Grupo de Economia da Energia

The Economist (21 – 27/11/2009). EDF. Nuclear Contamination. The giant French utility`s ambition to lead a global revival in nuclear energy is running into difficulties as a controversial new boss takes over

Na próxima semana Henri Proglio se tornará o chefe do Grupo EDF, a empresa estatal francesa que é considerada a maior empresa utility do mundo e grande operadora de reatores nucleares. A EDF é às vezes descrita como uma miniatura do Estado Francês devido sua postura de planejamento de longo prazo e sua cultura de corporação. No ano passado a empresa começou uma vigorosa campanha de construção de plantas nucleares ao redor do mundo.

A EDF há muito tempo exporta conhecimento na área de energia nuclear, mas não obtia grandes lucros desta atuação.  Um exemplo disto é a ajuda que ela forneceu para a China construir seus reatores por poucos milhões de euros. Entretanto agora a empresa deseja tornar bastante lucrativa os seus investimentos na construção e operação de plantas nucleares no exterior. A EDF por ser uma empresa já consolidada possui a vantagem de conseguir sozinha, sem a ajuda de parceiros e governos, construir vários reatores. A modernização da indústria nuclear aumentou a confiabilidade dos investidores no setor, de que acidentes como o de Three Mile Island e Chernobyl não acontecerá mais, possibilitando a sua expansão. E foi neste espaço que a EDF  ganhou destaque.

Até para EDF, os custos estão desencorajadores. Em 2008 ela comprou a British Energy, empresa proprietária de 8 plantas nucleares por 22.5 bilhões de dólares. No início deste mês, depois de uma longa espera da decisão do órgão regulatório, foi aceito o acordo de compra de metade dos ativos da Constellation Energy, uma utility americana por 4.5 bilhões de dólares.  Seus planos após essas aquisições é construir 11 novos reatores (4 na Grã Bretanha, 4 na America, 2 na China e 1 na França). Também está em seus planos a construção de 4 plantas na Itália e  outras nos Emirados Árabes, ambos em forma de consórcio. Todos esses investimentos irão afetar bastante o balanço da empresa. Os débitos atuais da empresa são de 37 bilhões de euros e podem aumentar para 65 bilhões em 2017-18 de acordo com panorama feito pelo banco HSBC.

A EDF também está passando por problemas operacionais. A França tem importado grande quantidade de eletricidade neste ano visto que quase 1/3 das suas plantas nucleares não operaram em algum momento seja por causa de greve ou por manutenção. O operador do sistema francês avisou recentemente que o país pode vir a sofrer cortes de energia neste inverno.  Uma das causas para isso segundo o Citigroup são os vários anos de subinvestimentos que a área sofreu. A EDF terá que fazer um investimento expressivo para estender a vida útil dos reatores de 40 para 60 anos. Há poucos anos atrás achava se que estes custos não seriam expressivos, entretanto estima se que agora o custo de prolongar a vida útil do reator seja de 400 milhões de euros.

Devido a sua estratégia de expansão para vários países a EDF passou a receber críticas, pois muitos crêem que esta estratégia de diversificação em várias frentes irá comprometer os negócios e a qualidade da empresa. Parece que Proglio concorda com estas críticas, ele disse no parlamento francês que não tem certeza se a EDF deveria expandir para a América após o acordo fechado com a Constellation. Ainda assim parece que Proglio possui idéias grandiosas para a empresa. A nova geração de reatores da EDF, chamada de EPR, está sendo fabricada pela Areva, outra empresa estatal francesa. Porém a Areva está com dificuldades para concluí – lo, pois o primeiro EPR, em construção na Finlândia, está atrasado no cronograma de entrega e o orçamento da construção já passou do estipulado. Nesta semana Proglio falou que a EDF deveria assumir o controle da parte da Areva que é  responsável pela construção de reatores. Essa idéia é bem radical e com certeza a Areva vai resistir a essa opção.

Outra preocupação é o aumento do custo de construção das novas plantas nucleares. O altos preços de cimentos e aço, a maior complexidade nos designs das novas plantas e o aumento dos requisitos de segurança afetou as contas da EDF e seus lucros.

A EDF conseguiu manter melhor seus custos sob controle do que a Areva, mas mesmo assim já passa de 4 bilhões o custo de construção do reator EPR em Flamanville. Os custos médios das plantas já existentes da EDF são em torno de 30 euros o megawatt hora, entretanto o custo da energia das novas plantas poderá ficar entre 55 e 60 euros o MWH podendo chegar a 70 euros para as plantas que ultrapassarem o seu orçamento e prazo. Atualmente segundo dados do Citigroup a EDF vende energia por 39 euros o MWH.

Uma forma da EDF manter os custos baixos seria através da introdução da competição entre os fornecedores de reatores, abandonando desta forma o uso exclusivo do EPR. Proglio se diz a favor desta opção de oferecer  outros modelos de reatores, como p. ex os da Westinghouse. Alguns consumidores especialmente da América  gostariam de reatores menores e mais baratos que o EPR, que por ser muito grande se torna caro. Mas a EDF pode causar um mal estar político ao tomar esta decisão, pois irá retirar o uso de uma tecnologia francesa feito por uma empresa estatal.

Alguns investidores estão receosos com a subida de Proglio no comando da empresa, pois acreditam que devido a sua proximidade com o presidente francês Sarkozy haverá uma maior intervenção estatal na empresa; além disso, ele não quer deixar de ser o chairman da sua própria empresa a Veolia, planejando até futuras parcerias no formato de joint ventures. A EDF que ser tornar uma empresa mundial e dominante na área de fornecimento de energia nuclear, porém no momento a companhia está parecendo somente uma empresa muito francesa.