Grupo de Economia da Energia

O Desenvolvimento da infraestrutura de transporte de gás natural no Brasil: oportunidades e desafios

In gás natural on 12/10/2018 at 14:34

Por Edmar de Almeida

edmar102018A indústria de gás natural Brasileira encontra-se em um momento decisivo do seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que o rápido desenvolvimento do Pré-sal descortina um enorme potencial para produção doméstica de gás, o modelo de desenvolvimento da infraestrutura de transporte ancorado nos investimentos da Petrobras alcançou o seu limite. Desde a construção do Gasene e da inauguração do gasoduto Coari-Manaus há quase 10 anos atrás, nenhum outro investimento significativo em transporte de gás ocorreu no país. A rede de transporte de gás está concentrada na costa e grande parte do território nacional não tem acesso ao gás natural. Por outro lado, a demanda de gás vem crescendo principalmente no segmento de geração termelétrica. Esta expansão se baseou principalmente na oferta de GNL importado para suprimento de térmicas localizadas nos portos de importação, sem criar uma demanda para o transporte de gás natural no país.

Diante do exposto acima, o país caminha para uma situação na qual o grande potencial de expansão da produção de gás pode ser frustrado pela ausência de demanda por falta de uma política adequada de expansão da infraestrutura de escoamento e transporte. Esta seria uma situação esdrúxula onde o país continuaria a importar gás (GNL) e deixaria aproveitar todo o seu potencial produtivo por falta de uma política e um modelo de desenvolvimento do setor. Para evitar este paradoxo, é fundamental avançar com a reforma da indústria de gás nacional, de maneira a criar um modelo para expansão do setor.

O futuro da política de preços de derivados no Brasil

In petróleo on 04/10/2018 at 18:13

Por Edmar de Almeida, Niágara Rodrigues, Luciano Losekann

niagara102018O novo governo eleito em 2018 terá pela frente um enorme desafio de política energética, que é a definição de uma estratégia para a estruturação do segmento de refino com implicações sobre a precificação de derivados. O novo presidente terá que decidir por dois caminhos possíveis: i) manutenção do quase-monopólio da Petrobras na oferta; ii) promoção da competição no mercado de combustíveis no Brasil. Esta decisão política será essencial para enquadrar o debate sobre as opções regulatórias quanto a precificação de combustíveis no Brasil. Cada um dos caminhos irá implicar em formas de atuação totalmente diferentes no mercado de combustíveis nacional.

No primeiro caso, o debate regulatório que seguirá esta decisão é como defender o interesse dos consumidores em relação à carestia e à volatilidade dos preços dos derivados. Mais particularmente, qual será o papel da Petrobras neste processo. O governo terá que decidir se irá utilizar o caixa da empresa para estabilizar preços, ou se irá buscar novos instrumentos de intervenção nos preços como impostos flexíveis e, ou fundos de estabilização dos preços.

A indústria do gás natural na Venezuela: analisando a experiência recente

In gás natural on 26/09/2018 at 20:29

Por William Adrian Clavijo

william092018Historicamente, o core business da Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) sempre se concentrou em petróleo. Devido as características dos recursos petrolíferos venezuelanos, na sua maioria de petróleo pesado e ultra pesado, PDVSA e suas empresas associadas precisam destinar mais de 60% do gás natural produzido no país em reinjeção, combustíveis e outras atividades relacionadas com a produção petrolífera [1]. Por esse motivo, além de questões associadas a ideias nacionalistas e às restrições no fluxo de caixa da PDVSA, a estatal nunca encontrou nos recursos de gás natural não associado uma oportunidade de negócio nem pensando no mercado local. De fato, o foco das preocupações com a indústria do gás natural na Venezuela sempre esteve na produção de recursos suficientes para atender a produção de petróleo e satisfazer o consumo nacional em outros setores além do petrolífero.