Grupo de Economia da Energia

O papel do Estado no apoio às universidades: dois casos de sucesso do setor energético

In energia on 24/06/2019 at 00:15

Por Gustavo Soares (*), Niágara Rodrigues e Yanna Clara Prade

niagara062019Nos últimos meses, vimos surgir um acalorado debate que evidenciou o desconhecimento sobre o trabalho acadêmico e sua importância no Brasil. A questão tomou proporções nacionais após os anúncios de contingenciamento das verbas das universidades e instituições federais de ensino, que inviabilizariam o funcionamento de diversas instituições e paralisariam os cursos e pesquisas em andamento. Ademais, foi anunciada a suspensão de bolsas de pós-graduação aos alunos de mestrado e doutorado, que inviabiliza a permanência de diversos estudantes em seus programas de pesquisa.

Nesse contexto, de cortes orçamentários e desvalorização do trabalho acadêmico, se torna necessário evidenciar o papel clássico e universal do Estado no apoio as instituições de ensino e pesquisa básica. Pegando como exemplo o sistema dos Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, as grandes inovações e tecnologias desenvolvidas pelo país tem forte apoio financeiro do governo federal. O Departamento de Energia do Estados Unidos mantém os “national laboratories”, instituições de pesquisa ligadas a universidades e que seguem linha de pesquisa desenvolvida pelo próprio Departamento. As pesquisas são tanto básicas quanto aplicadas e ambas são necessárias para o desenvolvimento de inovação.

Os desafios da difusão de veículos elétricos no Brasil: desafios e políticas de incentivo

In energia elétrica on 05/06/2019 at 10:57

Por Ana Carolina Cordeiro (*) e Luciano Losekann

losekann062019A crescente preocupação com as mudanças climáticas motivou a busca por soluções menos poluentes no setor de transportes, que responde a parte representativas das emissões globais de CO2. Assim, a introdução de veículos elétricos passou a ser vista como um dos principais vetores da descarbonização da matriz energética. Além dos aspectos climáticos, a difusão de veículos elétricos atenderia a outros objetivos, como a redução da dependência de petróleo em países importadores e a diminuição do ruído e a melhora na qualidade do ar nos centros urbanos.

Existem, no entanto, importantes desafios na difusão de veículos elétricos. Dentre eles, vale destacar o alto custo das baterias e a falta de infraestrutura de recarga. Existem também barreiras do ponto de vista do consumidor, como a resistência a novas tecnologias e a aversão ao risco de não contar com alternativas de abastecimento do veículo.

O Brasil conta com características específicas que influenciam o padrão de difusão de veículos elétricos. A elevada participação de biocombustíveis torna a determinante de mitigação de emissões menos relevante. O menor poder de compra em relação ao países desenvolvidos implica em uma concentração da frota em modelos populares, onde o alto custo das baterias dificulta a competitividade dos veículos elétricos. Conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), os veículos de entrada e hatchs pequenos alcançaram quase metade do total de emplacamentos entre janeiro de 2017 e junho de 2018.

A importância das redes para o sucesso das estratégias de descarbonização do setor elétrico

In energia elétrica on 14/05/2019 at 15:13

Por Clarice Ferraz

clarice052019A crescente eletrificação do consumo de energia associada à necessidade de descarbonização do setor já provoca importantes mudanças nos negócios de empresas de energia ao redor do mundo.

A resposta à necessidade de descarbonização veio sobretudo pelo avanço das novas energias renováveis, através de geração distribuída. A integração desses novos recursos energéticos distribuídos (REDs), marcados pela intermitência de sua geração, traz uma série de novos desafios para o setor de transporte de eletricidade. Como em toda reestruturação, Burger et al. (2018) lembram que “os reguladores e formuladores de políticas devem reconsiderar cuidadosamente como a estrutura da indústria no âmbito da distribuição afeta o planejamento, a coordenação e a operação do sistema, bem como a concorrência, o desenvolvimento do mercado e a eficiência de custos”.

A revolução agora se dá a partir do setor de distribuição e vai a montante afetando os outros componentes do sistema elétrico, com destaque para a transmissão, setor que recebe pouca atenção. Na realidade, são diversas transformações ocorrendo de forma concomitante, o que aumenta sua complexidade e o risco associado às reformas.