Grupo de Economia da Energia

Segurança energética e política externa do gás natural

In gás natural on 19/07/2017 at 12:03

Por Marcelo Colomer

marcelo072017Desde o fim da primeira guerra mundial, as questões relacionadas à segurança do abastecimento energético vêm ajudando a definir as condições de contorno da política externa dos países, principalmente daqueles que hoje compõem o centro dinâmico do capitalismo moderno. Barbieri (2011) define como nacionalismo energético o conjunto de ações diplomáticas empregadas para garantir o acesso dos Estados Nacionais aos recursos energéticos. Segundo Barbieri (2011), os países produtores de energia exercem seu nacionalismo energético como reação ao receituário liberal dos países consumidores de energia e como forma de proteger seus recursos. Por outro lado, os países consumidores utilizam o nacionalismo energético para garantir a segurança do seu abastecimento de energia.

Grande parte dos estudos acadêmicos analisam a relação entre segurança energética e política externa seguindo uma ordem de causalidade em que a primeira define e justifica as ações da segunda. Isto é, a necessidade de se garantir o fornecimento de energia legitima e justifica as ações de política externa dos países.

Bioeconomia em construção XII – Bioeconomia no Brasil: explorando questões-chave para uma estratégia nacional

In biocombustíveis on 10/07/2017 at 10:30

Por José Vitor Bomtempo, Flavia Alves e Fábio Oroski*

Durante 5 semanas, em maio e junho, o nosso Grupo de Estudos em Bioeconomia, em parceria com a ABBI – Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial e com a CNI – Confederação Nacional da Indústria, realizou, em São Paulo, a segunda edição do nosso programa de capacitação em Bioeconomia. O programa, denominado Mini MBA em Bioeconomia e Inovação, foi desenvolvido com o objetivo de apresentar e discutir, na perspectiva da bioeconomia, a dinâmica tecnológica e de inovação que envolve a formação e o desenvolvimento das indústrias baseadas em recursos biológicos renováveis.

A perspectiva adotada nas sessões foi de buscar sempre uma visão global da bioeconomia. Na linha das discussões que têm sido conduzidas neste blog, partiu-se da premissa de que a indústria biobased é uma indústria emergente e explorou-se como eixo de todas as discussões o processo de estruturação da indústria. Esse processo, na nossa visão, se articula em torno de quatro dimensões: matérias-primas, tecnologias, produtos e modelos de negócios. Essas dimensões co-evoluem dentro de um macroambiente – a paisagem sócio-técnica – que envolve as políticas, regulações e tendências da sociedade.

A reforma do setor elétrico brasileiro: O Brasil na contramão do desenvolvimento sustentável

In energia elétrica on 28/06/2017 at 17:30

Por Clarice Ferraz

clarice062017Há tempos tem-se discutido a necessidade de se realizar uma reforma da organização do Setor Elétrico Brasileiro (SEB). Por repetidas vezes, nesses últimos anos, houve risco elevado de ruptura de abastecimento e um aumento muito expressivo do nível de preços do sistema. A estruturação das atividades do SEB em torno de um planejamento centralizado e comandado pelo poder concedente, na figura do MME, tem sido incapaz de garantir a contento a expansão da oferta e a modicidade tarifária.

Além disso, também fracassou no objetivo de aumentar a participação das renováveis na matriz elétrica. Como mostra a figura abaixo, o País é dos poucos países onde a matriz elétrica tem se carbonizado, indo na contramão da evolução tecnológica e da preocupação pelas mudanças climáticas, associadas às emissões poluentes, em que se destacam as emissões provenientes da produção e do consumo de energia. Em um cenário de crescente urbanização e eletrificação, a evolução da composição da matriz de geração do setor elétrico deve receber atenção especial.