Grupo de Economia da Energia

Vídeos e podcasts do GEE

In energia on 23/03/2021 at 11:41

Os vídeos do Grupo de Economia da Energia (GEE) podem ser encontrados no YouTube no Canal IE – UFRJ na playlist “Grupo de Economia da Energia” e os podcasts no GEE Energia em todos os agregadores. Clique nas imagens abaixo e assista os últimos vídeos disponíveis. Clique na versão em áudio e ouça o podcast.

De Potências, Energias e Espertezas na Batalha do TCU. Versão em áudio.

A Ignorância dos Especialistas: Subestimada e Inevitável. Versão em áudio.

O Problema do Setor Elétrico Aqui e no Mundo. Versão em áudio.

Os Resultados da COP 26. Versão em áudio.

Crise hídrica: O Paciente Melhorou, mas Segue Entubado. Versão em áudio.

A Nova Geopolítica das Energias Renováveis: A china no Centro do Jogo. Versão em áudio.

As Petroleiras e a Transição. Versão em áudio.

Por Que a Gasolina em São Paulo é mais Barata do que no Rio de Janeiro. Versão em áudio.

Crise hídrica: Flertando com o Desastre. Versão em áudio.

A Indústria de Gás Natural no Mundo em 2020. Versão em áudio.

Privatização da Eletrobras: A Crise Contratada. Versão em áudio.

A Bioeconomia e as Oportunidades para a Agenda de Inovação no Brasil. Versão em áudio.

As Sanções Americanas e a Indústria Petrolífera Venezuelana. Versão em áudio.

As Lições do Desastre elétrico no Texas. Versão em áudio.

A tragédia de uma agenda ruim

In energia elétrica on 23/02/2022 at 11:41

Ronaldo Bicalho

Como dizia Mário Henrique Simonsen, “formulado de maneira correta, o problema mais difícil do mundo um dia será resolvido. Formulado de maneira incorreta, o problema mais fácil do mundo jamais será resolvido”.

Ter uma boa agenda é fundamental para resolver os problemas. Uma boa agenda organiza, direciona e seleciona os recursos necessários ao enfrentamento adequado dos problemas, nos aproximando pari passu das soluções, acumulando experiências em um processo de aprendizado fundamental na resolução de questões complexas.

Ao contrário, uma agenda ruim torna mais difícil encontrar as soluções dos problemas. Uma agenda ruim desorganiza, tira o foco e desmobiliza os recursos necessários ao enfrentamento dos problemas reais, nos distanciando das soluções, acumulando erros em um processo de emburrecimento trágico.

O problema fundamental do setor elétrico brasileiro hoje é ter uma agenda ruim. Uma agenda que não só nos afasta do equacionamento das questões reais do setor, mas também desorganiza, desorienta e desestrutura os recursos necessários ao enfrentamento dos efetivos e gigantescos problemas estruturais do setor elétrico brasileiro.

Uma boa agenda seleciona os problemas e as formas de resolvê-los. Então, comecemos por aí. Qual é o problema?

Qual o problema do setor elétrico no mundo hoje?

O problema central do setor elétrico no mundo hoje é a transição energética. É abandonar a matriz elétrica baseada nos combustíveis fósseis e adotar uma nova matriz sustentada pelas novas fontes de energia renováveis (basicamente, solar e eólica). Esse abandono não é movido por forças endógenas ao setor, mas por fatores que se encontram fora dele e se concentram na urgência do enfrentamento do aquecimento global e, portanto, na premência da redução da queima dos combustíveis fósseis.

Dadas as diferenças existentes entre os atributos técnico-econômicos dos combustíveis fósseis e das energias renováveis, a transição de uma matriz fóssil para uma matriz renovável envolve desafios gigantescos de natureza tecnológica, econômica, organizacional, regulatória e político-institucional.

No momento, essa transição é um processo indeterminado e aberto, pleno de riscos, incertezas e tensões.

De pipocas, mercados de capacidade e privatização da Eletrobras

In energia elétrica on 14/02/2022 at 11:28

Ronaldo Bicalho

Depois de quase quarenta anos estudando o setor elétrico, eu diria que complexidade é a palavra que melhor define essa atividade econômica essencial para o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade.

Dados os atributos técnicos, econômicos, políticos e sociais do produtos energia elétrica e dos processos que a geram, transmitem, distribuem e consomem, não é simples avaliar os impactos das ações/decisões individuais sobre o sofisticado sistema que entrelaça processos, agentes econômicos, políticos e sociais em uma teia de interdependências radicais e profundas  que não é encontrada em nenhuma outra atividade econômica.

Em outras palavras, não é fácil entender o que se passa em um setor elétrico. Pelo contrário, essa é uma tarefa difícil, penosa e, voilà, complexa.

Por isso, meu caro leitor, se você tem dificuldades de entender o que se passa, de fato, nesse setor, relaxe pois nem mesmo aqueles que trabalham no setor entendem. Não há especialistas no setor elétrico. Existem indivíduos que conhecem parte do setor e que raramente vão além das suas especialidades.

Aqui encontramos o melhor exemplo da parábola indiana  dos cegos e o elefante na qual cada cego toca uma parte diferente do corpo do elefante e o descreve com base em sua própria e limitada experiência.

Verdades absolutas baseadas em experiências limitadas e subjetivas é o que mais se encontra no setor elétrico. Principalmente, quando as instituições, o único espaço no qual as experiências podem ser somadas a partir de uma perspectiva coletiva de enfrentar essa “elefantídeca” complexidade, se desmancham e passam a vigorar o curto prazo e as agendas individuais, que são as melhores conselheiras para os grandes desastres setoriais. Desastres que em geral resultam da combinação de ignorância e má-fé.

Já encontrei situações em que uma certa burrice denota mais uma má-fé esperta do que uma ignorância real. Porém, os anos me ensinaram que o exercício da burrice, mesmo que movido pela esperteza, torna as pessoas mais burras e não o contrário. Assim, a esperteza conjuntural vai se transformando em burrice estrutural. Essa última é grave e não tem cura.