Grupo de Economia da Energia

A crise do setor elétrico é estrutural

In energia elétrica on 16/05/2018 at 18:29

Por Ronaldo Bicalho

bicalho052018O setor elétrico brasileiro tem um problema definitivo e grave: o esgotamento do seu modelo tradicional de operação e expansão.

Nesse modelo, baseado na exploração do nosso generoso potencial hidrelétrico, os reservatórios jogaram um papel crucial na regularização das vazões dos rios e, portanto, na redução da exposição das usinas hidrelétricas ao risco hidrológico de não chover o suficiente e, em consequência, não se ter a água necessária para gerar a energia elétrica desejada.

A partir do momento em que fatores técnicos, ambientais, sociais e políticos passaram a restringir a construção de novos reservatórios, a redução da capacidade de regularização e, em consequência, a crescente exposição ao risco hidrológico passaram a fazer parte da agenda de problemas estruturais do setor elétrico brasileiro.

A perda de capacidade de coordenação, advinda do processo de fragmentação institucional iniciada pelas reformas dos anos 1990s, e o peso cada vez maior da intermitência na geração, via a crescente participação das novas fontes renováveis (eólica e solar) e das novas usinas hidrelétricas a fio de água (sem reservatório), aceleraram a deterioração do modelo.

Nuclear para reduzir emissões: ter ou não ter, eis a questão

In energia, energia nuclear on 09/05/2018 at 14:27

Por Renato Queiroz

Renato052018As mudanças climáticas e a segurança energética, em uma era de transitoriedade, delimitam as decisões no estabelecimento de políticas públicas energéticas, mecanismos regulatórios, investimentos no setor de energia, pesquisas acadêmicas, entre outros. O contexto de transitoriedade cria incerteza e, sob essa tônica, o exercício de planejar o futuro deve considerar como condição necessária a inovação (QUEIROZ, 2010). A velocidade das mudanças pode ser de tal ordem que o estado de permanência das tecnologias que movimentam os negócios fique cada vez menor. Os ambientes fabris estão sendo impulsionados a tomarem decisões com poucas margens de erros e com rapidez; como um arqueiro que permanece em uma mesma posição, em um breve tempo, mirando o alvo certo antes de disparar a flecha.

“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”. William Shakespeare

Preço de combustíveis no Brasil: Evolução recente e papel do Estado

In petróleo on 03/05/2018 at 13:35

Por Luciano Losekann

luciano052018Desde a implantação da nova política de preços para combustíveis da Petrobras, em julho de 2017, os preços dos combustíveis no Brasil são alinhados aos preços internacionais no curto prazo. Recentemente, dois fatos relacionados a essa situação tiveram destaque na imprensa: a escalada de preços da gasolina e diesel e a substituição do GLP por lenha em residências brasileiras.

No mês de abril, o preço do diesel subiu 12% nas refinarias e o da gasolina, 7%. Segundo os dados divulgados pela ANP, os preços médios do litro do diesel e da gasolina nos postos de abastecimento brasileiros alcançaram R$ 3,47 e R$4,23 na última semana de abril. A alta foi impulsionada pela elevação do preço internacional do petróleo com a tensão no Oriente Médio em decorrência do bombardeamento da Síria, o barril do Brent fechou o mês a US$ 75, e pela valorização do dólar frente ao real, que alcançou 6,2% no mês de abril.

Ainda que a alta dos preços combustíveis não seja uma novidade nesse novo contexto, chama a atenção a sua disparidade com os demais preços da economia. Os indicadores já disponíveis apontam para uma inflação entre 0,2% e 0,3% em abril.