Grupo de Economia da Energia

A modernização do setor elétrico brasileiro

In energia elétrica on 22/11/2020 at 16:15

Ronaldo Bicalho

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Um setor elétrico pode escolher ser mais ou menos moderno, mas ele não pode deixar de ser contemporâneo e ignorar sua circunstância. Ele precisa responder às questões colocadas pelo seu tempo e lugar.

A agenda real do setor elétrico no mundo hoje é definida a partir da transição energética, fruto da urgência do enfrentamento da crise climática. No caso desse setor específico, essa transição é sinônimo de descarbonização da matriz de geração de eletricidade, implicando em mudança radical da sua base de recursos naturais, com a retirada do seu pilar tradicional, que são os combustíveis fósseis.

Por outro lado, a agenda real do setor elétrico brasileiro hoje é definida a partir do esgotamento do seu modelo hidroelétrico tradicional, que impõe a configuração de uma nova matriz de geração de eletricidade e, portanto, de uma nova base de recursos naturais para o setor. Mudanças impostas pela perda do papel da energia hidráulica como pilar central de sustentação da base tradicional, fruto do esgotamento dos mecanismos clássicos de mitigação do risco hidrológico, resultante da perda de capacidade de regularização dos seus reservatórios.

Entendendo as transformações do setor elétrico em transição

In energia elétrica on 05/11/2020 at 21:41

Clarice Ferraz

A necessidade de descarbonizar as atividades do setor elétrico impôs uma maior participação das energias renováveis variáveis em todo o mundo. Para que o setor elétrico alcance o grau de descarbonização necessário que limite o aquecimento climático em até 2 graus Celsius até 2050, será necessária uma radical transformação das atividades o setor elétrico. De acordo com IRENA (2019), a participação de fontes renováveis para a geração de eletricidade deverá passar de 15 a 85% dos portfolios de geração.  

A imprevisibilidade e a variabilidade da geração impõem adequações físicas para que o sistema elétrico tenha a segurança de abastecimento garantida. As mudanças provocadas pelo avanço da integração das Energias Renováveis Variáveis (ERV) afetam desde a operação e a organização, e estas, por sua vez, impõem consequentemente mudanças nos mercados de eletricidade, além dos exercícios de planejamento de curto, de médio e de longo prazo.  

Ao longo dos últimos 100 anos, os setores elétricos desenvolveram-se em torno de centrais de geração de eletricidade, de grande porte, despachados para atender à demanda de carga dos consumidores. As centrais elétricas despacháveis são alimentadas por diversas fontes como hidroeletricidade, energia nuclear, gás natural, biomassa, etc., e todas utilizam geradores síncronos no ponto de conexão com o sistema elétrico. Esses geradores estocam certa quantidade de energia primária, inercial, ao gerar eletricidade para atender à demanda (Kroposki, 2017: 831).  

A política da política industrial para o setor de petróleo e gás natural: reflexões sobre a experiência entre 2003 e 2016

In gás natural, petróleo on 26/10/2020 at 19:12

William Adrian Clavijo Vitto

No início de 2003, o primeiro governo de Luís Inácio Lula da Silva retomou a visão favorável ao papel ativo do Estado na economia e da utilização do petróleo como palanque para impulsionar o desenvolvimento industrial do Brasil. A partir desse momento, as políticas nesse setor passaram a ocupar uma posição prioritária na agenda governamental. Essa determinação deu lugar a mais de uma década de execução de políticas ativas para expandir a capacidade de produção de petróleo da Petrobras, ao mesmo tempo em que se impulsionava a retomada da indústria naval e outros setores da cadeia de fornecimento de equipamentos e serviços para o desenvolvimento de sistemas de produção de petróleo no mar.

No início de 2003, o primeiro governo de Luís Inácio Lula da Silva retomou a visão favorável ao papel ativo do Estado na economia e da utilização do petróleo como palanque para impulsionar o desenvolvimento industrial do Brasil. A partir desse momento, as políticas nesse setor passaram a ocupar uma posição prioritária na agenda governamental. Essa determinação deu lugar a mais de uma década de execução de políticas ativas para expandir a capacidade de produção de petróleo da Petrobras, ao mesmo tempo em que se impulsionava a retomada da indústria naval e outros setores da cadeia de fornecimento de equipamentos e serviços para o desenvolvimento de sistemas de produção de petróleo no mar.