Grupo de Economia da Energia

Archive for the ‘GNL’ Category

O imbróglio da GásLocal (GNL Gemini) no CADE: defendendo a concorrência ou garantindo o monopólio?

In gás natural, GNL on 18/07/2016 at 11:10

Por Diogo Lisbona Romeiro (*)

diogo072016Há dez anos, a GásLocal, joint venture entre Petrobras e White Martins, comercializa gás natural distribuído sob a forma liquefeita para consumidores localizados em um raio de até mil quilômetros da planta de liquefação instalada em Paulínia (São Paulo), a única em operação no país. Concebido em 2004, com investimento total de US$ 51 milhões, o empreendimento tinha por finalidade suprir consumidores localizados em áreas ainda não atendidas pelas distribuidoras estaduais de gás canalizado. Com capacidade de liquefação de 440 mil m³/dia de gás natural, a Petrobras buscava alavancar o mercado consumidor doméstico, procurando alternativas para destinar a oferta de gás natural contratada com a Bolívia, tendo em vista o aumento gradual da capacidade contratada e a elevada cláusula firmada de take-or-pay (80%).

A GásLocal, nome fantasia da GNL Gemini, tem 40% de capital da Petrobras (através da Gaspetro) e 60% da White Martins. As três empresas formaram um consórcio (Consórcio Gemini), no qual a Petrobras participa como fornecedora do gás, a White Martins como proprietária e operadora da planta de liquefação, inaugurada em 2006, e a GásLocal como distribuidora e comercializadora do gás natural liquefeito (GNL). O gás natural é fornecido à planta de liquefação por ramal direto de transporte do Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL), onde é liquefeito para ser transportado por caminhões com tanques criogênicos. Atualmente, a GásLocal dispõe de uma carteira de ao menos trinta clientes, dispersos em sua área de atuação (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal). Leia o resto deste post »

Perspectivas da demanda de GNL mundial e no Japão frente à evolução da energia nuclear

In energia nuclear, GNL on 29/02/2016 at 00:15

Por Niágara Rodrigues (*) e Renato Queiroz

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) adverte que se, em 2050, 80%[1] da eletricidade no mundo não for de baixo carbono a meta de um aumento máximo de 1,5°C na média da temperatura do planeta não será alcançada. E as consequências apontadas pelos especialistas em mudanças climáticas trazem preocupações. Nesse contexto, determinadas fontes consideradas de “transição” para uma economia de baixo carbono vão cumprir o papel de gerarem energia para movimentar o desenvolvimento econômico mundial.

Em um cenário global há duas fontes que são apontadas como fortes participantes da geração de eletricidade nesse período de transição juntamente com as fontes renováveis: o GNL (Gás Natural Liquefeito) e a geração nuclear. Certamente há diferentes realidades entre os diversos países, mas nas análises globais essas são as fontes que disputarão maiores fatias de investimentos, juntamente com as fontes renováveis.

A energia nuclear é uma alternativa aos combustíveis fósseis na produção de eletricidade e vem experimentando uma expansão importante nos últimos anos. Em 2014, a energia nuclear foi a quarta fonte mundial geradora de eletricidade, a qual contribuiu com cerca de 11% do fornecimento de eletricidade no mundo de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA). Leia o resto deste post »

O mercado de GNL do futuro: risco ou oportunidade para o Brasil?

In gás natural, GNL on 21/09/2015 at 00:15

Por Yanna Clara(*)

yanna092015O mercado de gás natural brasileiro depende fortemente de importações. Em 2014, o gás importado totalizou 52% da oferta nacional, resultado bastante influenciado pelo despacho contínuo das térmicas que vem ocorrendo desde 2012. As importações são provenientes principalmente da Bolívia, mas o Gás Natural Liquefeito (GNL) vem assumindo papel importante no suprimento do energético.

A perspectiva é que a importação de GNL no Brasil se intensifique, devido a incertezas quanto ao futuro do fornecimento de gás boliviano com o término do contrato em 2019, assim como a incertezas do gás proveniente do Pré-Sal. Com o GNL se firmando no mercado energético brasileiro, torna-se crucial uma avaliação da posição do Brasil dentro do contexto internacional.

A atual configuração do mercado internacional de GNL e tendências para o futuro

O gás natural corresponde a aproximadamente 25% da demanda energética mundial, dos quais 10% são supridas via GNL. O GNL cresceu mais do que qualquer outra fonte de gás natural do mundo – uma média de 7% ao ano desde 2000, o que resultou em uma perspectiva de maior integração e flexibilidade para importantes mercados mundiais (IGU, 2015).

Atualmente, existem 38 plantas de liquefação de gás natural em 21 países. O Oriente Médio possui a maior parcela da capacidade de liquefação mundial, com 34% do total, sendo 25% proveniente somente do Qatar, o maior exportador do energético no mundo. Leia o resto deste post »

Os impactos da queda do preço do petróleo no mercado de gás natural

In gás natural, GNL on 11/05/2015 at 00:21

Por Marcelo Colomer

marcelo052015Em 2014, o preço do Brent passou de US$ 108 por barril em janeiro para US$ 57 em dezembro. O desaquecimento da demanda mundial, a elevação da produção de óleo não convencional nos EUA, a ausência de rupturas na oferta global e a decisão dos países membros da OPEP em manter elevado os níveis de produção podem ser entendidos como as principais causas para a queda abrupta de 50% no preço do Petróleo.

Figura 1 – Evolução do Preço do Petróleo (Brent)

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Fonte: EIAa, 2015

Ao longo de 2014, as projeções de crescimento da economia mundial para o biênio 2014/15 foram reduzidas de 3,5% para 3,0% ao ano (EIA, 2014). Com a redução das expectativas de crescimento econômico, reduziu-se também as estimativas de crescimento da demanda global por petróleo. Nesse sentido, a redução das taxas de crescimento econômico de países como China, Brasil e Índia durante o segundo e terceiro trimestre de 2014 afetaram não somente o preço futuro da energia como também os preços de todas as commodities. Leia o resto deste post »

Os novos desafios do mercado internacional de gás natural para a política energética Russa

In gás natural, GNL on 17/06/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Imperiano

renato062013O ambiente econômico e energético mundial sofreu grandes transformações a partir do ano de 2008: primeiro, em virtude da crise econômica deflagrada nesse ano; segundo, em razão da expansão da produção de gás natural em formações geológicas não convencionais nos EUA e da crise nuclear japonesa. Devido a isso, a Rússia, como um dos maiores exportadores mundiais de energia, se defronta com novos desafios em função da perspectiva dos EUA se tornarem exportadores de GNL, somado ao decréscimo do consumo de gás na Europa, seu principal mercado consumidor. Em contraposição a esse cenário restritivo no Ocidente, há importantes oportunidades de comércio na região da Ásia-Pacífico com um aumento significativo da demanda energética em países como China, Coréia do Sul, Índia e Japão.

Este artigo busca apresentar questões recentes do mercado internacional de gás natural que trazem desafios à política energética russa. O texto está dividido em três seções. Inicialmente aborda-se o mercado europeu. Em seguida analisa-se o mercado asiático. Essa divisão não só marca um corte espacial desses mercados, como, principalmente, ressalta diferentes dinâmicas econômicas que têm resultados distintos sobre o mercado internacional de gás natural. Por último, na seção conclusiva focam-se as questões que rebatem nas estratégias da política energética da Rússia.

O mercado europeu

O aumento da produção de gás natural nos EUA, através da exploração de reservatórios não convencionais, gerou um diferencial significativo de preços entre o mercado americano e as demais regiões consumidoras no mundo. Conforme o preço do gás produzido internamente caiu e se tornou mais competitivo, o seu consumo aumentou, deslocando outras fontes, como o carvão, os derivados do petróleo e até mesmo a fonte nuclear[i]. O Gráfico 1, abaixo, ilustra a evolução da produção de energia elétrica americana por fonte. Enquanto a geração de energia elétrica por carvão diminuiu 23,1%, entre 2003 e 2012, a geração a gás cresceu 89,4%, no mesmo período. O consumo total de carvão nos EUA, no ano passado, foi 20,5% menor do que em 2008, quando o preço médio do gás natural no Henry Hub atingiu seu pico histórico de US$ 8,85 (BP, 2013). Leia o resto deste post »

Impactos do terremoto e da crise nuclear japonesa sobre o mercado internacional de gás natural

In gás natural, GNL on 18/04/2011 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Edmar de Almeida

Um dos poucos consensos existentes entre os especialistas de energia neste momento é o reconhecimento de que a crise energética, em particular a crise nuclear que se estabeleceu no Japão após o grande terremoto do dia 11 de março, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural. Muitos especialistas apressaram-se em apontar uma rápida redenção do mercado de gás natural após quase três anos de preços deprimidos. De fato, o preço do gás natural, assim como o do petróleo, sofreu uma queda abrupta a partir da crise de 2008, permanecendo em um patamar muito baixo, mesmo após a recuperação do preço do barril em 2009. Esta esperada recuperação dos preços no mercado de gás é vista com grande alívio pelos agentes do setor, embora uma análise mais cuidadosa do atual contexto do mercado revele que esta recuperação pode levar mais tempo do que se gostaria. Leia o resto deste post »

Evolução recente e tendências para a formação de preços no mercado mundial de GNL

In GNL on 29/11/2010 at 00:15

Por Edmar de Almeida

O Comércio mundial de Gás Natural Liquefeito (GNL) experimentou uma enorme expansão nas últimas duas décadas. Esta expansão foi acompanhada por uma evolução importante das formas de precificação e dos tipos de contratos utilizados no comércio de GNL. Tradicionalmente, o comércio de GNL esteve ancorado em contratos de longo-prazo com uma precificação que tentava associar o preço do GNL aos dos combustíveis concorrentes (petróleo ou derivados). Esta forma de comercialização predomina até hoje nos mercados de GNL da Ásia e parte da Europa.

A liberalização dos mercados de gás na América do Norte e em alguns países europeus permitiu o surgimento de novas regras de precificação do gás natural. Com o aumento gradativo da competição gás-gás, alguns mercados de curto-prazo e spots se desenvolveram, viabilizando a utilização de novos indexadores para o comércio do gás natural. Concomitantemente ao surgimento de mercados spot de gás na América do Norte e na Europa, assistimos um rápido desenvolvimento do mercado de GNL na Bacia do Atlântico. A capacidade de regaseificação da Bacia do Atlântico atualmente se aproxima da metade da capacidade mundial. Países como os Estados Unidos e Reino Unido, que havia deixado de importar GNL na década de 1980, voltaram a importar GNL nos anos 2000. Leia o resto deste post »