Grupo de Economia da Energia

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Uma transição política e nacional

In energia on 04/09/2018 at 11:55

Por Ronaldo Bicalho

bicalho092018O tema central da política energética contemporânea é a transição energética.  Dessa forma, discutir política energética no mundo de hoje passa inexoravelmente pela discussão da transição energética.

Nesse sentido, a transição energética pode servir como elemento estruturante de uma análise das transformações em curso no mundo energético atual.

A transição energética é um tema complexo e exige uma abordagem cuidadosa, de forma a evitar a perda de foco diante de um fenômeno que apresenta múltiplas dimensões.

A dimensão política

A própria definição do fenômeno apresenta sutilezas que não devem ser subestimadas.

A primeira delas é que a transição energética não é movida essencialmente por fatores energéticos, mas por fatores ambientais. Em outras palavras, o estímulo primário da transição não é energético, mas ambiental.

Portanto, o impulso vital que acarreta transformações profundas no mundo energético advém da esfera ambiental, portanto é exógeno em relação a esse mundo energético. Continue lendo »

Estado Nacional de Segurança: O papel do ARPA-E nas inovações do setor de energia norte-americano

In energia, Uncategorized on 15/08/2018 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Para Linda Weiss (Weiss, 2014), apesar do rótulo liberal associado à economia estadunidense, o Estado norte-americano criou o mais formidável modelo de desenvolvimento tecnológico, orientado pela demanda do “Estado de Segurança Nacional” por inovações. Para a autora, em vez de relações, relativamente discretas, onde fornecedores de equipamentos de defesa intensivos em tecnologia interagem com demandantes específicos de segurança, a demanda do Estado por inovação nos EUA evoluiu para uma série de estruturas hibridizadas nas quais as linhas entre público e privado, segurança e comércio, militar e civil foram completamente entrecruzadas. Para Weiss, o ativismo do Estado norte-americano na orientação das demandas por inovação não pode ser entendido meramente como uma política industrial, mas como um fenômeno sui generis que emergiu de objetivos profundamente estratégicos.

Desde a Segunda Grande Guerra, o Sistema de Segurança Nacional (NSS) norte-americano prevalece nos setores de elevado risco tecnológico. A demanda por inovação criada pelo estado de Segurança Nacional garantiu, e continua garantindo, as fundações para os setores intensivos em tecnologia (Weiss, 2014). No entanto, para a autora, desde a década de 1980, a supremacia militar norte-americana depende cada vez menos das empresas que compõe o “complexo militar” e cada vez mais das firmas intensivas em tecnologia (high-tech) que se mostram relutantes em trabalhar, diretamente, em projetos militares. Nesse sentido, a manutenção do estado de Segurança Nacional nos EUA depende da crescente capacidade do Estado em buscar novos aliados privados fora dos tradicionais pools de fornecedores militares. Para isso, no entanto, não basta dar as garantias tradicionais de compras estatais. Para as modernas empresas de tecnologia, a difusão comercial de suas inovações mostra-se muito mais atraente do que as estruturas cartelizadas de fornecedores do estado. Continue lendo »