Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘política tecnológica’

Bioeconomia em construção XI – O desafio de desenhar políticas para o desenvolvimento da bioeconomia no Brasil: quais as dimensões chave?

In biocombustíveis on 04/04/2017 at 12:27

Por José Vitor Bomtempo

untitledMovimentos recentes parecem colocar, finalmente, a bioeconomia no centro das discussões no Brasil. O MCTIC está conduzindo um grupo de trabalho que busca definir uma agenda de iniciativas para o desenvolvimento da bioeconomia no Brasil. O SEBRAE também está construindo, no âmbito dos pequenos negócios, a definição de um termo de referência para orientar a sua atuação na bioeconomia.

No cenário internacional, sob a coordenação do Brasil, foi lançada na COP22, em Marrakesh, em dezembro do ano passado, a plataforma biofuturo. Essa plataforma reúne 20 países, entre eles Brasil, EUA, China, Índia, Canadá, França e Itália, que pretendem criar e desenvolver um espaço de cooperação internacional para o desenvolvimento da bioeconomia. O documento de lançamento da plataforma assume a noção de bioeconomia como norte e busca um futuro sustentável para a produção de energia, combustíveis, químicos, materiais e outros produtos que possam valorizar a exploração dos recursos renováveis.

Nesta postagem reafirmamos o interesse da bioeconomia como um espaço privilegiado para a inserção competitiva do Brasil no cenário internacional e, revendo a literatura recente, lançamos um olhar inicial sobre as dimensões chave que as políticas para o desenvolvimento da bioeconomia devem considerar. Leia o resto deste post »

O papel do Estado na inovação: o não convencional nos EUA e o Pré-sal no Brasil

In gás natural, petróleo on 07/11/2016 at 00:15

Por Yanna Clara Prade (*)

yanna112016Desde o início dos anos 2000, os Estados Unidos vêm experimentando uma revolução energética através da exploração e produção de recursos não convencionais. O shale boom se deve à melhoria de técnicas de perfuração e novas tecnologias, as quais tornaram os recursos não convencionais viáveis economicamente. Os recursos não convencionais vêm sendo estudados desde a década de 1970, mas apenas na virada do século a produção dos não convencionais ganhou escala devido ao sucesso das novas tecnologias, resultando em um significante aumento da produção de petróleo e gás do país.

Em paralelo, temos outro caso de sucesso tecnológico na indústria de petróleo, com as descobertas dos recursos do Pré-sal em 2006, fruto da melhoria tecnológica das sísmicas, que permitiu a visualização dos recursos que se encontravam além da camada de sal, a profundidades jamais exploradas ou conhecidas. Com a descoberta de uma das maiores jazidas de petróleo do mundo, o Brasil e, mais especificamente, a Petrobras vem buscando superar as dificuldades tecnológicas de exploração em águas ultra profundas com as especificidades do Pré-sal, tornando-se um case de sucesso mundialmente reconhecido. Leia o resto deste post »

Por que as primeiras plantas comerciais de etanol 2G são quase experimentais?

In biocombustíveis, etanol on 19/10/2016 at 12:14

Por José Vitor Bomtempo e Gustavo Soares (*)

vitor102016Numa postagem anterior, “A chegada do etanol 2G, um passo importante para a inovação em bioeconomia”, destacamos o início de operação das primeiras plantas comerciais. Quase 2 anos depois, essa primeira geração de plantas ainda enfrenta dificuldades operacionais importantes. Tem sido difícil para os pioneiros estabilizar a produção e operar regularmente.

Nesta postagem, examinamos essa situação e tentamos entender porque as primeiras plantas comerciais de etanol 2G são quase experimentais. Achamos que uma clara compreensão do problema é importante em diversos aspectos. Permite que as estratégias tecnológicas das empresas e as políticas públicas de financiamento à inovação se alinhem. Além disso, do ponto de vista da construção da bioeconomia, pode nos ajudar a entender a complexidade do projeto de utilização da biomassa como matéria-prima para a produção de bioenergia, bioprodutos e materiais.

Este texto discute, com base nos princípios da economia da inovação, a natureza dos problemas enfrentados pelas primeiras plantas comerciais da chamada nova indústria biobased e em particular examina o caso do etanol 2G. O argumento desenvolvido traz como conclusão a visão de que, em alguns casos, as primeiras plantas em indústrias emergentes devem ser vistas como um estágio avançado do próprio processo de desenvolvimento. Assim, a primeira geração das plantas de etanol 2G, inauguradas nos últimos três anos, são efetivamente estágios experimentais que exigem ainda esforços específicos de P&D para atingirem estágios operacionais regulares. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção IX – Os desafios da bioeconomia no Brasil: explorando algumas questões-chave

In biocombustíveis on 11/07/2016 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo, Flavia Alves e Fábio Oroski

vitor072016Matérias-primas no Brasil: foco nas culturas tradicionais ou diversificação de fontes?  Como montar um portfólio de bioprodutos? Qual o papel dos produtores de biocombustíveis no desenvolvimento da bioeconomia? E o papel das startups e empresas estabelecidas? As políticas de demanda de biocombustíveis podem e devem ser estendidas para bioprodutos e bioplásticos? O Brasil precisa de uma estratégia estruturada em bioeconomia? São muitas e complexas questões que exigiriam mais do que uma postagem para discuti-las com alguma profundidade. Mas achamos que vale colocá-las como pontos de reflexão.

Nas últimas semanas, o nosso Grupo de Estudos em Bioeconomia realizou a primeira edição de um programa de capacitação em Bioeconomia e Inovação. O programa teve 40 horas de duração e foi desenvolvido com o objetivo de apresentar e discutir, na perspectiva da bioeconomia, a dinâmica tecnológica e de inovação que envolve a formação da indústria baseada em matérias-primas renováveis. Procuramos identificar os atores-chave envolvidos na bioeconomia e discutir suas estratégias e políticas. A perspectiva adotada nas sessões foi de buscar sempre uma visão global da bioeconomia. Ao final, foi feito um exercício de trazer algumas questões para o âmbito brasileiro e colocá-las em discussão com os participantes. Essa discussão ilustra de certa forma os desafios que se colocam para o desenvolvimento da bioeconomia no país. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção VIII – O potencial inovador das trajetórias baseadas em recursos naturais: a vida fora do high tech

In biocombustíveis on 11/04/2016 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor042016

A bioeconomia envolve o uso de recursos biológicos renováveis que são convertidos em energia, produtos e materiais. O uso de matérias-primas renováveis, de biomassa de diversas origens, tem para a construção dos diversos setores da bioeconomia uma importância fundamental. É o caso, por exemplo, dos segmentos de bioenergia, produtos químicos e materiais derivados da biomassa, a chamada biobased industry.

A posição brasileira na produção desses recursos – cana de açúcar, culturas agrícolas, florestas para papel e celulose – gera uma oportunidade de aproveitamento desses insumos para a construção de uma forte indústria biobased. Mas qual o potencial inovador dessa trajetória baseada em recursos renováveis? O discurso da capacitação tecnológica e inovadora é frequentemente reticente em relação às trajetórias baseadas em recursos naturais. A capacitação inovadora dos países emergentes costuma ser vista como um esforço de alcance do nível de capacitação dos países desenvolvidos nos segmentos dinâmicos da indústria. É o famoso processo catching-up que nas últimas décadas tem o exemplo coreano como o case exemplar. Trajetórias baseadas em recursos naturais seriam então a princípio limitadas para a geração de capacitação inovadora de ponta para o país. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção VII – Por que as oportunidades de inovação no setor sucroenergético não são exploradas?

In biocombustíveis on 09/11/2015 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo, Daniella Fartes e Flávia Alves

vitor112015Na construção da bioeconomia, a capacidade de inovação está no centro das políticas e estratégias. Nas postagens anteriores desta série, discutimos diversas vezes a definição de uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil, destacando a importância das políticas e das iniciativas estratégicas de uma variedade de atores. Uma conclusão central da nossa visão tem sido que a agenda dos biocombustíveis deve evoluir na direção de incorporar uma lógica de bioeconomia e não se ater apenas a uma lógica ligada ao mercado de combustíveis. Não que essa lógica seja mais simples ou menos desafiadora. Mas a construção da economia biobased que está em curso exige a incorporação de conceitos econômicos, ambientais e sociais que só podem ser atingidos com agendas mais integradoras como as pretendidas pela bioeconomia.

Nesse processo de construção da bioeconomia, como o setor sucroenergético brasileiro, que se tornou uma referência mundial em biocombustíveis, tem visto as suas próprias oportunidades de inovação? Os produtores e os agentes do sistema de produção e inovação sucroenergético reconhecem essas oportunidades? Que dificuldades identificam para explorá-las? Faltam conhecimento e tecnologia? Ou a limitação decorre de um ambiente institucional pouco propício às iniciativas de inovação?

Explorando essas questões, foi defendida recentemente na Escola de Química da UFRJ uma dissertação de mestrado:  Oportunidades de Inovação no Setor Sucroenergético. A dissertação é o resultado da pesquisa de mestrado de Daniella Fartes realizada sob a orientação de José Vitor Bomtempo e Flávia Alves. Discutimos nesta postagem os principais resultados do trabalho. Leia o resto deste post »

O papel do Estado na construção de uma economia de baixo carbono

In energia on 31/08/2015 at 21:42

Por Diogo Lisbona Romeiro (*)

diogo082015A emergência de uma economia de baixo carbono apresenta-se como a próxima provável revolução tecnológica a ser deslanchada. Desde a Revolução Industrial, os sucessivos paradigmas tecnológicos calcaram-se na utilização crescente de combustíveis fósseis. Em 2013, 80% da demanda energética mundial foi atendida por petróleo, gás natural e carvão (IEA, 2015). O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) atribui grande parte da elevação de 0,85º C da temperatura mundial média, em relação ao nível pré-industrial, às emissões de gases de efeito estufa decorrentes da atividade humana (IPCC, 2014).

Estudos reunidos pelo IPCC apontam que a elevação de 2º C acima do nível pré-industrial poderá implicar em sérias consequências ambientais, como o aumento da ocorrência de temperaturas extremas e a elevação do nível dos oceanos. A redução urgente e significativa das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa é entendida como a única saída para evitar a elevação da temperatura mundial e a consequente ocorrência de catástrofes ambientais. Acredita-se que, para tanto, o nível de dióxido de carbono na atmosfera, estimado em 270 partes por milhão (ppm) na era pré-industrial e registrado em 400 ppm atualmente, não deva ultrapassar 450 ppm.

Em 2010, na 16ª Convenção das Partes, signatárias da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Cancun (COP16), foi formalizada a meta de manter o aquecimento global inferior à elevação de 2º C ao nível pré-industrial. Espera-se que na COP21, a ser realizada em dezembro de 2015 em Paris, os países se comprometam formalmente a reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção VI – A importância (e a urgência) de se criar uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil

In biocombustíveis on 24/08/2015 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor082015O post anterior desta série foi desenvolvido em torno de uma pergunta: Existe uma agenda de inovação para bioeconomia no Brasil? A resposta foi negativa. Existem estudos e diagnósticos interessantes, existem programas originais em execução, mas não existe uma visão integrada e articulada voltada para a bioeconomia como é o caso de outros países e regiões importantes do mundo. Os programas, estudos e diagnósticos brasileiros tendem a se dirigir a um dos aspectos da questão, mas sempre de forma isolada, às vezes compartimentada, e desconsiderando o conjunto dos desafios e oportunidades da bioeconomia: cana de açúcar, mas não recursos florestais, resíduos urbanos e outras culturas e resíduos; biocombustíveis, mas não bioprodutos; químicos renováveis, mas não biocombustíveis. Isso sem falar nas inter-relações com a produção de alimentos, com a questão ambiental e com a economia circular.

A iniciativa mais importante, até agora, em torno do conceito de bioeconomia foi, a nosso conhecimento, a da CNI/MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação) que realizou três fóruns importantes em 2012, 2013 e 2014, buscando construir uma proposta para o setor. Como resultado, foi elaborado um documento: Bioeconomia, oportunidades, obstáculos e agenda como sugestão ao debate por ocasião das eleições de 2014. A iniciativa é elogiável e deveria ser ampliada com o envolvimento mais abrangente de interlocutores. A agenda de desenvolvimento da bioeconomia para o Brasil identifica três dimensões básicas: biotecnologia industrial, setor primário e saúde humana. Propõe que o Estado priorize ações que possam se constituir como uma plataforma única. Essa plataforma, conjugada com ações específicas para cada área, poderá gerar, segundo a CNI, importantes resultados científicos, tecnológicos e empresariais, traduzidos em benefícios sociais, econômicos e ambientais para o país. O documento é um excelente ponto de partida e deve ser colocado na perspectiva das discussões e iniciativas que se multiplicam atualmente. Leia o resto deste post »

Energia nuclear nos BRICS

In energia nuclear on 22/06/2015 at 00:15

Por Leonam dos Santos Guimarães (*)

leonam062015É inequívoca a importância estratégica do Brasil se manter ativo na exploração dos usos pacíficos da energia nuclear, expandindo seu domínio tecnológico e capacidade industrial instalada nos diversos setores associados, como produção de radioisótopos para medicina e indústria, produção de combustível nuclear, propulsão nuclear naval e geração elétrica nuclear. Para isso, a cooperação dentro dos BRICS desponta como uma excelente oportunidade.

Um aspecto pouco discutido sobre os BRICS é o fato de todos os cinco países terem uma indústria nuclear desenvolvida. Esse aspecto comum é pouco explorado nas discussões sobre as relações internas do grupo e externas, do grupo com o resto do mundo.

A geração elétrica nuclear faz parte da matriz energética de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul com diferentes graus de contribuição. Somado, o parque de geração nuclear do BRICS monta a 86 usinas em operação (2 no Brasil, 34 na Rússia, 27 na China, 21 na Índia e 2 na África do Sul), o que representa 20% do parque mundial. O grupo também tem 40 usinas em construção (1 no Brasil, 24 na China, 6 na Índia e 9 na Rússia), o que representa 60% das futuras usinas a entrarem em operação ao longo dessa década. Em termos de geração líquida em 2014, o Brasil produziu 15.385 GW.h de eletricidade nuclear (2,86% do total de geração nacional), a Rússia 169.049 GW.h (18,57%), a Índia 33.232 GW.h (3,53%), a China 130.580 GW.h (2,39%) e a África do Sul 14.749 GW.h (6,20%)[1]. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção V – Existe uma agenda de inovação para a bioeconomia no Brasil?

In biocombustíveis on 01/06/2015 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo e Flávia Alves

vitor062015No primeiro post desta série caracterizamos a bioeconomia como uma indústria em construção que envolve o uso dos recursos biológicos, vegetais e animais, de forma integrada e fortemente relacionada às atividades de produção e consumo de energia, produtos químicos e materiais, mas também alimentos, tanto para uso humano quanto animal. A bioeconomia tem portanto uma amplitude econômica, social e ambiental bem mais larga do que a produção de biocombustíveis e bioprodutos derivados da biomassa.

Essa visão tem se estabelecido e vem sendo discutida e adotada, com interpretações às vezes variadas, nos principais países e regiões. Na Europa, por exemplo, a Bioeconomy Stakeholders Conference, realizada em outubro de 2014, ilustra bem esse esforço de levar em conta os múltiplos interesses e variáveis envolvidos na construção da bioeconomia. O tema central do evento é ilustrativo: “From sectors to system, from concept to reality”. Todas as discussões e apresentações da conferência estão disponíveis aqui.

No detalhado e abrangente relatório Bioenergy and Sustainability: bridging the gaps, coordenado pelo BIOEN/FAPESP e recentemente divulgado, a perspectiva da bioeconomia é destacada e revista no capítulo 20 do trabalho. Na visão do relatório, que envolveu a contribuição de 137 especialistas, a bioeconomia é uma indústria promissora, mas ainda emergente e por isso necessita de políticas que estimulem seu desenvolvimento. O relatório defende ainda que mudanças tecnológicas capazes de reduzir custos e viabilizar a utilização integral da biomassa para alimentos, rações, energia, materiais e químicos são necessárias para aumentar a competitividade da nova indústria. No campo das tecnologias, o desenvolvimento de rotas mais eficientes de conversão da biomassa, em particular as que convertem os materiais lignocelulósicos em combustíveis, químicos e materiais é crítico para proporcionar a transição para uma indústria biobased competitiva. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção II – Os grants e subvenções às empresas: comparando o Biomass Program do DOE e o PAISS do BNDES/FINEP

In biocombustíveis on 30/06/2014 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor062014O título desta série destaca uma dimensão central da indústria baseada em biomassa que não podemos perder de vista em nossas análises: é uma indústria em construção, ainda sem definição clara das dimensões estruturais que caracterizam setores mais maduros. As entradas (e saídas) de novos competidores são numerosas e frequentes e os perfis desses competidores são também variados, de startups de base tecnológica a empresas estabelecidas de diversas origens e indústrias. Novas bases de conhecimento, com destaque para a biologia sintética, desafiam esses competidores que, configurando um cenário de corrida tecnológica, são com frequência apoiados por políticas de inovação.

A estruturação dessas políticas é particularmente notável no caso americano através do Department of Energy (DOE) e do Department of Agriculture (USDA) e no caso europeu através de diversas iniciativas da Comissão Europeia. No Brasil, a iniciativa conjunta BNDES/FINEP, conhecida como PAISS, deslanchada a partir de 2010, pode ser vista como a versão brasileira melhor estruturada, até agora, em políticas de inovação para a bioeconomia. Há estudos em andamento sobre a diversificação da indústria química (BNDES) e sobre as tecnologias prioritárias em química renovável (ABDI/CGEE, dentro do Programa Brasil Maior), mas não resultaram ainda em iniciativas concretas de políticas de inovação.

Um dos mecanismos de apoio às empresas envolvidas no desenvolvimento da bioeconomia tem sido a concessão de grants ou subvenções para as etapas de P&D, da bancada a plantas de demonstração, passando pelas plantas-piloto. Esse mecanismo é recente no Brasil e vem sido utilizado pela FINEP para apoio a diversos setores. As empresas brasileiras entretanto manifestam com frequência queixas quanto à relativa modéstia dos recursos destinados e à forma de concessão da subvenção econômica. Leia o resto deste post »

Bioeconomia em construção I – Os fatores de competitividade na bioeconomia

In biocombustíveis on 31/03/2014 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor032014Esta postagem inicia uma nova série de artigos. A diferença fundamental é que, coerente com a linha de raciocínio que foi sendo desenvolvido ao longo da série O futuro dos biocombustíveis”, a nova série aborda explicitamente a dinâmica de uma indústria em construção. Essa indústria envolve tanto biocombustíveis quanto bioprodutos e biorrefinarias. A indústria, seus produtos e configurações têm sido abarcados no conceito mais amplo de bioeconomia. O que é bioeconomia?

Vínhamos usando o termo bioeconomia na série anterior para designar a inserção da indústria de biocombustíveis num contexto maior, mais complexo e mais próximo das transformações em curso. Mas valeria aqui registrar algumas definições mais conhecidas. Um dos primeiros registros do uso recente do termo é o da OCDE, 2009:

the bioeconomy can be thought of as a world where biotechnology contributes to a significant share of economic output. The emerging bioeconomy is likely to be global and guided by principles of sustainable development and environmental sustainability. A bioeconomy involves three elements: biotechnological knowledge, renewable biomass, and integration across applications.

Dois registros mais recentes complementam e dão mais foco à definição da OCDE. A Comissão Europeia, no documento Innovating for sustainable growth: a bioeconomy for Europe, 2012, define que: Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustíveis XIX – Encerrando a série e continuando o processo de construção da indústria baseada em biomassa

In biocombustíveis on 04/11/2013 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

vitor112013Nas 18 postagens anteriores procuramos discutir a evolução de uma indústria, associando-a a uma ideia de futuro. Na primeira postagem desta série, publicada em março de 2010, terminávamos com algumas perguntas que seriam a base das reflexões dos artigos a seguir:

Como será o amanhã? Que papel o Brasil poderá ter nessa indústria? A posição competitiva em etanol garante uma posição de liderança na indústria de exploração integrada das biomassas do futuro? Como estamos nos preparando para isso nas estratégias empresariais? Além das alianças e joint ventures, que esforços tecnológicos nossas empresas estão empreendendo? Que papel pretendem ter no futuro os atuais produtores de etanol? E a indústria química e petroquímica brasileira? E a PETROBRAS? Que políticas de ciência, tecnologia e inovação estão sendo colocadas em prática pelo MCT? São voltadas para o futuro da indústria e a criação de vantagens competitivas nas novas bases que estão sendo desenvolvidas? Ou são voltadas para a preservação das vantagens competitivas atuais, baseadas na bem sucedida indústria brasileira do etanol?”

Tomávamos como base a premissa de que a indústria de biocombustíveis estava se transformando e se tornando bem diferente da que então conhecíamos. Os produtos não se limitariam a etanol e biodiesel. Novas matérias-primas, novas tecnologias, novos modelos de negócios estavam sendo testados e trazendo em consequência uma transformação importante nas bases estruturais da indústria. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustíveis XVII: Competências para inovar e o futuro da indústria do etanol no Brasil

In biocombustíveis, etanol on 03/06/2013 at 00:10

Por José Vitor BomtempoFlavia Chaves Alves

vitor062013O etanol tem estado em evidência nos últimos meses.  Não tanto pela presença abundante e barata nas bombas como acontecia até 2008/2009. Mas pela discussão das dificuldades recentes do setor e das medidas governamentais para recuperar, ou não, a eficiência e a produtividade aparentemente perdidas. Numa postagem recente, aqui no Blog  Infopetro, Thales Viegas discutiu em detalhe algumas dessas medidas.

Acompanhando os boletins do site novaCana.com pode se ter uma boa perspectiva dos debates em curso: as reivindicações da indústria, as iniciativas do governo e as opiniões de analistas. Muitas questões têm sido colocadas: qual a natureza verdadeira da crise atual do setor?Preços da gasolina? Crise de investimento em decorrência da crise financeira de 2008? Por que a queda de produtividade? Efeito da mecanização? Do regime de chuvas? São suficientes as medidas do governo? O setor perdeu a sua competitividade tão alardeada antes da crise dos últimos 3 anos? Lembre-se que estudos estimavam à época que essa competitividade situava-se em torno de um preço de petróleo a 40 dólares o barril! Para uma discussão do custo de produção e da competitividade do etanol em relação ao preço do petróleo, na perspectiva de 2007, pode-se ver o estudo de Almeida, Bomtempo e Silva, publicado pela OCDE.

A quantidade e a variedade das questões alertam para o fato de que a indústria não enfrenta desafios apenas conjunturais, mas também, e talvez principalmente, estruturais. Assim, seguindo a linha de raciocínio desta série de artigos, o foco deve estar na indústria do futuro que traz grandes oportunidades para a exploração da cana de açúcar brasileira mas, ao mesmo tempo, grandes desafios.  Nossa tese de base tem sido que a indústria do futuro será  essencialmente diferente da que hoje conhecemos como  indústria sucroalcooleira. Essa transformação já se encontra em curso e movimenta um fluxo de inovações que faz parte da construção da chamada bioeconomia.

Logo, na perspectiva do futuro dos biocombustíveis e da indústria baseada em biomassa, a pergunta pode ser bem outra: qual a capacidade de inovação da indústria no Brasil? Esta postagem procura lançar esta discussão e abrir eventualmente uma linha de pesquisa estruturada em torno do futuro da indústria e de capacidade de inovação. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustiveis XIV: Qual o sentido das políticas públicas e industriais para o futuro dos biocombustíveis?

In biocombustíveis on 22/10/2012 at 00:15

Por José Vitor Bomtempo

As crises e problemas do etanol e do biodiesel recolocam com frequência a questão das políticas de apoio aos biocombustíveis. Têm sentido essas políticas? Qual a direção e foco que devem ter?

Na perspectiva da abordagem que temos desenvolvido nesta série de artigos, essas políticas devem antes de tudo ter como orientação a indústria do futuro, o que significa ter como ponto de partida o conjunto da bioeconomia e não se ater apenas aos biocombustíveis. Isso quer dizer que o centro do problema é a exploração da biomassa para gerar de forma econômica e sustentável produtos de valor para a economia do século XXI e para buscar a inserção competitiva da indústria brasileira nessa indústria em construção.

A agenda brasileira, que se originou e teve resultados notáveis com foco em biocombustíveis, tem sido de certa forma tímida na transição para uma agenda mais ambiciosa e ampla voltada para a bioeconomia como um todo. Iniciativas como a do PAISS – Plano BNDES-FINEP de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico –, já discutido em postagens anteriores, e a iniciativa em curso do Plano Brasil Maior – identificação de tecnologias emergentes em Química Verde a serem apoiadas com a perspectiva de conferir à indústria química brasileira competitividade e capacidade de inovação – são exemplos desse processo de transição. Leia o resto deste post »

2011: um ano surpreendente para a indústria solar americana

In energias renováveis on 02/04/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Para a indústria de energia solar nos EUA, 2011 foi um ano histórico. Assim começa o “US Solar Market Insight: Year-in-Review 2011”, – uma publicação trimestral da Solar Energy Industries Association (SEIA) e da GTM Research, voltada à análise das condições de mercado, oportunidades e perspectivas para a indústria de tecnologias relacionadas à energia solar. São utilizados dados coletados diretamente de produtores, fabricantes e agências de estado afim de prover uma análise sobre instalações, custos, produção e projeções de mercado.

Temos ouvido boas e más notícias do setor de energias renováveis. Em textos anteriores apresentamos dados positivos com relação aos chamados greenjobs e, posteriormente, o duro golpe sofrido pelo governo americano com o financiamento da empresa Solyndra –  uma empresa fabricante de painéis solares que seria um ícone do programa de garantia de empréstimo às renováveis. A Solyndra decretou falência e não o fez sozinha: outras empresas do setor também não tiveram solidez suficiente para continuar no mercado tão competitivo internacionalmente, principalmente devido à presença da China.

As dificuldades apresentadas poderiam fazer com que vislumbrássemos um cenário muito difícil para o desenvolvimento das tecnologias renováveis, por isso as notícias apresentadas nas últimas semanas pelo The New York Times e pelo The Hill – também citando o relatório – trouxeram tanta surpresa. Leia o resto deste post »

O caso Solyndra: um revés às políticas de incentivos às renováveis nos EUA

In energias renováveis on 16/01/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Na postagem anterior, discutimos alguns dos mecanismos de financiamento para as tecnologias de implantação de energias renováveis.  Vários incentivos foram apresentados e foi então discutido um ponto de fragilidade do sistema: o custo de oportunidade gerado por esses incentivos num momento de crise econômica mundial.

Nos EUA, a discussão sobre a quebra da Solyndra – empresa produtora de painéis solares –, depois de ter recebido vultuosos incentivos governamentais, serviu para promover um questionamento a respeito do direcionamento dos investimentos, explicitando de maneira ainda maior o atual contexto conflituoso da definição da política energética americana.

A Solyndra, empresa californiana, produtora de painéis solares, fundada em 2005, tinha como principal proposta a utilização de uma tecnologia inovadora, que revolucionaria completamente a maneira como os painéis eram produzidos até então, viabilizando, dessa forma, uma redução significativa nos custos da energia solar. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustiveis VII – qual o papel do Brasil?

In biocombustíveis on 09/05/2011 at 00:10

Por José Vitor Bomtempo

Na postagem anterior, discutimos a estratégia da Petrobras, sem dúvida o ator mais importante no futuro da energia no Brasil. Vimos que se pode depreender das iniciativas da empresa uma postura de participação efetiva na indústria de biocombustíveis. Mas essa participação parece se dar dentro de uma visão comprometida mais com a indústria de hoje – dita de primeira geração – do que com a indústria do futuro – dita de biocombustíveis avançados e outros bioprodutos.

Essa perspectiva é reforçada ao se comparar a Petrobras com outras grandes empresas de petróleo, como a Shell, BP, por exemplo (ver as postagens anteriores; o futuro dos biocombustíveis IV e V), que combinam um posicionamento na indústria atual com uma estratégia de construção da nova indústria. Outra empresa de petróleo que tem reforçado de forma interessante sua participação nos biocombustíveis do futuro é a Total. Voltaremos ao caso da Total na próxima postagem. A questão hoje é examinar o papel do Brasil na indústria do futuro e para isso devemos examinar bem mais do que o papel da Petrobras. Leia o resto deste post »