Grupo de Economia da Energia

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Como está a atratividade do segmento de E&P no Brasil?

In petróleo on 04/10/2017 at 21:14

Por Edmar de Almeida

edmar10207O resultado da Décima Quarta Rodada de Licitações foi festejado pelo governo e vários atores importantes da indústria. O recorde da arrecadação de bônus (R$ 3,8 bilhões) sinaliza um elevado interesse das empresas pelo upstream nacional. Entretanto, quando avaliamos mais cuidadosamente o resultado do leilão, percebe-se que a atratividade está ligada a uma situação geológica específica, ou seja, a área do Pré-sal.

A Rodada 14 ofertou 287 blocos nas mais diversas bacias sedimentares brasileiras. Deste total, 37 blocos (12,7%) foram arrematados. Entretanto, 94% do bônus arrecadado se refere a apenas 6 blocos oferecidos na Bacia de Campos, em áreas perto do polígono do Pré-sal. Em entrevista após o leilão, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, justificou o bônus de R$ 2,24 bilhões oferecido pelo bloco C-M-346 em parceria ExxonMobil pela possibilidade de existência de Pré-sal neste bloco. Certamente, o interesse da ExxonMobil nos outros 5 blocos adquiridos na mesma bacia se deve à mesma possibilidade.

Quando se avalia o resultado do leilão nas outras bacias, percebe-se que o interesse das empresas foi muito baixo. Poucos blocos foram arrematados e quase sempre sem disputa significativa. Este baixo interesse pelas bacias fora do Pré-sal é um sinal amarelo importante para a indústria de E&P nacional e merece uma reflexão. Continue lendo »

O balanço e o futuro da política de conteúdo local no setor de petróleo nacional

In petróleo on 12/10/2016 at 14:39

Por Edmar de Almeida e Luciano Losekann

edmar102016A mudança de governo no Brasil reforçou a discussão sobre revisão da política de conteúdo local do setor de petróleo no Brasil. Esta revisão é talvez a tarefa mais complexa do conjunto de reformas atualmente em curso no setor de exploração e produção (E&P) no país. Por um lado, a redução dos preços do petróleo coloca em questão a atratividade dos investimentos no setor de E&P, levando a uma incessante busca de redução de custos por parte das operadoras. Por outro lado, a cadeia de fornecedores encontra-se em situação de enorme fragilidade com a maior crise que este segmento já enfrentou.

A revisão da política de conteúdo local terá que arbitrar um conflito incontornável entre a atratividade dos investimentos e a proteção da cadeia de fornecedores. Este processo de arbitragem não tem receita pronta. Terá que ser feito necessariamente a partir de uma concertação entre os diferentes grupos de interesse que irá requerer muita negociação, além de estudos para entender melhor o dilema entre atratividade dos investimentos e promoção do conteúdo local.

Alguns estudos que analisaram diferentes dimensões da PCL buscaram identificar elementos para um balanço dos custos e benefícios da PCL nacional. Segundo CLAVIJO (2015), a PCL evoluiu através de um processo de tentativa e erro, sem um procedimento estruturado de avaliação desta política pelo governo. A evolução da política foi resultado do embate de interesses dos principais stakeholders e da constatação de problemas durante o seu processo de implementação. Continue lendo »

Impactos macroeconômicos da crise na indústria de petróleo no Brasil

In petróleo on 26/10/2015 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Niágara Rodrigues (*)

marcelo102015Sessenta bilhões de reais de investimento, 5,7 por cento da formação bruta de capital e 60 mil empregos gerados; esses são dados referentes às atividades de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural no ano de 2013 no Brasil (COLOMER, M e RODRIGUES, N 2015). Até aquele ano, os investimentos nas atividades de exploração, produção e no segmento de downstream influenciaram positivamente as variáveis macroeconômicas no país, como emprego e geração de renda. A partir de 2014, no entanto, a reversão do cenário internacional, os problemas de caixa enfrentados pela Petrobras e as mudanças ocorridas no ambiente de negócio da indústria petrolífera nacional alteraram a direção de seus impactos sobre a economia brasileira. Nesse sentido, a partir do anúncio de cortes significativos nos investimentos projetados para os próximos cinco anos pela Petrobras, surge a preocupação de qual será a consequência da redução dos níveis de atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural sobre o emprego e renda.

Em 2013, a expansão dos investimentos verificada na indústria petrolífera no Brasil aumentou, significativamente, a participação do setor no emprego nacional. Em outros termos, o efeito direto, indireto e induzido dos investimentos na indústria petrolífera tem se mostrado muito importante na trajetória de redução dos índices de desemprego e informalidade da economia brasileira. Entre 2007 e 2013, por exemplo, o emprego total na indústria de petróleo e gás natural cresceu 22% com destaque para o emprego no segmento de E&P que expandiu, no mesmo período, 42% (CAGED, 2015). Continue lendo »

A entrada e os próximos passos dos chineses no setor de petróleo no Brasil

In petróleo on 14/07/2014 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Helder Consoli (*)

edmar072014Até recentemente, o Brasil esteve fora do radar das empresas chinesas que vêm empreendendo uma forte expansão internacional. Com a descoberta do Pré-sal e com o consequente potencial exportador de petróleo do país, as empresas petroleiras chinesas passaram a se interessar pelo setor energético brasileiro. Nos últimos cinco anos, todas as quatro grandes empresas petrolíferas estatais chinesas entraram no mercado Brasileiro. Além disso, dada as necessidades de financiamento das atividades de E&P no Brasil, elas passaram a ser vistas como uma importante fonte de liquidez para investir no negócio de petróleo nacional.

O principal drive para entrada no Brasil é a perspectiva de exportação de petróleo para a China. Tendo em vista que estas empresas dominam o downstream na China, sua estratégia é buscar ativos que podem se converter em exportações para a China.

Entrada das Empresas Chinesas no Brasil

Até 2005 a presença chinesa na indústria brasileira do petróleo era muito tímida. A partir deste ano, a Sinopec entrou no mercado brasileiro oferecendo serviços de engenharia e de EPC (Engineering Procurement and Construction). A Sinopec participou da construção de um trecho do projeto GASENE (gasoduto interligando a malha de gasodutos do Sudeste ao do Nordeste). Continue lendo »