Grupo de Economia da Energia

Estado Nacional de Segurança: O papel do ARPA-E nas inovações do setor de energia norte-americano

In energia, Uncategorized on 15/08/2018 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Para Linda Weiss (Weiss, 2014), apesar do rótulo liberal associado à economia estadunidense, o Estado norte-americano criou o mais formidável modelo de desenvolvimento tecnológico, orientado pela demanda do “Estado de Segurança Nacional” por inovações. Para a autora, em vez de relações, relativamente discretas, onde fornecedores de equipamentos de defesa intensivos em tecnologia interagem com demandantes específicos de segurança, a demanda do Estado por inovação nos EUA evoluiu para uma série de estruturas hibridizadas nas quais as linhas entre público e privado, segurança e comércio, militar e civil foram completamente entrecruzadas. Para Weiss, o ativismo do Estado norte-americano na orientação das demandas por inovação não pode ser entendido meramente como uma política industrial, mas como um fenômeno sui generis que emergiu de objetivos profundamente estratégicos.

Desde a Segunda Grande Guerra, o Sistema de Segurança Nacional (NSS) norte-americano prevalece nos setores de elevado risco tecnológico. A demanda por inovação criada pelo estado de Segurança Nacional garantiu, e continua garantindo, as fundações para os setores intensivos em tecnologia (Weiss, 2014). No entanto, para a autora, desde a década de 1980, a supremacia militar norte-americana depende cada vez menos das empresas que compõe o “complexo militar” e cada vez mais das firmas intensivas em tecnologia (high-tech) que se mostram relutantes em trabalhar, diretamente, em projetos militares. Nesse sentido, a manutenção do estado de Segurança Nacional nos EUA depende da crescente capacidade do Estado em buscar novos aliados privados fora dos tradicionais pools de fornecedores militares. Para isso, no entanto, não basta dar as garantias tradicionais de compras estatais. Para as modernas empresas de tecnologia, a difusão comercial de suas inovações mostra-se muito mais atraente do que as estruturas cartelizadas de fornecedores do estado.

Margens de distribuição do gás natural no Brasil: uma análise comparativa do caso brasileiro

In gás natural on 06/08/2018 at 16:14

Por Yanna Clara, Edmar de Almeida e Gustavo Soares (*)

Yanna082018Até a década de 1990, quando os preços dos insumos energéticos comerciais (óleo combustível, gás natural e GLP) eram controlados, a oferta de energia representava um fator de competitividade para a indústria brasileira. Todavia, após a liberalização dos preços nos anos posteriores observou-se uma escalada nos preços dos insumos energéticos uma vez que a desregulamentação não foi acompanhada de uma política de aumento na competição no setor de petróleo e gás natural no Brasil, que se estrutura atualmente como quase monopólio da Petrobras.

Por questões específicas da cadeia do gás natural, apenas o preço de produção deste foi liberalizado, segmento da cadeia onde há possibilidade de competição. Tanto o transporte quanto a distribuição do gás natural permanecem regulados uma vez que são segmentos com características de monopólio natural. A Petrobras é o maior produtor e praticamente único transportador do gás natural no Brasil e, na prática, a empresa determina os preços do insumo, apesar do transporte ser regulado pela ANP. A distribuição é monopólio concedido pelos governos estaduais que geralmente possuem um órgão regulador do contrato de concessão do serviço de distribuição do gás natural, sendo realizado por uma agência regulatória independente e multi-setorial (assumindo a regulação de vários serviços de infraestrutura) ou por Secretaria ligada ao governo.

Bioeconomia em construção XV – Green Rio, a bioeconomia e os pequenos negócios

In biocombustíveis on 10/07/2018 at 11:15

Por José Vitor Bomtempo

O Green Rio, um evento anual que teve sua primeira edição em 2012, por ocasião da Rio+20, já se tornou tradicional no Rio de Janeiro. Nos últimos anos, o evento ganhou uma nova perspectiva, a de encontro de referência da bioeconomia no Rio de Janeiro. Isso pode ser visto pela programação do Green Rio 2018, realizado nos dias 24, 25 e 26 de maio, na Marina da Glória, Rio de Janeiro. O evento está ocupando duas lacunas importantes na construção da bioeconomia no Brasil.

A primeira lacuna é a quase ausência do Rio de Janeiro no debate e nos eventos relacionados à bioeconomia. Concentrando universidades e centros de pesquisas importantes, o Rio poderia ter uma presença muito mais importante no desenvolvimento da bioeconomia, tanto do ponto de vista nacional quanto regional.

O Rio de Janeiro pode vir a ser um centro de encontros e debates sobre a construção da bioeconomia. Na edição recente do Green Rio, a exemplo do que já tinha ocorrido em 2017, foi realizado um fórum Brasil – Alemanha em que atores chave das inovações em bioeconomia dos dois países tiveram a oportunidade de apresentar e comparar suas visões, abrindo um espaço de discussão para projetos de cooperação.  O German Brazilian Bioeconomy Workshop explorou, numa programação paralela e com a presença de experts convidados do Brasil e da Alemanha, três temas centrais da bioeconomia:  Phenotyping and plant breeding, Industrial use of renewable resources, Biological pest control. Os resultados dessas discussões bilaterais serão explorados como base para projetos de cooperação entre os dois países em projetos de pesquisa e inovação.