Grupo de Economia da Energia

Archive for the ‘petróleo’ Category

As dificuldades do acordo dos países produtores e a nova posição brasileira no mercado internacional do petróleo

In petróleo on 03/05/2017 at 00:52

Por Helder Queiroz

helder052017Desde dezembro de 2016 as atenções do mercado internacional do petróleo se voltaram para os impactos esperados do acordo que estabeleceu o compromisso de cortes de produção dos principais produtores, notadamente da OPEP, com adesão de outros países, dentre os quais o mais importante foi a Rússia.

Convém recordar que acordos desta natureza não são facilmente obtidos e são de difícil manutenção no que concerne o cumprimento dos compromissos assumidos.

Quais foram as consequências objetivas sobre os preços e estrutura de oferta desde o acordo firmado entre os produtores? Neste texto vamos apontar alguns dos principais elementos de resposta, a partir do exame do comportamento dos países da OPEP, ainda que seja cedo para identificar tendências estruturais de longo prazo[1]. Além disso, é discutida a nova e cada vez mais importante posição brasileira de exportador líquido neste mercado. Leia o resto deste post »

Corrupção na Indústria de Petróleo: Um caso isolado ou fenômeno estrutural

In petróleo on 18/04/2017 at 13:54

Por Marcelo Colomer

“…o escândalo da Tampa do Bule como um todo – desde Fall, Doheny e Sinclair até Stewart – se encarregou de inculcar na mente do público uma imagem nefanda do poder e da corrupção do dinheiro do petróleo exatamente quando a Standard Oil Trust havia cessado de fazê-lo” (Yergin, D. 2010 pp. 243)

A passagem acima refere-se ao maior escândalo de corrupção envolvendo a indústria de petróleo norte-americana que ficou conhecido como o caso da Tampa do Bule[1]. Na década de 1920, os campos petrolíferos destinados a serem reservas estratégicas da Marinha americana foram arrendados para duas empresas privadas após uma série de manobras políticas pouco transparentes e, no mínimo, suspeitas.

A transação acima ocorreu durante o período em que Albert Fall foi Secretário do Interior dos EUA. Após sucessivas manobras políticas, Fall conseguiu transferir o controle das reservas estratégicas do Ministério da Marinha[2] para o Departamento do Interior. Posteriormente, o então secretário do interior arrendou as reservas da Armada, por meio de acordos extremamente favoráveis, a Harry Sinclair e Edward Doheny. Leia o resto deste post »

Estão dadas as condições para a retomada do setor de petróleo e gás no Brasil?

In petróleo on 20/03/2017 at 00:15

Por Edmar de Almeida

Após experimentar um verdadeiro boom de crescimento econômico entre 2007 e 2013, o setor de petróleo e gás brasileiro mergulhou numa crise que parece não ter fim. Os investimentos da Petrobras que atingiram quase US$ 50 bilhões em 2013, caíram para apenas US$ 14,5 bilhões em 2016. O pouco investimento no upstream está concentrado no desenvolvimento de campos descobertos. Por esta razão, o nível da atividade de perfuração no Brasil caiu para o pior patamar histórico, assombrando a indústria parapetrolífera nacional.

Gráfico 1 – Evolução do número de sondas em operação no Brasil

Fonte: Baker Hughes Rig Count

Diante da gravidade da crise setorial atual, todos se perguntam se já chegamos ao “fundo do poço” e quando se dará o início da recuperação do nível de atividade no setor. Para responder a esta pergunta é importante identificar e avaliar os fatores condicionantes da retomada dos investimentos no setor. Este é objetivo deste artigo. Em nossa opinião três são os principais condicionantes para a retomada do crescimento do setor de petróleo no Brasil: Leia o resto deste post »

Uma OPEP travada pela Estrutura de Oferta do Petróleo: o que esperar da evolução dos preços?

In petróleo on 21/11/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder112016O mercado do petróleo voltará atrair a atenção internacional neste final de ano. A esperada reunião da OPEP marcada para a última semana de novembro visa sinalizar uma ação concertada dos países exportadores com relação à decisão de controle da produção. Historicamente, o consenso no âmbito da OPEP nunca foi facilmente obtido. Dessa vez a decisão envolve outros países não-membros, em particular, a Rússia no intuito de evitar que os preços voltem a cair para os níveis observados, por exemplo, no início deste ano (Gráfico 1).

Gráfico 1- Evolução do Preço Internacional do Petróleo – 2016

helder112016a

Como já foi destacado em outros textos, a queda recente de preços desde 2014 foi muito acentuada, saindo de U$$ 100 por barril , em julho de 2014, para o patamar  para cerca de US$ 25 em janeiro de 2016.

Isto representou a perda de mais de 350 mil empregos na indústria e uma redução forte dos programas exploratórios. Leia o resto deste post »

O papel do Estado na inovação: o não convencional nos EUA e o Pré-sal no Brasil

In gás natural, petróleo on 07/11/2016 at 00:15

Por Yanna Clara Prade (*)

yanna112016Desde o início dos anos 2000, os Estados Unidos vêm experimentando uma revolução energética através da exploração e produção de recursos não convencionais. O shale boom se deve à melhoria de técnicas de perfuração e novas tecnologias, as quais tornaram os recursos não convencionais viáveis economicamente. Os recursos não convencionais vêm sendo estudados desde a década de 1970, mas apenas na virada do século a produção dos não convencionais ganhou escala devido ao sucesso das novas tecnologias, resultando em um significante aumento da produção de petróleo e gás do país.

Em paralelo, temos outro caso de sucesso tecnológico na indústria de petróleo, com as descobertas dos recursos do Pré-sal em 2006, fruto da melhoria tecnológica das sísmicas, que permitiu a visualização dos recursos que se encontravam além da camada de sal, a profundidades jamais exploradas ou conhecidas. Com a descoberta de uma das maiores jazidas de petróleo do mundo, o Brasil e, mais especificamente, a Petrobras vem buscando superar as dificuldades tecnológicas de exploração em águas ultra profundas com as especificidades do Pré-sal, tornando-se um case de sucesso mundialmente reconhecido. Leia o resto deste post »

O balanço e o futuro da política de conteúdo local no setor de petróleo nacional

In petróleo on 12/10/2016 at 14:39

Por Edmar de Almeida e Luciano Losekann

edmar102016A mudança de governo no Brasil reforçou a discussão sobre revisão da política de conteúdo local do setor de petróleo no Brasil. Esta revisão é talvez a tarefa mais complexa do conjunto de reformas atualmente em curso no setor de exploração e produção (E&P) no país. Por um lado, a redução dos preços do petróleo coloca em questão a atratividade dos investimentos no setor de E&P, levando a uma incessante busca de redução de custos por parte das operadoras. Por outro lado, a cadeia de fornecedores encontra-se em situação de enorme fragilidade com a maior crise que este segmento já enfrentou.

A revisão da política de conteúdo local terá que arbitrar um conflito incontornável entre a atratividade dos investimentos e a proteção da cadeia de fornecedores. Este processo de arbitragem não tem receita pronta. Terá que ser feito necessariamente a partir de uma concertação entre os diferentes grupos de interesse que irá requerer muita negociação, além de estudos para entender melhor o dilema entre atratividade dos investimentos e promoção do conteúdo local.

Alguns estudos que analisaram diferentes dimensões da PCL buscaram identificar elementos para um balanço dos custos e benefícios da PCL nacional. Segundo CLAVIJO (2015), a PCL evoluiu através de um processo de tentativa e erro, sem um procedimento estruturado de avaliação desta política pelo governo. A evolução da política foi resultado do embate de interesses dos principais stakeholders e da constatação de problemas durante o seu processo de implementação. Leia o resto deste post »

A dificuldade da OPEP em controlar preços

In petróleo on 04/10/2016 at 18:22

Por Marcelo Colomer e Beatriz Rosenburg (*)

marcelo102016Our excessive dependence on OPEC has already taken a tremendous toll on our economy and our people… It’s a cause of the increased inflation and unemployment that we now face. This intolerable dependence on foreign oil threatens our economic independence and the very security of our Nation.” (CARTER, J 1979)

Remember when we were all concerned about our dependence on foreign oil?  Well, let me tell you — we’ve cut the amount of oil we buy from other countries in half. Remember when the other team was promising they were going to get gas prices down in like 10 years? We did it. Did it.” (OBAMA, B 2016)

As duas passagens citadas evidenciam não somente as mudanças ocorridas na indústria de energia Norte-Americana como também as transformações no cenário geopolítico do petróleo nos últimos 40 anos. Durante toda a década de 70 e início da década de 80 exaltou-se com elevada inquietação a capacidade da Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (OPEP) em controlar o mercado internacional de Petróleo.

O embargo da Organização dos Países Produtores e Exportadores Árabes de Petróleo (OAPEC) às principais nações ocidentais em 1973 e os efeitos da Revolução Iraniana sobre o preço do petróleo em 1979 legitimaram e impeliram discursos inflamados sobre segurança energética em diversas nações. Nos EUA, o celebre discurso proferido pelo então presidente Jimmy Carter em 15 de julho de 1979, conhecido como A Crise de Confiança (A Crisis of Confidence), deixa clara a preocupação norte-americana sobre sua dependência em relação ao petróleo do Oriente Médio. Leia o resto deste post »

A reestruturação da Indústria Brasileira do Petróleo: a questão da segurança do abastecimento

In petróleo on 05/09/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder092016No texto publicado em maio passado destacamos alguns elementos da restruturação, já em curso, da indústria brasileira de petróleo e derivados, com foco no papel do Governo e da Petrobras durante esse processo. Embora os fundamentos setoriais sejam robustos, a retomada de ritmo de crescimento dos investimentos é dependente de decisões governamentais importantes, especialmente no que tange à formação de preços, e das novas decisões estratégicas da Petrobras, em particular, visando readequar seu portfólio de ativos.

Tais mudanças se inscrevem num contexto de adaptação às novas condições de contorno da indústria mundial do petróleo. Após a queda de preços de 2014-15, as empresas internacionais de petróleo foram instadas a rever seus planos de negócios, promovendo ações que buscam conjugar três direções: desinvestimento, desendividamento e diversificação.

Neste sentido, todas as companhias, passado o susto da queda de preços, já operam considerando o novo patamar que parece tender a oscilar dentro da faixa de US$ 40 – US$ 50 por barril, o que poderia significar uma nova banda de preços ao longo dos próximos dois anos, com a qual, na prática, as empresas já começam a trabalhar (ver gráfico 1). Leia o resto deste post »

Impacto do regime fiscal na competitividade do setor do petróleo brasileiro no novo contexto do mercado

In petróleo on 04/07/2016 at 12:30

Por Edmar de AlmeidaLuciano Losekann e William Vitto (*)

edmar072016A queda abrupta dos preços do petróleo a partir da segunda metade de 2014 tem gerado um impacto econômico muito forte na indústria mundial de petróleo. O longo ciclo de preços altos experimentados entre 2011 e 2014 incentivou o aumento do nível do investimento no setor, que foi acompanhado pelo forte crescimento dos custos de produção e uma redução na produtividade. A queda dos preços do petróleo aconteceu no momento em que as muitas empresas do setor já se encontravam endividadas e expostas a riscos financeiros e contratuais. Com a reversão do ciclo de preços altos, tornou-se essencial um forte ajuste econômico no setor, com uma redução pronunciada dos investimentos nas atividades de exploração e produção (E&P) em escala mundial. O investimento global do setor caiu 20% em 2015, e segundo estimativas da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), espera-se que a queda seja ainda maior em 2016.

É importante destacar que houve grande avanço tecnológico na década de 2010, tendo como resultado a viabilização de novas fronteiras geológicas para produção, em especial dos recursos não-convencionais na América do Norte, sendo fator fundamental para explicar o cenário de sobreoferta atual. Esse contexto de aumento das oportunidades de inversões em E&P e queda do volume de capital disponível para investimento tende a gerar uma grande concorrência entre os diferentes projetos. A capacidade dos países detentores de recursos para alavancar investimentos dependerá, sobretudo, da atratividade econômica dos empreendimentos de E&P. Leia o resto deste post »

Desafios econômicos de processos de unitização no Pré-sal

In petróleo on 20/06/2016 at 00:15

Por Felipe Botelho Tavares (*), Luciano Losekann e Yanna Clara(*)

luciano062016O processo de individualização (ou também chamado de unitização) de jazidas é uma prática recorrente na indústria do petróleo e gás natural. O processo se torna necessário quando o reservatório descoberto se estende para além do bloco exploratório concedido. No Brasil, a unitização ganhou contornos especiais com a instauração do regime de partilha e a possibilidade de convivência de regimes distintos para o mesmo campo. Esta postagem foca a análise sobre o impacto das regras atuais de unitização na atratividade de projetos com reservatórios que se estendem por áreas da União (não concedidas), situação que se verifica em vários campos do pré-sal brasileiro. As simulações realizadas mostram que a rentabilidade dos projetos é comprometida quando o consórcio arca com os investimentos correspondentes a recursos fora da área de concessão. Assim, o desenvolvimento de parcela relevante das reservas brasileiras pode ser inviabilizado.

CONTEXTO

A unitização consiste em um processo que visa contornar de forma equilibrada questões sobre a propriedade de reservas de hidrocarbonetos compartilhadas por agentes distintos. O processo de unitização implica em acordo para produção conjunta das partes, readequando custos e lucros, de forma a evitar a produção individualista e predatória das reservas (na literatura chamada como “regra da captura”). A unitização da produção permite a otimização da produção e pode reduzir custos por economias de escala e escopo, ampliando os ganhos resultantes da produção. BORGES (2014) estima receitas extraordinárias (windfall profits) de 6,5% em campos no pré-sal brasileiro através da otimização da produção e subaditividade de custos no contexto de processos de unitização. Leia o resto deste post »

O forte ajuste da indústria de petróleo e gás

In petróleo on 30/05/2016 at 12:35

Por Renato Queiroz

renato 052016A Situação

Em uma conjuntura de queda do preço do petróleo com excesso de oferta, arrefecimento da economia chinesa – sendo a China o primeiro consumidor de petróleo – e retorno do petróleo iraniano ao mercado, aumenta fortemente a insegurança dos investidores na indústria de óleo e gás. Os inúmeros fóruns de debates com a presença de executivos de empresas petroleiras, prestadoras de serviços, consultores especializados vêm avaliando quais as consequências, as sequelas e as perspectivas dessa indústria.

Há, hoje, uma movimentação intensa de contratação de consultores especializados para mapear a situação em detalhes e apontar soluções que tragam melhores resultados para as companhias de petróleo e gás, prestadoras de serviços e fornecedoras de equipamentos. É uma nova crise para entrar na lista das grandes crises da indústria do petróleo com fortes resultados negativos: falências, desemprego, prejuízos.  Segundo o professor do GEE Edmar de Almeida: “as empresas operadoras estão tentando se ajustar à nova realidade de preços através do corte dos investimentos. Isto terá um impacto devastador para a cadeia de fornecedores que terá que realizar um ajuste ainda maior. Basicamente, ainda vamos ver muito desemprego e um número importante de empresas quebrando”. (Edmar, 2016) Leia o resto deste post »

A restruturação da Indústria Brasileira do Petróleo: sinais esperados do Governo e da Petrobras

In petróleo on 23/05/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder052016A instauração de um novo comando no Poder Executivo no Brasil se constituiu num processo traumático decorrente da dimensão das crises política, econômica e social. A estas podemos associar a grave crise setorial nas indústrias de energia no Brasil, em particular para a indústria do petróleo que esteve no centro dessas crises ao longo do último ano.

Seria ilusão imaginar que crises com essa dimensão serão resolvidos num prazo curto. Porém, os problemas atuais são graves; e a administração federal terá de demonstrar muita competência e transparência para buscar os caminhos para solucioná-los. Sem tais requisitos, os quais deverão ser cobrados pela sociedade, os riscos de agravamento dos problemas agudos de agora são consideráveis.

A reflexão proposta neste texto visa apontar os caminhos para mitigar estes riscos, destacando os aspectos de curto e longo prazo que tanto o governo quanto a Petrobras deveriam sinalizar para que seja possível atrair novos investimentos e retomar o desenvolvimento da indústria de petróleo e da cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços. Cabe notar que, do ponto de vista dos atributos setoriais, as perspectivas são favoráveis, dados: i) o volume de recursos descobertos; ii) o domínio e a excelência tecnológica para operar em novas fronteiras de exploração tal como as águas ultra-profundas; iii) a escala de produção e do mercado e iv) a disponibilidade de recursos humanos qualificados. Leia o resto deste post »

O balanço do plano de desinvestimento da Petrobras e o que esperar para o mercado de combustíveis

In petróleo on 16/05/2016 at 12:15

Por Yanna Clara (*)

yanna052016Em março de 2015, a Petrobras anunciou seu novo Plano de negócios para o período 2015-2019, divulgando importantes mudanças na estratégia da empresa, com o objetivo de se adequar ao novo contexto do setor e para tentar resolver seus próprios problemas financeiros. Uma das mais importantes mudanças no novo plano foi a redução de 37% dos investimentos. Além disso, a empresa também lançou um plano de desinvestimento, que totaliza um montante estimado de US$ 58 bilhões em vendas de ativos nos próximos anos. Esse agressivo plano é parte de uma estratégia para reduzir a alavancagem da empresa, preservando o fluxo de caixa e priorizando investimentos nas áreas do upstream com alto retorno e produtividade.

Dos US$ 58 bilhões, US$ 15,1 estão planejados para o biênio 2015/2016, divididos entre as áreas de E&P no Brasil e no exterior (30%), Abastecimento (30%) e Gás & Energia (40%). A empresa já realizou a venda de alguns ativos, mas é pouco provável que consiga alcançar a meta fixada para o biênio 2015/2016. No longo prazo, o plano de desinvestimento da Petrobras acarreta mudanças significativas para o setor de petróleo e gás natural no Brasil, com potencial para o setor se tornar mais diversificado e competitivo. A dificuldade no atual contexto é o de atrair compradores, dado o cenário de baixos preços de petróleo que enxugou o gasto de capital das empresas do setor. Leia o resto deste post »

Controle de preços da Petrobras: chegou a hora de pagar a conta

In petróleo on 28/03/2016 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Patricia Oliveira (*)

edmar032016Mesmo após a liberalização dos preços dos derivados em janeiro de 2003, o governo continuou controlando os preços através da Petrobras. A partir do argumento de que buscava-se evitar a internalização no Brasil da volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, o governo Brasileiro utilizou o controle dos preços dos derivados nas refinarias como instrumento de política econômica.

A partir do momento que os preços do petróleo internacional dispararam atingindo mais de 100 dólares em 2007, esta política teve um enorme impacto econômico na Petrobras. Uma avaliação do alinhamento dos preços dos principais derivados (gasolina, Diesel e GLP) entre 2007 e 2015 em relação aos preços internacionais mostra que os brasileiros pagaram gasolina, diesel e GLP abaixo do que cobrava o mercado internacional na maioria do período. O valor das perdas acumuladas por vender combustíveis abaixo do mercado internacional foi muito superior ao dos ganhos dos períodos em que a empresa vendeu produtos aqui acima do mercado internacional.

Os gráficos 1 e 2 abaixo mostram a evolução dos preços da gasolina e diesel nas refinarias do Brasil e no mercado spot americano entre 2007 e janeiro de 2016. Estes gráficos não deixam dúvidas de que a Petrobras não praticou um alinhamento de preços na última década. Quando avaliamos todo o período, fica claro que não só a duração dos períodos em que os preços ficaram abaixo do mercado internacional foi maior, mas também que os diferenciais de preços foram mais elevados nos períodos em que os preços praticados foram inferiores ao mercado internacional. Leia o resto deste post »

O ajuste forçado da indústria de petróleo

In petróleo on 22/03/2016 at 23:15

Por Edmar Almeida e Luciano Losekann

luciano032016

A situação do mercado mundial de petróleo mudou radicalmente nos últimos meses forçando um ajuste das empresas operadoras. O preço do barril brent que era de US$ 100 em setembro de 2014 atingiu menos de US$ 30 no início de 2016. Em função da redução de receitas, as empresas de petróleo reduziram fortemente seus investimentos. A Agência Internacional de Energia aponta que os investimentos das petroleiras caíram 24% em 2015 e devem reduzir mais 17% em 2016 (IEA, 2016).

O ajuste é mais drástico na América do Norte, onde a concentração em projetos de recursos não convencionais implica em custos mais elevados. O número de sondas em operação caiu pela metade nos EUA a partir do final de 2014. Este corte nos investimentos não deve ser suficiente para impedir a quebra de um grande número de empresas americanas. A consultoria americana CreditSights estima que cerca de 45% das empresas americanas de petróleo correm risco de recorrer a alguma modalidade de recuperação judicial até 2017 se os preços permanecerem no patamar atual.

O estudo World Energy Investment Outlook – WEIO da Agência Internacional de Energia analisa os custos médios de exploração e desenvolvimento (ou seja, exclui o custo de operação) de diferentes áreas e tipo de petróleo em produção no mundo. Segundo o WEIO (2014), os custos de exploração e desenvolvimento variam entre 7 e 35 dólares por barril (Figura 1). O petróleo convencional do Oriente Médio apresenta o menor custo, enquanto o óleo não-convencional produzido nos EUA apresenta o custo mais elevado. O óleo de reservatórios offshore em águas profundas apresenta um custo intermediário, de cerca de 18 dólares por barril. Leia o resto deste post »

Preços internacionais do petróleo: principais impactos da recente queda de preços

In petróleo on 15/02/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder022016Desde o início do século XXI, o mercado internacional do petróleo tem confirmado uma de suas principais características: a dificuldade de antecipação do comportamento dos preços. Historicamente, períodos de estabilidade são raros e constituem a exceção; a volatilidade é a regra desse mercado. Várias flutuações de preços, com altas e quedas expressivas, podem ser aqui lembradas.

A virada do século foi marcada, após um longo período de baixos preços do petróleo entre 1986 e 1999, por uma trajetória ascendente, atingindo recordes históricos, em termos nominais, em 2008, ultrapassando a barreira dos US$ 140 por barril e retornando a patamares inferiores a US$ 30 por barril no início de 2016.

Não obstante a queda recente de preços ter sido muito expressiva e rápida, saindo de US$ 100 para cerca de US$ 30 em dezoito meses, este episódio é apenas um a mais a ser registrado e interpretado. De fato, a história do petróleo permanece sendo escrita pelo jogo dos fundamentos técnicos, geológicos, geopolíticos e econômicos que contribuem para explicar tais flutuações. Leia o resto deste post »

Desafios para o Brasil no novo cenário do mercado internacional de petróleo

In petróleo on 02/11/2015 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar112015O Brasil foi pego no contrapé pela mudança inesperada do contexto do mercado mundial de petróleo. O país se lançou no desafio de desenvolver uma nova fronteira petrolífera, de custo elevado, num contexto de preços altos. Entretanto, a forte queda dos preços a partir do final de 2014 passou a desafiar a sustentabilidade econômica do projeto de expansão da produção de petróleo brasileira. Desta forma, o contexto do mercado mundial de petróleo impõe uma agenda de reflexões e discussões sobre as melhores estratégias para garantir a sustentabilidade econômica do projeto do Pré-sal.

A mudança do cenário do mercado mundial de petróleo

A produção mundial de petróleo aumentou mais do que a demanda a partir do início de 2014. O excesso de oferta de petróleo no mundo ultrapassa os 3 milhões de barris por dia atualmente. Diante do excesso de oferta, trava-se uma batalha econômica para se decidir quem será o swing producer que pagará o preço do ajuste. A recusa dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em particular da Arábia Saudita, de reduzir seu teto de produção e jogar seu papel histórico de swing producer, exacerbou o nível de incerteza do mercado. Desde então, as especulações sobre o que pode acontecer com a oferta e demanda vêm ditando o ritmo do mercado. Trata-se de uma grande disputa econômica em que os principais atores são os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Arábia Saudita e o restante da OPEP. Leia o resto deste post »

Impactos macroeconômicos da crise na indústria de petróleo no Brasil

In petróleo on 26/10/2015 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Niágara Rodrigues (*)

marcelo102015Sessenta bilhões de reais de investimento, 5,7 por cento da formação bruta de capital e 60 mil empregos gerados; esses são dados referentes às atividades de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural no ano de 2013 no Brasil (COLOMER, M e RODRIGUES, N 2015). Até aquele ano, os investimentos nas atividades de exploração, produção e no segmento de downstream influenciaram positivamente as variáveis macroeconômicas no país, como emprego e geração de renda. A partir de 2014, no entanto, a reversão do cenário internacional, os problemas de caixa enfrentados pela Petrobras e as mudanças ocorridas no ambiente de negócio da indústria petrolífera nacional alteraram a direção de seus impactos sobre a economia brasileira. Nesse sentido, a partir do anúncio de cortes significativos nos investimentos projetados para os próximos cinco anos pela Petrobras, surge a preocupação de qual será a consequência da redução dos níveis de atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural sobre o emprego e renda.

Em 2013, a expansão dos investimentos verificada na indústria petrolífera no Brasil aumentou, significativamente, a participação do setor no emprego nacional. Em outros termos, o efeito direto, indireto e induzido dos investimentos na indústria petrolífera tem se mostrado muito importante na trajetória de redução dos índices de desemprego e informalidade da economia brasileira. Entre 2007 e 2013, por exemplo, o emprego total na indústria de petróleo e gás natural cresceu 22% com destaque para o emprego no segmento de E&P que expandiu, no mesmo período, 42% (CAGED, 2015). Leia o resto deste post »

Caminhos para retomada da indústria de petróleo no Brasil

In petróleo on 17/08/2015 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar082015

O Setor de Petróleo no Brasil foi um dos principais pilares do crescimento econômico Brasileiro nos últimos 10 anos. O investimento do setor nacional aumentou de um patamar de cerca de 10 bilhões de dólares em 2003 para cerca de 50 bilhões em 2013. No bojo deste espantoso crescimento dos investimentos estão as grandes descobertas de petróleo da província do Pré-sal. Apesar destas descobertas, os investimentos no setor petrolífero vêm caindo desde 2013 e em 2015 deverão atingir apenas a metade do valor de 2013.

O processo de crise no setor petrolífero nacional iniciou-se com a quebra da OGX em 2012, que teve como consequência o fechamento do mercado de capitais para as empresas independentes nacionais. Sem acesso a fundos de private equity, o jovem segmento de empresas independentes brasileiras perdeu o fôlego para manter o investimento. Após a crise das empresas independentes, foi a vez da Petrobras entrar em crise. Esta crise aconteceu inicialmente em função da sua incapacidade de gerar caixa suficiente para manter o nível de investimentos no patamar de 40 bilhões de dólares. O rápido crescimento do endividamento, seguido dos escândalos de corrupção e da queda dos preços do petróleo no final de 2014 levaram à lona a principal empresa do setor de petróleo nacional.

A crise do setor petrolífero nacional é séria. Entretanto, não se pode negar que o setor tem potencial para uma rápida retomada do crescimento caso aproveite a parada técnica da crise para ajustar os fundamentos econômicos, políticos e regulatórios do setor, bem como as estratégias das empresas. A retomada do crescimento do setor dever partir do reconhecimento que o ambiente do mercado de petróleo internacional e nacional não será o mesmo de antes da crise. Leia o resto deste post »

O leilão é o melhor mecanismo para determinar o conteúdo local na exploração e produção de gás e petróleo?

In gás natural, petróleo on 20/07/2015 at 00:15

Por Michelle Hallack  e Miguel Vazquez 

michelle072015Políticas de conteúdo local têm sido amplamente utilizadas, em especial em países ricos em recursos naturais, como mecanismo de promoção da indústria nacional. Neste contexto, esta postagem não objetiva discutir os benefícios e custos associados a estas políticas, mas qual o mecanismo mais adequado para determinar a quantidade de conteúdo local que deve ser demandada das empresas. Abstraindo um pouco a questão, pode-se pensar que a determinação do conteúdo local nas rodadas de licitação como uma espécie de compra governamental. Isto é, o governo objetiva fazer política industrial nas compras (vendas de direito de exploração, desenvolvimento e produção neste caso).

Desse modo, a questão principal desta postagem é questionar se o leilão é o melhor mecanismo para determinar a quantidade de conteúdo local que deve ser exigida na exploração e produção de gás e petróleo. Esta discussão de baseará em dois pilares: (1) levantamento da discussão teórica sobre as vantagens e desvantagens do uso do leilão; (2) análise empírica sobre como os agentes fazem seus lances de conteúdo local. Veremos que as vantagens identificadas no ponto (1) estão relacionadas principalmente às informações que são reveladas no processo. A análise empírica do ponto (2) mostra que não se observam informações relevantes reveladas nos leilões.

Quadro analítico

O estudo da eficiência dos diferentes mecanismos de compra/venda pública possui uma extensa literatura (ver por exemplo Dimitri et al 2006). No que se refere ao uso dos leilões, há bibliografia descrevendo as vantagens dos leilões em situações relativamente simples. No entanto, quando as características dos itens negociados são mais complexas, os resultados encontrados são limitados. No caso de leilões de gás e óleo, os leilões tendem a não ser simples, o que motivou pesquisas sobre os detalhes práticos de leilões adequados a esta indústria (ver por exemplo Cramton, 2007). Leia o resto deste post »

Impactos da política de preços dos combustíveis sobre a Petrobras

In petróleo on 18/05/2015 at 00:20

Por Patricia Oliveira e Edmar de Almeida

edmar052015A política de preços dos derivados no Brasil tem grande responsabilidade na deterioração da situação econômica da Petrobras nos últimos 4 anos. A principal característica da política atual de precificação dos derivados é a liberalização formal dos preços, seguida de um controle indireto do governo via diretoria e conselho da Petrobras. Desta forma, não existe uma regra conhecida de alinhamento dos preços domésticos aos preços internacionais. Falta transparência e previsibilidade em relação à questão da relação dos preços domésticos e preços internacionais. Esta falta de transparência e previsibilidade da intervenção do governo na precificação é percebida como um grande fator de risco para a empresa.

Além da falta de transparência e previsibilidade, a avaliação da evolução do alinhamento dos preços domésticos aos preços internacionais mostra que houve uma mudança no padrão do comportamento dos preços. Até 2010, observou-se que o desalinhamento dos preços domésticos (para mais ou para menos) não duravam grandes períodos de tempo. A direção da Petrobras deixava claro que a empresa buscava um alinhamento de preços no longo prazo. Isto significava que os períodos de preços domésticos mais baixos eram curtos e seriam compensados por períodos de preços domésticos mais elevados.

A partir de 2011, observou-se uma ruptura com a política de alinhamento no longo prazo. A estabilidade dos preços do petróleo no patamar de 100 dólares entre 2011 e 2014, por um lado, e a política governamental de combate à inflação via controle dos preços “administrados” por outro, resultaram num período muito longo de desalinhamento dos preços doméstico. Desde janeiro de 2011 até outubro de 2014, os preços de referência internacional da gasolina e do diesel no golfo norte-americano estiveram bastante acima dos preços domésticos (preço FOB na refinaria). Leia o resto deste post »

Perspectivas de importação de óleo diesel no Brasil

In diesel, petróleo on 04/05/2015 at 00:15

Por Niágara Rodrigues (*) e Luciano Losekann(**)

luciano052015A forte expansão do consumo de combustíveis no segmento de transportes em anos recentes no Brasil (Figura 1) impõe importantes desafios para a política de segurança energética e para as contas externas brasileiras. Como a capacidade de refino não se expandiu no mesmo ritmo, a necessidade de importações é crescente, implicando no aumento da dependência externa por combustíveis. Os investimentos em novas refinarias que serviriam para contrabalançar o crescimento da demanda tardam a se concretizar e são insuficientes para garantir total autonomia no abastecimento de derivados, situação agravada pelo cancelamento dos projetos das refinarias Premium I e II.

Figura 1 – Evolução do consumo de combustíveis no Brasil – 2000 a 2013

luciano052015aFonte: Elaboração com base em ANP

Em 2013, o déficit de atendimento do consumo de derivados de petróleo alcançou 20%, com destaque ao déficit em diesel e nafta, correspondendo em conjunto a 55% do total da necessidade de importações e consumo de estoques. O déficit de diesel que vinha caindo na década de 2000 voltou a crescer a partir de 2010, recuperando o patamar anterior (em torno de 17-19% da demanda), como apresentado no Figura 2. Leia o resto deste post »

Impactos potenciais da Operação Lava-Jato sobre a curva de produção da Petrobras

In petróleo on 20/04/2015 at 00:15

Por Yanna Clara(*) e Edmar de Almeida

yanna042015A Operação Lava-Jato teve consequências importantes para a evolução da produção de petróleo da Petrobras. O último Plano de Negócios da empresa apontava para um rápido crescimento da produção de petróleo que atingiria 4,2 milhões de barris em 2020. Ou seja, a Petrobras pretendia dobrar sua capacidade de produção de petróleo num horizonte de cinco anos. Entretanto, os impactos da Operação Lava-Jato foram muito importantes e comprometeram este cenário. A empresa sofreu grande perda de credibilidade nos mercados financeiros e, por consequência, o crédito – tão necessário para os vultuosos investimentos projetados – ficou muito mais difícil.

O Plano da Petrobras para os próximos anos já era bastante ousado para a exploração e desenvolvimento do Pré-sal. Mesmo em um cenário em que não houvesse a investigação da Operação Lava-Jato, a empresa já estaria com grandes dificuldades em alcançar suas metas: o sobreinvestimento e a alta alavancagem já vinham sendo apontados como grandes questões da estatal. Com o elevado grau de endividamento e a queda brusca do preço do petróleo no final de 2014, a empresa teria inevitavelmente que repensar projetos e prioridades, a fim de viabilizar não só o pré-sal como os demais projetos estratégicos. Leia o resto deste post »

Os desafios da indústria de petróleo no Brasil

In petróleo on 09/02/2015 at 00:15

AB3EA Associação Brasileira de Estudos em Energia (AB3E) realizou em Dezembro passado o seminário A Agenda de Política Energética Brasileira nos Próximos 4 Anos. 

A palestra abaixo, apresentada pelo professor Edmar de Almeida do Grupo de Economia da Energia (GEE), abriu a mesa Uma Agenda para a Indústria de Petróleo no Brasil no Novo Governo.

Estabilidade e volatilidade no mercado global de petróleo

In petróleo on 26/01/2015 at 00:15

canalGEENo final do ano passado, o Grupo de Economia da Energia em parceria com o Centro de Estudos sobre Política Energética Global da Universidade de Columbia realizaram no Rio de Janeiro o seminário “The Changing Global Energy Landscape: Impacts for Brazil”.

O seminário contou com a participação de dois fundadores do centro americano: Robert McNally e Jason Bordoff. O primeiro foi assessor de energia do presidente George Bush e o segundo, atual diretor do Centro, foi assessor do presidente Barack Obama.

Apresenta-se a seguir um conjunto de vídeos reunindo a palestra de Robert MacNally – Stability and Volatility in the Global Oil Market – e entrevistas com profissionais presentes no seminário e  com McNally e Bordoff.

Um resumo do seminário pode ser encontrado na postagem “A transformação do panorama global do petróleo e do gás e os impactos sobre o Brasil”.

 

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A transformação do panorama global do petróleo e do gás e os impactos sobre o Brasil

In gás natural, petróleo on 24/11/2014 at 00:15

Por Luciano Losekann e Edmar de Almeida

???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Em 12 de Novembro último, com o apoio do IBP, foi realizado no Rio de Janeiro o seminário “The Changing Global Energy Landscape: Impacts for Brazil”. Fruto da parceria entre o Grupo de Economia da Energia e a Columbia University, o seminário contou com a participação de dois especialistas americanos[1] importantes: Robert McNally e Jason Bordoff. Os dois são fundadores do Center on Global Energy Policy, sendo que o primeiro foi assessor de energia do presidente George Bush e o segundo, atual diretor do Centro, foi assessor do presidente Barack Obama.

O seminário ocorreu em um momento bastante oportuno. O panorama global dos mercados de petróleo e gás natural se alterou fortemente nos últimos meses. Após um período anormal de calmaria nos preços entre 2011 e 2014, os preços do petróleo caíram fortemente e o futuro aponta para maior volatilidade dos preços. A revolução do shale gas agora terá impactos além das fronteiras dos Estados Unidos, tanto diretamente, via as exportações americanas de GNL, quanto indiretamente, mediante a difusão junto a outros países da tecnologia de produção de óleo e gás não convencionais. O novo panorama tem fortes implicações para o Brasil, que necessita realizar pesados investimentos para desempenhar papel mais relevante na indústria de petróleo.

Mudança no Panorama dos Preços do Petróleo

A palestra de Robert McNally, “Estabilidade e Volatilidade do Mercado internacional de petróleo – Passado, Presente e Futuro”, buscou identificar os determinantes da volatilidade dos preços do petróleo e prever a tendência futura para o mercado. No histórico da indústria de petróleo, podem ser observados períodos de elevada volatilidade e de estabilidade. A volatilidade está associada às forças de mercado, num contexto de baixas elasticidades de oferta e demanda.

Como os custos mais representativos são fixos, a oferta responde pouco a variações de preço. Pelo lado da demanda, o consumidor não encontra substituto de escala global para gasolina e também responde pouco a variações de preço no curto prazo. Assim, sem a atuação de coordenação para a estabilização, pequenas oscilações de oferta e demanda têm grande impactos nos preços. Leia o resto deste post »

A revolução energética dos Estados Unidos e suas consequências para a geopolítica do petróleo no Oriente Médio

In petróleo on 27/10/2014 at 00:15

Por Juliana Queiroz *

juliana102014Que os Estados Unidos estão vivendo uma revolução energética não é novidade para ninguém. Mas o que permanece uma incógnita é quanto tempo essa abundância de hidrocarbonetos vai durar e quais as consequências dela para a política externa norte-americana.

O ressurgimento da bacia do Atlântico como região produtora – com as revoluções energéticas dos Estados Unidos e Canadá e as descobertas do pré-sal no Brasil – altera o centro de gravidade da produção mundial de petróleo. Os EUA, por exemplo, de acordo com a Agência Internacional de Energia, se tornarão o maior produtor mundial de óleo já em 2015.

Ao mesmo tempo, a demanda se torna mais intensa nos países em desenvolvimento na Ásia, especialmente na China e na Índia. A primeira alcançou, em 2010, o posto de maior consumidor mundial de energia e atingirá, em 2030, a liderança no consumo de petróleo; a segunda intensificará sua demanda a partir de 2025, sendo a principal responsável por impulsionar a demanda energética mundial a partir de então.

Marcado pelo dinamismo e imprevisibilidade, o mercado mundial de energia refletirá essas mudanças através de um rearranjo nas relações entre as nações.

Em função da menor dependência do óleo advindo do Oriente Médio, agora existe um expressivo debate nos Estados Unidos se o país deve manter seus esforços e verbas na garantia da segurança do Golfo Pérsico. Embora muitos agentes políticos e intelectuais defendam que o cordão umbilical deve ser cortado, a questão não é tão simples e não se resume ao aspecto econômico/energético.

Manter-se comprometido e engajado no Oriente Médio cumprindo o papel de hegemon do Sistema garante um controle, ainda que indireto, sobre as vastas reservas convencionais – e portanto baratas – da região. Influenciar o acesso a esses hidrocarbonetos tem altíssima relevância estratégica, considerando a dependência energética da sociedade global atual. Leia o resto deste post »

O processo de abertura da indústria petrolífera no México

In petróleo on 15/09/2014 at 00:15

Por Marcelo Colomer

marcelo092014Dez anos, esse é o período que, considerados os níveis de produção atual, as reservas provadas de petróleo mexicanas irão durar. Uma década parece muito tempo, ainda mais quando se compara com a razão reserva/produção[1] dos EUA que em 2013 estava em 12 anos (BP, 2014). No entanto, quando se abre a análise por trás desses indicadores, a realidade mexicana mostra-se muito diferente do seu vizinho. Nos últimos dez anos, a produção norte-americana de petróleo cresceu 35% enquanto suas reservas provadas aumentaram 50%. No caso mexicano, no mesmo período, as reservas provadas diminuíram 30% enquanto os níveis de produção encolheram 24%. Nesse sentido, se os níveis de produção de 2003 tivessem permanecido constantes no México ao longo da última década, as reservas atuais somente durariam mais sete anos.

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Fonte: BP, 2014

Nesse contexto, preocupado com a queda acentuada da produção e, principalmente, dos esforços exploratórios, o governo mexicano, em Dezembro de 2013, aprovou uma emenda constitucional que eliminou o Monopólio da PEMEX sobre o setor de petróleo e gás natural no país abrindo a indústria ao investimento estrangeiro.

Durante 75 anos, a empresa estatal Petróleos Mexicanos manteve o monopólio sobre todas as atividades da cadeia produtiva das indústrias de petróleo e gás natural. A partir de 2000, com a vitória do candidato do Partido da Ação Nacional (PAN), Vicente Fox, nas eleições presidenciais, iniciou-se um intenso debate sobre a reforma do setor de petróleo no país. No entanto, a fraca representatividade do governo, nas duas câmaras legislativas, funcionou como obstáculo à reforma do setor energético. Leia o resto deste post »

A entrada e os próximos passos dos chineses no setor de petróleo no Brasil

In petróleo on 14/07/2014 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Helder Consoli (*)

edmar072014Até recentemente, o Brasil esteve fora do radar das empresas chinesas que vêm empreendendo uma forte expansão internacional. Com a descoberta do Pré-sal e com o consequente potencial exportador de petróleo do país, as empresas petroleiras chinesas passaram a se interessar pelo setor energético brasileiro. Nos últimos cinco anos, todas as quatro grandes empresas petrolíferas estatais chinesas entraram no mercado Brasileiro. Além disso, dada as necessidades de financiamento das atividades de E&P no Brasil, elas passaram a ser vistas como uma importante fonte de liquidez para investir no negócio de petróleo nacional.

O principal drive para entrada no Brasil é a perspectiva de exportação de petróleo para a China. Tendo em vista que estas empresas dominam o downstream na China, sua estratégia é buscar ativos que podem se converter em exportações para a China.

Entrada das Empresas Chinesas no Brasil

Até 2005 a presença chinesa na indústria brasileira do petróleo era muito tímida. A partir deste ano, a Sinopec entrou no mercado brasileiro oferecendo serviços de engenharia e de EPC (Engineering Procurement and Construction). A Sinopec participou da construção de um trecho do projeto GASENE (gasoduto interligando a malha de gasodutos do Sudeste ao do Nordeste). Leia o resto deste post »

A maldição dos recursos naturais III: A maldição do petróleo resiste ao boom do preço do petróleo nos anos 2000?

In petróleo on 21/10/2013 at 00:15

Por Luciano Losekann e Thiago Periard

luciano102013Em duas postagens anteriores (*), abordamos a validade da tese de maldição de recursos naturais quando considerados os países ricos em petróleo. Nesta postagem, utilizamos instrumental econométrico mais robusto para identificar a validade da tese para a década de 2000.

A hipótese teórica da chamada maldição dos recursos naturais (MRN) diz que quanto maior a abundância de recursos naturais em determinado país, menor tende a ser o ritmo de desenvolvimento econômico. De maneira mais especifica este argumento é utilizado para relacionar o baixo desempenho econômico dos países ricos em petróleo com a existência de uma maldição do petróleo.

Existem dezenas de modelos dedicados a explorar as diversas facetas da MRN. No entanto, poucos modelos se dedicam a tratar do tema em períodos de análise mais recentes. Esta postagem busca investigar a situação desta “maldição do petróleo” ao longo dos anos 2000. Essa década foi marcada pela situação peculiar de uma valorização dos termos de troca dos produtos básicos, que pode ser verificada pela explosão do preço de diversas commodities, dentre as quais se destaca o boom no preço do petróleo.

MRN ou ciclo de preços?

O período de tempo usualmente considerado para estudar a MRN, décadas de 1980 e 1990, se caracteriza por preços deprimidos das commodities, o que, certamente, impacta negativamente o desempenho econômico dos países intensivos em recursos naturais. Nas, os países ditos emergentes estavam sofrendo a reversão dos ciclos de investimento iniciados nas décadas de 60 e 70. Os anos 80 ficaram conhecidos em diversos países do mundo como a década perdida, e mesmo as economias centrais tiveram que fazer ajustes para romper a estagflação que caracterizou este período. Leia o resto deste post »

Oportunidades e custos na atividade petrolífera em águas profundas

In gás natural, petróleo on 30/09/2013 at 00:15

Por Thales Viegas

thales092013O objetivo deste artigo é apontar o porquê da fronteira petrolífera de águas profundas continuar atrativa para as petroleiras, a despeito dos riscos, dos níveis de participações governamentais, da concorrência com outras fontes de recursos e, em especial, dos custos técnicos dos projetos de E&P.

Pretende-se demonstrar que o desenvolvimento de capacitações dinâmicas por parte das petroleiras potencializou as transformações tecnológicas e organizacionais na indústria e favoreceu a evolução dos indicadores de desempenho desse segmento do setor de petróleo e gás. Não obstante a inflação de custos e os desafios envolvidos terem crescido, os resultados do E&P desse segmento da indústria são promissores, tanto no âmbito técnico quanto do ponto de vista econômico.

Algumas evidências sugerem que as oportunidades em águas profundas deverão permanecer no rol das prioridades das empresas petrolíferas líderes desse segmento: i) a magnitude das acumulações recém-descobertas; ii) o potencial remanescente de recursos de petróleo e gás por descobrir; iii) o acúmulo de competências e conhecimentos críticos; iv) o bom desempenho operacional e econômico de muitos dos projetos recentes.

Os dois primeiros aspectos foram abordados em algumas das minhas postagens anteriores, mas vale mencionar as descobertas que a Petrobras poderá anunciar em águas profundas da costa de Sergipe. É possível que o potencial de descoberta do Brasil, de Angola e de outros países da costa oeste africana seja superior ao estimado, mas que o seu aproveitamento requeira elevado grau de competência e experiência operacional, em particular, nos casos em que os recursos estiverem acumulados na camada pré-sal. Leia o resto deste post »

Desafios do setor de petróleo brasileiro

In petróleo on 05/08/2013 at 00:15

Por Edmar Almeida

edmar082013A expansão da produção de petróleo no Brasil constitui atualmente o principal desafio estratégico para o Brasil. Para viabilizar esta expansão, o país deverá trilhar caminhos perigosos e arriscados. A velocidade que se pretende impor à caminhada não deixa margem para erros. Qualquer pequena barbeiragem pode levar a um acidente grave, dado o risco de se passar direto pelas curvas sinuosas que deverão ser trilhadas.

A descoberta do Pré-sal trouxe o petróleo para o centro da cena política nacional. A expectativa criada na sociedade com o “bilhete premiado” canalizou todos os esforços políticos para a discussão sobre a apropriação e divisão da renda petrolífera. Entretanto, pouca atenção política tem sido dada ao fato de que o projeto de expansão da produção nacional de petróleo dos atuais 2 milhões de barris para mais de 4 milhões em 2020 (que denominaremos neste artigo Projeto Pré-sal) constitui empreitada épica para nosso país; comparada a um esforço de guerra. Isto porque requer uma mobilização de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e também políticos numa escala sem precedentes.

Pouca atenção está sendo dada ao fato de que antes de se alcançar o “bilhete premiado” existe um importante período de sacrifícios para a sociedade. A duração deste período dependerá das escolhas e dos acertos da política setorial. O grande risco para o país é o atraso nas metas de crescimento da produção, com a inviabilização do projeto tal como está colocado atualmente.

Analisando-se a questão do ponto de vista macroeconômico, a elevação da produção de petróleo implica num aumento significativo dos investimentos. Estão previstos investimentos de mais de 300 bilhões de dólares no setor de petróleo até 2020. Estes investimentos, por sua vez, contribuirão para a elevação das importações, o que afetará negativamente a balança comercial. Mesmo considerando a manutenção dos atuais níveis de conteúdo local (o que também será um enorme desafio, como veremos adiante), cerca da metade do valor dos investimentos tendem a ser tornarem importações. Leia o resto deste post »

Atratividade e desdobramentos do Leilão de Libra: análise apoiada em Modelagem Econômico-Fiscal dos desafios e oportunidades do Pré-sal

In petróleo on 15/07/2013 at 01:35

Por Thales Viegas

thales072013O campo de Libra, localizado na camada Pré-sal brasileira, é a maior descoberta de petróleo convencional do século XXI[i]. Estimativas recentes da ANP indicam que os volumes recuperáveis podem variar entre 8 e 12 bilhões de barris. Em outubro de 2013 a Agência deverá realizar o leilão da referida área. O edital do processo e a minuta do contrato já se encontram em fase de consulta pública. Diante deste contexto, o presente artigo discute os contornos do leilão e do desenvolvimento do campo de Libra. Foi utilizado o nosso modelo de fluxo de caixa descontado, para o regime de Partilha, desenvolvido em 2010 e atualizado recentemente, como subsídio quantitativo das nossas análises, embora apresentar o modelo não constitua o foco desse artigo.

A pergunta a ser respondida aqui é a seguinte: quais os principais determinantes da atratividade e os desdobramentos desse tipo de Leilão para o país e para a indústria? Para responder serão abordados três aspectos: i) os resultados do modelo econômico-fiscal, com base em parâmetros contidos no edital e no contrato; ii) o processo de aprendizagem regulatória, visto que esse é o primeiro leilão sob o regime de partilha no Brasil e, além disso, há inovações no arranjo contratual em relação à experiência internacional; iii) o gigantismo dos volumes de recursos recuperáveis e os desdobramentos do seu aproveitamento, tanto para petroleiras quanto para a cadeia de suprimentos local.

O primeiro ponto a ser discutido envolve os parâmetros técnicos e econômicos propostos para este leilão, contidos na minuta do edital. Dentre eles estão, por exemplo: i) nível mínimo de partilha 41,6%; ii) o limite para recuperação de custos (30% nos primeiros dois anos da etapa de produção e 50% daí em diante), iii) diferentes níveis de conteúdo local que variam conforme a fase do projeto petrolífero e com cada categoria de gasto; iv) o bônus de assinatura fixado em um mínimo de R$ 15 bilhões; assim como prazos e outras estimativas quanto às características geológicas do campo. Leia o resto deste post »

Projeções do Pré-sal: O Brasil será um petro-estado?

In petróleo on 20/05/2013 at 01:05

Por Luciano Losekann e Thiago Periard

luciano052013O Brasil é um dos países que mais desenvolveram sua indústria de petróleo nas décadas recentes no mundo, e é também um dos que têm melhores perspectivas de crescimento para os próximos anos. Esse momento positivo da indústria de óleo e gás nacional teve inicio na década de 1980 com a exploração em águas profundas, que acabou culminando nas descobertas, no final da década de 2000, de grandes reservatórios na chamada camada pré-sal, que devem dar impulso para o setor no longo prazo. As reservas do pré-sal constituem a possibilidade de reversão de uma tendência histórica brasileira de importador de petróleo, já que com estas descobertas se prevê um cenário onde o país irá ter petróleo em quantidade suficiente para se tornar um exportador líquido da mercadoria. No entanto, apesar de toda a euforia criada pela descoberta do pré-sal, ainda não se tem com clareza qual o tamanho de seu impacto econômico para o Brasil.

Esse artigo procura avaliar a importância que a indústria de petróleo terá na economia brasileira no horizonte de 25 anos, utilizando as projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) e dados de países que dependem fortemente da produção e exportação de petróleo. A análise indica que o Brasil, apesar do elevado potencial e tamanha euforia com o pré-sal, não se tornará um país dependente de petróleo e os impactos dessa atividade não serão suficientes para alterar de forma drástica a estrutura produtiva brasileira no médio e longo prazo.

A expectativa para a produção brasileira de petróleo nos cenários da AIE é bastante favorável. A produção alcança 4,4 milhões de barris diários em 2020 e 5,2 milhões em 2035, que representa um crescimento médio de 3,6% ao ano ao longo de 25 anos. Como pode ser visto no gráfico 1, o Brasil é, ainda de acordo com a Agência Internacional de Energia, o terceiro maior incremento da produção esperado para o período analisado, ficando atrás apenas do Iraque e Arábia Saudita. Entre os países não-OPEP, o Brasil ainda tem a vantagem deste aumento da oferta ser derivado da produção de petróleo convencional, em contraste com a produção canadense que deve crescer quase tanto quanto a brasileira, mas vindo sobretudo das areias betuminosas de elevado impacto ambiental. Leia o resto deste post »

A produção iraquiana de hidrocarbonetos e as suas perspectivas de expansão

In gás natural, petróleo on 13/05/2013 at 00:15

Por Felipe Imperiano

imperiano052013O Iraque, historicamente, é um player importante na indústria mundial de petróleo. Ele foi membro fundador da OPEP e um dos primeiros a nacionalizar suas reservas, em 1961. Adicionalmente, a sua política de exportação de petróleo foi, por mais de 30 anos, elemento chave na formação do preço e oferta mundiais.

O país tem a quinta maior reserva provada de petróleo e a décima terceira de gás natural e bom potencial para novas descobertas (IEA, 2012). Especialistas estimam que, com a retomada dos investimentos, as reservas provadas iraquianas poderiam rapidamente atingir cerca de 200 bilhões de barris[i]. Só em 2011, as reservas provadas de petróleo e gás cresceram respectivamente 24,4% e 13,1% (BP, 2012). Isso marca um contraponto com as décadas de 1990 e 2000, como pode ser visto no Gráfico 1, quando as reservas provadas de petróleo e gás se mantiveram relativamente estáveis em virtude de baixos investimentos, conflitos armados e sanções econômicas. 

Gráfico 1: Reservas provadas de petróleo e gás iraquianas entre 1980 e 2011

imperiano052013a

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da (BP, 2012)

Todas as reservas iraquianas são onshore. Comparado com outras regiões produtoras mundiais, a geologia iraquiana é relativamente simples e seus custos são bem inferiores, o que traz grandes economias de escala para a produção no país (IEA, 2012). O CAPEX de um projeto de desenvolvimento de um novo super campo no Iraque é entre 81% e 86% menor do que o de um campo no Pré-Sal, enquanto o OPEX pode ser até 100% inferior, por exemplo (IEA, 2012). Leia o resto deste post »

Política e Regulação do Downstream no Brasil: Uma reforma Necessária

In petróleo on 04/03/2013 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar032013O setor de petróleo Brasileiro passa por um momento especial, impulsionado pelo surgimento de um enorme potencial de crescimento no segmento da exploração e produção de petróleo (upstream). Após a descoberta da província petrolífera do Pré-sal, a atenção da indústria petrolífera mundial se direcionou para o Brasil. Mais recentemente, a revolução tecnológica que resultou na viabilização da exploração do gás e petróleo não convencional descortinou um cenário de uma dinamização da exploração em terra.

Este grande potencial desencadeou um processo de grandes mudanças na indústria de petróleo nacional através de fusões e aquisições, investimentos diretos de empresas do setor parapetrolífero, capitalização da Petrobras e novas políticas públicas para o setor com a aprovação de leis específicas. Este movimento despertou uma expectativa de que o Brasil caminha inevitavelmente para se tornar um player global na indústria de petróleo mundial.

Nos últimos dois anos, as expectativas em relação setor de petróleo nacional vêm sendo frustradas por uma sequência de más notícias no que se refere ao desempenho operacional e financeiro da Petrobras. A dificuldade da empresa em elevar a produção de petróleo e manter um nível seguro de desempenho financeiro lançou uma nuvem de incertezas sobre o setor. Parceiros e empresas parapetrolíferas que se prepararam para participar do processo de crescimento da produção nacional de petróleo começam a se preocupar com a capacidade da empresa seguir o ritmo programado dos investimentos. Leia o resto deste post »

Eficiência em custo na extração petrolífera

In petróleo on 17/09/2012 at 17:26

Por Thales Viegas

Na postagem anterior apresentamos as relações entre os preços do petróleo cru e os custos da indústria petrolífera. Neste artigo iremos tratar do papel da gestão de custos para a competitividade e a eficiência em custos das petroleiras. O foco da análise é na esfera do upstream, envolvendo, especialmente, o desenvolvimento de reservas e a produção.

A primeira dimensão está associada ao Custo de Capital (do inglês Capital Expenditure ou CAPEX) despendido no âmbito do de Desenvolvimento de reservas. A segunda se refere ao Custo Operacional (Operational Expenditure ou OPEX). O fito do artigo é refletir sobre a capacidade das petroleiras aprimorarem sua eficiência em custos de modo autônomo, bem como discutir programas de padronização e redução de custos empreendidos por essas empresas.

A análise dos principais elementos de custo do upstream pode ser abordada a partir de três aspectos centrais, a saber: i) custos dos insumos; ii) disponibilidade de tecnologias e pessoal capacitado para operá-las; iii) processos e procedimentos (rotinas). Neste último merecem destaque as estratégias de procurement e negociação de contratos (relações de mercado). O primeiro possui um caráter exógeno, enquanto o últimoaspecto depende da capacidade endógena das empresas de gerir de forma mais custo-eficiente, já o segundo combina elementos endógenos e exógenos. A seguir abordaremos cada elemento supramencionado em separado.

Primeiro, os custos dos insumos básicos mais importantes são definidos em mercados concorrenciais, nos quais os compradores individuais têm pequena influência sobre os preços. Estes, por seu turno, são condicionados pela escassez relativa do produto, bem como pela estrutura de custos de sua produção. Os contratos de compra e venda de commodities realizados na esfera financeira também repercutem na precificação nos mercados spot. Todavia, os incrementos de custos oriundos de preço de insumos básicos não são passíveis de ajustes relevantes via melhoria na gestão de custos em si. Trata-se de variáveis incontroláveis do ponto de vista do gestor. Leia o resto deste post »

Pré-Sal e Desenvolvimento: a contribuição do pensamento de Antonio Barros de Castro

In energia, petróleo on 27/08/2012 at 00:15

Por Helder Queiroz

Há exatamente um ano, em agosto de 2011, o Brasil perdeu um de seus mais brilhantes economistas. Antonio Barros de Castro foi um dos principais pensadores do desenvolvimento econômico. Desde então, muitos colegas já prestaram o justo reconhecimento da importância de suas reflexões, abordagens e dos textos mais significativos de sua obra.

Castro foi sempre um dos maiores incentivadores dos trabalhos do Grupo de Economia de Energia. Em particular, sempre  nos chamou atenção a sua incrível capacidade de  manejar os fundamentos macroeconômicos e microconômicos das questões de desenvolvimento econômico. Era igualmente notável sua capacidade de identificar e integrar novas abordagens teóricas, como os trabalhos neoschumpeterianos e institucionalistas, aos seus esquemas de análise. Além disso, entendia como poucos o processo de evolução das estruturas industriais. Para tal, ia sempre “a campo”, realizando entrevistas frequentes com atores do meio empresarial, formuladores de política e seus pares acadêmicos.

Castro estava sempre presente em nossos seminários e, nos últimos, nos tornamos privilegiados interlocutores com relação à importância do Pré-Sal para o desenvolvimento econômico e  social brasileiro. A troca de ideias com ele e suas indagações foram de suma importância para o amadurecimento do tema no GEE. Leia o resto deste post »

A relação complexa entre custos de extração, preços do petróleo e dos seus derivados

In petróleo on 25/06/2012 at 01:19

Por Thales Viegas

Nos últimos anos os preços internacionais do petróleo e os custos de extração de petróleo e gás aumentaram significativamente. É possível destacar uma forte correlação entre a evolução dessas duas variáveis. Nesse contexto, o objetivo desta postagem é analisar a relação entre os custos de extração e os preços do petróleo. Primeiro são apresentados os principais fundamentos da mesma. Em segundo lugar se discute as suas consequências mais importantes. Por fim, articulamos a influência de preços e custos na política de preços de combustíveis da Petrobras, bem como nas perspectivas de crescimento dos investimentos e da oferta de petróleo no Brasil que a ela estão associadas.

Durante a última década a trajetória ascendente dos preços do petróleo foi consistente e constituiu novos patamares como referência de valor do produto. O gráfico 1 mostra a correspondência tendencial entre os índices de inflação do upstream, dos preços do petróleo e dos preços do aço. Os preços das commodities têm maior conexão com o mercado financeiro e, portanto, apresentam maior volatilidade, enquanto o índice de variação dos custos possui maior rigidez por estarem associados a projetos de longa maturação e contratos de mais largo prazo. Entre meados do ano de 2004 e meados de 2008, tanto o preço do petróleo quanto o índice de custos dobraram de magnitude. O preço do aço quase se duplicou também. Leia o resto deste post »

Yvan Barreto de Carvalho: um petroleiro

In petróleo on 30/04/2012 at 00:15

Por Antonio Dias Leite (*)

Chegamos no mesmo mês de janeiro do ano de 1920, Yvan em Juazeiro, à margem do Rio São Francisco e eu em Botafogo, no Rio de Janeiro. Só nos conhecemos cinqüenta anos mais tarde. Neste mês de Abril ele nos deixou.

Logo de inicio da vida, ainda ao tempo de estudante na escola de engenharia em Salvador, se destaca a sua definição, de uma só vez, pela profissão de “petroleiro”. Concorreu para isso o treinamento paralelo que fez, no Instituto Politécnico, em busca de uma atividade prática, concentrando-se na técnica de solda, ainda pouco difundida no Brasil, nessa época. A opção viria a ser imediatamente aproveitada no estágio que obteve no primeiro campo de perfurações para petróleo, denominado Lobato-Joanes, em 1942, nesse tempo sob a responsabilidade do Conselho Nacional do Petróleo. Não se separaria do petróleo durante os trinta anos seguintes. Constituída a Petrobrás para ela foi transferido. Leia o resto deste post »

Acidentes ambientais, segurança operacional e custos da exploração offshore

In petróleo on 16/04/2012 at 00:15

Por Edmar de Almeida  e Helder Consoli

Ao longo da história da indústria do petróleo, verifica-se a necessidade de que as empresas que atuam no setor avancem suas atividades do upstream em direção a novas fronteiras de exploração. Neste sentido, observa-se a trajetória da indústria que iniciou suas atividades de exploração em terra e, a partir do final dos anos 1930, no mar. A escassez do petróleo implica que as empresas busquem tal matéria-prima em condições geológicas mais complexas.

A medida que a indústria evolui sobre estas novas fronteiras de exploração, os desafios tecnológicos se modificam e os riscos da atividade aumentam e se tornam evidentes, enquanto as demandas tecnológicas não são perfeitamente atendidas. Deste modo, é necessário que o ambiente institucional, correspondente ao momento da indústria, se adapte a estes novos desafios de maneira a permitir que a exploração e produção de petróleo ocorram em níveis de segurança adequados, evitando acidentes, danos ao meio ambiente e à sociedade. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências IV

In petróleo on 26/03/2012 at 00:15

Por Thales Viegas

Nas postagens anteriores  (*) tratamos de aspectos geológicos, operacionais e tecnológicos das operações em águas profundas. O objetivo desse artigo é discutir as questões que influenciam na atratividade dos investimentos em exploração e produção. Será feita uma comparação entre as características dos três principais produtores mundiais em águas profundas, a saber: Brasil, Estados Unidos e Angola.

As descobertas acumuladas desses países também figuraram entre as maiores na última década. O potencial remanescente de petróleo ainda por descobrir em águas profundas também é alto. Os três países compõem o que a indústria convencionou chamar de “Triângulo de Ouro”.  Juntos  eles respondem por dois terços das operações e da produção mundial em águas profundas como se pode observar no gráfico 1. Leia o resto deste post »

Expansão do parque de refino brasileiro: uma caminhada para a real autossuficiência

In diesel, gasolina, petróleo on 12/03/2012 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Ana Tavares

A recém empossada presidente da Petrobras Graça Foster, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, declarou que caso a Petrobras possuísse mais refinarias com o perfil de produção voltado para o diesel e para a gasolina, a importação desses derivados estaria em um patamar consideravelmente menor e, em consequência, a queda do lucro da empresa que ocorreu no último trimestre de 2011 poderia ter sido minimizada.

Graça também defende que não somente a ampliação do parque de refino nacional irá atender à crescente demanda por combustíveis – entre 2011 e 2010, houve aumento de 6,6% dessa demanda –, mas também o aumento da participação da Petrobras no mercado de etanol, a fim de conceder aos motoristas o poder de escolha nos postos de abastecimento, garantindo de tal forma o equilíbrio econômico aliado a essa crescente demanda.

A fim de garantir o suprimento da demanda interna, houve, no último ano, um aumento de 22% nas importações de barris de petróleo e derivados. Contudo, esse incremento nas importações, principalmente de derivados, não foi acompanhado pelo repasse do aumento dos preços internacionais para o mercado doméstico. Sendo assim, em 2011, verificou-se uma defasagem média real para a gasolina de 15% e, para o diesel, de 16%. Leia o resto deste post »

A encruzilhada da política de precificação dos combustíveis no Brasil

In petróleo on 05/03/2012 at 00:15

Por Edmar de Almeida

Com a descoberta do pré-sal o Brasil colocou na sua agenda aquele que deve se tornar o principal desafio da política energética nacional nas próximas décadas. Mais precisamente, trata-se da tentação política de praticar preços de combustíveis no país abaixo dos praticados no mercado internacional. Os países que são exportadores de petróleo em sua grande maioria acabam cedendo à esta tentação política, com grandes impactos negativos para a política econômica e energética.

O Brasil pelejou com este problema constantemente durante as décadas de descontrole inflacionário. Naquele momento, o país era grande importador de petróleo. O fato de segurar os preços do petróleo tinha efeitos econômicos desastrosos para a Petrobras e também para as contas públicas. Foi justamente a consciência de que as conseqüências seriam desastrosas que garantiu um mínimo de racionalidade na política de preços de combustíveis no Brasil ao longo do tempo.

Atualmente, no limiar de se tornar um grande exportador de petróleo, uma nova visão do problema vem se instalando em algumas esferas políticas e do governo. Seria a idéia de que a autossuficiência na produção de petróleo e derivados dará à Petrobras maior margem para não seguir o mercado internacional de derivados. Esta é uma visão tácita. Não é fruto de uma reflexão técnica e política. Leia o resto deste post »

Maldição dos recursos naturais II: o erro de comparar alhos com bugalhos

In petróleo on 13/02/2012 at 01:00

Por Luciano Losekann e Thiago Periard(*)

Em postagem anterior  discutimos a validade da tese de maldição dos recursos naturais (MRN) para países com abundância de petróleo. Corroborando as conclusões de Warner e Sachs (2001), a análise apontava para um menor crescimento econômico dos países que mais exportam e que detêm as maiores reservas de petróleo. Esse artigo busca avançar nessa análise, utilizando variáveis mais apropriadas para mensurar abundância de petróleo e desenvolvimento econômico. Além disso, optamos por testar a tese de maldição comparando países do mesmo continente, que compartilham de semelhantes condicionantes de desenvolvimento e, assim, separar alhos e bugalhos.

Na literatura sobre MRN, a adequação das variáveis de análise é um ponto de grande debate. O artigo de Warner e Sachs (2001), que é a principal referência de análises quantitativas do problema, utiliza as exportações de recursos naturais como porcentagem do produto Nacional Bruto em 1970 como fator explicativo do crescimento econômico dos países entre 1970 e 1989. No entanto, a concentração da atividade econômica em exportações de recursos naturais é mais um sintoma da maldição do que um indicador direto da abundância de recursos. Assim, essa variável pode ter valores baixos em países ricos em recursos naturais, mas que têm uma economia diversificada. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências III

In gás natural, petróleo on 02/01/2012 at 00:15

Por Thales Viegas

As duas primeiras postagens a respeito de E&P em águas profundas (*) caracterizaram essa atividade nos âmbitos global e nacional. Aspectos como a importância e a atratividade desse negócio podem ser apontadas como fatores que contribuíram para o aumento dos investimentos, das descobertas e da produção no âmbito offshore em grandes profundidades.

No presente texto será discutido o processo de aprendizagem tecnológico e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados pelas empresas de petróleo. O objetivo é motivar a reflexão a cerca do surgimento e da consolidação de novas tecnologias. É também demonstrar que o aumento dos esforços inovativos das petroleiras apontam para uma busca crescente por capacitação tecnológica, como forma de compensar os custos crescentes.

No entanto, a maturidade de um conjunto de tecnologias e o seu domínio pelos agentes é um processo que requer prática e tempo. Nesse contexto, cabe analisar alguns dos limites e das oportunidades tecnológicas que surgiram ao longo do desenvolvimento das competências para operação em águas profundas, com destaque para o caso do pré-sal. Leia o resto deste post »

Pré-sal: um obstáculo para as energias renováveis?

In energias renováveis, petróleo on 28/11/2011 at 00:10

Por Edmar de Almeida

Os recentes acidentes com derramamento de petróleo no Golfo do México e agora na Bacia de Campos colocam em tela um questionamento à exploração do Pré-sal brasileiro: Não estaria o Brasil entrando numa aventura desnecessária com a iminência da substituição do petróleo por fontes de energia renováveis?

Este questionamento está ligado à idéia de que o petróleo é uma energia do passado e que não vale a pena mobilizar recursos da sociedade em um negócio fadado a encolher e desaparecer rapidamente. Esta idéia não tem sustentação na realidade dos fatos.

Os estudos de previsão da matriz energética mundial apontam para um papel do petróleo e do gás natural ainda dominante no horizonte de longo-prazo. Segundo a Agência Internacional de Energia, estas fontes de energia, em conjunto com os demais combustíveis fósseis, deverão representar 75 % da matriz energética mundial em 2035, no cenário mais otimista para as energias renováveis.

Esse tipo de previsão é confirmado por outras agências governamentais e pelas principais empresas energéticas mundiais. Podemos dizer que o petróleo e o gás conservarão um papel destacado na longa transição para uma economia descarbonizada. Nesse sentido, o Pré-sal constitui uma expressiva vantagem comparativa para o Brasil. Nosso país poderá assumir um papel de destaque na transição energética, não apenas devido à sua grande dotação de petróleo e gás, mas também em função do seu potencial significativo de recursos renováveis. Leia o resto deste post »

A maldição dos recursos naturais

In petróleo on 14/11/2011 at 00:15

Por Luciano Losekann(*) e Thiago Periard do Amaral(**)

1 – Introdução – A associação entre a riqueza mineral de um país e o baixo dinamismo de sua economia foi observada por vários autores, dando origem à tese da maldição dos recursos naturais. Muitas vezes, essa relaçao é verificada em países ricos em petróleo.  Autores internacionalmente reconhecidos, como Moisés Naím (2011) e Daniel Yergin (2011), citam a emergência e consolidação de alguns países em situações classificadas por ambos como Petro-Estados.

O Petro-Estado é a situação crítica onde a abundância de recursos petrolíferos é canalizada para o atendimento de demandas econômicas de grupos específicos dentro de um Estado, gerando assim um situação em que os benefícios trazidos pela renda do petróleo são gozados de forma privada em detrimento do desenvolvimento social da nação produtora.

No estudo aqui apresentado, é testada de forma simplificada a validade da hipótese de menor crescimento econômico de países com abudância de petróleo, utilizando dados recentes.

2 – A tese da maldição dos recursos naturais (MRN)

Desde os anos 50, a abundância em recursos naturais tem sido vista como insuficiente,  até como um entrave, para promover o desenvolvimento econômico. Autores cepalinos como Prebish (1950) e Singer (1950) já discorreram sobre a armadilha em que os grandes produtores de produtos primários se encontram ao se especializarem na produção destes bens básicos deixando de lado as oportunidades e os ganhos de escala e escopo presentes no processo industrializante. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências II

In gás natural, petróleo on 24/10/2011 at 00:43

Por Thales Viegas

A nossa última postagem sobre E&P em águas profundas procurou situar esse segmento setorial no bojo da Indústria Mundial do Petróleo (IMP). A presente abordagem se propõe a analisar as atividades petrolíferas em grandes profundidades que são executadas no Brasil. Demonstra o alto índice de sucesso exploratório e a liderança do país no que tange às maiores descobertas da década. Discute o circulo virtuoso criado em torno das novas descobertas. Discorre sobre o potencial remanescente e o alto grau de atratividade que possui o Brasil em geral, e a província do pré-sal, em particular. Destaca que a magnitude dos reservatórios e a qualidade dos hidrocarbonetos encontrados são fortes atrativos para as petroleiras internacionais.

O pré-sal vem demonstrando possuir uma das maiores estruturas geradoras de petróleo do mundo. No Brasil, o pré-sal pressionou para cima o índice de sucesso na perfuração de poços. A tabela 1 mostra o sucesso excepcional das perfurações do pré-sal no pólo de Lula (Ex-Tupi), na Bacia de Santos. Fica evidente a superioridade da média de sucesso na província do pré-sal em relação à média mundial. Isso denota que o risco exploratório nesse ambiente tem sido baixo no pré-sal em relação às alternativas ao redor do mundo. Até o início dos anos 2000 a média nacional era compatível ao índice médio de sucesso no mundo, que tem variado em torno de 25%. Leia o resto deste post »

Política, regulação do petróleo e rodadas de licitação

In petróleo on 22/08/2011 at 00:15

Por Luis Eduardo Duque Dutra (*)

É o bom momento para uma rodada de licitação de blocos. Assim que a decisão for tomada, tudo está pronto para que seja imediatamente iniciado o rito administrativo e legal para fazermos a 11ª rodada até o final do corrente ano. Já existe a aprovação do CNPE das áreas localizadas em novas fronteiras e bacias terrestres nas regiões do Nordeste e do Norte do País. A exploração leva investimento a áreas rurais sem vocação agrícola. Para realizá-la, falta a promulgação pela Presidência da República da Resolução do CNPE. Por isso, vale a pena insistir na oportunidade política, interna e externamente e na oportunidade econômica, tanto em termos de planejamento, quanto em termos de regulação, da realização de um certame licitatório de dimensão não somente nacional, mas também internacional.

O petróleo tem um simbolismo histórico inegável. No Brasil, em meados do século passado, ajudou a forjar o Estado e a vertente do desenvolvimento nacionalista e soberano, ainda que longe de ser equitativo à época. Mais de meio século depois, já no século XXI, novamente sobre um governo de orientação nacionalista, o Brasil atingiu a auto-suficiência e, logo depois, a Petrobrás descobriu as reservas do pré-sal. Foram décadas para chegar à auto-suficiência e serão apenas alguns anos para mudar o paradigma energético que ancorou o crescimento do País até agora. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências I

In gás natural, petróleo on 15/08/2011 at 00:10

Por Thales Viegas

A exploração e produção offshore (no mar) de hidrocarbonetos não é recente. As primeiras atividades teriam ocorrido ainda no início do século passado, no Golfo do México, Estados Unidos. Elas eram realizadas a partir da adaptação de equipamentos e técnicas da exploração em terra. Desde então, até os dias atuais, ocorreram muitas transformações tecnológicas e operacionais nesse segmento do upstream da produção de petróleo e gás. A partir delas, muitos recursos antes considerados inacessíveis, ou inviáveis economicamente, passaram a ser objeto de maior interesse e se tornaram reservas economicamente recuperáveis.

Nesta postagem inicial serão abordados o potencial de descoberta de recursos e o nível de reservas em águas profundas.

Inicialmente é importante registrar que o intenso desenvolvimento tecnológico associado ao segmento offshore resulta de pesquisas, inovações tecnológicas e operacionais que vêm permitindo uma constante redução de custos na exploração e produção. Cumpre notar, inclusive, que foi a partir da exploração offshore que se intensificaram as relações entre as petroleiras, as para-petroleiras e as instituições de pesquisa. Isso teria resultado no aumento das atividades de P&D e em um grande avanço tecnológico desde a década de 1960 até a presente década. Leia o resto deste post »

A questão dos royalties: justiça social ou guerra fiscal

In petróleo on 01/08/2011 at 00:10

Por Marcelo Colomer

O apelo do presidente do senado José Sarney para que os governadores dos estados produtores e não produtores de petróleo cheguem a um acordo sobre a nova política de distribuição dos royalties mostra que após mais de um ano da publicação do artigo intitulado O Debate Sobre os Royalties Petrolíferos, pelo professor Helder Queiroz , a definição de uma nova política de distribuição das participações governamentais do setor de petróleo e gás natural entre os estados brasileiros ainda mostra-se rodeada por inúmeras incertezas.

Segundo o presidente do Senado, os governadores dos estados produtores, dos estados não-produtores e a União têm até o dia 15 de agosto de 2011 para chegar a um consenso sobre a partilha dos royalties do petróleo. Caso não haja um acordo que permita a votação da proposta que tramita no Congresso até a data estipulada, será colocado em votação o veto presidencial ao artigo que condiciona a distribuição dos royalties às regras do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).

A possível revogação do veto presidencial à emenda que privilegia os estados não produtores em detrimento dos estados produtores, principalmente Rio de Janeiro e Espírito Santo, levará provavelmente a uma disputa judiciária indesejada por ambas as partes. É por este motivo que os lideres dos estados produtores e não produtores no Congresso buscam incessantemente um acordo que beneficie ambas as partes. A questão que se coloca é quais são os princípios que vão nortear esse acordo. Leia o resto deste post »

Impactos da alta dos preços do petróleo: a acumulação de renda petrolífera nos países da OPEP

In petróleo on 02/05/2011 at 00:10

Por Helder Queiroz *

Na postagem sobre a crise política no mundo árabe e seus efeitos sobre o mercado internacional do petróleo foi destacado que a volatilidade dos preços permaneceria como resultado das fontes de incerteza. Estas estão associadas à instabilidade política nos países árabes e à necessidade de recomposição das relações geopolíticas estabelecidas entre países produtores e importadores de petróleo.

Cabe examinar, ao fim do primeiro quadrimestre do ano de 2011, algumas das consequências da permanência das condições de volatilidade e preços altos no mercado internacional do petróleo.

Três aspectos fortemente interdependentes merecem ser destacados e qualificados. Leia o resto deste post »

Preços, custos e o novo marco regulatório para o petróleo

In petróleo on 25/04/2011 at 00:10

Por Thales Viegas

A adoção do modelo de partilha no Brasil altera de forma significativa o papel dos custos e dos preços na regulação da atividade petrolífera. Primeiro, os custos se tornaram o elemento decisivo para a determinação do excedente em óleo a ser partilhado. Segundo, o preço do petróleo pode não ser apenas a referência para a monetização do petróleo de cada agente envolvido, ou seja, o preço que remunera o óleo apropriado pelo agente. Ele também pode influenciar na magnitude da partilha, caso o preço seja uma variável no cálculo que define o percentual do excedente que cabe ao governo. Em alguns países, a partilha com o governo do óleo lucro depende do preço do petróleo. Ou seja, quanto maior o preço do petróleo, maior é a parcela do governo no óleo lucro.

O contrato de partilha pode fixar a priori a participação do governo na produção, mas também pode permitir que ele varie conforme parâmetros pré-estabelecidos em contrato. Diante da centralidade das variáveis preços e custos, as análises que se seguem buscam lançar luzes sobre a dinâmica interdependente desses dois elementos. Leia o resto deste post »

O contrato de partilha de produção: os riscos do fracasso

In petróleo on 04/04/2011 at 00:15

Por Edmar de Almeida

O ano de 2010 foi um ano de grandes mudanças no setor de petróleo no Brasil. O governo empregou um enorme capital político para negociar e aprovar uma nova lei do Petróleo. Após a aprovação do projeto de lei relativo ao contrato de Cessão Onerosa, todo o esforço do governo se concentrou na operação de capitalização da Petrobras. Este esforço envolveu a definição do valor dos 5 bilhões de barris de reservas que foram transferidos para a Petrobras e a articulação institucional para garantir o sucesso da operação de capitalização. A aprovação da nova lei do Petróleo, ainda que com pendências em relação à definição da questão da distribuição dos royalties, e a realização com sucesso da operação de capitalização da Petrobras configuraram um balanço extremamente positivo para a frente governista no ano de 2010.

O ano de 2011 se inicia com desafios não menos importantes que os enfrentados em 2010. O mais importante destes desafios é retomar as rodadas de licitação. O Governo já colocou em consulta pública as rodadas de licitação das áreas fora do Pré-sal. Estas licitações não envolvem grandes dificuldades técnicas e institucionais, pois representam uma continuação de um processo iniciado há uma década. O grande desafio será viabilizar os leilões para as áreas do Pré-sal com os novos contratos de Partilha da Produção. Esses envolvem enormes desafios técnicos, institucionais e políticos. Leia o resto deste post »

A crise no mundo árabe e o preço do petróleo

In petróleo on 28/02/2011 at 00:15

Por Helder Queiroz

A  atual crise política no mundo árabe já provoca sobressaltos no mercado internacional do petróleo. Após o agravamento da crise na Líbia, país integrante da OPEP e com produção de cerca de 1,5 milhões de barris, os preços internacionais do óleo bruto subiram de forma significativa, nos últimos dias, atingindo o patamar de US$ 108 para o barril do óleo do tipo Brent.

O grau de incerteza nos mercados e a consequente volatilidade dos preços tendem a ser ampliados nos próximos dias, dado que é praticamente impossível prever quais serão as consequências políticas e econômicas da crise na Líbia, mas sobretudo sobre eventuais desdobramentos em outros países da OPEP.

Desse modo, o maior receio dos agentes que operam nesse mercado diz respeito à possibilidade de ruptura da oferta. Nessas condições de incerteza, o mercado futuro do petróleo fica ainda mais ativo, multiplicando-se significativamente o número de transações, retroalimentando a tendência de alta. Esse aspecto não é particularmente novo. Em meados de 2008, os preços atingiram o patamar de US$ 145 e recuaram para praticamente a metade desse valor no final daquele ano. Leia o resto deste post »

Uma agenda para a indústria de petróleo no Brasil nos próximos anos

In petróleo on 14/02/2011 at 00:15

Por Thales Viegas

A Associação Brasileira de Estudos em Energia – AB3E– promoveu no final do ano passado um seminário para discutir a agenda da política energética brasileira para o próximo governo. Esta postagem resume os pontos essenciais dessa agenda abordados na sessão específica desse seminário dedicada à indústria de petróleo no Brasil.

A indústria do Petróleo no Brasil ganhou ainda mais importância com as grandes descobertas na camada pré-sal. Um conjunto amplo de mudanças e desafios de natureza regulatória, macro e microeconômica e tecnológica deverá ser enfrentado nos próximos anos. O incremento projetado para a produção de petróleo nas próximas décadas figura entre os maiores do mundo. Desta forma, o Brasil tende a se tornar peça fundamental na geopolítica internacional, o que requer a criação de uma estratégia eficiente de comercialização e penetração do petróleo brasileiro frente à dificuldade de acessar os mercados internacionais. Leia o resto deste post »

Energia e o transporte automotivo: como contornar a dieselização?

In diesel, petróleo on 06/12/2010 at 00:15

Por Helder Queiroz e Juliana Rodrigues

Dia 9 de novembro passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou seu World Energy Outlook (WEO), contendo as projeções de oferta e de demanda para o horizonte 2035. A divulgação destes cenários é sempre esperada com grande interesse por se tratar de um documento de referência internacional, mas o WEO deste ano suscitava especial interesse devido aos repetidos alertas sobre o contexto de “incertezas sem precedentes”; que já havia sido antecipado pela própria AIE.

Cabe destacar que um aspecto central do WEO 2010 é a ênfase dada à evolução do setor de transporte automotivo. Foi destacado no relatório que “a fundamental shift in transport technology is needed…”. E a direção dessa mudança diz respeito tanto ao incremento da participação dos biocombustíveis quanto ao incremento da frota de carros elétricos e híbridos.

Tal observação nos remete à discussão iniciada na postagem anterior “Energia e transporte: emissões, dependência ou mobilidade? Qual é o problema?” sobre a evolução do transporte automotivo. Como sabemos, o transporte é fortemente dependente dos derivados de petróleo. Na Europa, em particular, ao longo dos últimos vinte anos, o consumo de diesel destinado ao setor de transporte rodoviário mais que dobrou. Esse aumento pode ser explicado por duas razões: (i) forte penetração do diesel no mercado de carros de passeio e, (ii) crescimento da frota de veículos pesados (IFP 2005). Este fenômeno de dieselização da frota contribuiu para a ampliação da dependência destes países vis-à-vis aos derivados de petróleo, em particular com relação ao diesel. Leia o resto deste post »

O pré-sal e o controle do Estado

In petróleo on 22/11/2010 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

A mudança ora em curso no marco institucional para a exploração do petróleo presente na província do pré-sal contempla uma visão do papel estratégico a ser desempenhado pelo setor petrolífero brasileiro distinta daquela que formatou o marco anterior; tanto no que concerne à nova inserção internacional do país, quanto às próprias condições objetivas de sustentação dessa inserção.

O cerne dessa mudança se concentra  justamente na ampliação do controle estatal sobre a exploração das riquezas do pré-sal, de forma a auferir o máximo de benefícios dessa exploração, sob uma ótica estratégica de longo prazo que transcende os limites da indústria petroleira.

Desse modo, a mudança do marco institucional do setor de petróleo no Brasil não se resume, simplesmente, a uma discussão sobre as vantagens e desvantagens dos regimes de exploração – concessão versus partilha -; das vantagens e desvantagens da participação da Petrobras em todos os consórcios; das vantagens e desvantagens da cessão onerosa e da capitalização da Petrobras; das vantagens e desvantagens da criação de uma nova estatal; e assim por diante.

Na verdade, há um eixo central que estrutura essa mudança institucional que se funda no controle do Estado brasileiro sobre a exploração das riquezas do país. O que está sendo discutido, de fato, é o nível desse controle, os seus custos e os seus benefícios. O que está sendo discutido é qual o nível de soberania que se quer e que se pode exercer sobre essas riquezas. O que está sendo discutido é o país que se quer e o que se está disposto a se fazer para construí-lo. Leia o resto deste post »

Capitalização da Petrobras: as razões do sucesso

In petróleo on 04/10/2010 at 17:44

Por Edmar de Almeida

O debate eleitoral em vigor no Brasil tornou pouco claro para a população em geral a relevância e as conseqüências do recente processo de capitalização da Petrobras.  O calor do debate eleitoral levou as discussões para alguns temas controversos da operação de capitalização, que não necessariamente eram os mais importantes para determinar o sucesso ou o fracasso da mesma.  O debate em torno da capitalização da Petrobras foi dominado por duas questões principais: i) as conseqüências de um eventual aumento da participação do Estado brasileiro no capital da Petrobras; e ii) o nível de transparência quanto aos critérios de definição do preço do barril do petróleo.

As vozes críticas ao processo de capitalização sustentaram até o final que uma elevação da participação do governo no capital da Petrobras iria contribuir para piorar o nível da governança corporativa, com o aumento da interferência política na empresa. Ao mesmo tempo, o governo estaria comprando esta maior participação mais barato que os acionistas minoritários. Isto ocorre porque o governo estaria pagando sua parte das ações com 5 bilhões de barris de petróleo valorados arbitrariamente a US$8,51, um preço acima daquele que seria preço considerado justo. Leia o resto deste post »

O balanço do vazamento de petróleo no Golfo do México

In petróleo on 23/08/2010 at 00:16

Por Thales Viegas

Passados 87 dias o vazamento de óleo no Golfo do México do poço danificado Macondo (MC-225) foi plenamente interrompido pela primeira vez no dia 15 de julho de 2010, quando a última das três válvulas do gigantesco funil foi fechada. A BP injetou lama e cimento pela boca do poço para tampá-lo. Ela ainda está terminando de perfurar a galeria auxiliar para selar (por baixo) o MC-225 por meio do poço de alívio. Após várias tentativas o desafio de vedar o poço avariado deve ser superado.

Além de danos ambientais o acidente vem causando prejuízos financeiros à empresa. A tabela abaixo resume o acidente em números. Do total de petróleo derramado apenas 20% foi recuperado, ainda que a operação de resposta tenha sido de grandes proporções como apontam os dados. A área costeira afetada abrangeu cinco estados e motivou milhares de pedidos de indenizações, além das multas que podem ultrapassar US$ 17,6 bilhões caso se comprovem as acusações de negligência grave da BP. Para fazer frente a tantas despesas, a BP provisionou um gasto de cerca de US$ 32 bilhões, o que a fez planejar a alienação de ativos na mesma ordem de grandeza, situados basicamente na América do Sul e do Norte. No segundo trimestre de 2010 a BP registrou prejuízo recorde mesmo aumentando a sua receita em 30%. Assim, a empresa informou que poderá voltar algum dia e extrair petróleo do MC-252, que era um projeto lucrativo. Acredita-se que o reservatório abaixo dele ainda contenha hidrocarbonetos avaliados em US$ 4 bilhões. Leia o resto deste post »

Nova demanda por derivados de petróleo no mundo e as implicações para o parque de refino

In petróleo on 02/08/2010 at 00:14

Por Thaís Vilela

De acordo com as projeções da Agência Internacional de Energia[1] e do Departamento de Energia Norte-Americano[2], para o cenário de referência[3], o preço do petróleo no mercado internacional deve seguir uma trajetória ascendente até 2030. Essa tendência de alta do preço do petróleo, assim como a perspectiva de legislações ambientais mais rigorosas, a existência de fontes alternativas e o desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a eficiência energética tendem a reduzir a demanda por derivados de petróleo, em especial a gasolina.

Segundo o IFP (2009), deve haver, no médio prazo, uma reorganização do segmento de refino nos países da OCDE, mais especificamente, na Europa e nos Estados Unidos. Estes países teriam de decidir ou pela redução da capacidade de refino ou pelo investimento em tecnologias que permitam a produção de derivados mais eficientes e dentro das especificações ambientais[4]. Leia o resto deste post »

O acidente do Golfo do México e seus desdobramentos para a Indústria Petrolífera Mundial

In petróleo on 05/07/2010 at 00:15

Por Helder Queiroz

Ao longo da última década, a indústria mundial do petróleo (IMP) foi fortemente alterada pelas mudanças observadas: i) na configuração patrimonial decorrente do grande movimento de fusões e aquisições; ii) nas condições de mercado, com mudanças nas estruturas de oferta e de demanda; e iii) nos marcos regulatórios dos principais países produtores.

Nos últimos cinco anos, em particular, foi registrada a principal transformação nas condições econômicas de contorno da IMP: a elevação dos preços internacionais que alcançaram o patamar de US$ 145 por barril, após um período longo de preços relativamente baixos (abaixo de US$ 28 no período 1986-1998).

Não obstante a forte queda registrada a partir de julho de 2008 que resultou em um novo patamar de preços em torno da faixa US$ 60-80 por barril e da redução da demanda mundial, em 2009, decorrente da retração da atividade econômica mundial, fatores de incerteza ainda permanecem com relação à expansão futura da capacidade de produção. Leia o resto deste post »

O contrato de partilha da produção no Pré-sal: o perigo está nos detalhes!

In petróleo on 28/06/2010 at 00:15

Por Edmar de Almeida

O projeto de lei sobre a introdução da partilha da produção na área do Pré-sal foi recentemente aprovado pelo Senado,  e está de volta à Câmara depois de alterado pelos senadores. Espera-se que este projeto seja aprovado na Câmara na próxima semana e sancionado ainda em julho. O grande volume de petróleo descoberto nessa área motivou uma redefinição dos termos da repartição da renda petrolífera entre o Estado Brasileiro e as empresas de petróleo. Com a criação da PETROSAL e a adoção dos contratos de partilha, o Estado não transfere a propriedade dos recursos petrolíferos para a PETROBRAS e seus parceiros. Também não transfere os direitos de decisão quanto às atividades de exploração e produção. Ou seja, o estado passará a deter um maior controle sobre o processo de investimento e produção de petróleo no Pré-sal. A PETROBRAS e seus parceiros receberão uma compensação em óleo pela operação dos campos descobertos. Leia o resto deste post »

Acidente em plataforma operada pela BP e iniciativas de contenção do vazamento

In petróleo on 21/06/2010 at 00:30

Por Thales Viegas

No dia 20 de abril de 2010, a explosão em uma plataforma de petróleo no Golfo do México (EUA) matou 11 pessoas. Desde então, o vazamento de hidrocarbonetos da formação rochosa não foi controlado. Os 1.500 metros de profundidade do poço em relação à lâmina d’água dificultam o controle do derramamento de petróleo. A plataforma Deep Horizon era de propriedade da empresa Transocean, mas estava sendo operada pela BP – formalmente conhecida como British Petroleum. A princípio a BP estimou o vazamento em mil barris de petróleo por dia. Dias depois ela já admitia que a vazão pudesse ser de pelo menos 5 mil barris/dia, o equivalente a 800 mil litros. Valor que também foi adotado pelas autoridades americanas. À época outros cálculos indicavam valores para a vazão que variavam entre 12 mil e 95 mil barris/dia. Leia o resto deste post »

O debate sobre os royalties petrolíferos

In petróleo on 22/03/2010 at 01:00

Por Helder Queiroz

A abundância de petróleo se constitui num fator potencial de geração de riqueza. Nos países organizados como repúblicas federativas, a questão referente à repartição e ao uso da renda petrolífera está sempre em pauta. Esse problema se torna especialmente importante devido à distribuição geográfica assimétrica desses recursos naturais dentro da federação. O resultado é que a disputa por essa renda se traduz num permanente embate político entre governos federais, estaduais/provinciais e locais. Leia o resto deste post »