobre o assunto, ainda não há um consenso sobre uma definição precisa sobre os conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. Isto é explicado provavelmente por eles abarcarem um sem número de dimensões e de definições. Leia o resto deste post »