Grupo de Economia da Energia

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As dimensões ocultas da pobreza energética: A relação entre furto, qualidade da energia e segurança pública na cidade do Rio de Janeiro

In energia elétrica on 02/03/2018 at 14:38

Por Edmar de Almeida, Luciano Losekann, Yormy Eliana Melo (*) e Alexandre Mejdalani (*) 

luciano032018A literatura de economia da energia usualmente destaca dois aspectos da pobreza energética, o acesso a fontes energéticas modernas e a capacidade de pagamento. O problema de acesso à energia ainda é significativo em países de renda baixa, como na África Subsaariana.  As metrópoles latino americanas, em particular o Rio de Janeiro, tem elevada universalização dos serviços e a pobreza energética não é apenas um problema de incapacidade de pagamento. Nessas zonas urbanas com desigualdade de renda, baixa presença do Estado e controle territorial de organizações criminosas, o abastecimento de energia pode ser insuficiente ou comprometer parcela excessiva da renda.

Segundo os indicadores da Agência Internacional de Energia, 95% dos domicílios latino americanos contam com acesso à eletricidade (IEA, 2017). No entanto, problemas socioeconômicos e institucionais implicam baixa qualidade do suprimento. Ligações clandestinas e domínio criminoso dificultam a manutenção das instalações pelas concessionárias de distribuição, causando interrupções frequentes e duradoras do serviço. Continue lendo »

Pobreza energética e aquecimento urbano

In energia on 12/10/2015 at 18:39

Por Michelle Hallack e Beatriz Marcoje(*)

michelle102015As interações entre as questões relativas ao meio ambiente e a pobreza energética podem ser agregadas em pelo menos três grupos: (1) impacto da temperatura urbana demandando maior gasto de energia; (2) políticas contra pobreza mal formuladas impactando negativamente na ineficiência energética e (3) políticas de eficiência energética e renováveis impactando no preço de energia.

A questão da pobreza energética em países subdesenvolvidos é principalmente discutida no contexto do acesso à eletricidade de agentes desconectados a rede (como o do programa luz para todos e eletrificação rural) e nos países de baixas temperaturas é referente ao custo de aquecimento das residências. Por conta desta última preocupação, muitas vezes sua definição está correlacionada com o aquecimento. Alguns países europeus, como Inglaterra, Alemanha e França, avançaram de forma significativa nesta discussão e por isso, são muitas vezes fontes das definições e estatísticas observadas na literatura.

Neste contexto, o custo relativo de manter a moradia em uma temperatura considerada confortável aos agentes é considerado um elemento chave nesta definição. Entretanto, cada vez mais essa discussão vem se estendendo para além dos países frios, visto que o calor, assim como o frio, traz queda do bem-estar e pode trazer malefícios à saúde humana. Diferentemente dos países frios, nos países subdesenvolvidos, a pobreza energética muitas vezes é vista como um problema de falta de interconexão das famílias as redes. E a discussão acaba se limitando ao potencial acesso das famílias a rede e não a efetiva capacidade econômica das mesmas em acessar serviços que permitam uma qualidade de vida adequada. Continue lendo »