Grupo de Economia da Energia

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Transição energética: lenta, gradual e irrestrita

In energia on 26/11/2018 at 10:56

Por Renato Queiroz

renato112018O Grupo de Economia da Energia (GEE) vem discutindo internamente, ao longo do presente ano, as transformações no setor energético – tanto no campo das inovações tecnológicas quanto no âmbito das estratégias empresariais e das políticas públicas, dentro do movimento mundial denominado, de Transição Energética. Essas transformações trazem uma riqueza nas agendas de pesquisa.

De fato, o uso da energia está em franca transformação. Sistemas elétricos inteligentes (smart grids), carros elétricos em substituição aos convencionais a combustão, cidades com uma grande quantidade de sensores e aparatos elétricos, novas tecnologias  de geração de eletricidade (sobretudo renováveis), competindo com as tradicionais e assim por diante. Ou seja, os países ricos nos apresentam uma verdadeira engenharia de inovações disruptivas que já estão invadindo a nossa forma de viver. O que se apresenta é um mundo cada vez mais digital e robotizado sob pinceladas “verdes”. Continue lendo »

Pobreza energética e aquecimento urbano

In energia on 12/10/2015 at 18:39

Por Michelle Hallack e Beatriz Marcoje(*)

michelle102015As interações entre as questões relativas ao meio ambiente e a pobreza energética podem ser agregadas em pelo menos três grupos: (1) impacto da temperatura urbana demandando maior gasto de energia; (2) políticas contra pobreza mal formuladas impactando negativamente na ineficiência energética e (3) políticas de eficiência energética e renováveis impactando no preço de energia.

A questão da pobreza energética em países subdesenvolvidos é principalmente discutida no contexto do acesso à eletricidade de agentes desconectados a rede (como o do programa luz para todos e eletrificação rural) e nos países de baixas temperaturas é referente ao custo de aquecimento das residências. Por conta desta última preocupação, muitas vezes sua definição está correlacionada com o aquecimento. Alguns países europeus, como Inglaterra, Alemanha e França, avançaram de forma significativa nesta discussão e por isso, são muitas vezes fontes das definições e estatísticas observadas na literatura.

Neste contexto, o custo relativo de manter a moradia em uma temperatura considerada confortável aos agentes é considerado um elemento chave nesta definição. Entretanto, cada vez mais essa discussão vem se estendendo para além dos países frios, visto que o calor, assim como o frio, traz queda do bem-estar e pode trazer malefícios à saúde humana. Diferentemente dos países frios, nos países subdesenvolvidos, a pobreza energética muitas vezes é vista como um problema de falta de interconexão das famílias as redes. E a discussão acaba se limitando ao potencial acesso das famílias a rede e não a efetiva capacidade econômica das mesmas em acessar serviços que permitam uma qualidade de vida adequada. Continue lendo »