Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘pobreza energética’

Preço de combustíveis no Brasil: Evolução recente e papel do Estado

In petróleo on 03/05/2018 at 13:35

Por Luciano Losekann

luciano052018Desde a implantação da nova política de preços para combustíveis da Petrobras, em julho de 2017, os preços dos combustíveis no Brasil são alinhados aos preços internacionais no curto prazo. Recentemente, dois fatos relacionados a essa situação tiveram destaque na imprensa: a escalada de preços da gasolina e diesel e a substituição do GLP por lenha em residências brasileiras.

No mês de abril, o preço do diesel subiu 12% nas refinarias e o da gasolina, 7%. Segundo os dados divulgados pela ANP, os preços médios do litro do diesel e da gasolina nos postos de abastecimento brasileiros alcançaram R$ 3,47 e R$4,23 na última semana de abril. A alta foi impulsionada pela elevação do preço internacional do petróleo com a tensão no Oriente Médio em decorrência do bombardeamento da Síria, o barril do Brent fechou o mês a US$ 75, e pela valorização do dólar frente ao real, que alcançou 6,2% no mês de abril.

Ainda que a alta dos preços combustíveis não seja uma novidade nesse novo contexto, chama a atenção a sua disparidade com os demais preços da economia. Os indicadores já disponíveis apontam para uma inflação entre 0,2% e 0,3% em abril. Continue lendo »

As dimensões ocultas da pobreza energética: A relação entre furto, qualidade da energia e segurança pública na cidade do Rio de Janeiro

In energia elétrica on 02/03/2018 at 14:38

Por Edmar de Almeida, Luciano Losekann, Yormy Eliana Melo (*) e Alexandre Mejdalani (*) 

luciano032018A literatura de economia da energia usualmente destaca dois aspectos da pobreza energética, o acesso a fontes energéticas modernas e a capacidade de pagamento. O problema de acesso à energia ainda é significativo em países de renda baixa, como na África Subsaariana.  As metrópoles latino americanas, em particular o Rio de Janeiro, tem elevada universalização dos serviços e a pobreza energética não é apenas um problema de incapacidade de pagamento. Nessas zonas urbanas com desigualdade de renda, baixa presença do Estado e controle territorial de organizações criminosas, o abastecimento de energia pode ser insuficiente ou comprometer parcela excessiva da renda.

Segundo os indicadores da Agência Internacional de Energia, 95% dos domicílios latino americanos contam com acesso à eletricidade (IEA, 2017). No entanto, problemas socioeconômicos e institucionais implicam baixa qualidade do suprimento. Ligações clandestinas e domínio criminoso dificultam a manutenção das instalações pelas concessionárias de distribuição, causando interrupções frequentes e duradoras do serviço. Continue lendo »

Pobreza energética, bem-estar e desigualdade

In energia, Uncategorized on 14/03/2016 at 00:15

Por Michelle Hallack e Beatriz Marcoje (*)

michelle032016Este texto busca analisar a questão da pobreza energética a partir da perspectiva do consumo de energia elétrica como meio de garantir o bem-estar dos indivíduos. Identificaremos neste texto como uma definição restrita de pobreza pode motivar um desenho pouco adaptado de políticas de pobreza. Em particular, mostramos como políticas estruturadas sobre a ideia de que a pobreza energética está associada a um baixo consumo de energia (a qual é a hipótese sobre a que se constroem as políticas de pobreza energética no Brasil) não serão suficientemente efetivas.

O excesso de calor é reconhecido como um vilão para a saúde, podendo causar diversos efeitos negativos. O corpo humano mantém sua temperatura interna em torno de 37ºC. Frequentemente, um aumento da temperatura significa um aumento da irritabilidade, menor capacidade de concentração, diminuição da capacidade de trabalhar, alterações nos batimentos cardíacos e na pressão. Quando o ambiente esquenta o corpo tende a esquentar também, mas o “termostato” corporal trabalha para diminuir esta temperatura. A capacidade do corpo em manter a temperatura, os efeitos do trabalho de resfriamento corporal e os efeitos de uma maior temperatura diferem de pessoa para pessoa. Normalmente, as pessoas mais velhas, crianças e pessoas com condições especiais de saúde (problemas cardíacos, obesidade, problemas mentais …) são mais suscetíveis ao excesso de calor. Já em 1982, Kalkstein e Valimont (1982) chamam a atenção para os problemas do calor na saúde humana: o trabalho sublinha que nos Estados Unidos as ondas de calor tinham mais impacto na mortalidade que as ondas de frio. Continue lendo »

Pobreza energética e aquecimento urbano

In energia on 12/10/2015 at 18:39

Por Michelle Hallack e Beatriz Marcoje(*)

michelle102015As interações entre as questões relativas ao meio ambiente e a pobreza energética podem ser agregadas em pelo menos três grupos: (1) impacto da temperatura urbana demandando maior gasto de energia; (2) políticas contra pobreza mal formuladas impactando negativamente na ineficiência energética e (3) políticas de eficiência energética e renováveis impactando no preço de energia.

A questão da pobreza energética em países subdesenvolvidos é principalmente discutida no contexto do acesso à eletricidade de agentes desconectados a rede (como o do programa luz para todos e eletrificação rural) e nos países de baixas temperaturas é referente ao custo de aquecimento das residências. Por conta desta última preocupação, muitas vezes sua definição está correlacionada com o aquecimento. Alguns países europeus, como Inglaterra, Alemanha e França, avançaram de forma significativa nesta discussão e por isso, são muitas vezes fontes das definições e estatísticas observadas na literatura.

Neste contexto, o custo relativo de manter a moradia em uma temperatura considerada confortável aos agentes é considerado um elemento chave nesta definição. Entretanto, cada vez mais essa discussão vem se estendendo para além dos países frios, visto que o calor, assim como o frio, traz queda do bem-estar e pode trazer malefícios à saúde humana. Diferentemente dos países frios, nos países subdesenvolvidos, a pobreza energética muitas vezes é vista como um problema de falta de interconexão das famílias as redes. E a discussão acaba se limitando ao potencial acesso das famílias a rede e não a efetiva capacidade econômica das mesmas em acessar serviços que permitam uma qualidade de vida adequada. Continue lendo »