Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘setor de gás’

As indefinições da indústria do gás no Brasil

In gás natural on 26/10/2016 at 21:51

Por Diogo Lisbona Romeiro (*)

diogo102016A indústria do gás natural no Brasil está atravessando um ponto de inflexão delicado. Ao mesmo tempo em que as intenções de desinvestimento da Petrobras no setor apontam para a entrada efetiva e potencial de novos agentes, muitas incertezas rondam a evolução da oferta, da demanda e do desenho do mercado (market design). A travessia exitosa para um novo contexto com maior diversidade de players dependerá não apenas da habilidade do setor de superar os seus próprios desafios, mas também da interação com outros setores e com os rumos da política energética do país.

A evolução do marco regulatório da indústria de gás no Brasil caminhou no sentido de fomentar a entrada de novos agentes. No entanto, a legislação e as suas regulamentações se revelaram, na prática, insuficientes para promover a abertura pretendida do setor. No momento em que a incumbente monopolista sinaliza uma redução voluntária de sua participação na indústria, há muito tempo ambicionada pelas reformas legais-regulatórias introduzidas, discute-se no setor um desenho de mercado mais adequado ao futuro ambiente menos concentrado e mais concorrencial.

Capitaneada pelo Ministério de Minas e Energia (MME, 2016a), em parceria com a ANP e a EPE, a iniciativa Gás para Crescer “tem como objetivo propor medidas concretas de aprimoramento do arcabouço normativo do setor de gás natural, tendo em vista a redução da participação da Petrobras”, lançando “as bases para um mercado de gás natural com diversidade de agentes”. Leia o resto deste post »

Os tempos e os desafios das escolhas atuais da indústria de gás natural no Brasil

In gás natural on 21/09/2016 at 17:32

Por Michelle Hallack

michelle092016A indústria de gás no Brasil encontra-se em uma encruzilhada crucial para o seu desenvolvimento futuro. As decisões que serão tomadas agora irão definir o potencial de crescimento da indústria nos próximos anos. Portanto, é essencial que: (1) se tenha muito claro o modelo de mercado que se quer implantar (um target model); (2) as decisões sejam legitimadas tanto pelos agentes da indústria quanto pelos policy makers, (3) medidas transitórias sejam adotadas para que se possa alcançar o modelo desejado sem o risco de se ficar pelo caminho, preso a modelos inacabados e disfuncionais.

A Petrobras historicamente teve um papel central no desenvolvimento de todas as partes da cadeia da indústria de gás; desde a produção até o consumo, passando pela importação, transporte e distribuição. Assim, de forma verticalmente integrada, com objetivos, por vezes, empresariais, por vezes, políticos (públicos?), a empresa construiu a infraestrutura e o portfólio necessário ao suprimento do fluxo de gás requerido pelas diferentes atividades econômicas no país (do transporte veicular à geração termoelétrica).

Nesse cenário, a coordenação de longo prazo é realizada através de um mix reunindo contratos de longo prazo (como contratos ToP e SoP) e adaptações de curto prazo, feitas internamente no portfólio da Petrobras (incluindo a gestão da malha de transporte, terminais de GNL, swing na produção e etc…). Neste contexto, a entrada de novas empresas no mercado, apesar de possível teoricamente, na prática, se mostra impossível; seja pela dificuldade causada pelos contratos de longo prazo (tanto os de gás com os consumidores quanto os de transporte), seja pela incapacidade dos potenciais entrantes fornecerem a flexibilidade necessária ao atendimento de uma demanda firme e variável. Leia o resto deste post »

O imbróglio da GásLocal (GNL Gemini) no CADE: defendendo a concorrência ou garantindo o monopólio?

In gás natural, GNL on 18/07/2016 at 11:10

Por Diogo Lisbona Romeiro (*)

diogo072016Há dez anos, a GásLocal, joint venture entre Petrobras e White Martins, comercializa gás natural distribuído sob a forma liquefeita para consumidores localizados em um raio de até mil quilômetros da planta de liquefação instalada em Paulínia (São Paulo), a única em operação no país. Concebido em 2004, com investimento total de US$ 51 milhões, o empreendimento tinha por finalidade suprir consumidores localizados em áreas ainda não atendidas pelas distribuidoras estaduais de gás canalizado. Com capacidade de liquefação de 440 mil m³/dia de gás natural, a Petrobras buscava alavancar o mercado consumidor doméstico, procurando alternativas para destinar a oferta de gás natural contratada com a Bolívia, tendo em vista o aumento gradual da capacidade contratada e a elevada cláusula firmada de take-or-pay (80%).

A GásLocal, nome fantasia da GNL Gemini, tem 40% de capital da Petrobras (através da Gaspetro) e 60% da White Martins. As três empresas formaram um consórcio (Consórcio Gemini), no qual a Petrobras participa como fornecedora do gás, a White Martins como proprietária e operadora da planta de liquefação, inaugurada em 2006, e a GásLocal como distribuidora e comercializadora do gás natural liquefeito (GNL). O gás natural é fornecido à planta de liquefação por ramal direto de transporte do Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL), onde é liquefeito para ser transportado por caminhões com tanques criogênicos. Atualmente, a GásLocal dispõe de uma carteira de ao menos trinta clientes, dispersos em sua área de atuação (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal). Leia o resto deste post »

Indústria do gás natural no Brasil: a reforma necessária para a saída da Petrobras

In gás natural on 29/06/2016 at 17:35

Por Marcelo Colomer e Edmar Almeida

marcelo 062016A indústria de gás natural no Brasil se estruturou a sombra da indústria de Petróleo e a partir dos investimentos da Petrobras em todos os segmentos. Diferente do ocorrido na indústria de petróleo, o processo de abertura do setor de gás natural, ocorrido em 1997 com a Lei 9.478, não foi capaz de atrair novos agentes de forma que a participação da iniciativa privada se manteve tímida e concentrada no segmento de distribuição. Sendo assim, mesmo após a definição de uma estrutura regulatória favorável a competição, os investimentos no setor de gás natural continuaram dependentes da Petrobras.

Recentemente, no entanto, o interesse da estatal brasileira pela indústria de gás natural vem diminuindo em função tanto da crise financeira vivida pela empresa quanto dos elevados montantes de recursos exigidos no Pré-Sal, que elevam o custo de oportunidade dos investimentos em outras atividades diferentes da exploração e produção. Esse fato fica claro quando se analisa o Plano de Negócios e Gestão 2015 da Petrobras.[1]

A redução da participação da estatal brasileira na indústria de gás natural, contudo, traz importantes mudanças no setor. A venda de ativos da empresa na indústria de gás natural ao mesmo tempo que contribui para redução das barreiras à entrada de novos investidores traz novas demandas regulatórias exigindo uma atuação mais efetivas dos órgãos de regulação e de defesa da concorrência. Nesse contexto, é necessária uma reforma do arcabouço regulatório e institucional do setor para criar um novo ambiente de negócios capaz de atrair investidores privados para o setor. Caso contrário, existe um importante risco de uma queda dos investimentos setoriais e uma desorganização do atual mercado de gás natural no Brasil. Leia o resto deste post »

O mercado de GNL do futuro: risco ou oportunidade para o Brasil?

In gás natural, GNL on 21/09/2015 at 00:15

Por Yanna Clara(*)

yanna092015O mercado de gás natural brasileiro depende fortemente de importações. Em 2014, o gás importado totalizou 52% da oferta nacional, resultado bastante influenciado pelo despacho contínuo das térmicas que vem ocorrendo desde 2012. As importações são provenientes principalmente da Bolívia, mas o Gás Natural Liquefeito (GNL) vem assumindo papel importante no suprimento do energético.

A perspectiva é que a importação de GNL no Brasil se intensifique, devido a incertezas quanto ao futuro do fornecimento de gás boliviano com o término do contrato em 2019, assim como a incertezas do gás proveniente do Pré-Sal. Com o GNL se firmando no mercado energético brasileiro, torna-se crucial uma avaliação da posição do Brasil dentro do contexto internacional.

A atual configuração do mercado internacional de GNL e tendências para o futuro

O gás natural corresponde a aproximadamente 25% da demanda energética mundial, dos quais 10% são supridas via GNL. O GNL cresceu mais do que qualquer outra fonte de gás natural do mundo – uma média de 7% ao ano desde 2000, o que resultou em uma perspectiva de maior integração e flexibilidade para importantes mercados mundiais (IGU, 2015).

Atualmente, existem 38 plantas de liquefação de gás natural em 21 países. O Oriente Médio possui a maior parcela da capacidade de liquefação mundial, com 34% do total, sendo 25% proveniente somente do Qatar, o maior exportador do energético no mundo. Leia o resto deste post »

Desinvestimento da Petrobras e reestruturação da indústria de gás no Brasil

In gás natural on 10/08/2015 at 00:15

Por Marcelo Colomer 

marcelo082015É incontestável que as políticas públicas e a atuação da Petrobras desempenharam papel de destaque no desenvolvimento da indústria de gás brasileira. Controlando 93% da produção, 97% da malha de gasodutos e possuindo significantes participações nas empresas locais de distribuição de gás natural e em importantes projetos termoelétricos, a Petrobras não só foi determinante para a rápida expansão da indústria de gás natural no Brasil como também para a definição da estrutura de organização do setor.

Desenvolvido sobre o modelo de “monopólio” [1] estatal, a indústria gasífera brasileira se estruturou à luz dos planos de investimento da Petrobras. Refletindo em algumas ocasiões ações estratégicas da empresa e em outras ações deliberadas de política pública, os investimentos da Petrobras na indústria de gás natural ao longo das últimas décadas consolidaram a estrutura do setor.

Dentro da ótica empresarial, a atuação da Petrobras em todos os segmentos da cadeia produtiva foi a solução encontrada pela empresa para escoar o excesso de produção de gás associado. Em outros termos, a estruturação de um mercado de gás natural mostrava-se essencial no processo de monetização dos campos associados de petróleo garantindo maior rentabilidade das atividades de E&P. Nesse contexto, ao longo das últimas décadas, o mercado de gás natural foi se desenvolvendo com os investimentos da Petrobras em novas unidades de processamento, na infraestrutura de gasodutos, em terminais de importação e na ampliação das redes de distribuição. Leia o resto deste post »

Shale gas: perspectivas da exploração fora da América do Norte

In gás natural on 29/09/2014 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar092014A grande questão em aberto para o futuro do mercado energético internacional é a possibilidade e a extensão da replicação da revolução americana do shale gas em outras regiões do mundo, para além da América do Norte. Atualmente, já não existe dúvida quanto à disponibilidade abundante de recursos não convencionais de gás natural fora da América do Norte. Vários estudos realizados pelos governos e por instituições como a Agência Internacional de Energia apontam a disponibilidade abundante de recursos de shale gas em países como China, Argentina, México, África do Sul, Brasil, Austrália dentre outros.

Apesar das dúvidas que pairam sobre a possibilidade de se repetir a revolução do shale gas americano, a Agência Internacional de Energia acredita que metade do crescimento da produção de gás até 2035 virá dos recursos não convencionais, principalmente do shale gas e do gás de carvão (coalbed methane). Segundo a AIE, a difusão do shale gas para fora da América do Norte acontece principalmente após 2020, principalmente na China, na Argentina e na Índia (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Crescimento da produção de gás-não convencional até 2035

edmar092014a

Fonte: IEA – Word Energy Outlook 201

A difusão do shale gas para fora da América do Norte representa um enorme desafio para a indústria de petróleo e gás. Isto ocorre porque grande parte dos fatores de sucesso do gás não convencional nos EUA não está presentes fora da América do Norte. Podemos citar sete principais fatores de sucesso para o caso Norte Americano: Leia o resto deste post »

O setor elétrico e as indefinições da política de gás natural no Brasil

In gás natural on 16/06/2014 at 00:15

Por Marcelo Colomer

marcelo062014A mais recente crise do setor elétrico brasileiro vem chamando a atenção para a importância da termoeletricidade como fonte complementar de geração, principalmente da geração térmica a gás natural. Sendo assim, entusiasmados com a “revolução do shale gas norte-americana” e com o potencial de produção nacional (tanto das áreas do cluster do pré-sal quanto das formações convencionais e não convencionais em terra), muitos analistas vêm exaltando a importância do gás natural no futuro da matriz elétrica nacional.

É fato que as mudanças ocorridas no perfil de demanda e oferta de eletricidade exigem um novo modelo para o setor onde a termoeletricidade irá desempenhar um papel cada vez mais importante na geração de base. Contudo, qual o tipo de térmica que melhor se adequa ao novo perfil do setor elétrico brasileiro ainda não é uma questão respondida.

Nos EUA, a recente conversão do parque térmico para gás natural dependeu da disponibilidade de gás abundante e competitivo (preço do Henry Hub em junho de 2014 foi de US$4/MMbtu). No Japão, por outro lado, os elevados preços de importação de GNL (US$16/MMbtu) não só acarretaram em um aumento do déficit comercial de 65% entre 2012 e 2013 (de US$70 para US$112 bilhões) como também aumentaram o custo da geração elétrica em 56% no mesmo período.

Nesse contexto, em junho de 2014, três dos maiores lobbies japoneses (Federação de Negócio Japonesa -Keidanren, a Câmara de Comércio e Indústria e a Associação Japonesa de Executivos – Keizai Doyukai) submeteram uma proposta ao Ministério da Indústria para antecipação da reativação dos reatores nucleares no Japão (World Nuclear Association, 2014). Na China, apesar de todas a pressões ambientais, a falta de um suprimento seguro e barato de gás natural vem forçando o governo a manter seus projetos de expansão do parque térmico a carvão. Leia o resto deste post »

Os desafios da energia no Brasil em vídeo II

In energia on 24/02/2014 at 00:15

edmar102013O Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentou em outubro de 2013  o Seminário GEE2013: Os Desafios da Energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se deu em dois dias, e foi estruturado em torno da discussão dos temas considerados decisivos para a evolução do setor energético brasileiro.

Os vídeos com as apresentações do seminário estão sendo disponibilizados no YouTube através do Canal GEE.

Abaixo, as entrevistas dos participantes das mesas.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

Maurício Tolmaskin – EPE

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Os desafios da energia no Brasil em vídeo I

In energia on 13/01/2014 at 00:15

edmar102013O Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentou em outubro de 2013  o Seminário GEE2013: Os Desafios da Energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se deu em dois dias, e foi estruturado em torno da discussão dos temas considerados decisivos para a evolução do setor energético brasileiro.

Os vídeos com as apresentações do seminário estão sendo disponibilizados no YouTube através do Canal GEE.

Abaixo, as palestras do primeiro dia.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

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Falta de diretrizes e incertezas ameaçam a entrada de novos agentes no setor de gás

In gás natural on 18/11/2013 at 00:15

Por Marcelo Colomer

marcelo112013Faltando 10 dias para a realização da 12ª Rodada de Licitação da Agência Nacional de Petróleo (ANP), na qual serão ofertadas exclusivamente áreas terrestres com potencial de produção de gás natural em formações geológicas convencionais e não-convencionais, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ainda não se posicionaram em relação ao plano de expansão da malha de transporte de gás natural.

Ao mesmo tempo, tramita na Câmara dos Deputados projeto de Lei (Projeto 6.407/2013) que propõe, entre outras importantes mudanças na indústria de gás natural, o estabelecimento de critérios de fixação, reajuste e revisão dos preços do energético e a criação de um Operador do Sistema Nacional de Transporte de Gás Natural.

Esses fatos, somados à “verticalização” efetiva da cadeia produtiva do gás intensificam o ambiente de incerteza ao redor das atividades de exploração e produção, podendo desestimular a entrada de novos agentes, principalmente de pequenos e médios produtores.

Em Setembro de 2013 foi lançado o edital da 12ª Rodada de Licitação com os objetivos claros e explícitos de desenvolver áreas de fronteira exploratória, aumentar as reservas e produção de gás natural, descentralizar os investimentos exploratórios e fomentar as atividades de pequenos e médios produtores nacionais e estrangeiros. Estão sendo ofertados 240 Blocos exploratórios em sete bacias sedimentares: Acre-Madre de Dios, Paraná, Parecis, Parnaíba, Recôncavo, São Francisco e Sergipe-Alagoas. Leia o resto deste post »

Perspectivas de suprimento de gás natural para o setor elétrico

In energia elétrica, gás natural on 02/09/2013 at 00:15

Por Marcelo Colomer

marcelo092013A análise da evolução da matriz energética do setor elétrico brasileiro evidencia que a partir de 2000 não só o consumo energético cresceu consideravelmente como também ocorreu uma grande mudança nas fontes de suprimento. Em 2000, o setor termoelétrico brasileiro gerou 25.335 GWh; sendo 30% desse valor proveniente da geração a carvão e 6% proveniente do gás natural. Em 2012, por sua vez, a geração termoelétrica atingiu 73.456 GWh; sendo que a participação do carvão reduziu-se para 10% enquanto a do gás natural aumentou para 50%. (MME, 2013)

Os dados acima deixam claro o aumento da importância do gás natural no segmento de geração térmica assim como a redução da relevância das fontes tradicionalmente utilizadas no Brasil, como por exemplo, o carvão, o óleo combustível e o diesel. Nesse contexto, a análise das condições de expansão do parque térmico brasileiro exige que se faça uma reflexão sobre as perspectivas de suprimento para o setor termoelétrico, merecendo destaque o papel do gás natural.

Perspectivas de Abastecimento

Até 2013 a oferta de gás natural no Brasil dependeu tanto dos níveis de produção nacional quanto das importações de gás natural boliviano e de GNL. No primeiro trimestre de 2013, cerca de 50% da oferta doméstica de gás natural dependeram das importações o que coloca uma importante questão. É possível expandir o parque de geração termoelétrica a gás natural com base nesse perfil de suprimento?

Nesse contexto, faz-se necessário analisar as perspectivas futuras das diferentes fontes de suprimento de gás natural para o Brasil em termos de preço e segurança de fornecimento. Entre as potenciais fontes de oferta de gás para o Brasil têm-se as tradicionais importações da Bolívia, uma possível retomada das importações das Argentinas, as importações de GNL, o aumento da oferta offshore e as novas perspectivas de produção onshore. Leia o resto deste post »

Os desafios da energia no Brasil

In energia on 30/07/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

seminario2Quais são as questões fundamentais para o desenvolvimento do setor energético brasileiro no atual contexto nacional e internacional? De que maneira a energia pode ser um fator decisivo no desenvolvimento econômico e social do país? Quais são os grandes desafios a serem vencidos para que a energia possa servir de alavanca para esse desenvolvimento?

Para responder a essas questões o Grupo de Economia da Energia realizará no próximo mês de Outubro o seminário: Os desafios da energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se dará em dois dias, e está estruturado em torno da discussão de seis grandes temas e duas grandes questões decisivas para a evolução do setor energético brasileiro.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

O primeiro grande tema é a inserção do debate brasileiro no debate energético internacional. Nesse sentido, quais são as grandes tendências e dilemas do cenário energético internacional?

Duas questões fundamentais definem o atual contexto energético internacional: segurança energética e mudança climática. Os diferentes Estados Nacionais encaram de maneiras distintas essas duas questões e, principalmente, a problemática correlação existente entre elas. Essas percepções distintas geram estratégias distintas, que interagindo umas com as outras vão desenhando os cenários possíveis de evolução desse contexto.

Essa pluralidade de percepções, estratégias e evoluções configura um quadro no qual o processo de transição entre a atual economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis e uma futura economia sustentada nas energias renováveis é acima de tudo indefinido e aberto, com várias trajetórias, conteúdos e tempos de duração possíveis. Leia o resto deste post »

Retomada do mercado de GNV no Brasil

In gás natural, GNV on 12/11/2012 at 00:15

Por Marcelo Colomer 

A partir de 2007, as incertezas a respeito do fornecimento de gás da Bolívia, o aumento dos preços do gás natural no mercado doméstico, a expansão da frota de veículos bicombustíveis (Gasolina/Etanol) e a mídia negativa gerada em torno do uso do gás natural veicular (GNV) reverteram a forte expansão do mercado de GNV que vinha ocorrendo no Brasil desde 2000. Nesse contexto, as conversões anuais, que em 2006 atingiram 271 mil veículos, caíram para menos de 50 mil em 2010 (GASNET, 2012).

Além da queda do número de conversões, houve uma acentuada reversão no volume de gás consumido no segmento veicular que após atingir um pico de 7 MMm3/d em Dezembro de 2007 recuou para cerca de 5 MMm3/d em Janeiro de 2011 (ABEGAS, 2011). Contudo, apesar do cenário adverso do final da década passada, o segmento de gás natural veicular vem sobrevivendo graças aos esforços inovadores das companhias locais de distribuição, dos fornecedores de equipamentos e das montadoras de veículos.

Assim, espera-se que com o desenvolvimento de novas tecnologias de conversão e abastecimento, com o novo cenário de oferta de gás natural e com as novas condições de contorno da política de preços de combustíveis que começam a se delinear no Brasil, o mercado de gás natural veicular se aqueça novamente. Leia o resto deste post »

Estocagem de gás natural no Brasil como solução para o conflito entre a indústria de gás e o setor elétrico

In gás natural on 20/08/2012 at 00:09

Por Marcelo Colomer 

O aumento da produção de gás de folhelho (shale gas) nos EUA, o acidente nuclear de Fukushima e o acirramento das pressões ambientais vêm contribuindo para o redirecionamento das atenções mundiais para a indústria de gás natural. Esse otimismo, recentemente despertado sobre o gás natural, não é um episódio recente. De fato, desde a década de 70 o gás vem captando os olhares, não só dos Estados Nacionais, mas também das principais empresas petrolíferas como uma alternativa aos hidrocarbonetos líquidos.

A partir da década de 80, e no Brasil a partir da década de 90, o processo de abertura e liberalização da indústria de gás natural vem exigindo mecanismos operacionais e contratuais cada vez mais flexíveis. Em outros termos, nesse novo ambiente competitivo, as especificidades associadas aos investimentos na malha de transporte e distribuição, assim como a complexa interação existente com o setor elétrico, aumentam a importância de modelos de negócio mais flexíveis. É nesse contexto que se destaca a importância crescente da atividade de estocagem em formações geológicas.

Os estudos sobre estocagem de gás natural em formações geológicas datam do início do século XX sendo que foi somente a partir de meados da década de 70 que a atividade de estocagem passou a assumir um papel mais relevante dentro da cadeia do gás natural, principalmente nos EUA. Leia o resto deste post »

Preço alto e Pré-sal estimulam mudanças na indústria de gás no Brasil

In gás natural on 21/05/2012 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Os altos preços do gás natural, o monopólio da Petrobras e os elevados investimentos necessários para o desenvolvimento da produção na área do Pré-sal têm estimulado a entrada de novos agentes em regiões produtivas marginais e não tradicionais. Nesse sentido, percebe-se atualmente uma tendência de mudança na estrutura de oferta de gás natural embora a não definição de alguns atributos regulatórios ainda impeçam o fortalecimento da competição no setor.

Estudos recentes (FIRJAN, 2011) mostraram que a tarifa média paga pelo setor industrial no Brasil foi cerca de US$ 16,84/MMBtu em 2011. Em termos comparativos, o setor industrial brasileiro paga aproximadamente 17% a mais pelo gás natural do que a média dos principais países consumidores do energético. Em relação aos BRICS, a tarifa industrial de gás natural no Brasil é cerca de duas vezes a média de China, Índia e Rússia. As elevadas tarifas cobradas do setor industrial refletem o elevado preço cobrado das distribuidoras. Em Janeiro de 2012, o preço do gás natural nacional no city-gate foi igual a US$ 12/MMBtu enquanto o preço do gás importado foi em média igual a US$ 10/MMBtu (MME, 2012). Leia o resto deste post »

A evolução da política de gás natural do governo brasileiro

In gás natural on 05/12/2011 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Quase um ano após a sanção do Decreto 7.382, pelo então Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, foi realizado em Brasília um seminário sobre os desafios do novo marco regulatório da indústria de gás natural no Brasil. O evento ocorreu no último dia 29 a partir de uma iniciativa conjunta do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Empresa de Planejamento Energético (EPE).

O principal objetivo do evento foi discutir com os agentes do setor os principais desafios existentes na implementação do novo marco regulatório da indústria de gás natural. Segundo o Secretário do MME, Marco Antônio Almeida, há o reconhecimento do que a Lei 11.909 e o Decreto 7.382 não esgotam as questões referentes à regulamentação do gás, exigindo assim atos normativos complementares. Segundo o secretário, esse é o principal desafio não só do MME como também da ANP. Para o Diretor da ANP, Helder Queiroz, ao lado do desenvolvimento de novas resoluções e portarias, a revisão dos atos normativos já existentes é fundamental para se aumentar a aderência das normas da ANP ao novo marco regulatório da indústria. Leia o resto deste post »

O que queremos fazer com o gás brasileiro?

In gás natural on 10/10/2011 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Segundo estimativas da Empresa de Planejamento Energético (EPE), a produção líquida de gás natural no Brasil deverá passar dos atuais 100 para cerca de 150 MMm3/dia em 2025 (PNE 2030). Tais estimativas ainda podem ser revistas para cima em consequência dos recentes investimentos realizados na área do pré-sal, principalmente em campos com gás associado. Nesse novo contexto de oferta surgem duas questões: a) Existe internamente demanda para o gás nacional? e; Qual será o papel do gás natural na matriz energética brasileira?

Pesquisas realizadas pelo Grupo de Economia da Energia da UFRJ mostram que, no Brasil, a demanda potencial de gás natural em 2025 deverá oscilar entre 146 e 161 MMm3/d. O elevado valor das estimativas acima explica-se, em grande parte, pelo aumento do consumo de gás natural no segmento termelétrico. Tal elevação no consumo térmico tem como explicação o crescimento da demanda por eletricidade fruto do crescimento econômico e o novo perfil do sistema hidroelétrico brasileiro, em que se projeta um aumento da participação das hidroelétricas a fio d’água ou de pequeno reservatório. Dessa forma, acredita-se tanto num aumento dos despachos térmicos na base quanto em um aumento da freqüência e dos volumes dos despachos sazonais.

Além das especificidades do sistema de geração elétrica brasileiro, a expansão do consumo de gás no segmento termelétrico está de acordo com as características técnicas e econômicas da indústria de gás natural. As elevadas economias de escala e as especificidades de ativos associadas ao transporte do energético exigem que os investimentos em novos gasodutos ocorram de forma simultânea ao desenvolvimento de um mercado com demanda suficientemente grande para justificar a construção da infraestrutura de transporte. Nesse sentido, de forma geral, o segmento industrial mostra-se incapaz de ancorar a construção de um gasoduto para um novo mercado uma vez que, individualmente, o consumo de uma indústria não justifica as escalas mínimas eficientes dos investimentos em ativos de transporte de gás natural. É por esse motivo que, na maior parte dos países, o setor termelétrico tem sido utilizado como âncora do desenvolvimento e da expansão da indústria de gás natural, principalmente em novos mercados regionais. Leia o resto deste post »

Regulação ambiental: um entrave para a extração do gás de xisto?

In gás natural on 03/10/2011 at 00:14

Por Edmar de Almeida e Luiz Suárez

O shale gas ou gás de xisto é um tipo de gás natural não convencional que se encontra em formações sedimentares de baixa permeabilidade. Diferentemente do gás convencional, que migra das rochas onde foi formado para rochas reservatórios, este gás não convencional fica aprisionado, pois a baixa permeabilidade dificulta o seu escape. Esta característica inviabilizou por muito tempo a extração deste tipo de gás, visto que não havia tecnologias capazes de promover a retirada do mesmo de dentro das formações de xisto.

Com a perfuração horizontal dos poços e o advento do fraturamento hidráulico este paradigma foi superado. Este processo consiste em bombear, sob alta pressão, um composto de água e areia junto com outros produtos químicos no poço a fim de fraturar as formações de xisto através de fendas abertas inicialmente por um instrumento conhecido com “perforating gun”, permitindo a liberação do gás das formações sedimentares para o poço.

Esta técnica foi responsável por aumentar enormemente os recursos mundiais de gás natural recuperáveis. Nos EUA, por exemplo, dos 71 trilhões de metros cúbicos de reservas totais recuperáveis, 24 trilhões são referentes às reservas de gás de xisto, segundo a Agência internacional de energia (IEA). A mudança de cenário foi tal que os EUA passaram de importadores de GNL para potenciais exportadores de gás natural.

Com a constatação de que era possível extrair gás das formações de xisto, o gás natural que já figurava como um combustível de transição para fontes energéticas mais limpas teve esse papel reafirmado. Mas como nem tudo é um mar de rosas, esta nova oportunidade de obtenção de gás natural veio acompanhada de algumas questões sobre os impactos negativos que o fraturamento hidráulico pode causar sobre o meio ambiente. Leia o resto deste post »

Matriz de geração de eletricidade no horizonte 2030: O papel das termelétricas a gás natural

In energia elétrica on 12/09/2011 at 00:14

Por Luciano Losekann

Em postagem anterior foram analisados os determinantes e as implicações do regime complementar de operação das termelétricas a gás natural no Brasil. Nessa postagem, será explorado  um cenário de longo prazo para o papel das termelétricas a gás natural no Brasil. Para tanto, serão apresentadas as projeções da matriz de geração e do despacho de centrais termelétricas no horizonte 2030 construídas a partir de modelos desenvolvidos pelo Grupo de Economia da Energia (GEE).

Para projetar a evolução da capacidade instalada, foi considerado o balanço entre carga de eletricidade e garantia física das usinas. Partindo de um cenário de crescimento do PIB de 4,5% a.a., a análise econométrica indica que a demanda de eletricidade teria um aumento médio de 4,8% a.a.. Para compor a expansão de capacidade de geração que atenderia com segurança essa evolução do consumo[1], assumimos que as centrais incluídas no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2020 serão implementadas e utilizamos algumas hipóteses sobre as fontes de geração de eletricidade.

A hipótese central desse exercício é que a diretriz de política energética será a de privilegiar as fontes de geração renováveis e as usinas termelétricas servirão como ajuste para atender a necessidade de entrada de capacidade. Leia o resto deste post »

Qual o alcance dos impactos sobre o mercado da atual da revolução do gás de xisto?

In gás natural on 25/07/2011 at 00:10

Por Edmar de Almeida

O desenvolvimento das tecnologias de produção do gás de xisto vem sendo apontado como uma revolução para o negócio e a economia do gás natural. Muitos agentes e o próprio governo americano acreditam que o descolamento do preço do gás natural do preço do petróleo nos Estados Unidos é um fenômeno estrutural que reflete o novo contexto tecnológico e geológico da indústria do gás natural. Existe uma percepção de que a revolução tecnológica do gás de xisto afetará não apenas a indústria do gás americana, mas também o comércio mundial de gás de forma permanente. Os que acreditam nesta mudança estrutural apontam os seguintes argumentos para sustentar esta visão:

  • Os recursos existentes nos Estados Unidos de gás de xisto equivalem a 3,5 vezes o volume de todas as reservas provadas atualmente nos EUA. Além disto, a disponibilidade de recursos de gás de xisto não se restringe aos EUA. Um recente levantamento realizado pelo Departamento de Energia (DOE) apontou a existência de grandes volumes de recursos de gás de xisto em 48 bacias sedimentares em 32 países, incluindo Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai e Paraguai.
  • O processo de aprendizado tecnológico dos últimos 10 anos permitiu reduzir de forma radical o custo de produção de gás de xisto. As principais inovações foram: i) redução do tempo de perfuração dos poços; ii) aprimoramento das técnicas de perfuração horizontal; iii) melhoria do conhecimento geológico de áreas produtoras; iv) desenvolvimento de tecnologias de fraturamento hidráulico e padronização de equipamentos. Estas inovações teriam reduzido os custos de produção para menos de 3 dólares por Mmbtu, nas melhores áreas produtoras. Leia o resto deste post »

O futuro do shale gas e a dinâmica da indústria de gás natural

In gás natural on 06/06/2011 at 00:10

Por Marcelo Colomer

O desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas de perfuração horizontal e de fraturamento hidráulico têm permitido a expansão da capacidade de produção de gás natural em formações geológicas de baixa permeabilidade, especialmente em formações de xisto. Nesse novo contexto exploratório, destaca-se o crescimento da produção de gás de xisto nos EUA e no Canadá onde o aumento da oferta interna de gás natural vem modificando completamente o mercado do energético.

Contudo, apesar do aumento da produção canadense e norte americana de gás de xisto, ainda existem grandes incertezas a respeito do potencial produtivo de gás natural em formações geológicas de baixa permeabilidade. Isso se explica não somente pela inexistência de dados geológicos em determinadas formações de xisto como também pelos elevados e ainda pouco conhecidos impactos ambientais da produção de shale gas. Leia o resto deste post »

Impactos do terremoto e da crise nuclear japonesa sobre o mercado internacional de gás natural

In gás natural, GNL on 18/04/2011 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Edmar de Almeida

Um dos poucos consensos existentes entre os especialistas de energia neste momento é o reconhecimento de que a crise energética, em particular a crise nuclear que se estabeleceu no Japão após o grande terremoto do dia 11 de março, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural. Muitos especialistas apressaram-se em apontar uma rápida redenção do mercado de gás natural após quase três anos de preços deprimidos. De fato, o preço do gás natural, assim como o do petróleo, sofreu uma queda abrupta a partir da crise de 2008, permanecendo em um patamar muito baixo, mesmo após a recuperação do preço do barril em 2009. Esta esperada recuperação dos preços no mercado de gás é vista com grande alívio pelos agentes do setor, embora uma análise mais cuidadosa do atual contexto do mercado revele que esta recuperação pode levar mais tempo do que se gostaria. Leia o resto deste post »

Uma agenda para o gás natural no novo governo

In gás natural on 03/01/2011 at 00:13

Por Marcelo Colomer

No dia 14 de dezembro de 2010 foi realizado no Rio de Janeiro pela Associação Brasileira de Estudos de Energia – AB3E – o seminário “Uma Agenda para a Política Energética Brasileira nos Próximos 4 Anos”. Entre todos os temas abordados destaca-se o papel do gás natural na passagem de uma matriz energética predominantemente fóssil para uma matriz energética sustentada em energias renováveis. Nesse contexto, faz-se necessário pensar em uma nova agenda para o gás natural no Brasil.

O cenário atual que se põe à indústria de gás natural mostra-se muito diferente do cenário sobre o qual foi elaborada a lei 11.909. As incertezas sobre a segurança do abastecimento de gás natural, trazidas pela reestruturação do setor de hidrocarbonetos na Bolívia em 2006, e o crescimento acelerado da demanda davam sinais de que o Brasil passaria de uma situação de excesso para uma situação de escassez de gás natural. Leia o resto deste post »

Evolução recente e tendências para a formação de preços no mercado mundial de GNL

In GNL on 29/11/2010 at 00:15

Por Edmar de Almeida

O Comércio mundial de Gás Natural Liquefeito (GNL) experimentou uma enorme expansão nas últimas duas décadas. Esta expansão foi acompanhada por uma evolução importante das formas de precificação e dos tipos de contratos utilizados no comércio de GNL. Tradicionalmente, o comércio de GNL esteve ancorado em contratos de longo-prazo com uma precificação que tentava associar o preço do GNL aos dos combustíveis concorrentes (petróleo ou derivados). Esta forma de comercialização predomina até hoje nos mercados de GNL da Ásia e parte da Europa.

A liberalização dos mercados de gás na América do Norte e em alguns países europeus permitiu o surgimento de novas regras de precificação do gás natural. Com o aumento gradativo da competição gás-gás, alguns mercados de curto-prazo e spots se desenvolveram, viabilizando a utilização de novos indexadores para o comércio do gás natural. Concomitantemente ao surgimento de mercados spot de gás na América do Norte e na Europa, assistimos um rápido desenvolvimento do mercado de GNL na Bacia do Atlântico. A capacidade de regaseificação da Bacia do Atlântico atualmente se aproxima da metade da capacidade mundial. Países como os Estados Unidos e Reino Unido, que havia deixado de importar GNL na década de 1980, voltaram a importar GNL nos anos 2000. Leia o resto deste post »

A quem interessa a nova lei do gás?

In gás natural on 15/11/2010 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Em 2009 foi aprovada pelo governo federal a lei 11.909 com o objetivo de definir o marco regulatório para as atividades de importação, regaseificação/liquefação, transporte e comercialização de gás natural. O desenvolvimento da nova estrutura regulatória foi motivado pelo reconhecimento da incapacidade da lei 9.478 em estimular a competição após o processo de reforma da indústria.

A importância do segmento de transporte na promoção da concorrência no setor de gás natural como um todo, o colocou como tema central da lei 11.909. A atividade de transporte de gás natural, assim como as demais atividades de rede, possui características que diferenciam e condicionam a dinâmica dos investimentos nesse segmento.

Em termos econômicos, a elevada especificidade[1] dos ativos associada à racionalidade limitada e ao comportamento oportunista dos agentes condicionam elevados custos de transação (MAKHOLM [2006, 2007, 2009], CODOGNET [2006] e COLOMER [2010]), que na ausência de garantias regulatórias, impõem elevados riscos aos investimentos. São esses elevados custos de transação, traduzidos em elevados riscos, que explicam a tendência da indústria de gás natural em integrar-se verticalmente. Leia o resto deste post »

A integração truncada das Indústrias de Gás Natural e Eletricidade no Brasil

In energia elétrica, gás natural on 20/09/2010 at 00:15

Por Luciano Losekann

O movimento de convergência das indústrias de gás natural e de eletricidade caracterizou a indústria mundial de energia nos últimos 20 anos. Em países da OCDE, a utilização de gás natural para geração de eletricidade aumentou a uma taxa de 6% ao ano nesse período e sua participação na matriz de geração saltou de 9% para 23%. Atualmente, a participação do gás natural é superior a nuclear e apenas inferior a do carvão.

Alguns fatores explicam essa dinâmica: (i) a descoberta de reservas relevantes de gás natural e interconexão dos mercados mudaram a perspectiva, principalmente na Europa, do gás natural como produto com disponibilidade restrita e reservado para usos mais nobres; (ii) a difusão de turbinas em ciclo combinado tornou a geração de eletricidade a gás natural mais eficiente, aumentando sua competitividade frente a outras fontes; e (iii) a liberalização das indústrias reduziu as barreiras institucionais para entrantes.

Com certo atraso, o Brasil seguiu esse movimento, mas a difusão do gás natural em termelétricas experimentou vários percalços. A construção do gasoduto Brasil-Bolívia impulsionou o uso de gás natural no Brasil e a perspectiva no final dos anos 1990s era que as termelétricas iriam ancorar o desenvolvimento da indústria de gás natural no país. Leia o resto deste post »

A indústria de gás natural no Brasil: os desafios para o novo Governo

In gás natural on 16/08/2010 at 00:15

Por Edmar de Almeida

O desenvolvimento recente da indústria de gás natural no Brasil ocorreu num contexto de relativa escassez de gás nacional. As reservas e a produção brasileira eram modestas, e em sua grande maioria proveniente de campos gás associado pertencentes à Petrobras. Por isto mesmo, a difusão do gás natural no país só se alavancou com o contrato de importação da Bolívia que viabilizou a construção do gasoduto Bolívia-Brasil.

Esse contexto de escassez teve seu auge entre 2006 e 2008, quando a instabilidade política na Bolívia inviabilizou o aumento do volume importado daquele país. A escassez de gás nesse período levou a Petrobras a elevar os preços do gás doméstico e importado e a se lançar em um enorme esforço para aumentar a produção doméstica e diversificar as importações via GNL. Esse contexto de escassez e preços elevados do gás foi uma premissa importante do planejamento e regulação da indústria de gás no Brasil.

Nos últimos dois anos o país vem colecionando boas notícias com relação a descobertas de gás natural. As descobertas do Pré-sal apresentam um grande potencial para produção de gás. Em média, os campos de óleo descobertos na área do pré-sal da Bacia de Santos contêm 20% de gás natural. Estimativas da Petrobrás dão conta de um potencial produtivo de cerca de 40 milhões de metros cúbicos por dia (Mm³/dia), apenas no cluster de Santos. Leia o resto deste post »