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Os desafios da difusão de veículos elétricos no Brasil: desafios e políticas de incentivo

In energia elétrica on 05/06/2019 at 10:57

Por Ana Carolina Cordeiro (*) e Luciano Losekann

losekann062019A crescente preocupação com as mudanças climáticas motivou a busca por soluções menos poluentes no setor de transportes, que responde a parte representativas das emissões globais de CO2. Assim, a introdução de veículos elétricos passou a ser vista como um dos principais vetores da descarbonização da matriz energética. Além dos aspectos climáticos, a difusão de veículos elétricos atenderia a outros objetivos, como a redução da dependência de petróleo em países importadores e a diminuição do ruído e a melhora na qualidade do ar nos centros urbanos.

Existem, no entanto, importantes desafios na difusão de veículos elétricos. Dentre eles, vale destacar o alto custo das baterias e a falta de infraestrutura de recarga. Existem também barreiras do ponto de vista do consumidor, como a resistência a novas tecnologias e a aversão ao risco de não contar com alternativas de abastecimento do veículo.

O Brasil conta com características específicas que influenciam o padrão de difusão de veículos elétricos. A elevada participação de biocombustíveis torna a determinante de mitigação de emissões menos relevante. O menor poder de compra em relação ao países desenvolvidos implica em uma concentração da frota em modelos populares, onde o alto custo das baterias dificulta a competitividade dos veículos elétricos. Conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), os veículos de entrada e hatchs pequenos alcançaram quase metade do total de emplacamentos entre janeiro de 2017 e junho de 2018. Continue lendo »

Eletricidade: o motor das cidades do futuro

In energia elétrica on 11/12/2017 at 00:15

Por Renato Queiroz

O relatório “World Population Prospects- 2017 Revisions” (ONU 2017), divulgado em junho deste ano pelo Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, apresenta novas revisões das projeções demográficas dos países. Os números nos levam a pensar. Até 2030, ou seja nos próximos 13 anos, haverá um acréscimo de 1 bilhão de indivíduos no mundo e a população global alcançará 8,6 bilhões. As projeções para 2050 chegam a mais de 11 bilhões de habitantes.

Em 31 de outubro passado, Dia Mundial das Cidades, o chefe do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) (1), Joan Clos, ressaltou a necessidade de discutir e repensar as novas formas de administração das cidades, com inovações, já que mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas. Essa proporção deve atingir a 66 % em 2050, segundo a ONU. Vale destacar que, já em 2012, o Programa ONU-Habitat em seu relatório “Estado das Cidades da América Latina e Caribe” destacava que em 2020 a taxa de urbanização no Brasil deveria chegar a 90%. Continue lendo »

O carro do futuro IV: os atuais modelos de carros elétricos e o potencial de inserção no Brasil

In energia on 13/06/2016 at 18:19

Por Michelle Hallack e Miguel Vazquez

michelle062016Mesmo com a queda do preço do petróleo, a demanda mundial por veículo elétrico vem aumentando. Embora a variação do preço do petróleo tenha afetado negativamente o mercado de carro elétrico dos Estados Unidos e do Japão, que em 2015 teve uma queda das vendas, o crescimento das vendas em outros países compensou mais que proporcionalmente esta queda.

Figura 1: Venda de Carros Elétricos no Mundo por Mês (2014-2016)

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Fonte: EV volumes.com

Os principais motores desse crescimento foram a China e os países Europeus (em especial Holanda, Noruega, Reino Unido, França e Alemanha), que obtiveram, em 2015, crescimentos relevantes nas vendas de carros elétricos (220% e 99%, respectivamente) [1]. O crescimento desses mercados pode ser explicado por políticas ativas de incentivos tanto do ponto de vista de estimulo da demanda como de financiamentos ao P&D e de investimento em infraestrutura. Contudo, a participação do carro elétrico em relação a frota total de carros é pouco significante, chegando no máximo a atingir pouco mais de 1% na França.

Atualmente está tramitando, em estado adiantado, na Holanda uma proibição de venda de novos carros a combustíveis fosseis em 2025. Isto é, apenas carros elétricos serão aprovados para entrar nas rodovias holandesas a partir dessa data. Regras neste mesmo espírito, só que para 2030, começaram a ser discutidas na Noruega e na Índia[2]. Neste contexto, estima-se que sejam atinjidos 2 milhões de carros elétricos nas ruas já em 2016. Segundo Randall T. (2016) a projeção é que em 2040, 35% dos novos carros poderão ser conectados à rede elétrica, e que em 2022 os carros elétricos já sejam competitivos em grande escala sem nenhum tipo de subsídio. Com indícios do avanço do carro elétrico, aponta-se para uma queda continua dos preços da bateria (que só em 2015 caiu 35%), sendo este, ainda o elemento central na acessibilidade do carro elétrico. Continue lendo »

As indústrias emergentes e a economia da complexidade

In energia on 23/11/2015 at 16:30

Por Miguel Vazquez e Michelle Hallack

miguel112015Não faz muito tempo, conversávamos no GEE sobre o futuro da economia baseada em biomassa (conversa lançada por José Vítor Bomtempo), discutindo se existem ferramentas que nos permitam dizer alguma coisa sobre a evolução das indústrias emergentes. No Infopetro, questões relativas às indústrias emergentes já apareceram várias vezes: a potencial ‘biorrefineria’, os veículos alternativos, a complexidade do sistema elétrico interligado, as redes inteligentes… Entre as indústrias de energia, atualmente, são muitas as que podem ser consideradas emergentes, visto os recentes movimentos de transformação do setor. Nesse sentido, um dos desafios apontados nessa conversa pode ser enunciado como segue: como vamos falar das estratégias que as empresas vão escolher, se a estrutura da indústria ainda não está formada, e é profundamente incerta? Este artigo se apresenta como uma tentativa de responder a essa pergunta.

Vamos tentar primeiro procurar alguns elementos básicos que caracterizam essa situação. O primeiro deles é que, em indústrias em formação, várias estruturas organizacionais competem pela sobrevivência. Existem várias linhas de pensamento que estudam este tipo de situação. Uma delas, que propomos neste artigo com potencial analítico, é a ciência da complexidade. Em realidade, não é uma ciência, senão um “ponto de vista”, um conjunto de preocupações, em que a característica comum é estudar como elementos de um sistema altamente interconectado interagem para criar padrões. Continue lendo »