Grupo de Economia da Energia

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Questões sobre energia nuclear no Brasil

In energia nuclear on 31/01/2011 at 00:15

Por Thaís Vilela (*)

Diante de políticas mundiais de redução das emissões de dióxido de carbono e de utilização de fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, cresce, no mundo, o debate sobre a utilização do combustível nuclear para a geração de energia elétrica. Apresentada por alguns pesquisadores como solução eficiente e viável economicamente, a energia nuclear encontra forte oposição da população, sendo, na maioria das vezes, associada a programas militares e à possibilidade de acidentes. Não é possível, de fato, negar tais associações, porém não é possível negar também o avanço dos procedimentos de segurança adotados, assim como a evolução tecnológica dos reatores nucleares.

Especificamente sobre a energia nuclear no Brasil, tem-se que as usinas nucleares de Angra dos Reis operam de acordo com as Convenções Internacionais de Segurança Nuclear e de Gerenciamento Seguro de Combustível Usado e Rejeitos Radioativos, seguindo, assim, rigorosos procedimentos de controle e de qualidade ao longo de todo processo produtivo, reduzindo, dessa forma, os riscos de acidentes. São muitos os trabalhos que apresentam os custos e os benefícios da utilização do combustível nuclear para a geração de eletricidade. Contudo, no Brasil, a discussão sobre energia nuclear deve ser mais do que uma simples apresentação das vantagens e desvantagens do uso do combustível nuclear.

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Nova demanda por derivados de petróleo no mundo e as implicações para o parque de refino

In petróleo on 02/08/2010 at 00:14

Por Thaís Vilela

De acordo com as projeções da Agência Internacional de Energia[1] e do Departamento de Energia Norte-Americano[2], para o cenário de referência[3], o preço do petróleo no mercado internacional deve seguir uma trajetória ascendente até 2030. Essa tendência de alta do preço do petróleo, assim como a perspectiva de legislações ambientais mais rigorosas, a existência de fontes alternativas e o desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a eficiência energética tendem a reduzir a demanda por derivados de petróleo, em especial a gasolina.

Segundo o IFP (2009), deve haver, no médio prazo, uma reorganização do segmento de refino nos países da OCDE, mais especificamente, na Europa e nos Estados Unidos. Estes países teriam de decidir ou pela redução da capacidade de refino ou pelo investimento em tecnologias que permitam a produção de derivados mais eficientes e dentro das especificações ambientais[4]. Continue lendo »

Modelos de demanda por combustível no Brasil

In diesel, etanol, gasolina, GNV on 14/06/2010 at 00:15

Por Thaís Vilela

1 – Introdução

A matriz brasileira de combustíveis automotivos passou, e continua passando, por diversas mudanças, ora introduzidas pelo Governo Federal, ora pelas condições de mercado. Neste cenário, a predominância de um combustível em relação a outro mudou ao longo das últimas quatro décadas, tendo sido a falta de um planejamento estratégico bem definido, em relação a essa matriz, a principal responsável pelos diversos processos de substituição entre os combustíveis. Dentro deste contexto, o interesse em avaliar a dinâmica do consumo dos combustíveis automotivos no Brasil é grande, uma vez que o estudo sobre o comportamento do mercado de combustíveis, principalmente com relação à análise de sensibilidade da demanda a variações no preço e na renda, tende a ser uma importante ferramenta de orientação de política para o setor, já que este tema insere-se num contexto mais amplo envolvendo as esferas energéticas, ambientais e de infraestrutura. Continue lendo »

Energy integration in South America: motivations, obstacles and achievements

In energy on 24/05/2010 at 01:00

 

By Renato Queiroz and Thaís Vilela (*)

Motivations and Difficulties

Despite several bilateral agreements executed over the years, the energy integration process in South America develops gradually. The overcoming of certain barriers to be outlined later is the basis for achieving a fully integrated market. It is important to mention that the issue raised is the energy integration among countries of a continent, involving strategic, political and economic issues. Thus, there is no relation with energy interconnection, which is an energy transmission from one country to another one. The first concept corresponds to a complex process, since it is subject to factors related to international relations.

The integration experiences in Europe have shown that the development of regional energy integration is subject to lengthy multidimensional processes and under complexity often unpredictable, because there are several players involved in decision-making that often impact the integration process. Indeed, governments, regional and international energy companies, non-governmental organizations, multilateral lending institutions, regional bodies, among others, with their powers, influence the results of decisions.

However, we consider that energy is a vector suitable for integration between continents and has characteristics that promote agreements for the rational utilization of natural resources. It also creates opportunities to reduce inequality in the countries involved, contributes to the economic and social development in the region and, above all, provides greater energy security because it favors the consumer countries to achieve diversification of energy sources through imports. Continue lendo »

Integração energética na América do Sul: motivações, percalços e realizações

In energia on 24/05/2010 at 00:30

Por Renato Queiroz e Thaís Vilela

Motivações e Percalços

Apesar de diversos acordos bilaterais realizados ao longo dos anos, o processo de integração energética na América do Sul evolui de forma gradual. A obtenção de um mercado completamente integrado depende da superação de determinadas barreiras que serão explicitadas mais adiante. Vale assinalar que o ponto aqui levantado é a integração energética entre países de um continente, envolvendo questões estratégicas, políticas e econômicas. Não deve ser confundido, portanto, com interligação energética, que é uma transmissão de energia de um país para o outro. O primeiro conceito corresponde a um processo complexo, uma vez que está submetido a fatores inerentes às relações internacionais. Continue lendo »

Frota brasileira de veículos leves: difusão dos flexíveis e do GNV

In etanol, GNV on 19/04/2010 at 01:00

Por Luciano Losekann e Thaís Vilela

(Atualizado em 15 de Setembro de 2010)

A matriz energética brasileira se caracteriza pela relevante participação do álcool e do gás natural como combustíveis automotivos alternativos aos derivados de petróleo. O conhecimento da evolução e do perfil da frota de automóveis é um passo fundamental para estimar o consumo desses combustíveis e orientar políticas relacionadas à substituição de derivados de petróleo bem como a mitigação de emissão de CO2.

No entanto, desde 1986, com a extinção da Taxa Rodoviária Única, as estimações da frota nacional circulante no Brasil, realizadas por diversas instituições, apresentam resultados bastante divergentes. O DENATRAN, Departamento Nacional de Trânsito, divulga os dados sobre frota por tipo de veículo e por unidade da federação a partir dos dados de cadastramento realizados nos Detran’s, Departamentos Estaduais de Trânsito. Continue lendo »

Resenhas

In on 19/03/2010 at 15:00

Lelli, Edoardo (2008). Black Gold and Blue Gold: The Importance of Energy in the New Power Policy of the Russian Federation. Transition Studies Review,Volume 15, Number 4, 746-758. (→)

Huntington, H. G. (2009). Natural Gas Across Country Borders: An Introduction and Overview. The Energy Journal, Special Issue. World Natural Gas Markets and Trade: A Multi-Modeling Perspective. (→)

R. Suurs, M. & Hekkert, M.P. (2009). First and second generation Technologies: Lessons from the formation of a biofuels innovation system in the Netherlands, Energy 34 669–679. (→)

Gupta, E. (2008). Oil Vulnerability Index of Oil-Importing Countries. Energy Policy Volume 36, 1195-1211. (→)

Brown, Stephen e Yücel, Mine. (2008). What Drives Natural Gas Prices? The Energy Journal, Vol. 29, No.2. (→)

Wittneben, J. (2009). Exxon is right: let us re-examine our choice for a cap-and-trade system over a carbon tax. Energy Policy. Volume 37, 2462-2464. (→)

Lee, S.K.;  Mogi , G.; Kim, J.W. (2009). Energy technology: road map for the next 10years: The case of Korea. Energy Policy 37  588–596. (→)

The Economist (05 – 09/09/2009). Charge! Carmakers are shifting towards electric vehicles. Policymakers must do their part, too.(→)

The Economist (21 – 27/11/2009). LNG expands in Australia. Explosive growth. Australia is becoming one of the world`s biggest exporters of gas. (→)

The Economist (21 – 27/11/2009). EDF. Nuclear Contamination. The giant French utility`s ambition to lead a global revival in nuclear energy is running into difficulties as a controversial new boss takes over. (→)

Resenhas GEE. Equipe:  Alexandre Salomão, Juliana Rodrigues, Maria Carolina Avelar Fadul e Thaís Vilela. Supervisão: Helder Queiroz.

Estimação da frota brasileira de automóveis flex e a nova dinâmica do consumo de etanol no Brasil a partir de 2003

In etanol on 26/07/2010 at 00:15

Por Luciano Losekann e Thaís Vilela

1. Introdução

 

O Programa Nacional do Álcool (Pró-álcool) representa uma experiência única de substituição de derivados de petróleo no segmento de transportes (Hira e Oliveira, 2009 e Coelho et al., 2006). O programa, instituído em 1975 como parte de um conjunto de políticas, visava mitigar o impacto da primeira crise do petróleo. Na primeira fase do programa, o etanol era utilizado apenas como aditivo misturado à gasolina. A partir de 1979, porém, ano do segundo choque de preços do petróleo, foram introduzidos os automóveis a álcool que se difundiram rapidamente. Em 1986, os automóveis movidos a etanol já representavam 92% das vendas. Continue lendo »