Grupo de Economia da Energia

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Desafios econômicos de processos de unitização no Pré-sal

In petróleo on 20/06/2016 at 00:15

Por Felipe Botelho Tavares (*), Luciano LosekannYanna Clara

luciano062016O processo de individualização (ou também chamado de unitização) de jazidas é uma prática recorrente na indústria do petróleo e gás natural. O processo se torna necessário quando o reservatório descoberto se estende para além do bloco exploratório concedido. No Brasil, a unitização ganhou contornos especiais com a instauração do regime de partilha e a possibilidade de convivência de regimes distintos para o mesmo campo. Esta postagem foca a análise sobre o impacto das regras atuais de unitização na atratividade de projetos com reservatórios que se estendem por áreas da União (não concedidas), situação que se verifica em vários campos do pré-sal brasileiro. As simulações realizadas mostram que a rentabilidade dos projetos é comprometida quando o consórcio arca com os investimentos correspondentes a recursos fora da área de concessão. Assim, o desenvolvimento de parcela relevante das reservas brasileiras pode ser inviabilizado.

CONTEXTO

A unitização consiste em um processo que visa contornar de forma equilibrada questões sobre a propriedade de reservas de hidrocarbonetos compartilhadas por agentes distintos. O processo de unitização implica em acordo para produção conjunta das partes, readequando custos e lucros, de forma a evitar a produção individualista e predatória das reservas (na literatura chamada como “regra da captura”). A unitização da produção permite a otimização da produção e pode reduzir custos por economias de escala e escopo, ampliando os ganhos resultantes da produção. BORGES (2014) estima receitas extraordinárias (windfall profits) de 6,5% em campos no pré-sal brasileiro através da otimização da produção e subaditividade de custos no contexto de processos de unitização. Continue lendo »

Uma análise crítica do Plano 2015 Eletrobrás

In energia elétrica on 02/05/2016 at 00:15

Por Felipe Botelho (*)

botelho052016O planejamento energético se caracteriza por ser uma ação holística inserida em um conjunto de ações de desenvolvimento econômico-social. O planejamento serve de preparação e para melhor coordenar a organização do mercado de energia e promoção de investimentos, compatibilizando oferta ao consumo futuro.

No Brasil o planejamento energético nacional historicamente foi coordenado por grandes empresas estatais (quais sejam Eletrobrás e Petrobras) que a partir de suas ações e investimentos desenhavam as estruturas a nível nacional do suprimento energético do país. No caso específico do setor elétrico brasileiro, criou-se a tradição de apresentar planos de planejamento como forma de guiar as decisões de investimento e consumo no longo e médio prazo.

Apesar do planejamento, as mudanças de contexto econômico e institucional que a economia brasileira passou nas últimas décadas foram profundas, se refletindo claramente na organização do setor elétrico. Desde a estabilização macroeconômica da economia, a economia brasileira sofreu uma série de ajustes, resultando em um crescimento inconstante. No âmbito setorial, é a partir da década de 1990 que o processo de abertura econômica e liberalização se deu mais intensamente, tornando-se um dos eixos principais da reforma do setor elétrico naquele período. Na década subsequente, a organização setorial pós-reforma não conseguiu manter o nível de investimentos para a expansão em uma economia em recuperação, culminando em crise de suprimento e imposição de um racionamento de larga escala em 2001. Continue lendo »

Taxa de desconto, escolhas energéticas e mudança climática

In energia on 25/05/2015 at 00:15

Por Felipe Botelho

felipe052015As ações de hoje guiam e/ou determinam as realidades do amanhã. O amanhã aqui deve ser entendido como um futuro não necessariamente imediato, mas num horizonte de tempo discernível e relevante para que o agente em questão possa ter uma compreensão relevante dos fatos projetados à futuro.

O que é, pois, o tempo? Se ninguém mo perguntar, sei o que é; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei (…)”
(Confissões, XI. p.113 – Santo Agostinho, Livro XI)

A ideia posta por Santo Agostinho sobre o tempo se coloca de forma a relacionar passado e futuro com a existência e a realidade do presente. Assim, o passado e futuro não existem concretamente, apesar de um já ter ocorrido e o outro em perspectiva de ocorrer; mas é a partir do presente como referência que é possível a criação da noção do tempo e, assim, do estabelecimento de sua métrica (seja o tempo curto, longo, instantâneo, permanente, etc.).

Desta maneira, é estabelecendo uma métrica com relação ao presente a maneira em que podemos entender o que será o futuro por comparação ao presente concreto e real.

Ao tratarmos da teoria econômica que faz uso de projeções de futuro, é usual o desenvolvimento de técnicas e modelos estatísticos de extrapolação, simulação, acompanhados de análises custo-benefício. A maioria destes métodos se concentra em valores monetários como métrica principal para a avaliação de impactos, em muitos casos valorando atributos não-econômicos, como é o caso de análises sobre impactos ambientais e climáticos, por exemplo. Continue lendo »

Externalidades no setor de energia elétrica: soluções e desafios

In energia elétrica on 04/02/2013 at 00:15

Por Felipe Botelho*

felipe022013Externalidades são definidas como efeitos colaterais não intencionais de produção e consumo que afetam positivamente ou negativamente a terceiros (PEARSE & TURNER, 1990). Basicamente, o problema de externalidades surge a partir de falhas de mercado ou como resultado da falta destes (missing markets) em termos de alocação de todos os efeitos produzidos a partir de atividades econômicas e sociais aos agentes envolvidos. A falta de mercados pode ser resultado da falta ou definição indevida de direitos de propriedade e responsabilidade, custos de transação, características de uso comum de recursos  entre outras razões (JOSKOW, 1992).

Além disso, para aquelas indústrias que se estruturam sob uma concepção de rede, há ainda a criação de externalidades próprias a esta estrutura. Efeitos de rede são externalidades relacionadas ao fato de que o valor de uma nova conexão à rede aumenta com o tamanho da rede, o que implica em uma interdependência entre agentes conectados que é vital para o funcionamento e desenvolvimento desta mesma rede. Continue lendo »

A complexidade da Política Energética Nacional: os desafios de se tornar um player internacional

In energia on 13/09/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Botelho

O Grupo de Economia da Energia (GEE) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) promoveram um debate em 30 de Agosto, passado, sob o título  “Política Energética: da dependência à inserção internacional”. Esta postagem apresenta as principais questões abordadas durante esse debate.

A complexidade de uma política energética em transição

Todo país busca elaborar, em um processo contínuo, estratégias para assegurar seu abastecimento energético, pois é sabido que as sociedades modernas têm como imprescindível o acesso aos serviços de energia. De fato, o homem moderno tem a energia como ingrediente essencial para sua vida cotidiana, no consumo em residências, nas indústrias, no transporte e no lazer, permitindo um nível cada vez maior de bem-estar a sociedade. Mas prover energia exige um processo complexo, pois envolve interesses políticos, econômicos, sociais e geopolíticos.  O Estado atua na organização desse intricado processo que envolve diversos agentes, elaborando instrumentos de política energética. Em suma, a política energética exige uma coordenação do Estado e tem como função básica garantir o suprimento de energia para a sociedade. Continue lendo »