Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘COP21’

Mudanças climáticas: discussões, decisões, dificuldades, dubiedades, determinações e dilemas

In energia on 05/12/2016 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato122016Dois importantes eventos ocorreram  no  mês de novembro de 2016 que  podem levar a indústria de energia global a reavaliar suas estratégias em face dos compromissos assumidos por diversos  países na busca de  conter as emissões de poluentes. O primeiro evento foi a 22ª Conferência das Partes (COP 22) sobre mudanças climáticas, no Marrocos. Essa conferência teve por objetivo implementar o Acordo de Paris sobre o aquecimento global.

Vale lembrar que a COP 21, que foi realizada em dezembro de 2015 em Paris, após várias discussões entre os representantes dos países presentes, aprovou um acordo que  entrou em vigor no dia 04/11/2016 em âmbito global. O Acordo  traçou ações para limitar o aumento da temperatura média no globo a 2ºC até 2100, a partir de planos nacionais de redução de emissões, chamados de INDCs – Intended Nationally Determined Contribution. O  Acordo de Paris definiu um processo com metas individuais de cada país para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Na COP 22 os representantes de quase 200 países se reuniram  durante  duas semanas, entre os dias 07 e 17 de novembro do presente ano, na cidade de Marrakesh, para regulamentar o Acordo de Paris. A declaração da secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Patricia Espinosa, na abertura, deu o tom da Conferência: “As metas anunciadas pelos países precisam ser incorporadas às políticas nacionais”. Continue lendo »

Eletricidade e meio ambiente – desafios e oportunidades para o setor elétrico pós COP21

In energia on 06/06/2016 at 18:19

Por Clarice Ferraz

clarice062016Energia e meio ambiente são indissociáveis. O modo como geramos e consumimos energia é determinante no impacto sobre nossa base de recursos naturais e sobre a sustentabilidade das atividades econômicas. Em economia da energia costumamos dar mais atenção à relação entre energia e desenvolvimento econômico, muitas vezes negligenciando o papel essencial do meio ambiente provedor dos recursos naturais que compõem nossa base de recursos energéticos. Obviedades a parte, à ocasião da comemoração do Dia Nacional do Meio Ambiente, cabe refletir como tem evoluído no Brasil a relação entre energia e o meio ambiente.

A fim de explorar um dos muitos elementos dessa equação, a presente postagem se debruça sobre a relação entre o setor elétrico e o meio ambiente no Brasil. Como indicador dessa relação, em harmonia com os acordos internacionais para combater o desequilíbrio climático, iremos analisar como o setor tem incorporado as restrições climáticas em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e como tem se preparado para honrar o compromisso assumido com a assinatura da 21Conferência entre os Membros (COP, de Conference of Parties), também conhecida como Protocolo de Paris.

O Protocolo de Paris, aprovado em 14 de dezembro de 2015, foi assinado no último dia 22 de abril por 197 países, um número recorde. Os países signatários se comprometeram a limitar o aumento da temperatura em até 1,5°C. Para que entre em vigor, precisa ser ratificado por 55 países que sejam responsáveis por, pelo menos, 55% das emissões globais. Foram levadas em consideração a responsabilidade histórica de cada país e a alocação ética das responsabilidades compartilhadas, incluindo os direitos das gerações futuras, capacidade econômica e o menor custo possível. Como as emissões de GEE são cumulativas, buscou-se estabelecer um limite máximo, ou “orçamento carbono”, de emissões para cada país. Continue lendo »

Preços internacionais do petróleo: principais impactos da recente queda de preços

In petróleo on 15/02/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder022016Desde o início do século XXI, o mercado internacional do petróleo tem confirmado uma de suas principais características: a dificuldade de antecipação do comportamento dos preços. Historicamente, períodos de estabilidade são raros e constituem a exceção; a volatilidade é a regra desse mercado. Várias flutuações de preços, com altas e quedas expressivas, podem ser aqui lembradas.

A virada do século foi marcada, após um longo período de baixos preços do petróleo entre 1986 e 1999, por uma trajetória ascendente, atingindo recordes históricos, em termos nominais, em 2008, ultrapassando a barreira dos US$ 140 por barril e retornando a patamares inferiores a US$ 30 por barril no início de 2016.

Não obstante a queda recente de preços ter sido muito expressiva e rápida, saindo de US$ 100 para cerca de US$ 30 em dezoito meses, este episódio é apenas um a mais a ser registrado e interpretado. De fato, a história do petróleo permanece sendo escrita pelo jogo dos fundamentos técnicos, geológicos, geopolíticos e econômicos que contribuem para explicar tais flutuações. Continue lendo »

O papel do Estado na construção de uma economia de baixo carbono

In energia on 31/08/2015 at 21:42

Por Diogo Lisbona Romeiro

diogo082015A emergência de uma economia de baixo carbono apresenta-se como a próxima provável revolução tecnológica a ser deslanchada. Desde a Revolução Industrial, os sucessivos paradigmas tecnológicos calcaram-se na utilização crescente de combustíveis fósseis. Em 2013, 80% da demanda energética mundial foi atendida por petróleo, gás natural e carvão (IEA, 2015). O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) atribui grande parte da elevação de 0,85º C da temperatura mundial média, em relação ao nível pré-industrial, às emissões de gases de efeito estufa decorrentes da atividade humana (IPCC, 2014).

Estudos reunidos pelo IPCC apontam que a elevação de 2º C acima do nível pré-industrial poderá implicar em sérias consequências ambientais, como o aumento da ocorrência de temperaturas extremas e a elevação do nível dos oceanos. A redução urgente e significativa das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa é entendida como a única saída para evitar a elevação da temperatura mundial e a consequente ocorrência de catástrofes ambientais. Acredita-se que, para tanto, o nível de dióxido de carbono na atmosfera, estimado em 270 partes por milhão (ppm) na era pré-industrial e registrado em 400 ppm atualmente, não deva ultrapassar 450 ppm.

Em 2010, na 16ª Convenção das Partes, signatárias da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Cancun (COP16), foi formalizada a meta de manter o aquecimento global inferior à elevação de 2º C ao nível pré-industrial. Espera-se que na COP21, a ser realizada em dezembro de 2015 em Paris, os países se comprometam formalmente a reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa. Continue lendo »