Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘história do setor energético brasileiro’

Antonio Dias Leite: 1920 – 2017

In energia on 10/04/2017 at 00:15

Faleceu na última quinta-feira, 6 de Abril, o Professor Emérito do Instituto de Economia da UFRJ Antonio Dias Leite. O  professor Dias Leite desempenhou um papel fundamental na evolução do setor de energia no Brasil e manteve-se produtivo e lúcido até final da sua trajetória, interrompida aos 97 anos por complicações advindas de uma queda sofrida há uma semana.

Em 1941, Antonio Dias Leite formou-se em Engenharia pela Escola Politécnica da UFRJ. Foi professor desta Escola e da Faculdade de Economia da UFRJ durante 40 anos. Licenciado da UFRJ, foi presidente da Companhia Vale do Rio Doce (1967 a 1969) e Ministro de Minas e Energia (1969 a 1974). Responsável  pela primeira estimativa de renda nacional no Brasil, PIB, publicada em 1951, Dias Leite foi fundamental na criação da CPRM, da Aracruz e na viabilização de Itaipu. Organizou a fundação universitária José Bonifácio e foi diretor da Faculdade de economia da UFRJ, cargo que exercia quando se aposentou. Após aposentar-se recebeu do conselho universitário da UFRJ o título de Professor Emérito.

Apresentamos em seguida um vídeo com o discurso do professor Dias Leite por ocasião da comemoração dos quarenta anos de criação da CPRM; uma entrevista concedida aos professores Edmar de Almeida e Galeno Tinoco sobre a história da criação dos cursos de Economia no Brasil e sobre a criação do Instituto de Economia da UFRJ; e uma transcrição do verbete produzido pelo CPDOC sobre o professor. Continue lendo »

Uma análise crítica do Plano 2015 Eletrobrás

In energia elétrica on 02/05/2016 at 00:15

Por Felipe Botelho (*)

botelho052016O planejamento energético se caracteriza por ser uma ação holística inserida em um conjunto de ações de desenvolvimento econômico-social. O planejamento serve de preparação e para melhor coordenar a organização do mercado de energia e promoção de investimentos, compatibilizando oferta ao consumo futuro.

No Brasil o planejamento energético nacional historicamente foi coordenado por grandes empresas estatais (quais sejam Eletrobrás e Petrobras) que a partir de suas ações e investimentos desenhavam as estruturas a nível nacional do suprimento energético do país. No caso específico do setor elétrico brasileiro, criou-se a tradição de apresentar planos de planejamento como forma de guiar as decisões de investimento e consumo no longo e médio prazo.

Apesar do planejamento, as mudanças de contexto econômico e institucional que a economia brasileira passou nas últimas décadas foram profundas, se refletindo claramente na organização do setor elétrico. Desde a estabilização macroeconômica da economia, a economia brasileira sofreu uma série de ajustes, resultando em um crescimento inconstante. No âmbito setorial, é a partir da década de 1990 que o processo de abertura econômica e liberalização se deu mais intensamente, tornando-se um dos eixos principais da reforma do setor elétrico naquele período. Na década subsequente, a organização setorial pós-reforma não conseguiu manter o nível de investimentos para a expansão em uma economia em recuperação, culminando em crise de suprimento e imposição de um racionamento de larga escala em 2001. Continue lendo »

Setor elétrico brasileiro: uma história de reformas

In energia elétrica on 09/09/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato092013

Para uma atividade altamente institucionalizada, como é a oferta de energia elétrica, reformas são sempre recursos para os grandes freios de arrumação dos desajustes setoriais. Querendo-se ou não, todo marco institucional dura enquanto gera os resultados que se espera dele. Quando ele não entrega mais o prometido, simplesmente se troca de marco. É assim em qualquer setor elétrico do mundo. A questão toda é o tempo certo de saltar do marco ultrapassado pela evolução do setor, vencendo a inércia política e escapando dos prejuízos inexoráveis da sua manutenção.

Dessa maneira, o setor elétrico evolui de reforma em reforma, tangido pelos acordos políticos que, a cada momento, sustentam o arranjo institucional que melhor explicita os objetivos desejados e a mobilização dos recursos necessários para alcançá-los. Afinal, os negócios no mercado de energia mobilizam montantes significativos de recursos financeiros que resultam em obras de engenharia, no desenvolvimento de novas tecnologias, na expansão de unidades fabris, na criação de novas empresas, etc. A destinação desses recursos financeiros em projetos energéticos depende das decisões que ocorrem no âmbito das políticas energéticas dos governos que desenvolvem esforços para a materialização dessas decisões no período em que estão à frente de seus países.

Acontece que, muitas vezes, as decisões dessas políticas necessitam de entendimentos e negociações entre os agentes que podem ultrapassar os mandatos dos governos, antes de suas implantações. O risco de fracasso da materialização de projetos energéticos, por exemplo, pode ocorrer, se as decisões forem açodadas, baseadas em frágeis consensos, trazendo insegurança aos investidores e aos agentes como um todo. Continue lendo »

Energia e desenvolvimento: em busca do elo perdido – 1

In energia on 13/08/2012 at 00:15

Por Edmar de Almeida

Qual deve ser o objetivo da intervenção do Estado no setor de energia do Brasil? É interessante notar que atualmente esta pergunta pode suscitar um grande número de respostas divergentes.

Para uns, o objetivo principal é garantir a sustentabilidade ambiental e uma transição para uma matriz descarbonizada. Para outros, o papel do Estado é velar pelo bom funcionamento do mercado energético de forma a atrair investimentos privados e garantir a segurança do abastecimento. Outros ainda poderiam apontar o objetivo de viabilizar a expansão do setor energético através da exportação de energia, criando renda e empregos no país.

Esta gama de possibilidades representa objetivos que se sobrepõem/coabitam na política energética nacional. Entretanto, a diversidade de objetivos tem contribuído para o enfraquecimento do tradicional elo existente entre o setor energético e o desenvolvimento econômico nacional.

Energia deixou de ser uma vantagem comparativa do Brasil. Os preços da energia no Brasil são comparáveis e muitas vezes mais elevados do que os dos países sem dotação de recursos energéticos. A incontrolável elevação dos custos energéticos no país é o sintoma de que a política energética nacional perdeu sua capacidade de elaborar e implementar uma visão estratégica, em que o setor energético representa uma infraestrutura para a promoção do crescimento e desenvolvimento econômico nacional. Continue lendo »

A Eletrobras e a construção de um setor elétrico nacional

In energia elétrica on 09/07/2012 at 00:14

Por Ronaldo Bicalho

Há cinquenta anos era criada a Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras). Proposta inicialmente pelo presidente Getulio Vargas em 1954, a empresa só seria instalada em 1962, pelo então presidente João Goulart.

Dado o contexto em que se deu – grande heterogeneidade de agentes e interesses já consolidados -, a configuração de uma empresa elétrica federal de âmbito nacional apresentou um elevado grau de complexidade político-institucional.

Levada a cabo a partir do reconhecimento de que era preciso garantir a expansão acelerada da oferta de energia elétrica no país e que a intervenção do Estado era imprescindível para se alcançar esse objetivo, todo o processo de centralização dos recursos na esfera do Governo federal demandou um longo, árduo e penoso processo de negociação entre distintos agentes, interesses e regiões, que definiu, ao fim e ao cabo, o ritmo e a extensão dessa centralização. Continue lendo »

Yvan Barreto de Carvalho: um petroleiro

In petróleo on 30/04/2012 at 00:15

Por Antonio Dias Leite (*)

Chegamos no mesmo mês de janeiro do ano de 1920, Yvan em Juazeiro, à margem do Rio São Francisco e eu em Botafogo, no Rio de Janeiro. Só nos conhecemos cinqüenta anos mais tarde. Neste mês de Abril ele nos deixou.

Logo de inicio da vida, ainda ao tempo de estudante na escola de engenharia em Salvador, se destaca a sua definição, de uma só vez, pela profissão de “petroleiro”. Concorreu para isso o treinamento paralelo que fez, no Instituto Politécnico, em busca de uma atividade prática, concentrando-se na técnica de solda, ainda pouco difundida no Brasil, nessa época. A opção viria a ser imediatamente aproveitada no estágio que obteve no primeiro campo de perfurações para petróleo, denominado Lobato-Joanes, em 1942, nesse tempo sob a responsabilidade do Conselho Nacional do Petróleo. Não se separaria do petróleo durante os trinta anos seguintes. Constituída a Petrobrás para ela foi transferido. Continue lendo »