Grupo de Economia da Energia

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Um Espaço Sempre em Disputa Técnica, Econômica e Política

In energia elétrica on 07/07/2022 at 12:45

A definição, no final do século do século XIX, do modelo de setor elétrico a ser desenvolvido ocorre em um contexto marcado por enfrentamentos duríssimos (entre eles, a guerra das correntes). Esses enfrentamentos indicam claramente, desde o início, que o setor é um espaço de fortes disputas tecnicas, econômicas e políticas. Esse é o tema desse Curto-Circuito especial sobre os fundamentos do setor elétrico. O programa é apresentado por Ronaldo Bicalho, pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ.

Bandeiras Tarifárias: Um Analgésico a Mais Para Uma Doença Crônica

In energia elétrica on 28/06/2022 at 12:13

As bandeiras tarifárias refletem o esgotamento do modelo elétrico brasileiro. Incapaz de atacar as reais causas dos seus problemas, o setor elétrico brasileiro distribui à farta analgésicos para aliviar os incomodos causados por esses problemas. E haja analgésico. Esse é o tema desse Curta-Circuito 09. O programa é apresentado por Ronaldo Bicalho, pesquisador do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ.

Insegurança Energética e Carestia na Privatização da Eletrobras

In Uncategorized on 21/06/2022 at 12:41

O aumento da insegurança energética do país e a aceleração da trajetória de crescimento das tarifas da energia elétrica são os maiores impactos da privatização da Eletrobras. Portanto, apertem os cintos porque o piloto sumiu. . Esse é o tema desse Curta-Circuito 08. O programa é apresentado por Ronaldo Bicalho, pesquisador do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ.

A guerra e a transição

In energia on 31/05/2022 at 12:31

A guerra torna o contexto energético mundial mais tenso, dificulta a transição energética e aponta para uma nova ordem energética mundial. Os impactos da guerra da Ucrânia sobre a evolução do debate sobre a política energética, em particular, sobre a transição energética é o tema desse Curta-Circuito 06. O programa é apresentado por Ronaldo Bicalho, pesquisador do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ.

A tragédia de uma agenda ruim

In energia elétrica on 23/02/2022 at 11:41

Ronaldo Bicalho

Como dizia Mário Henrique Simonsen, “formulado de maneira correta, o problema mais difícil do mundo um dia será resolvido. Formulado de maneira incorreta, o problema mais fácil do mundo jamais será resolvido”.

Ter uma boa agenda é fundamental para resolver os problemas. Uma boa agenda organiza, direciona e seleciona os recursos necessários ao enfrentamento adequado dos problemas, nos aproximando pari passu das soluções, acumulando experiências em um processo de aprendizado fundamental na resolução de questões complexas.

Ao contrário, uma agenda ruim torna mais difícil encontrar as soluções dos problemas. Uma agenda ruim desorganiza, tira o foco e desmobiliza os recursos necessários ao enfrentamento dos problemas reais, nos distanciando das soluções, acumulando erros em um processo de emburrecimento trágico.

O problema fundamental do setor elétrico brasileiro hoje é ter uma agenda ruim. Uma agenda que não só nos afasta do equacionamento das questões reais do setor, mas também desorganiza, desorienta e desestrutura os recursos necessários ao enfrentamento dos efetivos e gigantescos problemas estruturais do setor elétrico brasileiro.

Uma boa agenda seleciona os problemas e as formas de resolvê-los. Então, comecemos por aí. Qual é o problema?

Qual o problema do setor elétrico no mundo hoje?

O problema central do setor elétrico no mundo hoje é a transição energética. É abandonar a matriz elétrica baseada nos combustíveis fósseis e adotar uma nova matriz sustentada pelas novas fontes de energia renováveis (basicamente, solar e eólica). Esse abandono não é movido por forças endógenas ao setor, mas por fatores que se encontram fora dele e se concentram na urgência do enfrentamento do aquecimento global e, portanto, na premência da redução da queima dos combustíveis fósseis.

Dadas as diferenças existentes entre os atributos técnico-econômicos dos combustíveis fósseis e das energias renováveis, a transição de uma matriz fóssil para uma matriz renovável envolve desafios gigantescos de natureza tecnológica, econômica, organizacional, regulatória e político-institucional.

No momento, essa transição é um processo indeterminado e aberto, pleno de riscos, incertezas e tensões.

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De pipocas, mercados de capacidade e privatização da Eletrobras

In energia elétrica on 14/02/2022 at 11:28

Ronaldo Bicalho

Depois de quase quarenta anos estudando o setor elétrico, eu diria que complexidade é a palavra que melhor define essa atividade econômica essencial para o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade.

Dados os atributos técnicos, econômicos, políticos e sociais do produtos energia elétrica e dos processos que a geram, transmitem, distribuem e consomem, não é simples avaliar os impactos das ações/decisões individuais sobre o sofisticado sistema que entrelaça processos, agentes econômicos, políticos e sociais em uma teia de interdependências radicais e profundas  que não é encontrada em nenhuma outra atividade econômica.

Em outras palavras, não é fácil entender o que se passa em um setor elétrico. Pelo contrário, essa é uma tarefa difícil, penosa e, voilà, complexa.

Por isso, meu caro leitor, se você tem dificuldades de entender o que se passa, de fato, nesse setor, relaxe pois nem mesmo aqueles que trabalham no setor entendem. Não há especialistas no setor elétrico. Existem indivíduos que conhecem parte do setor e que raramente vão além das suas especialidades.

Aqui encontramos o melhor exemplo da parábola indiana  dos cegos e o elefante na qual cada cego toca uma parte diferente do corpo do elefante e o descreve com base em sua própria e limitada experiência.

Verdades absolutas baseadas em experiências limitadas e subjetivas é o que mais se encontra no setor elétrico. Principalmente, quando as instituições, o único espaço no qual as experiências podem ser somadas a partir de uma perspectiva coletiva de enfrentar essa “elefantídeca” complexidade, se desmancham e passam a vigorar o curto prazo e as agendas individuais, que são as melhores conselheiras para os grandes desastres setoriais. Desastres que em geral resultam da combinação de ignorância e má-fé.

Já encontrei situações em que uma certa burrice denota mais uma má-fé esperta do que uma ignorância real. Porém, os anos me ensinaram que o exercício da burrice, mesmo que movido pela esperteza, torna as pessoas mais burras e não o contrário. Assim, a esperteza conjuntural vai se transformando em burrice estrutural. Essa última é grave e não tem cura.

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O setor elétrico brasileiro escolhe o seu jogo: Guardiola ou Waldemar

In energia elétrica on 27/01/2022 at 12:36

Ronaldo Bicalho

Se pudéssemos por alguns instantes abstrair a pesada complexidade envolvida nas relações do setor elétrico e vê-las como o desenrolar de uma simples partida de futebol, poderíamos entrever alguns elementos fundamentais da estruturação desse jogo complexo, mas fascinante. Se você conseguir fazer isso, meu caro leitor, irá entender a grande encruzilhada e as escolhas decisivas que estão colocadas diante de nós.

Para atender o crescimento explosivo da demanda colocada pela industrialização e urbanização do País, o Brasil montou, a partir dos anos 1930s, um time excepcional para ampliar a oferta de energia elétrica que desse conta desse crescimento.

Para isso buscou-se a energia presente nos nossos rios e quedas-dágua. Essa escolha garantiu uma fonte barata e abundante de energia. Porém, essa escolha carregava um problema. O que fazer quando o clima não fosse generoso e tivéssemos secas fortíssimas. Em suma, como lidar com a falta de chuva. Em termos técnicos, como reduzir a nossa exposição ao risco hidrológico.

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