Grupo de Economia da Energia

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Venezuela na geopolítica do petróleo norte-americana (parte I)

In petróleo on 12/08/2019 at 15:21

Por William A. Clavijo Vitto

william082019Desde janeiro de 2019, o acirramento da situação política na Venezuela explicitou a complexidade de uma crise cujo escopo transcende o espaço nacional. Após a reeleição do Nicolas Maduro numa eleição presidencial questionada pela oposição política e a comunidade internacional, o parlamento venezuelano declarou a Juan Guaidó como presidente interino da República e mais de 50 países procederam a reconhecê-lo como chefe de Estado. Em seguida, esses atores começaram uma nova ronda de pressões com a orientação de propiciar uma transição política através de umas eleições com garantias nesse país.

O governo de Donald Trump, que já tinha imposto sanções individuais contra funcionários do regime chavista, e, em 2017 baniu a possibilidade do Estado venezuelano e da PDVSA renegociarem sua dívida pública ou emitir novos papeis no sistema financeiro norte-americano, finalmente tomou a determinação de proibir a importação de óleo venezuelano. De imediato, a aplicação dessas sanções serviu para levantar as teses centradas nos interesses norte-americanos sobre o petróleo venezuelano, cada vez que são analisadas as relações entre esses países.

Embora seja inegável a importância que o petróleo desempenha nas questões de segurança nacional norte-americana, as condições do contexto internacional atual, incluindo as mudanças estruturais experimentadas pelo mercado petroleiro nas últimas décadas, obrigam a rever as principais ideias que nortearam as discussões de economia política sobre o tema. Nesse sentido, as linhas seguintes serão a primeira parte da análise sobre a importância da Venezuela na geopolítica petroleira norte-americana à luz das novas realidades do mercado petroleiro e do sistema internacional. Continue lendo »

Bioeconomia em construção 18: desafios regulatórios para a bioeconomia

In biocombustíveis on 24/07/2019 at 11:54

Por Gustavo Soares (*) e José Vitor Bomtempo

vitor072019Nas postagens anteriores desta série, as iniciativas em bioeconomia têm sido apresentadas como emergentes, isto é, como atividades ainda em processo de estruturação. Essa estruturação apoia-se em quatro dimensões principais (matérias-primas, tecnologias, produtos e modelos de negócios) que coevoluem entre si e respondem a aspectos presentes no macroambiente como políticas e regulações. As políticas já foram abordadas em postagens anteriores, destacando por exemplo os desafios na formulação de políticas para a bioeconomia e as características de determinadas políticas aplicadas, no Brasil e no mundo. Entretanto, sobre as regulações pouco ou quase nada foi discutido até agora.

Este artigo busca então lançar a discussão sobre regulação e bioeconomia, procurando identificar quais devem ser os principais desafios regulatórios para a construção da bioeconomia. Além disso, apoiando-se na longa trajetória brasileira em indústrias intensivas no processamento de biomassa, exploram-se as contribuições que essa experiência pode oferecer aos reguladores envolvidos na construção da bioeconomia. As figuras 1 e 2 ilustram respectivamente a estruturação da indústria brasileira de biocombustíveis e a estrutura, ainda em construção, da bioeconomia. Pode-se observar que a bioeconomia surge como um ambiente de grande complexidade e, portanto, desafiador para os agentes públicos e privados. Continue lendo »

Grupo Eletrobras: estratégias às escuras

In energia elétrica on 09/07/2019 at 14:32

Por Renato Queiroz

Todo país busca elaborar, em um processo contínuo, estratégias para assegurar seu abastecimento energético pois é sabido que as sociedades modernas têm como imprescindível o acesso aos serviços de energia. A segurança energética é cada vez mais um fator prioritário na agenda política dos países.

No entanto, medidas efetivas para afastar da sociedade o risco da falta de energia ou para diminuir a instabilidade da falta de acesso às fontes energéticas exigem a identificação e aplicação de ações de médio e longo prazos, de modo a permitir que o Estado tenha um planejamento de cunho estratégico. Prover energia exige um processo complexo, envolvendo interesses políticos, econômicos, sociais e geopolíticos. De certo não faz sentido formular uma política nacional, em particular a energética, sem uma definição clara e consequente de prioridades, para assegurar que as linhas de ações setoriais e globais sejam coerentes e complementares.

No contexto das políticas energéticas, os países buscam suprir suas sociedades de energia a preços estáveis sem riscos de descontinuidade e de dependência externa. De fato, as nações, através de seus diversos governos, buscam continuamente uma situação de independência política, econômica. Contudo, se tal nação não estiver sob um cenário de segurança energética, a vulnerabilidade política aumenta. Afinal a energia ocupa um papel de destaque nas sociedades em função da sua forte relação com a economia, a tecnologia, o meio ambiente e com o quadro social. Continue lendo »

O papel do Estado no apoio às universidades: dois casos de sucesso do setor energético

In energia on 24/06/2019 at 00:15

Por Gustavo Soares (*), Niágara Rodrigues e Yanna Clara Prade

niagara062019Nos últimos meses, vimos surgir um acalorado debate que evidenciou o desconhecimento sobre o trabalho acadêmico e sua importância no Brasil. A questão tomou proporções nacionais após os anúncios de contingenciamento das verbas das universidades e instituições federais de ensino, que inviabilizariam o funcionamento de diversas instituições e paralisariam os cursos e pesquisas em andamento. Ademais, foi anunciada a suspensão de bolsas de pós-graduação aos alunos de mestrado e doutorado, que inviabiliza a permanência de diversos estudantes em seus programas de pesquisa.

Nesse contexto, de cortes orçamentários e desvalorização do trabalho acadêmico, se torna necessário evidenciar o papel clássico e universal do Estado no apoio as instituições de ensino e pesquisa básica. Pegando como exemplo o sistema dos Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, as grandes inovações e tecnologias desenvolvidas pelo país tem forte apoio financeiro do governo federal. O Departamento de Energia do Estados Unidos mantém os “national laboratories”, instituições de pesquisa ligadas a universidades e que seguem linha de pesquisa desenvolvida pelo próprio Departamento. As pesquisas são tanto básicas quanto aplicadas e ambas são necessárias para o desenvolvimento de inovação. Continue lendo »

Os desafios da difusão de veículos elétricos no Brasil: desafios e políticas de incentivo

In energia elétrica on 05/06/2019 at 10:57

Por Ana Carolina Cordeiro (*) e Luciano Losekann

losekann062019A crescente preocupação com as mudanças climáticas motivou a busca por soluções menos poluentes no setor de transportes, que responde a parte representativas das emissões globais de CO2. Assim, a introdução de veículos elétricos passou a ser vista como um dos principais vetores da descarbonização da matriz energética. Além dos aspectos climáticos, a difusão de veículos elétricos atenderia a outros objetivos, como a redução da dependência de petróleo em países importadores e a diminuição do ruído e a melhora na qualidade do ar nos centros urbanos.

Existem, no entanto, importantes desafios na difusão de veículos elétricos. Dentre eles, vale destacar o alto custo das baterias e a falta de infraestrutura de recarga. Existem também barreiras do ponto de vista do consumidor, como a resistência a novas tecnologias e a aversão ao risco de não contar com alternativas de abastecimento do veículo.

O Brasil conta com características específicas que influenciam o padrão de difusão de veículos elétricos. A elevada participação de biocombustíveis torna a determinante de mitigação de emissões menos relevante. O menor poder de compra em relação ao países desenvolvidos implica em uma concentração da frota em modelos populares, onde o alto custo das baterias dificulta a competitividade dos veículos elétricos. Conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), os veículos de entrada e hatchs pequenos alcançaram quase metade do total de emplacamentos entre janeiro de 2017 e junho de 2018. Continue lendo »

A importância das redes para o sucesso das estratégias de descarbonização do setor elétrico

In energia elétrica on 14/05/2019 at 15:13

Por Clarice Ferraz

clarice052019A crescente eletrificação do consumo de energia associada à necessidade de descarbonização do setor já provoca importantes mudanças nos negócios de empresas de energia ao redor do mundo.

A resposta à necessidade de descarbonização veio sobretudo pelo avanço das novas energias renováveis, através de geração distribuída. A integração desses novos recursos energéticos distribuídos (REDs), marcados pela intermitência de sua geração, traz uma série de novos desafios para o setor de transporte de eletricidade. Como em toda reestruturação, Burger et al. (2018) lembram que “os reguladores e formuladores de políticas devem reconsiderar cuidadosamente como a estrutura da indústria no âmbito da distribuição afeta o planejamento, a coordenação e a operação do sistema, bem como a concorrência, o desenvolvimento do mercado e a eficiência de custos”.

A revolução agora se dá a partir do setor de distribuição e vai a montante afetando os outros componentes do sistema elétrico, com destaque para a transmissão, setor que recebe pouca atenção. Na realidade, são diversas transformações ocorrendo de forma concomitante, o que aumenta sua complexidade e o risco associado às reformas. Continue lendo »

Os novos rumos do mercado de GNL: uma visão sobre a flexibilidade dos grandes compradores asiáticos

In gás natural, GNL on 01/05/2019 at 13:46

Por Yanna Clara Prade

Yanna052019O mercado de GNL vem passando por mudanças estruturais importantes, deixando de ser o irmão mais novo do mercado de gás, para tomar diferente rumo e adotar lógica própria. O grito de liberdade, na figura de um benchmark líquido e confiável para o preço do GNL, ainda não foi dado, mas as condições de mercado estão mudando rapidamente, como já apresentado em textos anteriores no Infopetro [1].

Um dos principais resultados da recente mudança do mercado de GNL é a alternância do “mercado dos vendedores” para o “mercado dos compradores”, no qual os compradores diante de vasta disponibilidade de oferta ganham maior poder de barganha frente aos vendedores. Essa condição impacta na pressão em flexibilizar algumas cláusulas dos contratos de longo prazo, assim como a intensificação do uso dos volumes spot e de curto prazo. Esse movimento pode ser chave para finalmente o mercado criar condições de liquidez e flexibilidade necessárias para a criação do benchmark de preço. Continue lendo »

Os condicionantes da política energética do setor de petróleo nas últimas décadas

In energia, petróleo on 17/04/2019 at 11:13

Por Marcelo Colomer e Helder Queiroz

marcelo042019Desde a Cúpula da Terra do Rio em 1992, as preocupações sobre o aquecimento global e suas consequências sobre as mudanças climáticas vêm norteando as políticas econômicas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Posteriormente, novos acordos (Protocolo de Kyoto em 1995, acordo de Paris em 2015 entre outros) ratificaram os compromissos assumidos pelos países partes em direção a uma trajetória de desenvolvimento sustentável, colocando os setores de energia no centro do processo de “descarbonização” da economia.

Dentro desse contexto, o termo transição energética passou a ser amplamente utilizado para referenciar o processo de mudança da matriz energética mundial em direção às fontes renováveis e de baixo teor de carbono. No entanto, quando analisamos historicamente a trajetória de desenvolvimento do setor de energia em alguns países, percebemos que o conceito de transição energética apresenta um espectro mais amplo de transformações sociais, políticas, tecnológicas e econômicas não sendo um fenômeno tão recente quanto a literatura sobre mudanças climáticas tenta passar. Continue lendo »

7º Encontro Latino Americano de Economia da Energia – Buenos Aires

In energia on 10/04/2019 at 12:45

Por Luciano Losekann

luciano042019O tema do 7º ELAEE foi “Descarbonização, Eficiência e Acessibilidade: Novos Mercados de Energia na América Latina” e discutiu as mudanças das indústrias globais de energia e os desafios impostos aos países da América Latina. A conferência contou com cerca de 300 participantes e foi presidida por Daniel Perczyk, Gerardo Rabinovich e Fernando Navajas.

A programação da conferência incluiu nove sessões plenárias, 31 sessões simultâneas, duas mesas redondas e duas sessões de póster para estudantes.

Adonis Yatchew apresentou a sessão de abertura, intitulada ““Fake News, Big Ideas – What Everyone Needs to Know About Energy””. A apresentação incluiu aspectos institucionais e tecnológicos da evolução da indústria de energia. Do ponto de vista institucional, Adonis Yatchew mostrou como a questão mais relevante, qual o papel do Estado, foi respondida ao longo do tempo. Primeiro, as falhas de mercado justificaram a intervenção do governo. Após a década de 1970, ficou claro que o governo também falha. Continue lendo »

Bioeconomia em construção 17 – Dilemas nas inovações em bioprodutos: o papel estratégico das aplicações

In biocombustíveis on 03/04/2019 at 15:24

Por José Vitor Bomtempo, Fábio Oroski e Maurício Maturana (*)

vitor042019Na postagem anterior desta série exploramos os desafios que se colocam para a difusão dos bioplásticos. Essa questão pode ser estendida para os bioprodutos em geral. Uma pesquisa recente para uma dissertação defendida na Escola de Química intitulada “Dilemas Estratégicos na Difusão de Inovações em Bioprodutos” explorou os desafios que se colocam para a difusão das inovações de produto na bioeconomia. A conclusão principal da pesquisa é que esses dilemas se resolvem pela compreensão das aplicações a que se destinam os bioprodutos e não pelas características da molécula em si.

Tem sido frequente na construção da bioeconomia a discussão sobre quais serão os bioprodutos vencedores, aqueles que se colocam como as apostas certas para os inovadores e os formuladores de políticas públicas. Desde o relatório clássico do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) de 2004 que identificou 12 biomoléculas promissoras, o tema tem sido objeto de artigos como o de Bozell e Petersen,2010, revisitando a lista de moléculas proposta pelo DOE. Relatórios como o Sugar Platform 2015 e mais recentemente Insighs into the European Market for bio-based chemicals, têm colocado o problema do ponto de vista das iniciativas da Comunidade Europeia. Vale ressaltar que ao longo do tempo, diante do aprendizado no desenvolvimento de algumas dessas oportunidades, a abordagem sobre os desafios nas inovações em bioprodutos tem se tornado mais elaborada, levando em consideração aspectos mais relacionados a sua inserção nos mercados. Afinal, como os inovadores devem organizar suas estratégias para viabilizar as inovações em bioprodutos? Continue lendo »

Balanço do programa gás para crescer: avanços obtidos e o que ainda precisa ser feito

In gás natural on 27/03/2019 at 12:45

Por Edmar de Almeida

edmar032019O programa Gás para Crescer iniciado em 2016 representou o mais importante esforço político realizado pelo Governo Federal até hoje para reformar e introduzir a competição na indústria de gás natural no Brasil. Através deste programa o Governo Federal convocou os principais stakeholders do setor para, a partir de diretrizes claras para a criação de um mercado competitivo de gás, discutir e propor mudanças regulatórias para a abertura do setor à competição. Após mais de um ano de debates, um Projeto de Lei (substitutivo do PL 6407/2013) com propostas para reforma do setor foi elaborado. Entretanto, a falta de um consenso setorial sobre as propostas, por um lado, e o enfraquecimento político do governo Temer, por outro lado, inviabilizaram a aprovação do Projeto de Lei.

Os debates ao longo do Programa Gás para Crescer e durante a fase da negociação do projeto de lei na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados mostraram que existe um impasse político que precisa ser enfrentado pelo Governo. Enquanto a maioria dos agentes acredita que a ANP deve ter um papel central na criação do Mercado Organizado do Gás natural, regulando a comercialização do gás no atacado, isto é, venda de gás para as distribuidoras e para os consumidores livres, a ABEGAS e as empresas de distribuição não concordam com o papel da ANP para regular questões relativas à comercialização de gás. Esta parcela dos stakeholders acreditam que a comercialização do gás deve ser tema de regulação exclusivamente estadual. Continue lendo »

A crise do setor elétrico brasileiro: a marcha da insensatez

In energia elétrica, Uncategorized on 18/03/2019 at 17:57

A crise atual do setor elétrico foi diligentemente construída ao longo do tempo. Entender essa sucessão de decisões equivocadas que nos trouxe até aqui é fundamental para reconhecer a natureza estrutural dessa crise, os enormes desafios que ela coloca e a absoluta inadequação das propostas governamentais colocadas na mesa para resolvê-la.

Roberto Pereira D’Araujodo Instituto Ilumina,  preparou uma série de artigos que conta essa verdadeira saga de falsas promessas, tolices arrogantes e mimetismos provincianos.

Capítulo I

  1. Uma verdadeira novela.

É longo, mas quem quiser realmente entender o que aconteceu com a energia elétrica brasileira, que já atingiu a 5a mais cara tarifa mundial, tem que ter paciência. A culpa não é do ILUMINA. A responsabilidade está espalhada por vários governos que não quiseram enfrentar os poderes que se formaram sob os erros e as omissões. Continue lendo »

Os elementos cruciais para a reconstrução do setor elétrico brasileiro

In energia elétrica on 14/02/2019 at 12:22

Por Ronaldo Bicalho

O momento atual do setor elétrico brasileiro é marcado pela irreversível exaustão do modelo tradicional no interior do qual ele se desenvolveu. O desafio colocado por essa ruptura radical da trajetória elétrica brasileira impõe a configuração de um novo setor elétrico assentado em bases distintas daquelas que sustentaram materialmente o desenvolvimento da energia elétrica no País.

Em outras palavras, é necessário reinventar o setor elétrico brasileiro a partir de uma nova fundação que seja capaz de sustentar uma nova trajetória evolutiva para essa atividade, de forma a alavancar o desenvolvimento econômico e o bem-estar da sociedade.

Para isso, é preciso desenhar um esboço mínimo que reúna os elementos essenciais para a estruturação desse novo setor elétrico.

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As cinco postagens mais lidas de 2018

In energia on 16/01/2019 at 00:15

enrgia012019O Blog Infopetro publicou 35 novas postagens no ano de 2018. Entre elas, as mais lidas foram as seguintes:

1. O conflito limítrofe entre Venezuela e Guiana pelo território Esequibo e suas recentes implicações na geopolítica petrolífera

Por William A. Clavijo Vitto

Mapa VenezuelaNo passado 30 de janeiro, o secretário geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, anunciou que, após quase três décadas mediando para buscar um acordo final ao conflito limítrofe entre Venezuela e Guiana sobre a Guiana Esequiba, o organismo enviaria o litígio para a Corte Internacional de Justiça. Dessa forma, o secretario geral, com a aprovação da Guiana, pretende colocar ponto final a uma disputa limítrofe de mais de um século de existência.  Leia o resto deste post

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