Grupo de Economia da Energia

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As indústrias emergentes e a economia da complexidade

In energia on 23/11/2015 at 16:30

Por Miguel Vazquez e Michelle Hallack

miguel112015Não faz muito tempo, conversávamos no GEE sobre o futuro da economia baseada em biomassa (conversa lançada por José Vítor Bomtempo), discutindo se existem ferramentas que nos permitam dizer alguma coisa sobre a evolução das indústrias emergentes. No Infopetro, questões relativas às indústrias emergentes já apareceram várias vezes: a potencial ‘biorrefineria’, os veículos alternativos, a complexidade do sistema elétrico interligado, as redes inteligentes… Entre as indústrias de energia, atualmente, são muitas as que podem ser consideradas emergentes, visto os recentes movimentos de transformação do setor. Nesse sentido, um dos desafios apontados nessa conversa pode ser enunciado como segue: como vamos falar das estratégias que as empresas vão escolher, se a estrutura da indústria ainda não está formada, e é profundamente incerta? Este artigo se apresenta como uma tentativa de responder a essa pergunta.

Vamos tentar primeiro procurar alguns elementos básicos que caracterizam essa situação. O primeiro deles é que, em indústrias em formação, várias estruturas organizacionais competem pela sobrevivência. Existem várias linhas de pensamento que estudam este tipo de situação. Uma delas, que propomos neste artigo com potencial analítico, é a ciência da complexidade. Em realidade, não é uma ciência, senão um “ponto de vista”, um conjunto de preocupações, em que a característica comum é estudar como elementos de um sistema altamente interconectado interagem para criar padrões. Continue lendo »

Bioeconomia: as regras do jogo

In biocombustíveis on 28/04/2014 at 00:15

Por Miguel Vazquez

miguel042014Em uma postagem anterior, Jose Vitor Bontempo iniciou uma série dedicada a estudar a construção da bioeconomia. Esta postagem se propõe levantar algumas reflexões sobre a importância do desenho institucional para entender e orientar o desenvolvimento dessa indústria em construção.

A bioeconomia é um campo no qual numerosos jogadores interagem de forma complexa, mas essa não é uma situação estranha na vida cotidiana. Por exemplo, ir para o escritório envolve depositar a sua confiança em que um grande número de indivíduos se transladando a grandes velocidades vão respeitar as regras de circulação. O fato é que uma grande parte das nossas atividades está baseada na nossa capacidade de compreender as situações, de compreender o que pode e não pode ser feito; em resumo, as regras do jogo.

Uma das principais complexidades vem do fato de que essas situações não são fixas e individuais, elas dependem fortemente do contexto. Eu já fui reprendido por atravessar a rua com o semáforo fechado em Berlim, e exatamente pelo contrario (esperar a que o semáforo estivesse verde) no centro do Rio de Janeiro. O que pode e não pode ser feito depende do contexto.

Essa interação está intimamente relacionada com o que Elinor Ostrom chamou de action arenas. Isto é um tabuleiro de jogo para desenvolver um arcabouço teórico que descreve como as definições de regras, os atributos dos bens e os atributos das comunidades impactam nas decisões dos agentes envolvidos. Em outras palavras, compreender atividades econômicas (entre outras) vai além de compreender os aspetos tecnológicos. O objeto de estudo é a interação entre um número potencialmente grande de agentes. A pergunta então seria: a interação dos agentes deve nos preocupar no contexto da construção da bioeconomia? A minha resposta é sim: as regras contribuem para definir a evolução de uma indústria e as escolhas feitas por ela. E as regras dependem fortemente do contexto. Continue lendo »