Grupo de Economia da Energia

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Transição Energética: Como as companhias petrolíferas estão se preparando para atuarem numa economia de baixo carbono

In petróleo on 05/09/2021 at 22:20

Carlos Felipe G. Lodi[1]

No início de agosto de 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou um relatório preparatório para a COP26, a realizar-se em Glasgow em novembro deste mesmo ano, considerando cenários que indicam, com mais de 50% de probabilidade, que o limite de temperatura de 1,5ºC acima da era pré-industrial poderá ser atingido até 2040, uma década antes das suas previsões anteriores.

Tal constatação provocará os governos dos países signatários do Acordo de Paris a anteciparem e reforçarem as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), com impactos maiores ainda do que os previstos sobre o setor energético mundial e, em particular, sobre as companhias petrolíferas, uma vez que essa indústria, ao longo de toda a sua cadeia de valor, é responsável por cerca de 53% das emissões no planeta.

O propósito deste artigo é apresentar um panorama geral atualizado das estratégias que vêm sendo adotadas pelas principais companhias petrolíferas no contexto da transição energética e trazer elementos para uma reflexão sobre a velocidade com que está se dando a sua transformação para atuarem competitivamente numa economia de baixo carbono, vis-à-vis à adoção das tecnologias inventariadas pela IEA (International Energy Agency) e pela IRENA (International Renewable Energy Agency).

A análise se baseia nos movimentos estratégicos de grupos de empresas, cujas estratégias individuais foram estudadas detalhadamente e consolidadas pelos autores que constam nas referências. Convencionalmente, as companhias petrolíferas são divididas em quatro grupos: as integradas internacionais (International Oil Companies – IOCs), as independentes, as estatais nacionais (National Oil Companies – NOCs) e as estatais internacionais (International Oil Companies – INOCs). 

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Diferenças estaduais do comportamento dos preços da gasolina: os casos de Rio de Janeiro e São Paulo (1)

In gasolina on 11/08/2021 at 14:34

Helder Queiroz  e Caíque Franklin Campos 

As restrições impostas pela pandemia do Covid-19 produziram impactos sobre os preços internacionais do petróleo, os preços dos derivados e também sobre a demanda de combustíveis. Não obstante a manutenção dos critérios de precificação dos combustíveis da Petrobras, com alinhamento aos preços internacionais, outros fatores como a desvalorização cambial, também produziram impactos sobre a formação dos preços domésticos dos combustíveis. 

No caso particular da gasolina, como se sabe, a estrutura de preços é composta pelo 1) preço de realização do produtor/importador da gasolina tipo A; 2) custo do etanol anidro combustível (EAC); 3) carga tributária; e 4) margens da distribuição e revenda. A fig.1 retrata a composição do preço médio da gasolina. 

Figura 1 – Composição do preço da gasolina tipo C (2)  

 
Fonte: Petrobras  

Cabe notar, no entanto, que dentre os componentes principais, destaca-se o ICMS, imposto de competência estadual, e que varia significativamente de um estado a outro. O objetivo deste texto é examinar, à luz dois casos dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a magnitude dessas diferenças, com especial ênfase para os impactos observados no preço da gasolina, após o início da pandemia, em ambos os estados. 

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A indústria de gás natural em 2020

In gás natural on 15/07/2021 at 19:47

Marcelo Colomer

O gás natural talvez tenha sido o combustível fóssil com maior resiliência durante o ano de 2020. Isto é, apesar da queda do consumo de 2,3%, a mesma verificada na crise financeira de 2009, a participação do gás natural na matriz energética mundial manteve seu crescimento, atingindo 24,7%. (BP, 2021)

O consumo de gás natural se reduziu basicamente em todas as regiões, com exceção da China e do Iran que viram o consumo do energético aumentar em 6,9% e 4,0% respectivamente. Nos EUA e na Europa, a redução do consumo foi respectivamente de 2,6% e 2,5%. (BP, 2021)

A produção mundial de gás natural em 2020 acompanhou a queda da demanda se reduzindo em 3,3%. Na Rússia e nos EUA, essas quedas foram de 41 e 15 bcm, respectivamente. Seguindo a tendência da produção, houve uma redução dos esforços exploratórios o que levou a uma redução das reservas provadas de 2,2 Tcm (BP, 2021). Atualmente a relação reserva produção (R/P) no mundo é de 48 anos, com destaque para o oriente médio (110 anos). 

Figura 1 – Produção e Consumo de Gás Natural por Região

Gráfico

Descrição gerada automaticamente

Fonte: (BP, 2021)

A pandemia do Covid-19 também reduziu significativamente o comércio de gás natural, que se contraiu em 5,3%. O comércio de GNL aumentou apenas 0,6%, patamar este muito abaixo dos últimos 10 anos (média de 6,8% ao ano) (BP, 2021). As regiões mais afetadas pela redução do comércio de GNL foram a Europa e a África.

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Privatização da Eletrobras: a crise contratada

In energia elétrica on 31/05/2021 at 02:00

Ronaldo Bicalho

A garantia do abastecimento da energia necessária para o desenvolvimento econômico e para o bem-estar da sociedade é uma preocupação central de qualquer Estado Nacional ao redor do mundo. 

O Estado, independentemente da sua maior ou menor participação direta na garantia do suprimento, é o garantidor final da segurança energética. Sobre ele, Estado, em particular o Governo de plantão, é que sempre recai a responsabilidade das crises de abastecimento. Crises que cobram um custo político elevado e impõem fragorosas derrotas eleitorais àqueles que têm a obrigação de evitar esses desastres energéticos e não o fazem.

No Brasil está em curso a mudança de política energética mais radical dos últimos noventa anos. A privatização da Eletrobras representa uma inflexão drástica na histórica e bem-sucedida estratégia de garantia do abastecimento energético do Estado brasileiro iniciada nos anos 1930s.

Primeiramente regulatória, mediante a implantação do Código de Águas em 1934, e em seguida produtiva, mediante a criação da CHESF em 1945, a intervenção do Estado se tornou desde então fundamental na garantia do suprimento elétrico necessário para o desenvolvimento econômico do País. O reconhecimento de que o setor privado não era capaz de suprir a energia elétrica demandada pela forte industrialização e urbanização em curso sustentou durante décadas essa intervenção.

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Bioeconomia em construção 21 – Bioeconomia: oportunidades para a agenda de inovação no Brasil

In biocombustíveis on 10/05/2021 at 13:56

José Vitor Bomtempo, Daniella Fartes e Gustavo Soares

A questão de uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil é um tema recorrente nesta série. O tema foi abordado diretamente nas postagens Existe uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil? e A importância (e a urgência) de se criar uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil, publicadas em 2015. Por que voltar a ele? Em primeiro lugar, as discussões em torno da bioeconomia têm crescido notavelmente no país. O termo bioeconomia já apareceu 192 vezes no jornal Estado de São Paulo, mas 130 referências foram no último ano. Deve ser destacado também que a agenda da sustentabilidade, à qual a bioeconomia está fortemente ligada, é vista como parte inerente da economia pós-covid. Os movimentos dos investidores, por exemplo a agenda ESG, e as metas de descarbonização de países e empresas reforçam o espaço das oportunidades da bioeconomia. No caso brasileiro, ao lado do enorme potencial de aproveitamento e valorização das nossas biomassas, crescem as discussões e projetos em torno da valorização/preservação da nossa sociobiodiversidade. As inúmeras iniciativas em torno da bioeconomia na Amazônia ilustram bem esse ponto. Teria chegado o momento de termos finalmente uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil? Esperamos que sim. Muitos desafios se colocam no caminho da construção dessa agenda e das políticas e estratégias que dela devem resultar. Esta postagem é uma contribuição para recolocar e atualizar a questão.

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A aceleração do colapso: a indústria petrolífera venezuelana no contexto de sanções

In petróleo on 27/04/2021 at 13:36

William A. Clavijo Vitto

A Venezuela é um dos casos mais recentes de imposição de sanções econômicas contra um país produtor de petróleo. As medidas foram adotadas, principalmente, pelo governo dos Estados Unidos, com o objetivo de pressionar por uma transição política à democracia no país caribenho. Isso, em decorrência da deriva autoritária de Nicolás Maduro, as sistemáticas violações aos direitos humanos e outras questões sensíveis da agenda de segurança nacional norte-americana no hemisfério. 

As primeiras sanções de tipo econômico contra algumas organizações do Estado venezuelano, incluindo a Estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), só aconteceram em 2017, quando o país já se encontrava submerso numa crise política, econômica e social que perdura até hoje e não tem precedente nas Américas. No setor de petróleo, essas sanções passaram a constituir um fator adicional às dificuldades já enfrentadas pela PDVSA para evitar a queda da produção de petróleo e de produtos refinados. Considerando o anterior, importa analisar o regime de sanções econômicas que tem sido estabelecido contra as organizações do Estado venezuelano e seus impactos sobre a indústria petrolífera venezuelana. 

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O desempenho de mercados livres diante das mudanças climáticas – algumas lições do Texas

In energia elétrica on 06/04/2021 at 20:07

Clarice Ferraz

As mudanças climáticas impõem desafios à segurança de abastecimento dos sistemas elétricos a partir de duas importantes fontes de estresse que se reforçam. De um lado, os eventos climáticos extremos fazem disparar a demanda por recursos energéticos em busca de conforto para conter as altíssimas temperaturas das ondas de calor ou, ao contrário, para enfrentar as situações de frio extremo. Do outro, para agravar a pressão sobre a resiliência do sistema elétrico, esses mesmos eventos climáticos estressam a infraestrutura do sistema, aumentando o desafio de conseguir atender o aumento de demanda.

Os últimos importantes blackouts ocorridos em setores elétricos ao redor do mundo mostram o tamanho do desafio que é preciso enfrentar e as consequências advindas de quando se não está à altura. Como já destacado em postagens sobre a importância das redes para o sucesso da transição energética, a maioria dos graves blackouts ocorreu por falhas que afetaram a integridade do sistema. Recentemente, podemos somar ao menos 4 novos eventos de grande escala à lista – Califórnia, Amapá, Croácia e Texas, confirmando a necessidade de adaptar o sistema físico dos setores elétricos para garantir a segurança de abastecimento. Apesar da gravidade dos incidentes e da atenção (breve), que é dada às consequências imediatas da falta de abastecimento de eletricidade, pouco se discutem os impactos econômicos aos consumidores. Tal debate revelaria como tem se dado a repartição de riscos econômicos financeiros no setor e como o acesso à energia também tem sido colocado em xeque por fatores econômicos e sociais.

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Vídeos e podcasts do GEE

In energia on 23/03/2021 at 11:41

Os vídeos do Grupo de Economia da Energia (GEE) podem ser encontrados no YouTube no Canal IE – UFRJ na playlist “Grupo de Economia da Energia” e os podcasts no GEE Energia em todos os agregadores. Clique nas imagens abaixo e assista os últimos vídeos disponíveis. Clique na versão em áudio e ouça o podcast.

As Petroleiras e a Transição. Versão em áudio.

Por Que a Gasolina em São Paulo é mais Barata do que no Rio de Janeiro. Versão em áudio.

Crise hídrica: Flertando com o Desastre. Versão em áudio.

A Indústria de Gás Natural no Mundo em 2020. Versão em áudio.

Privatização da Eletrobras: A Crise Contratada. Versão em áudio.

A Bioeconomia e as Oportunidades para a Agenda de Inovação no Brasil. Versão em áudio.

As Sanções Americanas e a Indústria Petrolífera Venezuelana. Versão em áudio.

As Lições do Desastre elétrico no Texas. Versão em áudio.

Por Que a Indústria de Gás no Brasil Não Decolou e Nem Vai Decolar Com a Nova Reforma. Versão em áudio.

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Os impasses da reforma do gás natural no Brasil

In gás natural on 15/03/2021 at 14:34

Helder Queiroz e Marcelo Colomer

Em muitos países, a importância dos compromissos assumidos no Acordo de Paris, em 2015, reservou ao gás natural a função de fonte de energia da transição, com um foco bastante preciso: substituir, com vantagens ambientais, o carvão na geração termoelétrica.

Também nos EUA, motivada pela extraordinária expansão da produção de gás não convencional, a matriz elétrica sofreu forte mudança estrutural. Em 2001, o carvão e o gás natural representavam, respectivamente, 51%e 17% da geração elétrica. Em 2019, essas participações passaram a ser de 23% e 38%, com ganhos ambientais igualmente significativos[1].

Em 2020, a forte redução da demanda de energia obrigou a revisão dos cenários de longo prazo, elaborados por diferentes instituições, governos e empresas. Além de sinalizar praticamente o fim das oportunidades para centrais térmicas a carvão, a AIE observa também uma contínua perda de competitividade das térmicas a gás vis-à-vis as fontes renováveis, em particular, eólica e solar.

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