Grupo de Economia da Energia

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Bioeconomia em construção 17 – Dilemas nas inovações em bioprodutos: o papel estratégico das aplicações

In biocombustíveis on 03/04/2019 at 15:24

Por José Vitor Bomtempo, Fábio Oroski e Maurício Maturana (*)

vitor042019Na postagem anterior desta série exploramos os desafios que se colocam para a difusão dos bioplásticos. Essa questão pode ser estendida para os bioprodutos em geral. Uma pesquisa recente para uma dissertação defendida na Escola de Química intitulada “Dilemas Estratégicos na Difusão de Inovações em Bioprodutos” explorou os desafios que se colocam para a difusão das inovações de produto na bioeconomia. A conclusão principal da pesquisa é que esses dilemas se resolvem pela compreensão das aplicações a que se destinam os bioprodutos e não pelas características da molécula em si.

Tem sido frequente na construção da bioeconomia a discussão sobre quais serão os bioprodutos vencedores, aqueles que se colocam como as apostas certas para os inovadores e os formuladores de políticas públicas. Desde o relatório clássico do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) de 2004 que identificou 12 biomoléculas promissoras, o tema tem sido objeto de artigos como o de Bozell e Petersen,2010, revisitando a lista de moléculas proposta pelo DOE. Relatórios como o Sugar Platform 2015 e mais recentemente Insighs into the European Market for bio-based chemicals, têm colocado o problema do ponto de vista das iniciativas da Comunidade Europeia. Vale ressaltar que ao longo do tempo, diante do aprendizado no desenvolvimento de algumas dessas oportunidades, a abordagem sobre os desafios nas inovações em bioprodutos tem se tornado mais elaborada, levando em consideração aspectos mais relacionados a sua inserção nos mercados. Afinal, como os inovadores devem organizar suas estratégias para viabilizar as inovações em bioprodutos? Continue lendo »

Bioeconomia em construção 16 – O desafio da difusão dos bioplásticos

In biocombustíveis on 07/11/2018 at 14:26

Por José Vitor Bomtempo e Fábio Oroski

vitor112018Nos últimos meses, a questão dos problemas causados pelos plásticos esteve em evidência. Os plásticos de uso único e a poluição dos mares têm sido discutidos amplamente. A Ellen MacArthur Foundation liderou a iniciativa New Plastics Economy que tem produzido estudos e incentivado inovações buscando soluções que permitam tornar circular e sustentável o uso dos plásticos. Algumas dessas inovações dependem de novos materiais como os bioplásticos. O esforço no desenvolvimento de bioplásticos tem sido crescente e existem projeções que apontam taxas expressivas de crescimento nos próximos anos. Entretanto, a difusão desses novos materiais tem encontrado dificuldades. Temos procurado em nossas pesquisas entender as inovações de produto na bioeconomia e os dilemas e desafios que cercam os bioprodutos. Nesta postagem exploramos um contraponto entre a difusão do polipropileno, o último plástico de grande consumo a se desenvolver, e a difusão do PLA* o primeiro bioplástico a buscar atingir mercados expressivos. Continue lendo »

Bioeconomia em construção XIII – Explorando os modelos de negócio circulares nas cadeias dos plásticos: o caso do PET

In biocombustíveis on 25/10/2017 at 19:53

Por José Vitor Bomtempo, Clarice Ferraz e Kamila Komatsu*

vitor102017A Bioeconomia tem compromisso básico com o uso eficiente e sustentável dos recursos biológicos renováveis. Nessa perspectiva, as inovações em bioeconomia tendem a estar alinhadas com os esforços da Economia Circular em promover modelos de negócio circulares. Esses modelos de negócio tentam organizar fluxos circulares nas cadeias produtivas promovendo a redução, o reuso e a reciclagem na utilização dos recursos, em contraposição à lógica linear que prevalece na organização econômica atual. Nessa última, os recursos são explorados para a fabricação de produtos que depois de serem utilizados são descartados e se tornam, ao final do ciclo, resíduos que têm pouco ou nenhum valor.

O uso dos plásticos, material típico da lógica linear, tem apresentado uma taxa de crescimento expressiva desde a metade do século XX. Seu uso aumentou cerca de vinte vezes nos últimos 50 anos, crescendo de 15 milhões de toneladas em 1964 para 322 milhões de toneladas em 2015 e projeta-se que em 20 anos essa quantidade possa dobrar. Continue lendo »