Grupo de Economia da Energia

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Notas sobre o novo quadro energético mundial

In energia on 30/11/2015 at 18:10

Por Ronaldo Bicalho

bicalho112015Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE) (*), de agora até 2040, a utilização de energia no mundo deverá crescer um terço; puxada pela Índia, China, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático.

Esse aumento se dará exclusivamente nos países que estão fora da OCDE (**). Tendências econômicas e demográficas, em conjunto com uma maior eficiência no uso da energia, reduzirão de forma continuada o consumo nos países da OCDE; liderados pela União Europeia ( -15%), Japão (-12%) e estados Unidos (-3%).

Em relação aos países que se encontram fora da OCDE e constituem os motores do crescimento do consumo de energia nas próximas décadas, o destaque é a China.

A transição chinesa para um modelo de crescimento econômico menos intensivo em energia tem implicações importantes para as tendência globais de crescimento do consumo energético. A China, sem dúvida, tem um grande peso na evolução do cenário energético mundial e até 2040: permanecerá, com grande folga, sendo o maior produtor e consumidor de carvão; implantará mais capacidade de geração renovável do que qualquer outro país; ultrapassará os Estados Unidos como o maior consumidor de petróleo; e terá um mercado de gás maior do que o da União Europeia. Continue lendo »

Projeções do Pré-sal: O Brasil será um petro-estado?

In petróleo on 20/05/2013 at 01:05

Por Luciano Losekann e Thiago Periard

luciano052013O Brasil é um dos países que mais desenvolveram sua indústria de petróleo nas décadas recentes no mundo, e é também um dos que têm melhores perspectivas de crescimento para os próximos anos. Esse momento positivo da indústria de óleo e gás nacional teve inicio na década de 1980 com a exploração em águas profundas, que acabou culminando nas descobertas, no final da década de 2000, de grandes reservatórios na chamada camada pré-sal, que devem dar impulso para o setor no longo prazo. As reservas do pré-sal constituem a possibilidade de reversão de uma tendência histórica brasileira de importador de petróleo, já que com estas descobertas se prevê um cenário onde o país irá ter petróleo em quantidade suficiente para se tornar um exportador líquido da mercadoria. No entanto, apesar de toda a euforia criada pela descoberta do pré-sal, ainda não se tem com clareza qual o tamanho de seu impacto econômico para o Brasil.

Esse artigo procura avaliar a importância que a indústria de petróleo terá na economia brasileira no horizonte de 25 anos, utilizando as projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) e dados de países que dependem fortemente da produção e exportação de petróleo. A análise indica que o Brasil, apesar do elevado potencial e tamanha euforia com o pré-sal, não se tornará um país dependente de petróleo e os impactos dessa atividade não serão suficientes para alterar de forma drástica a estrutura produtiva brasileira no médio e longo prazo.

A expectativa para a produção brasileira de petróleo nos cenários da AIE é bastante favorável. A produção alcança 4,4 milhões de barris diários em 2020 e 5,2 milhões em 2035, que representa um crescimento médio de 3,6% ao ano ao longo de 25 anos. Como pode ser visto no gráfico 1, o Brasil é, ainda de acordo com a Agência Internacional de Energia, o terceiro maior incremento da produção esperado para o período analisado, ficando atrás apenas do Iraque e Arábia Saudita. Entre os países não-OPEP, o Brasil ainda tem a vantagem deste aumento da oferta ser derivado da produção de petróleo convencional, em contraste com a produção canadense que deve crescer quase tanto quanto a brasileira, mas vindo sobretudo das areias betuminosas de elevado impacto ambiental. Continue lendo »

A energia dos BRICs

In energia on 07/01/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho012013Segundo os dados da Agência Internacional de Energia (AIE)*, Brasil, Rússia, Índia e China respondem por 32% da demanda de energia mundial. Entre eles o destaque fica com a China com 2.417 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo)[1], que correspondem a 19% da demanda de energia do mundo[2]. A Rússia vem em seguida com 701 milhões de tep (6% da demanda mundial), depois a Índia com 692 milhões de tep (5%) e finalmente o Brasil com 265 milhões de tep (2%).

Embora a China apresente a maior demanda de energia do mundo, seu consumo per capita (1,81 tep/hab) está abaixo da média mundial (1,86 tep/hab). Do mesmo modo a Índia que, mesmo alcançando 5% da demanda mundial, apresenta um baixo consumo per capita (0,59 tep/hab). Por outro lado, a Rússia apresenta um consumo per capita de energia (4,95 tep/hab) de país desenvolvido[3]. O consumo brasileiro (1,36 tep/hab) fica em uma posição intermediária entre os BRICs, um pouco abaixo do consumo chinês. Para situar esses valores, os Estados Unidos, segundo maior consumidor de energia do mundo, têm uma demanda per capita de 7,15 tep/hab. Continue lendo »

Perspectivas tecnológicas e emissões de CO2

In energia on 02/07/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Em junho foi lançada a edição 2012 do Energy Technology Perspectives (ETP), da Agência Intenacional de Energia (AIE).  A publicação é apresentada como sendo a mais ambiciosa e abrangente no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias em energia. Nela, é demonstrado como tecnologias – de veículos elétricos a parques eólicos – podem contribuir significativamente para o objetivo internacionalmente acordado de limitar o aumento global da temperatura em, no máximo, 2°C sobre os níveis pré-industriais. O relatório é norteado, portanto, pelo cenário de 2°C ou 2DS (2 Degrees Scenario).

O Energy Technology Perspectives 2012 ganhou repercussão no New York Times e no The Guardian, numa época em que, a despeito dos resultados, vimos diversos países envolvidos em torno de questões ambientais na Rio+20.

O estudo disponibiliza no site a visualização do padrão de emissões e projeções de diferentes países (incluindo o Brasil) para os diferentes cenários de emissão. O gráfico que apresenta a condição do Brasil para o nível de emissões de CO2 em Gt, numa projeção para 2050, é reproduzido a seguir: Continue lendo »

As incertezas sem precedentes sobre o futuro da energia

In energia on 27/09/2010 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

De acordo com Alex Forbes, no European Energy Review, um dos destaques do último Congresso Mundial de Energia, em Montreal, foi a apresentação do economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, sobre alguns dos temas-chave do próximo World Energy Outlook.

Birol identificou quatro fatores cruciais para a definição do nosso futuro energético: as grandes incertezas sobre a recuperação econômica, o gás de xisto e as políticas de mudança climática; a insensibilidade crescente dos mercados de petróleo a mudanças de preços; o impacto cada vez mais amplo da China na dinâmica global da energia; e a mudança do papel da política pública de energia. Esse conjunto de fatores, segundo Birol, gera um contexto de “incerteza sem precedentes” para a indústria de energia global.

Incertezas: recuperação econômica, gás de xisto e mudança climática

Segundo o economista-chefe da AIE, a forma e o ritmo da recuperação econômica após a crise global é, sem dúvida, a grande fonte de incerteza que a indústria de energia enfrenta no curto e médio prazo; na medida em que a trajetória de recuperação é fundamental face à correlação entre a atividade econômica, a demanda e a oferta de energia e, portanto, os investimentos em energia. Continue lendo »