Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘OPEP’

As dificuldades do acordo dos países produtores e a nova posição brasileira no mercado internacional do petróleo

In petróleo on 03/05/2017 at 00:52

Por Helder Queiroz

helder052017Desde dezembro de 2016 as atenções do mercado internacional do petróleo se voltaram para os impactos esperados do acordo que estabeleceu o compromisso de cortes de produção dos principais produtores, notadamente da OPEP, com adesão de outros países, dentre os quais o mais importante foi a Rússia.

Convém recordar que acordos desta natureza não são facilmente obtidos e são de difícil manutenção no que concerne o cumprimento dos compromissos assumidos.

Quais foram as consequências objetivas sobre os preços e estrutura de oferta desde o acordo firmado entre os produtores? Neste texto vamos apontar alguns dos principais elementos de resposta, a partir do exame do comportamento dos países da OPEP, ainda que seja cedo para identificar tendências estruturais de longo prazo[1]. Além disso, é discutida a nova e cada vez mais importante posição brasileira de exportador líquido neste mercado. Leia o resto deste post »

Uma OPEP travada pela Estrutura de Oferta do Petróleo: o que esperar da evolução dos preços?

In petróleo on 21/11/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder112016O mercado do petróleo voltará atrair a atenção internacional neste final de ano. A esperada reunião da OPEP marcada para a última semana de novembro visa sinalizar uma ação concertada dos países exportadores com relação à decisão de controle da produção. Historicamente, o consenso no âmbito da OPEP nunca foi facilmente obtido. Dessa vez a decisão envolve outros países não-membros, em particular, a Rússia no intuito de evitar que os preços voltem a cair para os níveis observados, por exemplo, no início deste ano (Gráfico 1).

Gráfico 1- Evolução do Preço Internacional do Petróleo – 2016

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Como já foi destacado em outros textos, a queda recente de preços desde 2014 foi muito acentuada, saindo de U$$ 100 por barril , em julho de 2014, para o patamar  para cerca de US$ 25 em janeiro de 2016.

Isto representou a perda de mais de 350 mil empregos na indústria e uma redução forte dos programas exploratórios. Leia o resto deste post »

A dificuldade da OPEP em controlar preços

In petróleo on 04/10/2016 at 18:22

Por Marcelo Colomer e Beatriz Rosenburg (*)

marcelo102016Our excessive dependence on OPEC has already taken a tremendous toll on our economy and our people… It’s a cause of the increased inflation and unemployment that we now face. This intolerable dependence on foreign oil threatens our economic independence and the very security of our Nation.” (CARTER, J 1979)

Remember when we were all concerned about our dependence on foreign oil?  Well, let me tell you — we’ve cut the amount of oil we buy from other countries in half. Remember when the other team was promising they were going to get gas prices down in like 10 years? We did it. Did it.” (OBAMA, B 2016)

As duas passagens citadas evidenciam não somente as mudanças ocorridas na indústria de energia Norte-Americana como também as transformações no cenário geopolítico do petróleo nos últimos 40 anos. Durante toda a década de 70 e início da década de 80 exaltou-se com elevada inquietação a capacidade da Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (OPEP) em controlar o mercado internacional de Petróleo.

O embargo da Organização dos Países Produtores e Exportadores Árabes de Petróleo (OAPEC) às principais nações ocidentais em 1973 e os efeitos da Revolução Iraniana sobre o preço do petróleo em 1979 legitimaram e impeliram discursos inflamados sobre segurança energética em diversas nações. Nos EUA, o celebre discurso proferido pelo então presidente Jimmy Carter em 15 de julho de 1979, conhecido como A Crise de Confiança (A Crisis of Confidence), deixa clara a preocupação norte-americana sobre sua dependência em relação ao petróleo do Oriente Médio. Leia o resto deste post »

Preços internacionais do petróleo: principais impactos da recente queda de preços

In petróleo on 15/02/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder022016Desde o início do século XXI, o mercado internacional do petróleo tem confirmado uma de suas principais características: a dificuldade de antecipação do comportamento dos preços. Historicamente, períodos de estabilidade são raros e constituem a exceção; a volatilidade é a regra desse mercado. Várias flutuações de preços, com altas e quedas expressivas, podem ser aqui lembradas.

A virada do século foi marcada, após um longo período de baixos preços do petróleo entre 1986 e 1999, por uma trajetória ascendente, atingindo recordes históricos, em termos nominais, em 2008, ultrapassando a barreira dos US$ 140 por barril e retornando a patamares inferiores a US$ 30 por barril no início de 2016.

Não obstante a queda recente de preços ter sido muito expressiva e rápida, saindo de US$ 100 para cerca de US$ 30 em dezoito meses, este episódio é apenas um a mais a ser registrado e interpretado. De fato, a história do petróleo permanece sendo escrita pelo jogo dos fundamentos técnicos, geológicos, geopolíticos e econômicos que contribuem para explicar tais flutuações. Leia o resto deste post »

Estabilidade e volatilidade no mercado global de petróleo

In petróleo on 26/01/2015 at 00:15

canalGEENo final do ano passado, o Grupo de Economia da Energia em parceria com o Centro de Estudos sobre Política Energética Global da Universidade de Columbia realizaram no Rio de Janeiro o seminário “The Changing Global Energy Landscape: Impacts for Brazil”.

O seminário contou com a participação de dois fundadores do centro americano: Robert McNally e Jason Bordoff. O primeiro foi assessor de energia do presidente George Bush e o segundo, atual diretor do Centro, foi assessor do presidente Barack Obama.

Apresenta-se a seguir um conjunto de vídeos reunindo a palestra de Robert MacNally – Stability and Volatility in the Global Oil Market – e entrevistas com profissionais presentes no seminário e  com McNally e Bordoff.

Um resumo do seminário pode ser encontrado na postagem “A transformação do panorama global do petróleo e do gás e os impactos sobre o Brasil”.

 

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A transformação do panorama global do petróleo e do gás e os impactos sobre o Brasil

In gás natural, petróleo on 24/11/2014 at 00:15

Por Luciano Losekann e Edmar de Almeida

???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Em 12 de Novembro último, com o apoio do IBP, foi realizado no Rio de Janeiro o seminário “The Changing Global Energy Landscape: Impacts for Brazil”. Fruto da parceria entre o Grupo de Economia da Energia e a Columbia University, o seminário contou com a participação de dois especialistas americanos[1] importantes: Robert McNally e Jason Bordoff. Os dois são fundadores do Center on Global Energy Policy, sendo que o primeiro foi assessor de energia do presidente George Bush e o segundo, atual diretor do Centro, foi assessor do presidente Barack Obama.

O seminário ocorreu em um momento bastante oportuno. O panorama global dos mercados de petróleo e gás natural se alterou fortemente nos últimos meses. Após um período anormal de calmaria nos preços entre 2011 e 2014, os preços do petróleo caíram fortemente e o futuro aponta para maior volatilidade dos preços. A revolução do shale gas agora terá impactos além das fronteiras dos Estados Unidos, tanto diretamente, via as exportações americanas de GNL, quanto indiretamente, mediante a difusão junto a outros países da tecnologia de produção de óleo e gás não convencionais. O novo panorama tem fortes implicações para o Brasil, que necessita realizar pesados investimentos para desempenhar papel mais relevante na indústria de petróleo.

Mudança no Panorama dos Preços do Petróleo

A palestra de Robert McNally, “Estabilidade e Volatilidade do Mercado internacional de petróleo – Passado, Presente e Futuro”, buscou identificar os determinantes da volatilidade dos preços do petróleo e prever a tendência futura para o mercado. No histórico da indústria de petróleo, podem ser observados períodos de elevada volatilidade e de estabilidade. A volatilidade está associada às forças de mercado, num contexto de baixas elasticidades de oferta e demanda.

Como os custos mais representativos são fixos, a oferta responde pouco a variações de preço. Pelo lado da demanda, o consumidor não encontra substituto de escala global para gasolina e também responde pouco a variações de preço no curto prazo. Assim, sem a atuação de coordenação para a estabilização, pequenas oscilações de oferta e demanda têm grande impactos nos preços. Leia o resto deste post »

A produção iraquiana de hidrocarbonetos e as suas perspectivas de expansão

In gás natural, petróleo on 13/05/2013 at 00:15

Por Felipe Imperiano

imperiano052013O Iraque, historicamente, é um player importante na indústria mundial de petróleo. Ele foi membro fundador da OPEP e um dos primeiros a nacionalizar suas reservas, em 1961. Adicionalmente, a sua política de exportação de petróleo foi, por mais de 30 anos, elemento chave na formação do preço e oferta mundiais.

O país tem a quinta maior reserva provada de petróleo e a décima terceira de gás natural e bom potencial para novas descobertas (IEA, 2012). Especialistas estimam que, com a retomada dos investimentos, as reservas provadas iraquianas poderiam rapidamente atingir cerca de 200 bilhões de barris[i]. Só em 2011, as reservas provadas de petróleo e gás cresceram respectivamente 24,4% e 13,1% (BP, 2012). Isso marca um contraponto com as décadas de 1990 e 2000, como pode ser visto no Gráfico 1, quando as reservas provadas de petróleo e gás se mantiveram relativamente estáveis em virtude de baixos investimentos, conflitos armados e sanções econômicas. 

Gráfico 1: Reservas provadas de petróleo e gás iraquianas entre 1980 e 2011

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Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da (BP, 2012)

Todas as reservas iraquianas são onshore. Comparado com outras regiões produtoras mundiais, a geologia iraquiana é relativamente simples e seus custos são bem inferiores, o que traz grandes economias de escala para a produção no país (IEA, 2012). O CAPEX de um projeto de desenvolvimento de um novo super campo no Iraque é entre 81% e 86% menor do que o de um campo no Pré-Sal, enquanto o OPEX pode ser até 100% inferior, por exemplo (IEA, 2012). Leia o resto deste post »

A independência energética americana

In energia on 30/01/2012 at 00:14

Por Ronaldo Bicalho

Em um curto período de uma semana, no final de Outubro do ano passado, três grandes jornais anunciaram que os Estados Unidos estavam a um passo de alcançar a sua independência energética.

Se no New York Times as novas tecnologias redesenhavam o quadro energético mundial, no Washington Post nascia uma nova ordem petrolífera mundial, enquanto que no Financial Times o pendulo energético mudava o seu curso e passava a apontar na direção da independência petrolífera americana.

Por trás das boas novas encontravam-se os avanços na produção de petróleo e gás não convencionais – das areias betuminosas do Canadá à revolução mundial do shale gás – e na exploração offshore em águas profundas – do Golfo do México às costas brasileiras e africanas – que colocavam à disposição do ocidente um volume significativo de hidrocarbonetos que redesenharia completamente o mapa energético mundial; em detrimento do oriente médio, que perderia a sua relevância no suprimento da energia ocidental. Leia o resto deste post »

Impactos da alta dos preços do petróleo: a acumulação de renda petrolífera nos países da OPEP

In petróleo on 02/05/2011 at 00:10

Por Helder Queiroz *

Na postagem sobre a crise política no mundo árabe e seus efeitos sobre o mercado internacional do petróleo foi destacado que a volatilidade dos preços permaneceria como resultado das fontes de incerteza. Estas estão associadas à instabilidade política nos países árabes e à necessidade de recomposição das relações geopolíticas estabelecidas entre países produtores e importadores de petróleo.

Cabe examinar, ao fim do primeiro quadrimestre do ano de 2011, algumas das consequências da permanência das condições de volatilidade e preços altos no mercado internacional do petróleo.

Três aspectos fortemente interdependentes merecem ser destacados e qualificados. Leia o resto deste post »

A crise no mundo árabe e o preço do petróleo

In petróleo on 28/02/2011 at 00:15

Por Helder Queiroz

A  atual crise política no mundo árabe já provoca sobressaltos no mercado internacional do petróleo. Após o agravamento da crise na Líbia, país integrante da OPEP e com produção de cerca de 1,5 milhões de barris, os preços internacionais do óleo bruto subiram de forma significativa, nos últimos dias, atingindo o patamar de US$ 108 para o barril do óleo do tipo Brent.

O grau de incerteza nos mercados e a consequente volatilidade dos preços tendem a ser ampliados nos próximos dias, dado que é praticamente impossível prever quais serão as consequências políticas e econômicas da crise na Líbia, mas sobretudo sobre eventuais desdobramentos em outros países da OPEP.

Desse modo, o maior receio dos agentes que operam nesse mercado diz respeito à possibilidade de ruptura da oferta. Nessas condições de incerteza, o mercado futuro do petróleo fica ainda mais ativo, multiplicando-se significativamente o número de transações, retroalimentando a tendência de alta. Esse aspecto não é particularmente novo. Em meados de 2008, os preços atingiram o patamar de US$ 145 e recuaram para praticamente a metade desse valor no final daquele ano. Leia o resto deste post »