Grupo de Economia da Energia

Bioeconomia em construção XV – Green Rio, a bioeconomia e os pequenos negócios

In biocombustíveis on 10/07/2018 at 11:15

Por José Vitor Bomtempo

O Green Rio, um evento anual que teve sua primeira edição em 2012, por ocasião da Rio+20, já se tornou tradicional no Rio de Janeiro. Nos últimos anos, o evento ganhou uma nova perspectiva, a de encontro de referência da bioeconomia no Rio de Janeiro. Isso pode ser visto pela programação do Green Rio 2018, realizado nos dias 24, 25 e 26 de maio, na Marina da Glória, Rio de Janeiro. O evento está ocupando duas lacunas importantes na construção da bioeconomia no Brasil.

A primeira lacuna é a quase ausência do Rio de Janeiro no debate e nos eventos relacionados à bioeconomia. Concentrando universidades e centros de pesquisas importantes, o Rio poderia ter uma presença muito mais importante no desenvolvimento da bioeconomia, tanto do ponto de vista nacional quanto regional.

O Rio de Janeiro pode vir a ser um centro de encontros e debates sobre a construção da bioeconomia. Na edição recente do Green Rio, a exemplo do que já tinha ocorrido em 2017, foi realizado um fórum Brasil – Alemanha em que atores chave das inovações em bioeconomia dos dois países tiveram a oportunidade de apresentar e comparar suas visões, abrindo um espaço de discussão para projetos de cooperação.  O German Brazilian Bioeconomy Workshop explorou, numa programação paralela e com a presença de experts convidados do Brasil e da Alemanha, três temas centrais da bioeconomia:  Phenotyping and plant breeding, Industrial use of renewable resources, Biological pest control. Os resultados dessas discussões bilaterais serão explorados como base para projetos de cooperação entre os dois países em projetos de pesquisa e inovação.

Adaptando estratégias para o equilíbrio do setor elétrico em tempos de incerteza

In energia elétrica on 28/06/2018 at 15:02

Por Clarice Ferraz

clarice072018O último volume do The Energy Journal é integralmente dedicado aos desafios do setor energético em um mundo de incerteza. Creti, Nguyen, e Kilian (2018) destacam que somadas, e relacionadas, às transformações mundiais se encontram as mudanças específicas do setor energético. Nele, os autores destacam três fontes de incerteza: a revolução do óleo não convencional; a financeirização dos mercados futuros de energia e a provável transição para uma economia pouco intensiva em carbono, criando mais atratividade para as fontes renováveis em detrimento das fósseis.

Ao olharmos para o Brasil, às incertezas citadas acima se somam a profunda crise político-institucional e econômica, que afeta negativamente o nível de investimentos de modo geral e, em particular, o setor elétrico, cujo modelo regulatório já mostrava claros sinais de mau funcionamento. O setor elétrico carrega diversos desequilíbrios, e judicializações, e uma grande incerteza quanto à sua futura organização institucional.

O ambiente desfavorável ao investimento constitui uma ameaça à capacidade de se preencher um gap entre oferta e demanda de eletricidade, previsto pelo PDE 2026, para ocorrer partir de 2022/2023, se nada for feito para remediar a situação, como mostra a figura abaixo.

A encruzilhada chegou: para onde vai a política de precificação dos combustíveis no Brasil?

In petróleo on 18/06/2018 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Gustavo Soares (*)

edmar062018Em 2012, em plena euforia da descoberta do Pré-sal, escrevemos um artigo no Infopetro intitulado “A encruzilhada da política de precificação dos combustíveis no Brasil”, onde chamávamos atenção para o fato de que a autossuficiência na produção de petróleo e a perspectiva do Brasil se tornar um grande exportador tenderiam a criar um grande desafio para política energética nacional: a tentação política de praticar preços de combustíveis no país abaixo dos praticados no mercado internacional (Almeida, 2012).

Este tema esteve latente na política energética nacional. Após a liberalização total dos preços em janeiro de 2003, o governo passou a estabelecer uma influência indireta no estabelecimento dos preços, através da Petrobras. A política de preços era oficialmente de alinhamento dos preços domésticos aos preços internacionais. Entretanto, os reajustes para a busca de tal alinhamento era coordenado e autorizado pelo governo. Esta política se esgotou durante o governo da presidente Dilma, que decidiu incluir os preços dos derivados de petróleo (oficialmente livres) na sua política de controle de preços administrados para combater a inflação (Oliveira e Almeida, 2015).