Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘Japão’

Perspectivas da demanda de GNL mundial e no Japão frente à evolução da energia nuclear

In energia nuclear, GNL on 29/02/2016 at 00:15

Por Niágara Rodrigues (*) e Renato Queiroz

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) adverte que se, em 2050, 80%[1] da eletricidade no mundo não for de baixo carbono a meta de um aumento máximo de 1,5°C na média da temperatura do planeta não será alcançada. E as consequências apontadas pelos especialistas em mudanças climáticas trazem preocupações. Nesse contexto, determinadas fontes consideradas de “transição” para uma economia de baixo carbono vão cumprir o papel de gerarem energia para movimentar o desenvolvimento econômico mundial.

Em um cenário global há duas fontes que são apontadas como fortes participantes da geração de eletricidade nesse período de transição juntamente com as fontes renováveis: o GNL (Gás Natural Liquefeito) e a geração nuclear. Certamente há diferentes realidades entre os diversos países, mas nas análises globais essas são as fontes que disputarão maiores fatias de investimentos, juntamente com as fontes renováveis.

A energia nuclear é uma alternativa aos combustíveis fósseis na produção de eletricidade e vem experimentando uma expansão importante nos últimos anos. Em 2014, a energia nuclear foi a quarta fonte mundial geradora de eletricidade, a qual contribuiu com cerca de 11% do fornecimento de eletricidade no mundo de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA). Leia o resto deste post »

Os novos desafios do mercado internacional de gás natural para a política energética Russa

In gás natural, GNL on 17/06/2013 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Imperiano

renato062013O ambiente econômico e energético mundial sofreu grandes transformações a partir do ano de 2008: primeiro, em virtude da crise econômica deflagrada nesse ano; segundo, em razão da expansão da produção de gás natural em formações geológicas não convencionais nos EUA e da crise nuclear japonesa. Devido a isso, a Rússia, como um dos maiores exportadores mundiais de energia, se defronta com novos desafios em função da perspectiva dos EUA se tornarem exportadores de GNL, somado ao decréscimo do consumo de gás na Europa, seu principal mercado consumidor. Em contraposição a esse cenário restritivo no Ocidente, há importantes oportunidades de comércio na região da Ásia-Pacífico com um aumento significativo da demanda energética em países como China, Coréia do Sul, Índia e Japão.

Este artigo busca apresentar questões recentes do mercado internacional de gás natural que trazem desafios à política energética russa. O texto está dividido em três seções. Inicialmente aborda-se o mercado europeu. Em seguida analisa-se o mercado asiático. Essa divisão não só marca um corte espacial desses mercados, como, principalmente, ressalta diferentes dinâmicas econômicas que têm resultados distintos sobre o mercado internacional de gás natural. Por último, na seção conclusiva focam-se as questões que rebatem nas estratégias da política energética da Rússia.

O mercado europeu

O aumento da produção de gás natural nos EUA, através da exploração de reservatórios não convencionais, gerou um diferencial significativo de preços entre o mercado americano e as demais regiões consumidoras no mundo. Conforme o preço do gás produzido internamente caiu e se tornou mais competitivo, o seu consumo aumentou, deslocando outras fontes, como o carvão, os derivados do petróleo e até mesmo a fonte nuclear[i]. O Gráfico 1, abaixo, ilustra a evolução da produção de energia elétrica americana por fonte. Enquanto a geração de energia elétrica por carvão diminuiu 23,1%, entre 2003 e 2012, a geração a gás cresceu 89,4%, no mesmo período. O consumo total de carvão nos EUA, no ano passado, foi 20,5% menor do que em 2008, quando o preço médio do gás natural no Henry Hub atingiu seu pico histórico de US$ 8,85 (BP, 2013). Leia o resto deste post »

O cenário energético atual

In energia on 16/07/2012 at 00:19

Por Luciano Losekann

Nos dias 24 a 27 de junho, a 35ª edição da conferência internacional da Associação Internacional de Economia da Energia (IAEE) foi sediada em Perth na Austrália. Essa conferência é a mais importante da área de economia de energia. Os principais temas discutidos foram: as perspectivas para o gás natural resultantes da oferta não convencional, o panorama da energia nuclear no Japão pós-Fukushima e a mitigação de emissão de CO2 no setor elétrico.

A relação entre as indústrias de petróleo e gás natural foi discutida, principalmente quanto a formação de seus preços. A apresentação de Fereidun Fesaraki abordou o tema, recorrendo a seguinte ilustração: “se o petróleo é um namoro, o gás natural é um casamento”. Apesar da introdução de flexibilidade a partir da difusão do GNL e da maior importância de mercados spot, a infraestrutrura de gás exige maior comprometimento entre os envolvidos. Assim, os contratos de longo prazo ainda tendem a ser dominantes. Usualmente, contratos de GNL têm duração de quatro a dezessete anos. São os contratos longos que permitem o financiamento dos projetos, já que bancos só aceitam participar quando os contratos de compra de longo prazo são apresentados. Leia o resto deste post »

Japão e Alemanha: o dilema nuclear

In energia nuclear on 04/06/2012 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Lobo

Há um dilema energético que tanto a chanceler alemã Angela Merkel quanto o primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda enfrentam neste momento: atender ao clamor público que exige o fechamento das usinas nucleares existentes em seus países ou seguir os ditames da segurança energética que aconselham a manutenção dessas usinas em funcionamento para assegurar a confiabilidade e os custos do suprimento de energia, essenciais para a competitividade de suas economias.

Esse não é um dilema novo para esses países. A peculiaridade do atual momento reside na dramaticidade introduzida pelo desastre de Fukushima, ocorrido no início do ano passado, no trade-off segurança energética versus insegurança nuclear; ou seja, risco de déficit energético versus risco de acidente nuclear. Leia o resto deste post »

Impactos do terremoto e da crise nuclear japonesa sobre o mercado internacional de gás natural

In gás natural, GNL on 18/04/2011 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Edmar de Almeida

Um dos poucos consensos existentes entre os especialistas de energia neste momento é o reconhecimento de que a crise energética, em particular a crise nuclear que se estabeleceu no Japão após o grande terremoto do dia 11 de março, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural. Muitos especialistas apressaram-se em apontar uma rápida redenção do mercado de gás natural após quase três anos de preços deprimidos. De fato, o preço do gás natural, assim como o do petróleo, sofreu uma queda abrupta a partir da crise de 2008, permanecendo em um patamar muito baixo, mesmo após a recuperação do preço do barril em 2009. Esta esperada recuperação dos preços no mercado de gás é vista com grande alívio pelos agentes do setor, embora uma análise mais cuidadosa do atual contexto do mercado revele que esta recuperação pode levar mais tempo do que se gostaria. Leia o resto deste post »

Acidente nuclear de Fukushima: dilema para o planejamento energético mundial

In energia nuclear on 11/04/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

O acidente  na central de Fukushima Daiichi, situada a cerca de 250 km de Tóquio, e a classificação da  Autoridade de Segurança Nuclear da França (ASN) de que as explosões ocorridas na planta de geração  japonesa atingiram o nível 6 de gravidade, em uma escala internacional de classificação de eventos nucleares que vai até 7 [*], mexeu com os especialistas voltados às questões energéticas no mundo. O  fato acrescenta um forte elemento de incerteza para a indústria nuclear mundial.

O nível seis da escala INES significa acidente grave,  apontando que houve  liberação de material radioativo e traz como consequência a adoção, na área atingida,  de medidas que protejam a população.  Isso reflete na opinião pública mundial,  provocando grandes apreensões e pressões contrárias à geração de energia elétrica através dessa fonte.

Logo após o acidente, alguns especialistas, sob o impacto das trágicas notícias e imagens  em tempo real, concordavam com a tese de  que o renascimento da indústria nuclear  estaria  sendo abortado.  Mas talvez a questão que tenha faltado no debate foi: Como atender sem a nuclear ao crescente consumo de energia que as sociedades vão demandar nos próximos anos sob um contexto de redução das emissões de gases de efeito estufa? Leia o resto deste post »

O acidente nuclear no Japão, a escassez energética e a mudança climática global

In energia nuclear on 28/03/2011 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

O desastre ocorrido na central de Fukushima Daiichi no Japão colocou em xeque o processo de recuperação da imagem da energia nuclear como uma fonte segura e confiável. Esse fato gerou sérias dúvidas sobre a consistência da política energética de vários países que contavam com essa fonte para fazer face ao atual contexto energético de latente desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia e de crescente restrição ambiental ao uso dos combustíveis fósseis.

O impacto inicial desse acidente sobre a opinião pública foi muito desfavorável à expansão dessa fonte de energia na matriz energética e suscitou respostas políticas que apontaram na direção da reavaliação dos planos de construção de novas usinas. Esse movimento englobou desde a suspensão temporária do final da moratória nuclear alemã, até a sinalização da China e da Índia no sentido de reconsiderar seus planos de expansão da geração nuclear, passando pela intenção americana de também rever a segurança das suas centrais. Leia o resto deste post »