Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘revolução energética americana’

O papel do Estado na inovação: o não convencional nos EUA e o Pré-sal no Brasil

In gás natural, petróleo on 07/11/2016 at 00:15

Por Yanna Clara Prade

yanna112016Desde o início dos anos 2000, os Estados Unidos vêm experimentando uma revolução energética através da exploração e produção de recursos não convencionais. O shale boom se deve à melhoria de técnicas de perfuração e novas tecnologias, as quais tornaram os recursos não convencionais viáveis economicamente. Os recursos não convencionais vêm sendo estudados desde a década de 1970, mas apenas na virada do século a produção dos não convencionais ganhou escala devido ao sucesso das novas tecnologias, resultando em um significante aumento da produção de petróleo e gás do país.

Em paralelo, temos outro caso de sucesso tecnológico na indústria de petróleo, com as descobertas dos recursos do Pré-sal em 2006, fruto da melhoria tecnológica das sísmicas, que permitiu a visualização dos recursos que se encontravam além da camada de sal, a profundidades jamais exploradas ou conhecidas. Com a descoberta de uma das maiores jazidas de petróleo do mundo, o Brasil e, mais especificamente, a Petrobras vem buscando superar as dificuldades tecnológicas de exploração em águas ultra profundas com as especificidades do Pré-sal, tornando-se um case de sucesso mundialmente reconhecido. Continue lendo »

A revolução energética dos Estados Unidos e suas consequências para a geopolítica do petróleo no Oriente Médio

In petróleo on 27/10/2014 at 00:15

Por Juliana Queiroz *

juliana102014Que os Estados Unidos estão vivendo uma revolução energética não é novidade para ninguém. Mas o que permanece uma incógnita é quanto tempo essa abundância de hidrocarbonetos vai durar e quais as consequências dela para a política externa norte-americana.

O ressurgimento da bacia do Atlântico como região produtora – com as revoluções energéticas dos Estados Unidos e Canadá e as descobertas do pré-sal no Brasil – altera o centro de gravidade da produção mundial de petróleo. Os EUA, por exemplo, de acordo com a Agência Internacional de Energia, se tornarão o maior produtor mundial de óleo já em 2015.

Ao mesmo tempo, a demanda se torna mais intensa nos países em desenvolvimento na Ásia, especialmente na China e na Índia. A primeira alcançou, em 2010, o posto de maior consumidor mundial de energia e atingirá, em 2030, a liderança no consumo de petróleo; a segunda intensificará sua demanda a partir de 2025, sendo a principal responsável por impulsionar a demanda energética mundial a partir de então.

Marcado pelo dinamismo e imprevisibilidade, o mercado mundial de energia refletirá essas mudanças através de um rearranjo nas relações entre as nações.

Em função da menor dependência do óleo advindo do Oriente Médio, agora existe um expressivo debate nos Estados Unidos se o país deve manter seus esforços e verbas na garantia da segurança do Golfo Pérsico. Embora muitos agentes políticos e intelectuais defendam que o cordão umbilical deve ser cortado, a questão não é tão simples e não se resume ao aspecto econômico/energético.

Manter-se comprometido e engajado no Oriente Médio cumprindo o papel de hegemon do Sistema garante um controle, ainda que indireto, sobre as vastas reservas convencionais – e portanto baratas – da região. Influenciar o acesso a esses hidrocarbonetos tem altíssima relevância estratégica, considerando a dependência energética da sociedade global atual. Continue lendo »