Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘Granbio’

Bioeconomia em construção XIV – Desafios do ecossistema de inovação em Bioeconomia no Brasil

In biocombustíveis on 04/04/2018 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

Nesta série de postagens em torno da construção da Bioeconomia temos abordado aspectos chave do processo de desenvolvimento da nova economia da biomassa, muitas vezes em seu contexto global. Caberia então perguntar: Como o ecossistema de inovação em Bioeconomia tem se desenvolvido no Brasil? Que desafios se colocam para as políticas e estratégias para os próximos anos?

PAISS e PADIQ, dois programas lançados nos últimos anos por BNDES e FINEP, ilustram bem a existência de iniciativas e esforços empresariais no desenvolvimento da Bioeconomia no país. Ao lado desses esforços, pode-se identificar um ecossistema de inovação relacionado à exploração inovadora da biomassa. Continue lendo »

Bioeconomia em construção V – Existe uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil?

In biocombustíveis on 01/06/2015 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo e Flávia Alves

vitor062015No primeiro post desta série caracterizamos a bioeconomia como uma indústria em construção que envolve o uso dos recursos biológicos, vegetais e animais, de forma integrada e fortemente relacionada às atividades de produção e consumo de energia, produtos químicos e materiais, mas também alimentos, tanto para uso humano quanto animal. A bioeconomia tem portanto uma amplitude econômica, social e ambiental bem mais larga do que a produção de biocombustíveis e bioprodutos derivados da biomassa.

Essa visão tem se estabelecido e vem sendo discutida e adotada, com interpretações às vezes variadas, nos principais países e regiões. Na Europa, por exemplo, a Bioeconomy Stakeholders Conference, realizada em outubro de 2014, ilustra bem esse esforço de levar em conta os múltiplos interesses e variáveis envolvidos na construção da bioeconomia. O tema central do evento é ilustrativo: “From sectors to system, from concept to reality”. Todas as discussões e apresentações da conferência estão disponíveis aqui.

No detalhado e abrangente relatório Bioenergy and Sustainability: bridging the gaps, coordenado pelo BIOEN/FAPESP e recentemente divulgado, a perspectiva da bioeconomia é destacada e revista no capítulo 20 do trabalho. Na visão do relatório, que envolveu a contribuição de 137 especialistas, a bioeconomia é uma indústria promissora, mas ainda emergente e por isso necessita de políticas que estimulem seu desenvolvimento. O relatório defende ainda que mudanças tecnológicas capazes de reduzir custos e viabilizar a utilização integral da biomassa para alimentos, rações, energia, materiais e químicos são necessárias para aumentar a competitividade da nova indústria. No campo das tecnologias, o desenvolvimento de rotas mais eficientes de conversão da biomassa, em particular as que convertem os materiais lignocelulósicos em combustíveis, químicos e materiais é crítico para proporcionar a transição para uma indústria biobased competitiva. Continue lendo »

Bioeconomia em construção III – A chegado do etanol 2G: um passo importante para a inovação na bioeconomia

In biocombustíveis, etanol on 22/09/2014 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor092014O etanol 2G foi durante muito tempo o foco das políticas de inovação voltadas para os biocombustíveis. Há cinco anos, os recursos aplicados pelo Biomass Program do Department of Energy (DOE), certamente o mais importante programa de inovação em biocombustíveis do mundo, se concentravam no etanol celulósico. O resultado esperado desse grande esforço de inovação estava refletido nas metas de consumo de etanol 2G do RFS (Renewable Fuels Standard).

Entre 2007 e 2009, mais de 30% dos recursos aplicados – US$ 200 milhões anuais, em média – eram dirigidos diretamente ao etanol celulósico. Somente em 2010 as aplicações em biocombustíveis não etanol e outros produtos se tornaram expressivas, atingindo em 2011 mais de 40% do total de recursos aplicados. Pouco se falava dos combustíveis drop in e dos demais bioprodutos, como químicos e plásticos, como alvo dos projetos inovadores. Entretanto, a produção comercial de etanol 2G, como não é raro em inovações mais ambiciosas, revelou-se uma meta muito mais difícil do que se esperava. Houve fracassos, decepções e mudanças de planos. Empresas deixaram de existir, como a Range Fuels. Projetos de demonstração pioneiros acabaram não se viabilizando em escala comercial, como o da Iogen. Projetos tiveram que rever seus conceitos iniciais, como o da Coskata que trocou a biomassa pelo gás natural como matéria-prima. Como consequência, as metas do RFS não foram atingidas no tempo previsto.

Finalmente, o etanol 2G – etanol baseado em materiais lignocelulósicos como resíduos agrícolas e florestais – parece estar se concretizando com o início de operação das primeiras plantas em escala comercial. Em 2013, começou a operar a planta da Beta Renewables (Grupo M&G) em Crescentino, na Itália. Em 2014, três outros projetos importantes estão iniciando a produção em escala: Du Pont e Poet/DSM, nos EUA, e Granbio, no Brasil. Ainda no Brasil, Raizen está concluindo também uma planta e Petrobras tem um projeto em definição. Os projetos americanos são baseados em resíduos agrícolas do milho, Granbio utiliza a palha da cana e Raizen o bagaço. Continue lendo »