Grupo de Economia da Energia

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Transição energética: lenta, gradual e irrestrita

In energia on 26/11/2018 at 10:56

Por Renato Queiroz

renato112018O Grupo de Economia da Energia (GEE) vem discutindo internamente, ao longo do presente ano, as transformações no setor energético – tanto no campo das inovações tecnológicas quanto no âmbito das estratégias empresariais e das políticas públicas, dentro do movimento mundial denominado, de Transição Energética. Essas transformações trazem uma riqueza nas agendas de pesquisa.

De fato, o uso da energia está em franca transformação. Sistemas elétricos inteligentes (smart grids), carros elétricos em substituição aos convencionais a combustão, cidades com uma grande quantidade de sensores e aparatos elétricos, novas tecnologias  de geração de eletricidade (sobretudo renováveis), competindo com as tradicionais e assim por diante. Ou seja, os países ricos nos apresentam uma verdadeira engenharia de inovações disruptivas que já estão invadindo a nossa forma de viver. O que se apresenta é um mundo cada vez mais digital e robotizado sob pinceladas “verdes”. Continue lendo »

A carência de uma política estratégica para o setor energético brasileiro

In energia on 22/08/2018 at 00:15

Por Renato Queiroz

Quando estudamos as políticas energéticas de países desenvolvidos, observa-se que o papel do Estado evolui ao longo das conjunturas. Mas o que chama a atenção é a preocupação com a segurança e o comando do setor energético. Isso porque há um contexto geopolítico mundial e tecnológico com mudanças rápidas e ainda a administração da gula do capital financeiro.

Os policy makers nos países desenvolvidos não se fixam em posições tais como: privatizar ou não privatizar. A prioridade é sempre o controle do setor energético visando a segurança, em um sentido amplo, para o País. A segurança energética é um fator prioritário na agenda política dos países e seus formuladores buscam conhecimentos, até nos estrategistas históricos em guerra, para evitar a vulnerabilidade e dependência energética de seus países (QUEIROZ 2010).

“A pior cegueira é a dos que não sabem que estão cegos”. Clarice Lispector

A planificação estratégica visa o equilíbrio de forças. Nesse sentido, os interesses privados não devem ser poderosos o suficiente para ameaçar a supremacia do Estado, como regulador das diversas esferas econômicas. Continue lendo »

Nuclear para reduzir emissões: ter ou não ter, eis a questão

In energia, energia nuclear on 09/05/2018 at 14:27

Por Renato Queiroz

Renato052018As mudanças climáticas e a segurança energética, em uma era de transitoriedade, delimitam as decisões no estabelecimento de políticas públicas energéticas, mecanismos regulatórios, investimentos no setor de energia, pesquisas acadêmicas, entre outros. O contexto de transitoriedade cria incerteza e, sob essa tônica, o exercício de planejar o futuro deve considerar como condição necessária a inovação (QUEIROZ, 2010). A velocidade das mudanças pode ser de tal ordem que o estado de permanência das tecnologias que movimentam os negócios fique cada vez menor. Os ambientes fabris estão sendo impulsionados a tomarem decisões com poucas margens de erros e com rapidez; como um arqueiro que permanece em uma mesma posição, em um breve tempo, mirando o alvo certo antes de disparar a flecha.

“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”. William Shakespeare

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Eletricidade: o motor das cidades do futuro

In energia elétrica on 11/12/2017 at 00:15

Por Renato Queiroz

O relatório “World Population Prospects- 2017 Revisions” (ONU 2017), divulgado em junho deste ano pelo Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, apresenta novas revisões das projeções demográficas dos países. Os números nos levam a pensar. Até 2030, ou seja nos próximos 13 anos, haverá um acréscimo de 1 bilhão de indivíduos no mundo e a população global alcançará 8,6 bilhões. As projeções para 2050 chegam a mais de 11 bilhões de habitantes.

Em 31 de outubro passado, Dia Mundial das Cidades, o chefe do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) (1), Joan Clos, ressaltou a necessidade de discutir e repensar as novas formas de administração das cidades, com inovações, já que mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas. Essa proporção deve atingir a 66 % em 2050, segundo a ONU. Vale destacar que, já em 2012, o Programa ONU-Habitat em seu relatório “Estado das Cidades da América Latina e Caribe” destacava que em 2020 a taxa de urbanização no Brasil deveria chegar a 90%. Continue lendo »

Da geração centralizada à geração distribuída: questões que exigirão uma coordenação centralizada

In energia elétrica on 29/05/2017 at 13:55

Por Renato Queiroz

A arquitetura organizacional do setor elétrico ao longo de sua história, na maioria dos países, estruturou-se para prover eletricidade através da chamada geração centralizada.  No Brasil, por exemplo, foram sendo construídas plantas de geração de energia elétrica, sobretudo hidrelétricas, em localidades longínquas dos centros urbanos exigindo uma vasta e complexa rede de linhas de transmissão com as altas voltagens. Essa rede incorporou inúmeras estações de transformação de eletricidade (subestações), envolvendo uma série de equipamentos e materiais. Em adição, para a eletricidade chegar ao consumidor final, as redes de menor voltagem distribuem a eletricidade aos consumidores.

Assim, estabeleceu-se um sistema de grande complexidade que deu ao Brasil “expertise” em coordenação, gerenciamento de um robusto sistema de energia elétrica e construção de plantas de geração e linhas de transmissão de eletricidade em grandes distâncias.  As instituições estatais e privadas foram se aperfeiçoando ao longo do tempo com metodologias e pessoal capacitado para atingir um  patamar de excelência reconhecido mundialmente no âmbito da engenharia elétrica. Em suma, o complexo sistema elétrico centralizado abrange três segmentos com tecnologias próprias: Geração, Transmissão e Distribuição de energia elétrica, conforme  figura abaixo. Continue lendo »

Mudanças climáticas: discussões, decisões, dificuldades, dubiedades, determinações e dilemas

In energia on 05/12/2016 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato122016Dois importantes eventos ocorreram  no  mês de novembro de 2016 que  podem levar a indústria de energia global a reavaliar suas estratégias em face dos compromissos assumidos por diversos  países na busca de  conter as emissões de poluentes. O primeiro evento foi a 22ª Conferência das Partes (COP 22) sobre mudanças climáticas, no Marrocos. Essa conferência teve por objetivo implementar o Acordo de Paris sobre o aquecimento global.

Vale lembrar que a COP 21, que foi realizada em dezembro de 2015 em Paris, após várias discussões entre os representantes dos países presentes, aprovou um acordo que  entrou em vigor no dia 04/11/2016 em âmbito global. O Acordo  traçou ações para limitar o aumento da temperatura média no globo a 2ºC até 2100, a partir de planos nacionais de redução de emissões, chamados de INDCs – Intended Nationally Determined Contribution. O  Acordo de Paris definiu um processo com metas individuais de cada país para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Na COP 22 os representantes de quase 200 países se reuniram  durante  duas semanas, entre os dias 07 e 17 de novembro do presente ano, na cidade de Marrakesh, para regulamentar o Acordo de Paris. A declaração da secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Patricia Espinosa, na abertura, deu o tom da Conferência: “As metas anunciadas pelos países precisam ser incorporadas às políticas nacionais”. Continue lendo »

O setor elétrico brasileiro jogando xadrez

In energia elétrica on 29/08/2016 at 10:48

Por Renato Queiroz

renato082016O setor elétrico brasileiro nos últimos anos vem driblando o fantasma do apagão. A crise econômica evitou tal situação, pois o consumo de energia elétrica arrefeceu. Mas quando a economia brasileira se recuperar, o sistema elétrico será novamente bem solicitado.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, revisa periodicamente as previsões da carga do SIN – Sistema Interligado Nacional -, que é o montante de energia requisitado pelo sistema elétrico em um determinado período de tempo, medido em megawatt médio. Juntamente com a Empresa de Pesquisa Energética – EPE – de 4 em 4 meses é divulgado um Boletim de acompanhamento e de previsão para os próximos 4 anos.

O último Boletim é de início do mês de agosto corrente. O documento indica que a carga de energia de janeiro a julho de 2016, comparativamente ao mesmo período de 2015, aumentou em 0,6%. Ou seja, embora não tenha crescido como era previsto anteriormente, não houve a queda como muitos imaginavam. E a recuperação do consumo certamente ocorrerá e pode até ser mais rápida do que os mais conservadores imaginam.

As temperaturas elevadas nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul e as baixas temperaturas na região sul, em junho, fizeram a carga crescer. O uso de aquecedor e de ar-condicionado pelas residências já levou a uma solicitação maior de eletricidade pela população, mesmo com o crescimento negativo do segmento industrial e do comercial. Se esses segmentos retomarem fortemente as suas atividades, terá que haver oferta de energia. No que se refere às previsões para os próximos 4 anos, considerando o ano de 2016, o crescimento médio anual previsto da carga de energia é  de 3,7% ( ONS/EPE 2016). Continue lendo »

O forte ajuste da indústria de petróleo e gás

In petróleo on 30/05/2016 at 12:35

Por Renato Queiroz

renato 052016A Situação

Em uma conjuntura de queda do preço do petróleo com excesso de oferta, arrefecimento da economia chinesa – sendo a China o primeiro consumidor de petróleo – e retorno do petróleo iraniano ao mercado, aumenta fortemente a insegurança dos investidores na indústria de óleo e gás. Os inúmeros fóruns de debates com a presença de executivos de empresas petroleiras, prestadoras de serviços, consultores especializados vêm avaliando quais as consequências, as sequelas e as perspectivas dessa indústria.

Há, hoje, uma movimentação intensa de contratação de consultores especializados para mapear a situação em detalhes e apontar soluções que tragam melhores resultados para as companhias de petróleo e gás, prestadoras de serviços e fornecedoras de equipamentos. É uma nova crise para entrar na lista das grandes crises da indústria do petróleo com fortes resultados negativos: falências, desemprego, prejuízos.  Segundo o professor do GEE Edmar de Almeida: “as empresas operadoras estão tentando se ajustar à nova realidade de preços através do corte dos investimentos. Isto terá um impacto devastador para a cadeia de fornecedores que terá que realizar um ajuste ainda maior. Basicamente, ainda vamos ver muito desemprego e um número importante de empresas quebrando”. (Edmar, 2016) Continue lendo »

Perspectivas da demanda de GNL mundial e no Japão frente à evolução da energia nuclear

In energia nuclear, GNL on 29/02/2016 at 00:15

Por Niágara Rodrigues (*) e Renato Queiroz

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) adverte que se, em 2050, 80%[1] da eletricidade no mundo não for de baixo carbono a meta de um aumento máximo de 1,5°C na média da temperatura do planeta não será alcançada. E as consequências apontadas pelos especialistas em mudanças climáticas trazem preocupações. Nesse contexto, determinadas fontes consideradas de “transição” para uma economia de baixo carbono vão cumprir o papel de gerarem energia para movimentar o desenvolvimento econômico mundial.

Em um cenário global há duas fontes que são apontadas como fortes participantes da geração de eletricidade nesse período de transição juntamente com as fontes renováveis: o GNL (Gás Natural Liquefeito) e a geração nuclear. Certamente há diferentes realidades entre os diversos países, mas nas análises globais essas são as fontes que disputarão maiores fatias de investimentos, juntamente com as fontes renováveis.

A energia nuclear é uma alternativa aos combustíveis fósseis na produção de eletricidade e vem experimentando uma expansão importante nos últimos anos. Em 2014, a energia nuclear foi a quarta fonte mundial geradora de eletricidade, a qual contribuiu com cerca de 11% do fornecimento de eletricidade no mundo de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA). Continue lendo »

Uma questão real de eficiência energética: a iluminação residencial e pública

In energia elétrica on 29/06/2015 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato062015A crise no setor elétrico brasileiro ainda está presente. A situação da Petrobras diariamente debatida na mídia acaba por encobrir as dificuldades que o setor de eletricidade vem passando. Há termos como rombos financeiros, preços altos das contas de luz, riscos hidrológicos, racionalização no uso da eletricidade, entre outros, que circulam na maioria das análises sobre a situação do setor elétrico.  Cada um desses termos pode dar origem a um ou mais artigos. Afinal o setor elétrico brasileiro passa por uma série de fatos negativos que se encadeiam, dando margem a diversas análises.

Como a situação futura do abastecimento energético é um ponto de interrogação, as ações para economizar energia devem ser consideradas como medidas estratégicas e urgentes da política energética.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em seus estudos para elaboração do Plano Decenal de Energia (PDE 2023) estimou que o montante total que deverá ser conservado de eletricidade é de 54 TWh. Isto significa que nas projeções do consumo total de eletricidade, esse montante já foi abatido. Para que se tenha uma referência do que corresponde a esse valor, o consumo de eletricidade mensal brasileiro hoje gira em torno de 40 TWh. Assim, o que foi apontado nas projeções da demanda de eletricidade do governo no final do período do PDE corresponde a cerca de um mês e meio do consumo total atual.

O estudo da EPE destaca que o setor residencial deverá ter um papel importante nesse processo devido à substituição de lâmpadas ineficientes e também pela penetração da tecnologia de energia solar na geração distribuída. Continue lendo »

Integração energética na América do Sul: Uma questão geopolítica e de negócios bilaterais?

In energia on 13/04/2015 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato042015O tema da integração energética na América do Sul é sempre colocado em destaque em fóruns e congressos sobre economia e energia no continente. No 5º Congresso da Associação Latino Americana de Energia, ALADEE, realizado na cidade de Medellín, Colômbia, no mês de março passado, ocorreram debates sobre o assunto nas sessões plenárias e na concorrencial. O Grupo de Economia da Energia-GEE esteve presente em ambas as sessões.

Nesses debates sempre são levantadas algumas questões tais como: por que a integração energética no continente não deslancha apesar das grandes riquezas minerais e energéticas? Há perspectivas diferentes entre os países sobre a geopolítica da região que inviabilizam o processo de integração? Os vários acordos de cooperação entre os países não favorecem o processo de integração? Com tantos organismos regionais por que há dificuldades para tal? A integração será um resultado de projetos bilaterais?

Como responder a essas questões?

Um ponto que deve ser ressaltado é a falta de um entendimento comum entre alguns estudiosos sobre o papel da energia na economia dos países. Afinal a economia da energia influencia, praticamente, todas as decisões de política econômica. Nesse sentido análises que focam apenas as possibilidades técnicas trazem resultados insuficientes para a visão de um processo de integração regional. É necessário considerar outros componentes: políticos, sociais, culturais, geopolíticos, comerciais e institucionais. Continue lendo »

Senso de urgência: conter o consumo de eletricidade no país

In energia elétrica on 03/11/2014 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato112014O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acendeu uma luz vermelha ao divulgar em 17 de outubro passado que a situação dos reservatórios da Região Sudeste continuava se deteriorando e as previsões eram pessimistas. De fato o PMO referente à semana de 25 a 31 de outubro de 2014 apontou para uma piora na previsão de vazões. O ONS em seu programa mensal de operação eletroenergética (PMO) publicado semanalmente faz projeções, entre outras, dos volumes das chuvas nas regiões do Brasil. A previsão das vazões afluentes aos reservatórios em base mensal e semanal é uma atividade básica no planejamento da operação energética em um sistema predominantemente hidroelétrico como o brasileiro.

O Sudeste, que responde por cerca de 70% do armazenamento de água nas usinas hidrelétricas brasileiras, tinha como projeção chegar ao final de outubro com 19 % de armazenamento. O informe do ONS ainda apontava que, em outubro, as chuvas das regiões Sudeste e Centro-Oeste não deveriam atingir a 70 % da média histórica. Como a situação prevista para outubro foi pior, a expectativa do nível dos reservatórios para o final de novembro, cai para 15,8% no Sudeste.

E certamente os custos marginais de operação atingem a previsões crescentes. No PMO da 2ª semana de outubro a previsão era de cerca de R$ 850,00. Já o PMO de 25 a 31 de outubro o valor encontrava-se em R$ 890,12. As últimas previsões já indicam que o custo marginal de operação ultrapassa os R$ 1000/MWh, na média, entre 1º e 7 de novembro. Neste sentido o preço de liquidação das diferenças (PLD) no mercado brasileiro estará batendo no seu  limite máximo legal  de R$ 822,83/MWh.

Ainda no rol das notícias preocupantes o programa mensal da operação, que ajusta também a previsão da carga de energia mensal nos subsistemas para cada mês, previa em 17 de outubro um crescimento da carga de energia [i] de 2,4 % em relação ao mesmo de mês de 2013 e não 1,3 % como era a previsão  anterior. Esta nova previsão se deve ao aumento do consumo de energia elétrica dos consumidores residenciais e comerciais.  Os novos números previstos pelo ONS  já são superiores para os mês de novembro. E o verão ainda não chegou com toda a sua intensidade. Continue lendo »

Setor Energético Brasileiro: a incontornável agenda governamental de 2015

In energia on 18/08/2014 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato082014Países em desenvolvimento de tempos em tempos consideram novas prioridades em suas agendas de políticas públicas. No caso brasileiro, desde a volta do regime democrático em 1985, acompanhamos a discussão de temas prioritários para o país como, por exemplo: o controle da inflação, a melhoria na distribuição de renda, a diminuição da violência nas cidades, entre outros. Neste sentido, os governos foram desenvolvendo políticas públicas buscando solucionar tais demandas.

Atualmente se quisermos apontar quais as prioridades que estarão colocadas na mesa do futuro governante brasileiro em 2015, o setor de  infraestrutura certamente encabeça esta lista. Este termo é amplo, pois engloba itens como transporte público, saneamento básico, déficit habitacional, suprimento de energia. E se descermos a lupa para o item  energia abre-se, ainda, um novo leque de segmentos que vai desde a oferta e o transporte da energia até o seu uso pelas indústria, comércio, residências, transporte.

Por conseguinte o setor de energia estará nos próximos anos disputando o topo das prioridades da modernização do setor de infraestrutura no país. Sem dúvida a crise atual do setor elétrico brasileiro e os problemas que enfrentam a ELETROBRÁS e a PETROBRAS trazem preocupações aos que estão envolvidos com o setor.  Assim, o planejamento energético será um alvo crescente de avaliações de especialistas em energia.

As políticas energéticas em seus macros objetivos buscam assegurar o funcionamento do mercado da energia, considerando o papel estratégico que os recursos energéticos ocupam para garantir a segurança energética do país. Importante compreender que tais políticas devem acomodar os diversos interesses econômicos e sociais da sociedade. Continue lendo »

A crise do setor elétrico: a necessidade de decisões colegiadas

In energia elétrica on 19/05/2014 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato052014O setor elétrico brasileiro passa por uma forte crise reconhecida inclusive por técnicos do setor. Assim não há mais justificativas para se acreditar em qualquer argumento que afirme que tal situação seja somente conjuntural em função de uma hidrologia desfavorável. Não se pode ignorar que o país passa por um risco de racionamento de energia elétrica. Todos que estão acompanhando ou estão envolvidos com a situação atual do setor elétrico já entenderam que o fator político tem tido uma forte influência nas ações para enfrentar tal crise, dificultando a tomada de algumas decisões que, certamente, poderiam diminuir o estresse do sistema elétrico.

O que preocupa é o não reconhecimento de que a complexidade técnica do setor elétrico não permite decisões que não sejam amplamente discutidas e negociadas com os agentes. O histórico de reformas e decisões mal sucedidas neste setor  deveria ter criado um entendimento em  todos os níveis decisórios de que há uma demarcação nas decisões de cunho político e técnico  em indústrias de redes. Enfim, implantar novas regras no setor elétrico exige um processo amplo de auscultação a priori entre os atores.

São várias as análises sobre as origens desta crise. Há avaliações que afirmam que o regime de operação, ou seja, a gestão na forma de operar o sistema elétrico deve ser repensada, sobretudo o critério de despacho das usinas hidroel00étricas e térmicas. Como a participação das hidroelétricas com reservatórios no parque brasileiro veio diminuindo, o que significa menos estoque de água, operar sempre com maior geração hidroelétrica, buscando menores custos  pode ser um “tiro no pé”.  E o pé acaba sempre sendo o do consumidor. Continue lendo »

PDE 2022: O planejamento do governo brasileiro para a expansão da oferta de energia elétrica nos próximos 10 anos

In energia elétrica on 25/11/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato112013O planejamento energético brasileiro sob a responsabilidade do Ministério de Minas e Energia (MME) e com suporte técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tem dois instrumentos que indicam as opções que o governo visualiza para a expansão da oferta de energia  no médio e longo prazos: o  Plano Nacional de Energia (PNE) cujo o primeiro documento foi apresentado em 2007 ao público em geral com metas até 2030 – segundo informações da EPE, o próximo PNE expande esse horizonte em 20 anos, ou seja, até 2050, devendo estar disponível no 1º semestre de 2014 – e o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) que representa, segundo o MME, a visão tática de médio prazo do governo para a indústria de energia no Brasil e é revisado anualmente.

O PDE 2022, foco desta postagem, abrange o período de 2013 a 2022 e acaba de ser divulgado neste mês de novembro, após o período de consulta pública.

A comunidade científica, as organizações não governamentais, as associações de classe e consultores especializados vão analisar o documento e deverão discutir, em eventos e/ou  em relatórios e artigos, as suas visões sobre os caminhos que a indústria de energia no país deve perseguir nesse período, concordando e/ou  discordando do PDE.  Essas avaliações enriquecem o processo de prospectar o futuro da energia no país. Uma atenção, no entanto, deve ter o leitor ao se debruçar sobre essas análises, pois um  plano indicativo de expansão de oferta acaba privilegiando ou postergando a  participação de certas tecnologias na matriz elétrica. Como tal, os interesses das indústrias e organizações atrelados a uma determinada fonte de energia são afetados. Nesse caso, certamente, as propostas e críticas estarão coerentes com os objetivos de seus negócios ou dos de quem representam, ou seja, as opiniões podem, muitas vezes, expressar tendências. Continue lendo »

Setor elétrico brasileiro: uma história de reformas

In energia elétrica on 09/09/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato092013

Para uma atividade altamente institucionalizada, como é a oferta de energia elétrica, reformas são sempre recursos para os grandes freios de arrumação dos desajustes setoriais. Querendo-se ou não, todo marco institucional dura enquanto gera os resultados que se espera dele. Quando ele não entrega mais o prometido, simplesmente se troca de marco. É assim em qualquer setor elétrico do mundo. A questão toda é o tempo certo de saltar do marco ultrapassado pela evolução do setor, vencendo a inércia política e escapando dos prejuízos inexoráveis da sua manutenção.

Dessa maneira, o setor elétrico evolui de reforma em reforma, tangido pelos acordos políticos que, a cada momento, sustentam o arranjo institucional que melhor explicita os objetivos desejados e a mobilização dos recursos necessários para alcançá-los. Afinal, os negócios no mercado de energia mobilizam montantes significativos de recursos financeiros que resultam em obras de engenharia, no desenvolvimento de novas tecnologias, na expansão de unidades fabris, na criação de novas empresas, etc. A destinação desses recursos financeiros em projetos energéticos depende das decisões que ocorrem no âmbito das políticas energéticas dos governos que desenvolvem esforços para a materialização dessas decisões no período em que estão à frente de seus países.

Acontece que, muitas vezes, as decisões dessas políticas necessitam de entendimentos e negociações entre os agentes que podem ultrapassar os mandatos dos governos, antes de suas implantações. O risco de fracasso da materialização de projetos energéticos, por exemplo, pode ocorrer, se as decisões forem açodadas, baseadas em frágeis consensos, trazendo insegurança aos investidores e aos agentes como um todo. Continue lendo »

Os novos desafios do mercado internacional de gás natural para a política energética Russa

In gás natural, GNL on 17/06/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Imperiano

renato062013O ambiente econômico e energético mundial sofreu grandes transformações a partir do ano de 2008: primeiro, em virtude da crise econômica deflagrada nesse ano; segundo, em razão da expansão da produção de gás natural em formações geológicas não convencionais nos EUA e da crise nuclear japonesa. Devido a isso, a Rússia, como um dos maiores exportadores mundiais de energia, se defronta com novos desafios em função da perspectiva dos EUA se tornarem exportadores de GNL, somado ao decréscimo do consumo de gás na Europa, seu principal mercado consumidor. Em contraposição a esse cenário restritivo no Ocidente, há importantes oportunidades de comércio na região da Ásia-Pacífico com um aumento significativo da demanda energética em países como China, Coréia do Sul, Índia e Japão.

Este artigo busca apresentar questões recentes do mercado internacional de gás natural que trazem desafios à política energética russa. O texto está dividido em três seções. Inicialmente aborda-se o mercado europeu. Em seguida analisa-se o mercado asiático. Essa divisão não só marca um corte espacial desses mercados, como, principalmente, ressalta diferentes dinâmicas econômicas que têm resultados distintos sobre o mercado internacional de gás natural. Por último, na seção conclusiva focam-se as questões que rebatem nas estratégias da política energética da Rússia.

O mercado europeu

O aumento da produção de gás natural nos EUA, através da exploração de reservatórios não convencionais, gerou um diferencial significativo de preços entre o mercado americano e as demais regiões consumidoras no mundo. Conforme o preço do gás produzido internamente caiu e se tornou mais competitivo, o seu consumo aumentou, deslocando outras fontes, como o carvão, os derivados do petróleo e até mesmo a fonte nuclear[i]. O Gráfico 1, abaixo, ilustra a evolução da produção de energia elétrica americana por fonte. Enquanto a geração de energia elétrica por carvão diminuiu 23,1%, entre 2003 e 2012, a geração a gás cresceu 89,4%, no mesmo período. O consumo total de carvão nos EUA, no ano passado, foi 20,5% menor do que em 2008, quando o preço médio do gás natural no Henry Hub atingiu seu pico histórico de US$ 8,85 (BP, 2013). Continue lendo »

O setor elétrico brasileiro: o diabo mora nos detalhes

In energia elétrica on 01/04/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz e Fabio Rezende (*)

renato042013A formulação de políticas públicas em setores estratégicos, sem ampla discussão com profissionais do setor, pode não resultar em benefícios duradouros e ainda trazer consequências ruins para o próprio governo. Muitas vezes são necessários ajustes específicos para corrigir os desarranjos que vão surgindo. Uma espécie de saco cheio de líquido, mas com furos. Tampam-se alguns, mas a água continua saindo por outros.

A geração mais velha já viu várias dessas ações, principalmente quando dos choques econômicos contra a inflação em governos passados. Os resultados, na maioria dos casos, não foram os esperados. No setor energético, no passado, encontramos também exemplos de controles de preços que buscando resolver problemas pontuais não surtiram resultados duradouros.

As experiências mal sucedidas do passado para solucionar questões específicas, sem o devido aprofundamento, podem nos ensinar a como não repeti-las. Temos, atualmente, assistido a algumas decisões de política energética que se valem da mesma forma de ação. No setor elétrico, por exemplo, a instauração de novas regras (Lei Federal nº 12.783, de 11/01/2013[1]), com vistas à redução da tarifa, pode descarrilhar o setor. Indiscutivelmente o objetivo é importante. Mas a falta de discussões com os técnicos do dia a dia nas concessionárias preocupou vários especialistas pelas consequências que podem advir. Continue lendo »

Fósseis e renováveis na disputa pela Casa Branca

In energia on 29/10/2012 at 00:10

Por Renato Queiroz

A imprevisibilidade da disputa presidencial americana vem mexendo com os analistas em política energética e os consultores dos portfólios da indústria mundial de energia, sobretudo com a possibilidade da volta de um governo republicano. Está no ar a seguinte questão no ambiente energético global: quais energéticos vencerão as eleições americanas?

As discussões sobre os programas de governo e os discursos e as entrevistas dos candidatos Obama e Romney são analisados nos seus pormenores pela “comunidade energética mundial” na busca de sinais sobre que energéticos poderão ter prioridades em seus usos indicando, assim, os negócios promissores da indústria energética que movimenta centenas de milhões de dólares pelo mundo.

A crescente demanda mundial por energia, em conjunto com as políticas dos governos para diversificar as fontes de energia – seja por razões de redução de emissões de gases de efeito estufa, seja pela busca de uma maior segurança energética ou na estratégia de alavancar as economias em tempos de crise – têm impulsionado a demanda de energéticos não convencionais.

Nesse bojo não se encontram somente os renováveis, mas também o gás natural como um representante de respeito entre o time dos fósseis. Afinal, o peso do gás natural na agenda energética dos Estados Unidos vem crescendo em ritmo acelerado nos últimos 10 anos, e o gás não convencional vem puxando esse movimento. Continue lendo »

Observatório de geopolítica da energia III: parcerias estratégicas entre Brasil e China nos setores de energia e transportes

In energia on 03/09/2012 at 00:15

Por Amaro Pereira e Renato Queiroz

A China apresentou na última década (2000-2010) um crescimento econômico muito expressivo, passando de 10% ao ano, segundo dados do Banco Mundial. O país, dessa maneira, consolidou-se não somente como uma potência asiática, mas também como um dos principais atores econômicos mundiais.

Tal evolução vem demandando expressivos investimentos, com destaque para a área de infraestrutura com a construção de rodovias, ferrovias, aeroportos e centrais de geração de energia elétrica, tal como a hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo, com 18 GW de capacidade. O Brasil, como grande exportador de produtos básicos, como minérios, e semimanufaturados, se beneficiou tanto do desempenho da economia chinesa que se tornou o seu principal  parceiro comercial, superando os EUA.

No entanto,  na última década, o crescimento econômico brasileiro foi bem mais modesto do que o da China, de 3,6% ao ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.  Alguns autores argumentam que os dois países tiveram estágios de grande desenvolvimento econômico em épocas diferentes. Afinal o milagre econômico brasileiro já ocorreu na década de 70. Continue lendo »

Japão e Alemanha: o dilema nuclear

In energia nuclear on 04/06/2012 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Lobo

Há um dilema energético que tanto a chanceler alemã Angela Merkel quanto o primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda enfrentam neste momento: atender ao clamor público que exige o fechamento das usinas nucleares existentes em seus países ou seguir os ditames da segurança energética que aconselham a manutenção dessas usinas em funcionamento para assegurar a confiabilidade e os custos do suprimento de energia, essenciais para a competitividade de suas economias.

Esse não é um dilema novo para esses países. A peculiaridade do atual momento reside na dramaticidade introduzida pelo desastre de Fukushima, ocorrido no início do ano passado, no trade-off segurança energética versus insegurança nuclear; ou seja, risco de déficit energético versus risco de acidente nuclear. Continue lendo »

Observatório de geopolítica da energia II: o jogo do gás natural entre Europa e Rússia

In gás natural on 19/03/2012 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Imperiano

O acesso  a recursos que revertam em  segurança energética  constitui-se em tema relevante nas pautas de política externa dos países. A concentração espacial de recursos naturais estratégicos para o desenvolvimento das nações e garantidores do nível de bem-estar de seus cidadãos tem consequências profundas no delineamento das políticas energéticas das nações. O uso de ativos energéticos como ferramenta de defesa de interesses políticos e econômicos não é algo novo no cenário internacional.

Um bom exemplo que se tornou emblemático para os estudiosos em geopolítica energética é a situação de dependência da Europa em relação ao  gás russo e, em contrapartida, como o gás natural é estratégico para o desenvolvimento econômico da Rússia. O Estado russo sempre se valeu de suas enormes reservas de óleo e gás. O país tem a sétima maior reserva de petróleo do mundo e a maior reserva de gás natural, isto é, 24% do total.  Em 2010 a Rússia foi ao mesmo tempo maior produtor de gás natural, alcançando a cifra de 637 bcm (bilhões de metros cúbicos), isto é, 19,4% do total produzido mundialmente, sendo ao mesmo tempo o número um em exportações (IEA, 2011). Continue lendo »

Observatório de geopolítica da energia I: incertezas críticas globais em tempos turbulentos

In energia on 12/12/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

Os formuladores de política energética e executivos da indústria de energia estão, certamente, nesse  momento debruçados nas análises voltadas a economia da energia  e  a geopolítica energética na busca de um entendimeno do atual cenário mundial que os levem a implantar ações que minimizem os riscos  de abastecimeno energético em seus  países  e  em suas empresas.

Afinal  o mundo atual que convoca revoluções via facebook ,twitter,  pega de surpresa os estrategistas das corporações e de governos que avaliam o complexo mundo da indústria da energia. Métodos tradicionais  e modelos clássicos racionais para prever desempenhos econômicos, preços de combustíveis, inserção de novas tecnologias podem trazer,nesse novo contexto,uma dose de inocência. A sofisticação é uma exigência para o entendimento do imenso leque de informações que as “ redes” nos proporcionam. A geopolítica  da energia que trata das relações entre energia ,economia e políticas dos países pode aumentar o feeling  dos profissionais e reduzir os riscos de suas decisões. Continue lendo »

O vencimento das concessões do setor elétrico brasileiro: a busca de uma solução política e estratégica

In energia elétrica on 17/10/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

O vencimento das concessões do setor elétrico que atingirá diversos ativos a partir de 2015 é um tema estratégico e que merece um  entendimento sob diversos ângulos. Duas visões opostas têm chamado a atenção. As análises apresentadas por  entidades que representam a indústria como a FIESP e de especialistas através  de Associações ou ONGs, como é o caso do  ILUMINA – Instituto de desenvolvimento  estratégico do setor energético. A grande controvérsia é se as concessões deverão ser prorrogadas ou licitadas. Esse debate tem motivado  questionamentos a respeito do encaminhamento mais adequado para a questão do término das concessões.

Percebe-se que, para muitos, falta uma compreensão clara do problema.  Afinal, quem não acompanhou os processos de reformas que ocorreram no complexo setor de energia elétrica nos últimos anos não entende com facilidade as avaliações tão controversas sobre o tema. Esse cenário tem motivado uma intensa discussão a respeito do encaminhamento mais adequado para a questão do término das concessões.

Nesse sentido, nesta postagem serão destacados  alguns pontos sobre esse tema específico de forma  a levar o leitor a tirar suas próprias conclusões.  Tais considerações estão   baseadas sobretudo nas análises já desenvolvidas e expressas  nos documentos das entidades citadas acima. Continue lendo »

Os combustíveis fósseis e o aquecimento global no intrincado jogo da política energética

In energia on 08/08/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

Ao formularem e reavaliarem as políticas energéticas, os países enfrentam uma questão: as futuras matrizes energéticas devem refletir as ações que diminuam em ritmo crescente a queima do petróleo, gás natural e carvão, na busca de frear o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Essa questão vem acompanhada de relatórios de organizações respeitadas, como aqueles do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), advertindo que se tais ações não se concretizarem haverá elevação dos oceanos, secas em determinadas regiões, alterações no clima, etc.

Outro exemplo é o documento publicado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, em 2 de agosto de 2011, “A Ásia 2050”, e cujas conclusões foram divulgadas recentemente pela mídia.  Essa instituição, fundada em 1966 e cujo objetivo é promover o crescimento econômico para países em desenvolvimento na Ásia, alerta, nesse documento, que o impacto das mudanças climáticas está entre os principais entraves, para que a região recupere a posição econômica dominante que tinha antes da Revolução Industrial. Continue lendo »

O Pré-sal e a eficiência energética

In energia on 13/06/2011 at 00:10

Por Renato Queiroz e Agenor Garcia*

O Brasil vem trilhando um processo de transformações econômicas estruturais que o colocará, em futuro próximo, em estágio de desenvolvimento no padrão de países desenvolvidos. Muitas ações e decisões ainda devem ser tomadas, é verdade, porém há um sentimento reinante interno no país de que as políticas econômicas que vêm sendo tomadas trarão bons frutos para as gerações futuras.

Os resultados das ações e programas sociais implantados nos últimos anos, no entanto, dão indicação aos  planejadores energéticos de que o país deve ter muita cautela nas decisões que visam a atender a demanda projetada de energia.

O crescimento da renda nacional e sua redistribuição farão com que o consumo de energia por habitante aumente signicativamente. O Brasil já é a 5ª quinta maior população do mundo, situando-se em torno de 191 milhões de habitantes. Os estudos do IPEA sinalizam que, dependendo da taxa de fecundidade, a população brasileira pode ficar entre 209 e 217 milhões de habitantes em 2020. E a sociedade brasileira tem muita demanda reprimida. A nova classe média que surge com as ações sociais e o aumento de renda busca um grau de igualdade de acesso aos bens.

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Acidente nuclear de Fukushima: dilema para o planejamento energético mundial

In energia nuclear on 11/04/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

O acidente  na central de Fukushima Daiichi, situada a cerca de 250 km de Tóquio, e a classificação da  Autoridade de Segurança Nuclear da França (ASN) de que as explosões ocorridas na planta de geração  japonesa atingiram o nível 6 de gravidade, em uma escala internacional de classificação de eventos nucleares que vai até 7 [*], mexeu com os especialistas voltados às questões energéticas no mundo. O  fato acrescenta um forte elemento de incerteza para a indústria nuclear mundial.

O nível seis da escala INES significa acidente grave,  apontando que houve  liberação de material radioativo e traz como consequência a adoção, na área atingida,  de medidas que protejam a população.  Isso reflete na opinião pública mundial,  provocando grandes apreensões e pressões contrárias à geração de energia elétrica através dessa fonte.

Logo após o acidente, alguns especialistas, sob o impacto das trágicas notícias e imagens  em tempo real, concordavam com a tese de  que o renascimento da indústria nuclear  estaria  sendo abortado.  Mas talvez a questão que tenha faltado no debate foi: Como atender sem a nuclear ao crescente consumo de energia que as sociedades vão demandar nos próximos anos sob um contexto de redução das emissões de gases de efeito estufa? Continue lendo »

Uma agenda futura para a política dos biocombustíveis no Brasil

In biocombustíveis on 17/01/2011 at 00:12

Por Renato Queiroz

A Associação Brasileira de Estudos em Energia – AB3E – promoveu em 14 de dezembro de 2010 no Rio de Janeiro um seminário para discutir a agenda da política energética brasileira para o próximo governo. No painel específico em que se discutiu a agenda para os bicombustíveis observaram-se duas abordagens: a do representante da Petrobrás, Eduardo Correia, da área de Estratégia Competitiva que identificou uma série de incertezas críticas que influenciam fortemente o mercado de biocombustíveis, desenvolvendo inicialmente, a partir dessas incertezas, quatro cenários exploratórios e  selecionando dois cenários para um horizonte nos próximos 20 anos; e a do professor José Vitor Bomtempo do Grupo de Economia da Energia que avaliou o futuro da indústria de biocombustíveis sob um enfoque estratégico com premissas que quebram os atuais paradigmas.

A presente postagem apresenta as reflexões desses especialistas e coloca questões sobre o  tema que certamente estarão na mesa de discussões dos formuladores da agenda de política energética para os anos futuros.

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O planejamento energético em uma era de transitoriedade

In energia on 01/11/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz

O mundo contemporâneo vive sob um contexto de profundas e contínuas mudanças. Praticamente todas as atividades humanas estão submetidas à transitoriedade, entendendo esse termo como um “lugar” pelo qual se passa, mas não se permanece. As tecnologias inovadoras certamente têm grande influência nessa necessidade permanente de mutação.

As organizações que não se renovam continuamente, seja introduzindo novas tecnologias em seus produtos, seja implantando novos processos de gestão, tendem a perder mercado ou a criarem estruturas decisórias “pesadas”  que não respondem aos novos estímulos que vêm do mundo exterior. A criatividade é uma característica desejável nesse ambiente  inovador, pois a repetição das mesmas situações e/ou rotinas levam os profissionais a ficarem contaminados, estagnados em atitudes passivas.

Nesse quadro empresarial de inércia, o comprometimento com o trabalho diminui porque o cotidiano fica em desacordo com um ambiente externo nômade. Em suma pode-se criar  um quadro de insatisfação cujos  resultados desejáveis certamente não serão alcançados. Continue lendo »

A complexidade da Política Energética Nacional: os desafios de se tornar um player internacional

In energia on 13/09/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Botelho

O Grupo de Economia da Energia (GEE) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) promoveram um debate em 30 de Agosto, passado, sob o título  “Política Energética: da dependência à inserção internacional”. Esta postagem apresenta as principais questões abordadas durante esse debate.

A complexidade de uma política energética em transição

Todo país busca elaborar, em um processo contínuo, estratégias para assegurar seu abastecimento energético, pois é sabido que as sociedades modernas têm como imprescindível o acesso aos serviços de energia. De fato, o homem moderno tem a energia como ingrediente essencial para sua vida cotidiana, no consumo em residências, nas indústrias, no transporte e no lazer, permitindo um nível cada vez maior de bem-estar a sociedade. Mas prover energia exige um processo complexo, pois envolve interesses políticos, econômicos, sociais e geopolíticos.  O Estado atua na organização desse intricado processo que envolve diversos agentes, elaborando instrumentos de política energética. Em suma, a política energética exige uma coordenação do Estado e tem como função básica garantir o suprimento de energia para a sociedade. Continue lendo »

A gestão energética eficiente da demanda de energia: um tema para a primeira página das agendas de políticas energéticas

In energia on 19/07/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz

Qualquer coisa que você possa fazer, ou sonha que possa fazer, comece a fazê-la. A ousadia tem em si genialidade, força e magia” (Goethe, poeta e escritor alemão, 1749-1836).

Em uma postagem anterior apontamos, entre um leque de alternativas visando à segurança energética, dois temas: vulnerabilidade ambiental e a gestão energética eficiente da demanda de energia. No que se refere ao primeiro, já há uma espécie de “consciência coletiva” da importância da preservação ambiental para um desenvolvimento sustentável. Isso não quer dizer que haja um consenso entre os países na adoção de medidas para atender os requisitos defendidos nos fóruns que tratam do aquecimento global. Mas, de fato, mesmo com diferentes acepções sobre segurança ambiental, há um entendimento de que ações devem ser implantadas, para que  não haja uma perda de condições mínimas da qualidade de vida das sociedades. Continue lendo »

Integração energética na América do Sul: motivações, percalços e realizações

In energia on 24/05/2010 at 00:30

Por Renato Queiroz e Thaís Vilela

Motivações e Percalços

Apesar de diversos acordos bilaterais realizados ao longo dos anos, o processo de integração energética na América do Sul evolui de forma gradual. A obtenção de um mercado completamente integrado depende da superação de determinadas barreiras que serão explicitadas mais adiante. Vale assinalar que o ponto aqui levantado é a integração energética entre países de um continente, envolvendo questões estratégicas, políticas e econômicas. Não deve ser confundido, portanto, com interligação energética, que é uma transmissão de energia de um país para o outro. O primeiro conceito corresponde a um processo complexo, uma vez que está submetido a fatores inerentes às relações internacionais. Continue lendo »

Segurança energética

In energia on 05/04/2010 at 01:00

Por Renato Queiroz

“Todos os homens podem ver as táticas pelas quais conquisto, mas ninguém consegue antever a estratégia em que se baseia a minha vitória.” Sun Tzu (544 – 496 A.C)

1. INTRODUÇÃO

A segurança energética é cada vez mais um fator prioritário na agenda política dos países. No entanto, medidas efetivas para afastar da sociedade o risco da falta de energia ou para diminuir a instabilidade da falta de acesso às fontes energéticas exigem a identificação e aplicação de ações de modo a permitir que o Estado tenha um planejamento de cunho estratégico, levando ao estabelecimento de ações de política energética de médio e longo prazo. Continue lendo »