Grupo de Economia da Energia

The Economist (21 – 27/11/2009). LNG expands in Australia. Explosive growth. Australia is becoming one of the world`s biggest exporters of gas

A mega planta de LNG, chamada de Gorgon, que está sendo construída na Ilha de Barrow, poderá segundo o vice presidente da Royal Dutch Shell, tornar a Austrália em 2020 a segunda maior exportadora de LNG( atualmente ela ocupa o 5 lugar), ficando atrás somente do Qatar.

Há muito tempo a Austrália é considerada um país sortudo por possuir muitos recursos naturais que propiciaram a sua opção em se tornar uma grande exportadora de ferro, carvão e outras commodities e que ajudou de forma decisiva a sua recuperação na recessão mundial que aconteceu nos últimos dois anos. Segundo algumas consultorias com a participação do gás o potencial de crescimento do país fica ainda maior.

A maioria do gás australiano se encontra no fundo do oceano Índico e também perto da costa do nordeste, ou seja, em locais bem longe das grandes cidades, onde a maioria da eletricidade produzida vem do carvão. Os valores a serem

investidos para a retirada deste gás são altos: Pluto, um grande projeto desenvolvido pela firma local Woodside custará 11 bilhões de dólares; a expectativa é que para a Gorgon, uma joint venture entre Chevron, Exxon Mobil e Shell, custe 4 vezes mais.

Martin Ferguson, ministro da pasta de recursos, afirmou que os projetos de Gorgon e Pluto poderá dobrar o valor das exportações de LNG do país para 24 bilhões por ano nos próximos 8 anos. Se outros oito projetos forem considerados os ganhos a serem obtidos podem ser multiplicados por cinco. Neste mês o Banco Central Australiano projetou que os investimentos em LNG poderão aumentar em 2.5% a produção econômica do país em cinco anos. George Kirkland da Chevron disse que “se a Arábia Saudita é tudo sobre o petróleo”, ou seja, a maior referência para o setor, a “ Austrália é tudo sobre o gás”. A Austrália aparece em 14 lugar no ranking de reservas de gás segundo a BP. Entretanto a proximidade com a Ásia, a busca por um combustível mais limpo que o carvão e a instabilidade política e econômica dos demais países exportadores de gás ajuda a tornar a Austrália um ótimo país para a execução de projetos de LNG.

As empresas estão em busca de novas tecnologias que possibilitem a abertura de mais campos de exploração e que reduzam os custos. Um exemplo disto é o trabalho que a Shell está fazendo para criar a primeira planta flutuante de liquefação perto dos dois campos ao norte da Gorgon.

Uma das preocupações que os investidores têm e que pode atrasar o projeto é a falta de mão de obra especializada

para a execução do mesmo. Segundo a Associação Australiana de Produção e Exploração de Petróleo, será necessário 50.000 trabalhadores para a conclusão dos projetos nos próximos 15 anos, com isso o governo federal mobilizou uma força tarefa em busca desta mão de obra qualificada.

As preocupações ambientais também estão sendo discutidas, ainda mais depois de um derramamento de óleo que ocorreu na costa nordestina que demorou 10 semanas para ser contido acarretando uma maior oposição ao desenvolvimento de projetos de petróleo e gás no país.