Grupo de Economia da Energia

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Política energética norte-americana: limites internos à reversão

In energia on 13/11/2017 at 00:15

Por Yanna Clara Prade e Diogo Lisbona Romeiro (*)

yanna112017A política energética nos Estados Unidos está passando por um momento de inflexão delicado. Os anúncios do Governo Trump vão em direção contrária às políticas estabelecidas no Governo Obama, como discutido por Queiroz & Febraro (2017). Além do anúncio de retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que só pode ser efetivada em 2020, e da revogação do Clean Power Plan, o Governo americano agora busca criar mecanismos para subsidiar o carvão.

O compromisso firmado na COP21 pelos Estados Unidos previa redução, até 2025, de 26% a 28% do nível de emissão registrado em 2005. O Clean Power Plan sinalizava os esforços norte-americanos nesta direção, ao estabelecer limites de emissões para as centrais elétricas e definir metas específicas para os estados, com liberdade para elaborar seus planos de ação, prevendo aumento de 30% da geração de fontes renováveis até 2030. As políticas estabelecidas impactavam principalmente a utilização de carvão para geração elétrica, penalizando a sua contribuição para emissão de gases de efeito estufa. O deslocamento do carvão na matriz norte-americana, no entanto, já está em curso com a revolução do shale gas e com a redução significativa dos custos da eólica e solar. Continue lendo »

Setor de energia norte-americano: avaliação da administração Obama e da agenda de política energética da administração Trump

In energia on 09/08/2017 at 00:15

Por Helder Queiroz e Julia Febraro (*)

helder072017No atual contexto de transição energética e combate às mudanças climáticas, determinados países se destacam em importância e peso das decisões de política energética. A posição de segundo maior consumidor de energia e também de segundo maior emissor de gases causadores de efeito estufa (GEE) torna os Estados Unidos cruciais nas dinâmicas energética e ambiental global.

Em especial na última década, o setor de energia norte-americano passou por grandes transformações estruturais dentre as quais destacam-se : i) aumento da produção doméstica de petróleo e gás natural, especialmente a partir dos reservatórios não convencionais (shale gas, tight oil…); ii) decorrente do ponto anterior, redução importações de petróleo bruto; iii) maior geração de eletricidade a partir de fontes renováveis como eólica e solar, e iv) fruto dos ganhos de eficiência, manutenção do patamar do consumo total de eletricidade e redução do consumo de petróleo.

Tais transformações podem ser confirmadas a partir da análise do comportamento de três indicadores. O primeiro indicador analisado é o de emissões. A partir de 2008, as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) começaram a declinar e atingiram, em 2014, um nível 8,6% inferior a 2005 e 5% inferior a 2008. A observação do gráfico a seguir deixa clara a tendência de queda iniciada em 2008 e, nota-se que, após este ano, os valores das emissões não voltaram a ultrapassar os 7.000 MMt CO2 equivalente, valor que persistiu durante toda a década de 2000 (gráfico 1). Continue lendo »