Grupo de Economia da Energia

Grupo Eletrobras: estratégias às escuras

In energia elétrica on 09/07/2019 at 14:32

Por Renato Queiroz

Todo país busca elaborar, em um processo contínuo, estratégias para assegurar seu abastecimento energético pois é sabido que as sociedades modernas têm como imprescindível o acesso aos serviços de energia. A segurança energética é cada vez mais um fator prioritário na agenda política dos países.

No entanto, medidas efetivas para afastar da sociedade o risco da falta de energia ou para diminuir a instabilidade da falta de acesso às fontes energéticas exigem a identificação e aplicação de ações de médio e longo prazos, de modo a permitir que o Estado tenha um planejamento de cunho estratégico. Prover energia exige um processo complexo, envolvendo interesses políticos, econômicos, sociais e geopolíticos. De certo não faz sentido formular uma política nacional, em particular a energética, sem uma definição clara e consequente de prioridades, para assegurar que as linhas de ações setoriais e globais sejam coerentes e complementares.

No contexto das políticas energéticas, os países buscam suprir suas sociedades de energia a preços estáveis sem riscos de descontinuidade e de dependência externa. De fato, as nações, através de seus diversos governos, buscam continuamente uma situação de independência política, econômica. Contudo, se tal nação não estiver sob um cenário de segurança energética, a vulnerabilidade política aumenta. Afinal a energia ocupa um papel de destaque nas sociedades em função da sua forte relação com a economia, a tecnologia, o meio ambiente e com o quadro social.

O papel do Estado no apoio às universidades: dois casos de sucesso do setor energético

In energia on 24/06/2019 at 00:15

Por Gustavo Soares (*), Niágara Rodrigues e Yanna Clara Prade

niagara062019Nos últimos meses, vimos surgir um acalorado debate que evidenciou o desconhecimento sobre o trabalho acadêmico e sua importância no Brasil. A questão tomou proporções nacionais após os anúncios de contingenciamento das verbas das universidades e instituições federais de ensino, que inviabilizariam o funcionamento de diversas instituições e paralisariam os cursos e pesquisas em andamento. Ademais, foi anunciada a suspensão de bolsas de pós-graduação aos alunos de mestrado e doutorado, que inviabiliza a permanência de diversos estudantes em seus programas de pesquisa.

Nesse contexto, de cortes orçamentários e desvalorização do trabalho acadêmico, se torna necessário evidenciar o papel clássico e universal do Estado no apoio as instituições de ensino e pesquisa básica. Pegando como exemplo o sistema dos Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, as grandes inovações e tecnologias desenvolvidas pelo país tem forte apoio financeiro do governo federal. O Departamento de Energia do Estados Unidos mantém os “national laboratories”, instituições de pesquisa ligadas a universidades e que seguem linha de pesquisa desenvolvida pelo próprio Departamento. As pesquisas são tanto básicas quanto aplicadas e ambas são necessárias para o desenvolvimento de inovação.

Os desafios da difusão de veículos elétricos no Brasil: desafios e políticas de incentivo

In energia elétrica on 05/06/2019 at 10:57

Por Ana Carolina Cordeiro (*) e Luciano Losekann

losekann062019A crescente preocupação com as mudanças climáticas motivou a busca por soluções menos poluentes no setor de transportes, que responde a parte representativas das emissões globais de CO2. Assim, a introdução de veículos elétricos passou a ser vista como um dos principais vetores da descarbonização da matriz energética. Além dos aspectos climáticos, a difusão de veículos elétricos atenderia a outros objetivos, como a redução da dependência de petróleo em países importadores e a diminuição do ruído e a melhora na qualidade do ar nos centros urbanos.

Existem, no entanto, importantes desafios na difusão de veículos elétricos. Dentre eles, vale destacar o alto custo das baterias e a falta de infraestrutura de recarga. Existem também barreiras do ponto de vista do consumidor, como a resistência a novas tecnologias e a aversão ao risco de não contar com alternativas de abastecimento do veículo.

O Brasil conta com características específicas que influenciam o padrão de difusão de veículos elétricos. A elevada participação de biocombustíveis torna a determinante de mitigação de emissões menos relevante. O menor poder de compra em relação ao países desenvolvidos implica em uma concentração da frota em modelos populares, onde o alto custo das baterias dificulta a competitividade dos veículos elétricos. Conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), os veículos de entrada e hatchs pequenos alcançaram quase metade do total de emplacamentos entre janeiro de 2017 e junho de 2018.