Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘P&D’

Por que as primeiras plantas comerciais de etanol 2G são quase experimentais?

In biocombustíveis, etanol on 19/10/2016 at 12:14

Por José Vitor Bomtempo e Gustavo Soares (*)

vitor102016Numa postagem anterior, “A chegada do etanol 2G, um passo importante para a inovação em bioeconomia”, destacamos o início de operação das primeiras plantas comerciais. Quase 2 anos depois, essa primeira geração de plantas ainda enfrenta dificuldades operacionais importantes. Tem sido difícil para os pioneiros estabilizar a produção e operar regularmente.

Nesta postagem, examinamos essa situação e tentamos entender porque as primeiras plantas comerciais de etanol 2G são quase experimentais. Achamos que uma clara compreensão do problema é importante em diversos aspectos. Permite que as estratégias tecnológicas das empresas e as políticas públicas de financiamento à inovação se alinhem. Além disso, do ponto de vista da construção da bioeconomia, pode nos ajudar a entender a complexidade do projeto de utilização da biomassa como matéria-prima para a produção de bioenergia, bioprodutos e materiais.

Este texto discute, com base nos princípios da economia da inovação, a natureza dos problemas enfrentados pelas primeiras plantas comerciais da chamada nova indústria biobased e em particular examina o caso do etanol 2G. O argumento desenvolvido traz como conclusão a visão de que, em alguns casos, as primeiras plantas em indústrias emergentes devem ser vistas como um estágio avançado do próprio processo de desenvolvimento. Assim, a primeira geração das plantas de etanol 2G, inauguradas nos últimos três anos, são efetivamente estágios experimentais que exigem ainda esforços específicos de P&D para atingirem estágios operacionais regulares. Continue lendo »

O papel do Estado na construção de uma economia de baixo carbono

In energia on 31/08/2015 at 21:42

Por Diogo Lisbona Romeiro

diogo082015A emergência de uma economia de baixo carbono apresenta-se como a próxima provável revolução tecnológica a ser deslanchada. Desde a Revolução Industrial, os sucessivos paradigmas tecnológicos calcaram-se na utilização crescente de combustíveis fósseis. Em 2013, 80% da demanda energética mundial foi atendida por petróleo, gás natural e carvão (IEA, 2015). O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) atribui grande parte da elevação de 0,85º C da temperatura mundial média, em relação ao nível pré-industrial, às emissões de gases de efeito estufa decorrentes da atividade humana (IPCC, 2014).

Estudos reunidos pelo IPCC apontam que a elevação de 2º C acima do nível pré-industrial poderá implicar em sérias consequências ambientais, como o aumento da ocorrência de temperaturas extremas e a elevação do nível dos oceanos. A redução urgente e significativa das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa é entendida como a única saída para evitar a elevação da temperatura mundial e a consequente ocorrência de catástrofes ambientais. Acredita-se que, para tanto, o nível de dióxido de carbono na atmosfera, estimado em 270 partes por milhão (ppm) na era pré-industrial e registrado em 400 ppm atualmente, não deva ultrapassar 450 ppm.

Em 2010, na 16ª Convenção das Partes, signatárias da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Cancun (COP16), foi formalizada a meta de manter o aquecimento global inferior à elevação de 2º C ao nível pré-industrial. Espera-se que na COP21, a ser realizada em dezembro de 2015 em Paris, os países se comprometam formalmente a reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa. Continue lendo »

O carro do futuro III: comparando políticas de incentivos – Japão, França e Estados Unidos

In energia on 25/08/2014 at 00:15

Por Michelle Hallack e Eduardo Guimarães (*)

michelle082014Na busca por um carro/combustível do futuro o carro elétrico certamente é uma das grandes apostas. Dentre os pontos positivos do carro elétrico vale ressaltar as questões relacionadas à emissão de CO2 (obviamente, se o parque gerador de eletricidade for baseado em fontes não, ou pouco, poluentes). Ademais, esta tecnologia não está atrelada a um recurso energético específico, podendo se basear em matriz heterogênea de acordo com as especificidades de cada país.  Atualmente, apesar do estoque de carros elétricos ainda ser pouco representativo o crescimento das vendas e multiplicação recente de políticas de incentivos apontam para uma crescente importância do carro elétrico.

As políticas públicas podem ser justificadas de diversas formas, entre elas: (1) as externalidades ambientais (em âmbito local – qualidade do ar urbano, como também global – efeito estufa); (2) as economias de rede (visto a relação com a indústria elétrica); e (3) os potenciais spillovers [1] tecnológicos no desenvolvimento de baterias (que é um dos fatores chaves para o desenvolvimento do carro elétrico (YOUNG et al. 2013).  A outra face da diversidade das motivações é o grande leque de políticas públicas que pode ser observado internacionalmente.

Abordaremos neste artigo, as políticas públicas em três países: França, Japão e Estados Unidos que, como chamamos atenção no  primeiro artigo da série, são os países que historicamente possuem o maior estoque de carros elétricos. No que se refere às políticas norte-americanas o estudo será focado no estado da Califórnia, visto que grande parte das políticas são estaduais e com grande heterogeneidade. A escolha da Califórnia se deve a sua importância no mercado de carros nos Estados Unidos, e por possuir o maior estoque de carros elétricos e o maior número de postos de recarga (EIA, 2014; CCSE, 2013). A título de ilustração, em outubro de 2013 os EUA tinham comercializado em torno de 140 mil unidades de veículos elétricos. Deste total, 50 mil unidades foram comercializadas na Califórnia. Continue lendo »

O futuro dos biocombustíveis XII – As novas empresas da bioindústria e o Brasil: comparando Amyris, Solazyme e LS9 *

In biocombustíveis on 14/05/2012 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo e Flávia Chaves Alves

Os resultados do Plano Conjunto BNDES-Finep de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS)  são muito interessantes para se compreender o processo de desenvolvimento da bioindústria no Brasil. Um dos pontos que saltam aos olhos ao consultar a relação das empresas selecionadas é a presença de start ups americanas que estão realizando ou pretendem realizar investimentos no Brasil para desenvolver seus projetos de inovação. Esse fenômeno foi mencionado na nona postagem dessa série. Apresentamos hoje uma reflexão inicial de uma pesquisa em andamento que tem por objetivo entender a natureza desse processo na construção da bioindústria e sua relação com a inovação no Brasil.

Fizemos uma comparação entre três importantes start ups da bioindústria – Amyris, Solazyme e LS9 – que estão desenvolvendo parte de seus projetos de inovação no Brasil e tiveram seus planos de negócios selecionados pelo PAISS. Continue lendo »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências III

In gás natural, petróleo on 02/01/2012 at 00:15

Por Thales Viegas

As duas primeiras postagens a respeito de E&P em águas profundas (*) caracterizaram essa atividade nos âmbitos global e nacional. Aspectos como a importância e a atratividade desse negócio podem ser apontadas como fatores que contribuíram para o aumento dos investimentos, das descobertas e da produção no âmbito offshore em grandes profundidades.

No presente texto será discutido o processo de aprendizagem tecnológico e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados pelas empresas de petróleo. O objetivo é motivar a reflexão a cerca do surgimento e da consolidação de novas tecnologias. É também demonstrar que o aumento dos esforços inovativos das petroleiras apontam para uma busca crescente por capacitação tecnológica, como forma de compensar os custos crescentes.

No entanto, a maturidade de um conjunto de tecnologias e o seu domínio pelos agentes é um processo que requer prática e tempo. Nesse contexto, cabe analisar alguns dos limites e das oportunidades tecnológicas que surgiram ao longo do desenvolvimento das competências para operação em águas profundas, com destaque para o caso do pré-sal. Continue lendo »