Grupo de Economia da Energia

Archive for the ‘energia’ Category

Política energética norte-americana: limites internos à reversão

In energia on 13/11/2017 at 00:15

Por Yanna Clara Prade e Diogo Lisbona Romeiro (*)

yanna112017A política energética nos Estados Unidos está passando por um momento de inflexão delicado. Os anúncios do Governo Trump vão em direção contrária às políticas estabelecidas no Governo Obama, como discutido por Queiroz & Febraro (2017). Além do anúncio de retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que só pode ser efetivada em 2020, e da revogação do Clean Power Plan, o Governo americano agora busca criar mecanismos para subsidiar o carvão.

O compromisso firmado na COP21 pelos Estados Unidos previa redução, até 2025, de 26% a 28% do nível de emissão registrado em 2005. O Clean Power Plan sinalizava os esforços norte-americanos nesta direção, ao estabelecer limites de emissões para as centrais elétricas e definir metas específicas para os estados, com liberdade para elaborar seus planos de ação, prevendo aumento de 30% da geração de fontes renováveis até 2030. As políticas estabelecidas impactavam principalmente a utilização de carvão para geração elétrica, penalizando a sua contribuição para emissão de gases de efeito estufa. O deslocamento do carvão na matriz norte-americana, no entanto, já está em curso com a revolução do shale gas e com a redução significativa dos custos da eólica e solar. Continue lendo »

Setor de energia norte-americano: avaliação da administração Obama e da agenda de política energética da administração Trump

In energia on 09/08/2017 at 00:15

Por Helder Queiroz e Julia Febraro (*)

helder072017No atual contexto de transição energética e combate às mudanças climáticas, determinados países se destacam em importância e peso das decisões de política energética. A posição de segundo maior consumidor de energia e também de segundo maior emissor de gases causadores de efeito estufa (GEE) torna os Estados Unidos cruciais nas dinâmicas energética e ambiental global.

Em especial na última década, o setor de energia norte-americano passou por grandes transformações estruturais dentre as quais destacam-se : i) aumento da produção doméstica de petróleo e gás natural, especialmente a partir dos reservatórios não convencionais (shale gas, tight oil…); ii) decorrente do ponto anterior, redução importações de petróleo bruto; iii) maior geração de eletricidade a partir de fontes renováveis como eólica e solar, e iv) fruto dos ganhos de eficiência, manutenção do patamar do consumo total de eletricidade e redução do consumo de petróleo.

Tais transformações podem ser confirmadas a partir da análise do comportamento de três indicadores. O primeiro indicador analisado é o de emissões. A partir de 2008, as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) começaram a declinar e atingiram, em 2014, um nível 8,6% inferior a 2005 e 5% inferior a 2008. A observação do gráfico a seguir deixa clara a tendência de queda iniciada em 2008 e, nota-se que, após este ano, os valores das emissões não voltaram a ultrapassar os 7.000 MMt CO2 equivalente, valor que persistiu durante toda a década de 2000 (gráfico 1). Continue lendo »

Notas sobre o sexto Encontro Latino-Americano de Economia da Energia

In energia on 21/06/2017 at 00:23

Por Gerardo Rabinovich (*)

Passados quase dez anos e cinco edições, a conferência da Associação Latino-Americana de Economia da Energia (ALADEE) retornou ao Brasil, país no qual começou essa bem-sucedida iniciativa da Associação Internacional de Economia da Energia (AIEE) de integrar essa região à discussão internacional das questões estratégicas sobre energia.

Depois de Salvador (Brasil), Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Medellín (Colômbia), coube à cidade do Rio de Janeiro acolher a discussão sobre os desafios para a América Latina associados ao novo contexto energético mundial.

Ao longo de três dias, onze sessões plenárias, trinta e seis sessões paralelas, 150 trabalhos apresentados e com uma audiência de mais de duzentos e cinquenta delegados, a conferência demonstrou o grande dinamismo que a economia da energia adquiriu na América Latina, com apresentações de alto nível e a contribuição especial de professores e especialistas de vários lugares do mundo.

Desde a sessão de abertura, os tópicos relacionados à transição energética estiveram no centro das discussões e das análises dos participantes, explicitando de forma objetiva o principal desafio dos tempos atuais: algo de novo está surgindo nos mercados de energia e nós somos forçados a desafiar os métodos clássicos de pensar o tema energia. Continue lendo »

Antonio Dias Leite: 1920 – 2017

In energia on 10/04/2017 at 00:15

Faleceu na última quinta-feira, 6 de Abril, o Professor Emérito do Instituto de Economia da UFRJ Antonio Dias Leite. O  professor Dias Leite desempenhou um papel fundamental na evolução do setor de energia no Brasil e manteve-se produtivo e lúcido até final da sua trajetória, interrompida aos 97 anos por complicações advindas de uma queda sofrida há uma semana.

Em 1941, Antonio Dias Leite formou-se em Engenharia pela Escola Politécnica da UFRJ. Foi professor desta Escola e da Faculdade de Economia da UFRJ durante 40 anos. Licenciado da UFRJ, foi presidente da Companhia Vale do Rio Doce (1967 a 1969) e Ministro de Minas e Energia (1969 a 1974). Responsável  pela primeira estimativa de renda nacional no Brasil, PIB, publicada em 1951, Dias Leite foi fundamental na criação da CPRM, da Aracruz e na viabilização de Itaipu. Organizou a fundação universitária José Bonifácio e foi diretor da Faculdade de economia da UFRJ, cargo que exercia quando se aposentou. Após aposentar-se recebeu do conselho universitário da UFRJ o título de Professor Emérito.

Apresentamos em seguida um vídeo com o discurso do professor Dias Leite por ocasião da comemoração dos quarenta anos de criação da CPRM; uma entrevista concedida aos professores Edmar de Almeida e Galeno Tinoco sobre a história da criação dos cursos de Economia no Brasil e sobre a criação do Instituto de Economia da UFRJ; e uma transcrição do verbete produzido pelo CPDOC sobre o professor. Continue lendo »

O novo contexto energético e os desafios da América Latina

In energia on 13/03/2017 at 00:15

O cenário energético global vem sofrendo mudanças drásticas. Depois de um crescimento constante durante uma década, o preço do petróleo caiu fortemente em 2014. Na América Latina, a nova realidade para os preços é um desafio significativo para projetos de exploração e produção de petróleo e gás existentes e novos. Esses projetos, como o Pré-sal brasileiro, têm que ser competitivos, a fim de contribuir para o aumento do aprovisionamento mundial de petróleo a longo prazo.

No setor elétrico, a integração de fontes renováveis na matriz de geração e a gestão de sua intermitência são os desafios globais. Os recursos renováveis são abundantes na América Latina e a difusão dessas fontes na região pode ocorrer com menores efeitos em relação à segurança de custo e suprimento. Além disso, a universalização do acesso à energia continua a ser um objetivo da política energética em alguns países da região. Continue lendo »

O que esperar de 2017 no setor de energia

In energia on 06/02/2017 at 12:00

2017Neste vídeo, os pesquisadores do Grupo de Economia da Energia (GEE) falam sobre suas expectativas acerca da evolução do setor energético brasileiro em 2017.

Os cinco vídeos mais vistos do Canal GEE em 2016

In energia on 30/01/2017 at 00:15

O Canal GEE coloca à disposição do público interessado no tema energia mais de 170 vídeos originais. Em 2016 foram colocados no ar mais de 40 novos vídeos exclusivos.

O vídeo mais visto nesse ano foi o do programa “RESENHA GEE: A Crise da Petrobras”  no qual  Ronaldo Bicalho, Helder Queiroz e Edmar de Almeida, Pesquisadores do GEE, debatem a crise da Petrobras.

O segundo vídeo mais visto foi “INFOPETRO – O Pré-sal e o Brasil na Geopolítica Mundial“em que Ronaldo Fiani, Professor do Instituto de Economia da UFRJ, fala sobre o papel estratégico do Brasil na geopolítica mundial a partir do pré-sal. Continue lendo »

As cinco postagens mais lidas de 2016

In energia on 09/01/2017 at 00:15

infopetro012017Durante o ano de 2016, o Blog Infopetro publicou 41 postagens, que tiveram, em seu conjunto, 14.808 visualizações. Esse valor representou 17% do total de visualizações que o Infopetro teve no ano (86.726).

As 5 postagens aqui apresentadas foram responsáveis por 28% das visualizações dos textos postados em 2016 e todas elas discutem problemas relacionados à indústria de petróleo no Brasil, refletindo o peso que a crise da Petrobras adquiriu no ano passado no cenário energético nacional.

1)

O ajuste forçado da indústria de petróleo

Por Edmar Almeida e Luciano Losekann

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A situação do mercado mundial de petróleo mudou radicalmente nos últimos meses forçando um ajuste das empresas operadoras. O preço do barril brent que era de US$ 100 em setembro de 2014 atingiu menos de US$ 30 no início de 2016. Em função da redução de receitas, as empresas de petróleo reduziram fortemente seus investimentos. A Agência Internacional de Energia aponta que os investimentos das petroleiras caíram 24% em 2015 e devem reduzir mais 17% em 2016 (IEA, 2016). Leia o resto deste post »

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Mensagem de fim de ano

In energia on 19/12/2016 at 00:15

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O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano de 2016 às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção em 2017, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.

Mudanças climáticas: discussões, decisões, dificuldades, dubiedades, determinações e dilemas

In energia on 05/12/2016 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato122016Dois importantes eventos ocorreram  no  mês de novembro de 2016 que  podem levar a indústria de energia global a reavaliar suas estratégias em face dos compromissos assumidos por diversos  países na busca de  conter as emissões de poluentes. O primeiro evento foi a 22ª Conferência das Partes (COP 22) sobre mudanças climáticas, no Marrocos. Essa conferência teve por objetivo implementar o Acordo de Paris sobre o aquecimento global.

Vale lembrar que a COP 21, que foi realizada em dezembro de 2015 em Paris, após várias discussões entre os representantes dos países presentes, aprovou um acordo que  entrou em vigor no dia 04/11/2016 em âmbito global. O Acordo  traçou ações para limitar o aumento da temperatura média no globo a 2ºC até 2100, a partir de planos nacionais de redução de emissões, chamados de INDCs – Intended Nationally Determined Contribution. O  Acordo de Paris definiu um processo com metas individuais de cada país para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Na COP 22 os representantes de quase 200 países se reuniram  durante  duas semanas, entre os dias 07 e 17 de novembro do presente ano, na cidade de Marrakesh, para regulamentar o Acordo de Paris. A declaração da secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Patricia Espinosa, na abertura, deu o tom da Conferência: “As metas anunciadas pelos países precisam ser incorporadas às políticas nacionais”. Continue lendo »

A energia do Brasil: Mas que Brasil?

In energia on 28/11/2016 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho112016As instituições desempenham um papel crucial na evolução do setor de energia e, somadas à tecnologia,  estruturam esse conjunto de atividades essenciais para o desenvolvimento econômico e o bem-estar das sociedades modernas.

Essa crucialidade da função institucional introduz a presença do Estado no setor de forma incontornável, quer produzindo, quer regulando, quer definindo políticas públicas. Da atuação direta via estatais até ações externas para garantir a segurança energética, passando por uma ampla gama de ações, o Estado é um jogador fundamental no jogo energético.

Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que o setor de energia é um dos setores econômicos nos quais a presença do Estado, direta ou indiretamente, é mais forte. Portanto, não é à toa o grande espaço ocupado pela dimensão político-institucional no debate energético.

Nesse sentido, as relações entre as esferas pública e privada percorrem toda a cadeia energética. Da concessão de uma licença ambiental para a construção de uma planta de geração à definição de tarifas, passando pela elaboração de políticas de incentivos/penalizações que envolve o executivo e o legislativo, assim como o recurso ao judiciário para a arbitragem de conflitos de natureza legal, as interações entre agentes públicos e privados pululam no universo da energia. Continue lendo »

O carro do futuro IV: os atuais modelos de carros elétricos e o potencial de inserção no Brasil

In energia on 13/06/2016 at 18:19

Por Michelle Hallack e Miguel Vazquez

michelle062016Mesmo com a queda do preço do petróleo, a demanda mundial por veículo elétrico vem aumentando. Embora a variação do preço do petróleo tenha afetado negativamente o mercado de carro elétrico dos Estados Unidos e do Japão, que em 2015 teve uma queda das vendas, o crescimento das vendas em outros países compensou mais que proporcionalmente esta queda.

Figura 1: Venda de Carros Elétricos no Mundo por Mês (2014-2016)

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Fonte: EV volumes.com

Os principais motores desse crescimento foram a China e os países Europeus (em especial Holanda, Noruega, Reino Unido, França e Alemanha), que obtiveram, em 2015, crescimentos relevantes nas vendas de carros elétricos (220% e 99%, respectivamente) [1]. O crescimento desses mercados pode ser explicado por políticas ativas de incentivos tanto do ponto de vista de estimulo da demanda como de financiamentos ao P&D e de investimento em infraestrutura. Contudo, a participação do carro elétrico em relação a frota total de carros é pouco significante, chegando no máximo a atingir pouco mais de 1% na França.

Atualmente está tramitando, em estado adiantado, na Holanda uma proibição de venda de novos carros a combustíveis fosseis em 2025. Isto é, apenas carros elétricos serão aprovados para entrar nas rodovias holandesas a partir dessa data. Regras neste mesmo espírito, só que para 2030, começaram a ser discutidas na Noruega e na Índia[2]. Neste contexto, estima-se que sejam atinjidos 2 milhões de carros elétricos nas ruas já em 2016. Segundo Randall T. (2016) a projeção é que em 2040, 35% dos novos carros poderão ser conectados à rede elétrica, e que em 2022 os carros elétricos já sejam competitivos em grande escala sem nenhum tipo de subsídio. Com indícios do avanço do carro elétrico, aponta-se para uma queda continua dos preços da bateria (que só em 2015 caiu 35%), sendo este, ainda o elemento central na acessibilidade do carro elétrico. Continue lendo »

Eletricidade e meio ambiente – desafios e oportunidades para o setor elétrico pós COP21

In energia on 06/06/2016 at 18:19

Por Clarice Ferraz

clarice062016Energia e meio ambiente são indissociáveis. O modo como geramos e consumimos energia é determinante no impacto sobre nossa base de recursos naturais e sobre a sustentabilidade das atividades econômicas. Em economia da energia costumamos dar mais atenção à relação entre energia e desenvolvimento econômico, muitas vezes negligenciando o papel essencial do meio ambiente provedor dos recursos naturais que compõem nossa base de recursos energéticos. Obviedades a parte, à ocasião da comemoração do Dia Nacional do Meio Ambiente, cabe refletir como tem evoluído no Brasil a relação entre energia e o meio ambiente.

A fim de explorar um dos muitos elementos dessa equação, a presente postagem se debruça sobre a relação entre o setor elétrico e o meio ambiente no Brasil. Como indicador dessa relação, em harmonia com os acordos internacionais para combater o desequilíbrio climático, iremos analisar como o setor tem incorporado as restrições climáticas em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e como tem se preparado para honrar o compromisso assumido com a assinatura da 21Conferência entre os Membros (COP, de Conference of Parties), também conhecida como Protocolo de Paris.

O Protocolo de Paris, aprovado em 14 de dezembro de 2015, foi assinado no último dia 22 de abril por 197 países, um número recorde. Os países signatários se comprometeram a limitar o aumento da temperatura em até 1,5°C. Para que entre em vigor, precisa ser ratificado por 55 países que sejam responsáveis por, pelo menos, 55% das emissões globais. Foram levadas em consideração a responsabilidade histórica de cada país e a alocação ética das responsabilidades compartilhadas, incluindo os direitos das gerações futuras, capacidade econômica e o menor custo possível. Como as emissões de GEE são cumulativas, buscou-se estabelecer um limite máximo, ou “orçamento carbono”, de emissões para cada país. Continue lendo »

O papel do setor público no financiamento de infraestruturas no Brasil (*)

In energia on 09/05/2016 at 00:15

Por Miguel Vazquez

miguel052016Repensar o papel do setor público está nas agendas dos formuladores de políticas no mundo todo há alguns anos. E o papel do Estado na relação público/privada no setor financeiro é dos elementos centrais desta reformulação. Na União Europeia, por exemplo, o grande motivador tem sido a transformação do setor privado como consequência da crise financeira e as consequentes regulações. No Brasil, limites no volume de recursos públicos e grande necessidade de financiamento de infraestruturas têm levado a uma reflexão sobre a necessidade de adaptação dos instrumentos de financiamento. Nesse contexto, a pergunta proposta no título deste texto pode ser transformada na questão simétrica: qual é o papel do financiamento privado?

Do ponto de vista analítico, estruturar a análise começa por identificar o problema. Nesse sentido, um primeiro passo requer uma decisão sobre o papel que o financiamento público deve ter no setor de infraestruturas. O papel do setor privado dependerá, em grande medida, da decisão tomada em relação ao setor público. Nesta postagem, desse ponto de vista, vamos analisar o problema em relação a algumas das possíveis decisões tomadas em relação ao financiamento público. Note que não há nenhum argumento em relação a qual deve ser o objetivo do setor público.

Podemos organizar o raciocínio considerando três possíveis objetivos para o financiamento público em projetos de infraestrutura: Continue lendo »

Pobreza energética, bem-estar e desigualdade

In energia, Uncategorized on 14/03/2016 at 00:15

Por Michelle Hallack e Beatriz Marcoje (*)

michelle032016Este texto busca analisar a questão da pobreza energética a partir da perspectiva do consumo de energia elétrica como meio de garantir o bem-estar dos indivíduos. Identificaremos neste texto como uma definição restrita de pobreza pode motivar um desenho pouco adaptado de políticas de pobreza. Em particular, mostramos como políticas estruturadas sobre a ideia de que a pobreza energética está associada a um baixo consumo de energia (a qual é a hipótese sobre a que se constroem as políticas de pobreza energética no Brasil) não serão suficientemente efetivas.

O excesso de calor é reconhecido como um vilão para a saúde, podendo causar diversos efeitos negativos. O corpo humano mantém sua temperatura interna em torno de 37ºC. Frequentemente, um aumento da temperatura significa um aumento da irritabilidade, menor capacidade de concentração, diminuição da capacidade de trabalhar, alterações nos batimentos cardíacos e na pressão. Quando o ambiente esquenta o corpo tende a esquentar também, mas o “termostato” corporal trabalha para diminuir esta temperatura. A capacidade do corpo em manter a temperatura, os efeitos do trabalho de resfriamento corporal e os efeitos de uma maior temperatura diferem de pessoa para pessoa. Normalmente, as pessoas mais velhas, crianças e pessoas com condições especiais de saúde (problemas cardíacos, obesidade, problemas mentais …) são mais suscetíveis ao excesso de calor. Já em 1982, Kalkstein e Valimont (1982) chamam a atenção para os problemas do calor na saúde humana: o trabalho sublinha que nos Estados Unidos as ondas de calor tinham mais impacto na mortalidade que as ondas de frio. Continue lendo »

Os cinco vídeos mais vistos do Canal GEE em 2015

In energia on 18/01/2016 at 00:15

infopetro012016O Canal GEE coloca à disposição do público interessado no tema energia mais de 130 vídeos originais. Em 2015 foram colocados no ar mais de 50 novos vídeos exclusivos.

O vídeo mais visto nesse ano de 2015 foi o do programa Infopetro no qual foi entrevistado o professor Carlos Frederico Rocha sobre o Pré-sal, a indústria de petróleo brasileira e a operação lava jato.

O segundo vídeo mais visto foi o da apresentação do presidente do IBP, Jorge Camargo, no seminário Caminhos Para a Retomada da Indústria de Petróleo. Continue lendo »

As cinco postagens mais lidas de 2015

In energia on 04/01/2016 at 00:15

infopetro012016Durante o ano de 2015, o Blog Infopetro publicou 46 postagens, que tiveram, em seu conjunto, 19.000 visualizações. Esse valor representou 20% do total de visualizações que o Infopetro teve no ano (93.000).

As 5 postagens aqui apresentadas foram responsáveis por 29% das visualizações dos textos postados em 2015. Dentre elas, uma é sobre o impacto da queda de preços do petróleo sobre o mercado de gás natural, três são sobre a crise do setor de petróleo no Brasil e uma é sobre a crise do setor elétrico brasileiro.

Dessa maneira, diferentemente do ano passado, em que prevaleceram as postagens sobre a crise do setor elétrico brasileiro, em 2015, o que chamou mais a atenção dos leitores do blog foram os temas relativos à crise do setor de petróleo no país. Assim, parafraseando o ditado português, a cada ano, sua pena e sua esperança.

1)

Os impactos da queda do preço do petróleo no mercado de gás natural

Por Marcelo Colomer

marcelo052015Em 2014, o preço do Brent passou de US$ 108 por barril em janeiro para US$ 57 em dezembro. O desaquecimento da demanda mundial, a elevação da produção de óleo não convencional nos EUA, a ausência de rupturas na oferta global e a decisão dos países membros da OPEP em manter elevado os níveis de produção podem ser entendidos como as principais causas para a queda abrupta de 50% no preço do Petróleo. Continue lendo »

Mensagem de fim de ano

In energia on 14/12/2015 at 00:15

O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano de 2015 às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção em 2016, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.

infopetro122015

 

 

Notas sobre o novo quadro energético mundial

In energia on 30/11/2015 at 18:10

Por Ronaldo Bicalho

bicalho112015Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE) (*), de agora até 2040, a utilização de energia no mundo deverá crescer um terço; puxada pela Índia, China, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático.

Esse aumento se dará exclusivamente nos países que estão fora da OCDE (**). Tendências econômicas e demográficas, em conjunto com uma maior eficiência no uso da energia, reduzirão de forma continuada o consumo nos países da OCDE; liderados pela União Europeia ( -15%), Japão (-12%) e estados Unidos (-3%).

Em relação aos países que se encontram fora da OCDE e constituem os motores do crescimento do consumo de energia nas próximas décadas, o destaque é a China.

A transição chinesa para um modelo de crescimento econômico menos intensivo em energia tem implicações importantes para as tendência globais de crescimento do consumo energético. A China, sem dúvida, tem um grande peso na evolução do cenário energético mundial e até 2040: permanecerá, com grande folga, sendo o maior produtor e consumidor de carvão; implantará mais capacidade de geração renovável do que qualquer outro país; ultrapassará os Estados Unidos como o maior consumidor de petróleo; e terá um mercado de gás maior do que o da União Europeia. Continue lendo »

As indústrias emergentes e a economia da complexidade

In energia on 23/11/2015 at 16:30

Por Miguel Vazquez e Michelle Hallack

miguel112015Não faz muito tempo, conversávamos no GEE sobre o futuro da economia baseada em biomassa (conversa lançada por José Vítor Bomtempo), discutindo se existem ferramentas que nos permitam dizer alguma coisa sobre a evolução das indústrias emergentes. No Infopetro, questões relativas às indústrias emergentes já apareceram várias vezes: a potencial ‘biorrefineria’, os veículos alternativos, a complexidade do sistema elétrico interligado, as redes inteligentes… Entre as indústrias de energia, atualmente, são muitas as que podem ser consideradas emergentes, visto os recentes movimentos de transformação do setor. Nesse sentido, um dos desafios apontados nessa conversa pode ser enunciado como segue: como vamos falar das estratégias que as empresas vão escolher, se a estrutura da indústria ainda não está formada, e é profundamente incerta? Este artigo se apresenta como uma tentativa de responder a essa pergunta.

Vamos tentar primeiro procurar alguns elementos básicos que caracterizam essa situação. O primeiro deles é que, em indústrias em formação, várias estruturas organizacionais competem pela sobrevivência. Existem várias linhas de pensamento que estudam este tipo de situação. Uma delas, que propomos neste artigo com potencial analítico, é a ciência da complexidade. Em realidade, não é uma ciência, senão um “ponto de vista”, um conjunto de preocupações, em que a característica comum é estudar como elementos de um sistema altamente interconectado interagem para criar padrões. Continue lendo »

Pobreza energética e aquecimento urbano

In energia on 12/10/2015 at 18:39

Por Michelle Hallack e Beatriz Marcoje(*)

michelle102015As interações entre as questões relativas ao meio ambiente e a pobreza energética podem ser agregadas em pelo menos três grupos: (1) impacto da temperatura urbana demandando maior gasto de energia; (2) políticas contra pobreza mal formuladas impactando negativamente na ineficiência energética e (3) políticas de eficiência energética e renováveis impactando no preço de energia.

A questão da pobreza energética em países subdesenvolvidos é principalmente discutida no contexto do acesso à eletricidade de agentes desconectados a rede (como o do programa luz para todos e eletrificação rural) e nos países de baixas temperaturas é referente ao custo de aquecimento das residências. Por conta desta última preocupação, muitas vezes sua definição está correlacionada com o aquecimento. Alguns países europeus, como Inglaterra, Alemanha e França, avançaram de forma significativa nesta discussão e por isso, são muitas vezes fontes das definições e estatísticas observadas na literatura.

Neste contexto, o custo relativo de manter a moradia em uma temperatura considerada confortável aos agentes é considerado um elemento chave nesta definição. Entretanto, cada vez mais essa discussão vem se estendendo para além dos países frios, visto que o calor, assim como o frio, traz queda do bem-estar e pode trazer malefícios à saúde humana. Diferentemente dos países frios, nos países subdesenvolvidos, a pobreza energética muitas vezes é vista como um problema de falta de interconexão das famílias as redes. E a discussão acaba se limitando ao potencial acesso das famílias a rede e não a efetiva capacidade econômica das mesmas em acessar serviços que permitam uma qualidade de vida adequada. Continue lendo »

O papel do Estado na construção de uma economia de baixo carbono

In energia on 31/08/2015 at 21:42

Por Diogo Lisbona Romeiro (*)

diogo082015A emergência de uma economia de baixo carbono apresenta-se como a próxima provável revolução tecnológica a ser deslanchada. Desde a Revolução Industrial, os sucessivos paradigmas tecnológicos calcaram-se na utilização crescente de combustíveis fósseis. Em 2013, 80% da demanda energética mundial foi atendida por petróleo, gás natural e carvão (IEA, 2015). O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) atribui grande parte da elevação de 0,85º C da temperatura mundial média, em relação ao nível pré-industrial, às emissões de gases de efeito estufa decorrentes da atividade humana (IPCC, 2014).

Estudos reunidos pelo IPCC apontam que a elevação de 2º C acima do nível pré-industrial poderá implicar em sérias consequências ambientais, como o aumento da ocorrência de temperaturas extremas e a elevação do nível dos oceanos. A redução urgente e significativa das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa é entendida como a única saída para evitar a elevação da temperatura mundial e a consequente ocorrência de catástrofes ambientais. Acredita-se que, para tanto, o nível de dióxido de carbono na atmosfera, estimado em 270 partes por milhão (ppm) na era pré-industrial e registrado em 400 ppm atualmente, não deva ultrapassar 450 ppm.

Em 2010, na 16ª Convenção das Partes, signatárias da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Cancun (COP16), foi formalizada a meta de manter o aquecimento global inferior à elevação de 2º C ao nível pré-industrial. Espera-se que na COP21, a ser realizada em dezembro de 2015 em Paris, os países se comprometam formalmente a reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa. Continue lendo »

Caminhos para a retomada

In energia on 27/07/2015 at 18:09

infopetro072015Energia é um insumo essencial para o desenvolvimento econômico e para o bem-estar da sociedade.

Garantir o suprimento de energia é um objetivo estratégico do Estado em qualquer parte do mundo.

Em função da sua natureza estratégica, energia é um tema, por excelência, de longo prazo.

Nesse sentido, as atuais dificuldades enfrentadas pelo setor energético brasileiro não devem implicar uma visão negativa acerca do seu futuro.

Embora o contexto macroeconômico seja desfavorável, os fundamentos de longo prazo são promissores. Mercado, tecnologia, recursos naturais e qualificação técnica e gerencial continuam presentes no setor energético brasileiro, dando à atual crise um caráter conjuntural, cujos desdobramentos estruturais não constituem consequência natural do atual momento, mas dependem fundamentalmente da postura estratégica que será adotada no presente.

O setor energético brasileiro continua sendo fundamental para o desenvolvimento do país. Nele se encontram elementos essenciais para esse desenvolvimento. Tais elementos devem ser preservados, ampliados e estruturados dentro de um novo projeto para o setor, incorporando os desafios do novo contexto energético do país e do mundo.

Diante desse quadro é fundamental construir uma agenda positiva para o setor energético brasileiro. É necessário encontrar os caminhos para a retomada do dinamismo de um setor crucial para a economia brasileira.

É com esse intuito que o Grupo de Economia da Energia está organizando um conjunto de seminários sobre os caminhos da retomada para a indústria de energia no Brasil. Continue lendo »

O GEE no YouTube

In energia on 06/07/2015 at 00:15

GEEOs leitores  do Blog Infopetro têm mais uma opção para acompanhar as discussões sobre energia desenvolvidas pelo Grupo de Economia da Energia. Além dos formatos blog e boletim, essas discussões também podem ser encontradas na forma de vídeos no YouTube no Canal GEE.

Neste canal é possível encontrar os debates sobre os grandes temas energéticos em vários formatos.

No programa Infopetro, o professor e pesquisador do GEE Ronaldo Bicalho entrevista profissionais, professores e pesquisadores sobre as grandes questões da cena energética.

Continue lendo »

Taxa de desconto, escolhas energéticas e mudança climática

In energia on 25/05/2015 at 00:15

Por Felipe Botelho

felipe052015As ações de hoje guiam e/ou determinam as realidades do amanhã. O amanhã aqui deve ser entendido como um futuro não necessariamente imediato, mas num horizonte de tempo discernível e relevante para que o agente em questão possa ter uma compreensão relevante dos fatos projetados à futuro.

O que é, pois, o tempo? Se ninguém mo perguntar, sei o que é; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei (…)”
(Confissões, XI. p.113 – Santo Agostinho, Livro XI)

A ideia posta por Santo Agostinho sobre o tempo se coloca de forma a relacionar passado e futuro com a existência e a realidade do presente. Assim, o passado e futuro não existem concretamente, apesar de um já ter ocorrido e o outro em perspectiva de ocorrer; mas é a partir do presente como referência que é possível a criação da noção do tempo e, assim, do estabelecimento de sua métrica (seja o tempo curto, longo, instantâneo, permanente, etc.).

Desta maneira, é estabelecendo uma métrica com relação ao presente a maneira em que podemos entender o que será o futuro por comparação ao presente concreto e real.

Ao tratarmos da teoria econômica que faz uso de projeções de futuro, é usual o desenvolvimento de técnicas e modelos estatísticos de extrapolação, simulação, acompanhados de análises custo-benefício. A maioria destes métodos se concentra em valores monetários como métrica principal para a avaliação de impactos, em muitos casos valorando atributos não-econômicos, como é o caso de análises sobre impactos ambientais e climáticos, por exemplo. Continue lendo »

Integração energética na América do Sul: Uma questão geopolítica e de negócios bilaterais?

In energia on 13/04/2015 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato042015O tema da integração energética na América do Sul é sempre colocado em destaque em fóruns e congressos sobre economia e energia no continente. No 5º Congresso da Associação Latino Americana de Energia, ALADEE, realizado na cidade de Medellín, Colômbia, no mês de março passado, ocorreram debates sobre o assunto nas sessões plenárias e na concorrencial. O Grupo de Economia da Energia-GEE esteve presente em ambas as sessões.

Nesses debates sempre são levantadas algumas questões tais como: por que a integração energética no continente não deslancha apesar das grandes riquezas minerais e energéticas? Há perspectivas diferentes entre os países sobre a geopolítica da região que inviabilizam o processo de integração? Os vários acordos de cooperação entre os países não favorecem o processo de integração? Com tantos organismos regionais por que há dificuldades para tal? A integração será um resultado de projetos bilaterais?

Como responder a essas questões?

Um ponto que deve ser ressaltado é a falta de um entendimento comum entre alguns estudiosos sobre o papel da energia na economia dos países. Afinal a economia da energia influencia, praticamente, todas as decisões de política econômica. Nesse sentido análises que focam apenas as possibilidades técnicas trazem resultados insuficientes para a visão de um processo de integração regional. É necessário considerar outros componentes: políticos, sociais, culturais, geopolíticos, comerciais e institucionais. Continue lendo »

Quinze anos de Infopetro

In energia on 23/02/2015 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho *

022015Ao final do mês de Fevereiro, o Blog Infopetro completará cinco anos no ar. Os três primeiros textos foram postados no dia 1 de Março de 2010. Na verdade, o projeto Infopetro é de muito antes dessa data.

A primeira publicação do Infopetro se deu na forma de boletim eletrônico em Novembro de 2000.

No primeiro editorial se afirmava que:

Este boletim encontra suas justificativas nas transformações radicais introduzidas na regulação e na forma de organização das indústrias brasileiras de petróleo e gás. A quebra do monopólio estatal do petróleo, o processo de privatização das empresas no setor de distribuição do gás natural, a entrada de novos agentes em diversos segmentos da cadeia destas indústrias abrem espaço para um rápido desenvolvimento da concorrência nestes segmentos. Este desenvolvimento requer maior transparência e independência das informações, que devem estar disponíveis a um número cada vez maior de agentes, que agora participam do “jogo” do petróleo e do gás no Brasil. No atual contexto, novas fontes de informação e análise tornam-se mais do que nunca necessárias. O boletim Petróleo e Gás Brasil espera contribuir para uma maior transparência na indústria, não apenas informando, mas auxiliando os principais agentes no acompanhamento e compreensão dos fatos econômicos mais relevantes da nova dinâmica industrial e dos mercados do petróleo e do gás.  Continue lendo »

As cinco postagens mais lidas de 2014

In energia on 05/01/2015 at 00:15

infopetro012015Durante o ano de 2014, o Blog Infopetro publicou 42 postagens, que tiveram em seu conjunto, aproximadamente, 21.000 visualizações. Esse valor representou 21% do total de visualizações que o Infopetro teve no ano (100.000).

As 5 postagens aqui apresentadas foram responsáveis por 30% daquelas 21.000 visualizações. Dentre elas, três são sobre a crise do setor elétrico no Brasil, uma sobre a relação entre a  crise da Ucrânia e gás não convencional e uma sobre os desafios do setor energético brasileiro em 2015.

1)

10 anos do “Novo Modelo do Setor Elétrico Brasileiro”: Sem motivos para comemorar

 

Por Luciano Losekann

luciano032014

Nesse ano de 2014, o chamado “Novo Modelo do Setor Elétrico Brasileiro” completa 10 anos. O modelo foi gestado como uma resposta à crise setorial que culminou no racionamento de 2001/2002 e um compromisso de campanha do presidente recém-eleito, Lula. Após um período de debate no ano de 2003, o modelo foi implementado através de duas medidas provisórias, posteriormente convertidas em leis, e cinco decretos entre maio e julho de 2004. Continue lendo »

Mensagem de fim de ano

In energia on 15/12/2014 at 00:15

O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano de 2014 às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção em 2015, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.

infopetro122014

Setor de energia no Brasil: o balanço de 2014

In energia on 08/12/2014 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Luciano Losekann (*)

edmar122014

O setor de energia no Brasil no ano de 2014 foi marcado pela gestação de uma agenda extremamente negativa. Essa agenda terá que ser revertida nos próximos anos, sob pena de o País desperdiçar um dos seus principais salvo-condutos para o futuro que é sua generosa dotação energética.

A Copa do Mundo, no primeiro semestre, e o processo eleitoral, no segundo, postergaram decisões importantes para o enfrentamento adequado de problemas antigos e novos. Há um enorme conjunto de problemas tanto no setor elétrico quanto no setor de óleo e gás para 2015.

Setor de Petróleo e Gás: Um ano difícil e com incertezas crescentes

O ano de 2014 foi marcado por alguns resultados operacionais bastante positivos para a Petrobras. A empresa conseguiu reverter a dúvida que pairava sobre sua capacidade de efetivamente entregar um aumento da produção de petróleo. Entre janeiro e outubro de 2014, a empresa conseguiu aumentar sua produção de petróleo em cerca de 10%. Além disso, o primeiro módulo da refinaria de Pernambuco (Rnest) entrou em operação. Entretanto, estes resultados foram totalmente ofuscados pela revelação dos esquemas de corrupção e desvio de recursos. Continue lendo »

Eleições americanas: energia derrota Obama

In energia on 17/11/2014 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho112014As eleições de 4 de Novembro nos Estados Unidos representaram uma derrota para a política energética do presidente Barack Obama.

No Senado, os Republicanos reconquistaram a maioria, ficando com 53 cadeiras contra 44 dos Democratas, na Câmara ampliaram o seu domínio, controlando 244 assentos contra 186 dos Democratas, e nas eleições para governador, das 36 disputas, os Republicanos ganharam em 24.

Senado

bicalho112014a

Câmara

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 Governador

bicalho112014c

Nessas eleições de meio de mandato, os Republicanos, ao final, tomaram 12 cadeiras dos Democratas no Senado, 12 cadeiras na Câmara e 3 governos estaduais.

Nas disputas pelo Senado, as maiores derrotas Democratas vieram de estados produtores de energia como Kentucky, West Virginia, Alaska e Colorado. Em West Virginia, grande produtor de carvão, os Republicanos conseguiram eleger um senador pela primeira vez em 56 anos – Shelley Moore Capito, que também foi a primeira mulher eleita para o Senado pelo estado.
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O carro do futuro III: comparando políticas de incentivos – Japão, França e Estados Unidos

In energia on 25/08/2014 at 00:15

Por Michelle Hallack e Eduardo Guimarães (*)

michelle082014Na busca por um carro/combustível do futuro o carro elétrico certamente é uma das grandes apostas. Dentre os pontos positivos do carro elétrico vale ressaltar as questões relacionadas à emissão de CO2 (obviamente, se o parque gerador de eletricidade for baseado em fontes não, ou pouco, poluentes). Ademais, esta tecnologia não está atrelada a um recurso energético específico, podendo se basear em matriz heterogênea de acordo com as especificidades de cada país.  Atualmente, apesar do estoque de carros elétricos ainda ser pouco representativo o crescimento das vendas e multiplicação recente de políticas de incentivos apontam para uma crescente importância do carro elétrico.

As políticas públicas podem ser justificadas de diversas formas, entre elas: (1) as externalidades ambientais (em âmbito local – qualidade do ar urbano, como também global – efeito estufa); (2) as economias de rede (visto a relação com a indústria elétrica); e (3) os potenciais spillovers [1] tecnológicos no desenvolvimento de baterias (que é um dos fatores chaves para o desenvolvimento do carro elétrico (YOUNG et al. 2013).  A outra face da diversidade das motivações é o grande leque de políticas públicas que pode ser observado internacionalmente.

Abordaremos neste artigo, as políticas públicas em três países: França, Japão e Estados Unidos que, como chamamos atenção no  primeiro artigo da série, são os países que historicamente possuem o maior estoque de carros elétricos. No que se refere às políticas norte-americanas o estudo será focado no estado da Califórnia, visto que grande parte das políticas são estaduais e com grande heterogeneidade. A escolha da Califórnia se deve a sua importância no mercado de carros nos Estados Unidos, e por possuir o maior estoque de carros elétricos e o maior número de postos de recarga (EIA, 2014; CCSE, 2013). A título de ilustração, em outubro de 2013 os EUA tinham comercializado em torno de 140 mil unidades de veículos elétricos. Deste total, 50 mil unidades foram comercializadas na Califórnia. Continue lendo »

Setor Energético Brasileiro: a incontornável agenda governamental de 2015

In energia on 18/08/2014 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato082014Países em desenvolvimento de tempos em tempos consideram novas prioridades em suas agendas de políticas públicas. No caso brasileiro, desde a volta do regime democrático em 1985, acompanhamos a discussão de temas prioritários para o país como, por exemplo: o controle da inflação, a melhoria na distribuição de renda, a diminuição da violência nas cidades, entre outros. Neste sentido, os governos foram desenvolvendo políticas públicas buscando solucionar tais demandas.

Atualmente se quisermos apontar quais as prioridades que estarão colocadas na mesa do futuro governante brasileiro em 2015, o setor de  infraestrutura certamente encabeça esta lista. Este termo é amplo, pois engloba itens como transporte público, saneamento básico, déficit habitacional, suprimento de energia. E se descermos a lupa para o item  energia abre-se, ainda, um novo leque de segmentos que vai desde a oferta e o transporte da energia até o seu uso pelas indústria, comércio, residências, transporte.

Por conseguinte o setor de energia estará nos próximos anos disputando o topo das prioridades da modernização do setor de infraestrutura no país. Sem dúvida a crise atual do setor elétrico brasileiro e os problemas que enfrentam a ELETROBRÁS e a PETROBRAS trazem preocupações aos que estão envolvidos com o setor.  Assim, o planejamento energético será um alvo crescente de avaliações de especialistas em energia.

As políticas energéticas em seus macros objetivos buscam assegurar o funcionamento do mercado da energia, considerando o papel estratégico que os recursos energéticos ocupam para garantir a segurança energética do país. Importante compreender que tais políticas devem acomodar os diversos interesses econômicos e sociais da sociedade. Continue lendo »

Eficiência energética: regras e métricas

In energia on 28/07/2014 at 00:15

Por Miguel Vazquez

miguel072014Como discutimos em postagem anterior, a definição das regras é o bloco básico na definição dos mecanismos de coordenação entre diversos indivíduos. A definição destas regras passa em grande medida pela definição do(s) objeto(s) que estão sendo organizado(s). Por sua vez, esta definição está baseada em um sistema de medidas: quase tudo o que se precisa para definir umas regras de jogo adequadas é definir quais os atributos que vão ser medidos, (Vazquez and Hallack, 2013). Tal sistema, contudo, não é nada natural, principalmente quando falamos na energia, ou ainda quando nos referimos à diminuição do uso de energia – o caso da eficiência energética.

A Comissão Europeia divulgou em abril de 2014 um estudo (EC, 2014) comparando os diferentes mecanismos de medida e classificação de eficiência energética, e o alinhamento dos vários standards e certificados. O estudo mostra, por um lado, uma proliferação dos sistemas de medida nos últimos 20 anos, e, por outro, uma tendência de alinhamento destes sistemas.

Segundo o relatório este alinhamento estaria sendo realizado em torno do sistema europeu. Este sistema, por sua vez, foi diretamente inspirado no desenvolvimento do sistema Norte-Americano. A relação entre ambos os sistemas de medida pode ser traçada até os trabalhos conjuntos da União Européia, o Departamento de Energia (DOE) e a Agencia de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos para o desenvolvimento do programa Energy Star. Note que tal programa era inicialmente um programa nacional nos Estados Unidos e que depois ganhou amplitudes internacionais. Mas o que cabe sublinhar aqui é que apesar de ter fundamentos ‘comuns’, o sistema de medida de eficiência energética em cada país evoluiu de forma distinta. Continue lendo »

O carro do futuro II: reflexões sobre os resultados do último relatório do IPCC

In energia on 26/05/2014 at 00:15

Por Michelle Hallack

michelle052014Um dos principais impulsos para o desenvolvimento de tecnologias alternativas para o transporte é a preocupação com as emissões de gases de efeito estufa.  Os fundamentos desta preocupação são reforçados pelos resultados do relatório do IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Exchange) que foi aceito em meados de abril 2014, IPCC (2014). O relatório chama atenção para diversos aspectos do crescimento das emissões de CO2 no transporte e nos desafios que o crescimento da mobilidade, principalmente nos países subdesenvolvidos, colocará caso não haja uma mudança radical nas formas de transporte de pessoas e de mercadorias.

Segundo o relatório, o setor de transporte produziu em 2010 6,7 GtCO2[1], sendo assim responsável por 23% da emissão de CO2 relacionadas as atividades energéticas. Este valor vem crescendo significativamente e de maneira sustentada, mesmo com avanço da eficiência dos veículos e das políticas adotadas. Em relação a 1970, a emissão de gases de efeito estufa no setor de transporte mais que dobrou, crescendo com taxas superiores aos outros setores usuários de energia. Note que 80% deste crescimento são gerados por veículos rodoviários.

O relatório chama atenção para a diferença de distribuição do transporte, em torno de 10% da população global representa 80% do total de passageiros (passageiros-kilometros). Isto significa que uma grande parte da população mundial viaja pouco ou nada. Neste sentido, pode-se pensar nos resultados de emissão de CO2 em transporte como uma forma de indicador de acesso aos serviços de transporte[2]. Como já apontado por Shafer e Victor (2000), o crescimento da renda tende a gerar aumento da mobilidade[3]. Continue lendo »

Segurança energética e mudanças climáticas: o caso russo

In energia on 05/05/2014 at 00:15

Por Felipe Imperiano *

imperiano052014Além de ocupar uma posição relevante no que tange o fornecimento energético, a Rússia é um dos maiores consumidores mundiais de energia de origem fóssil, portanto as suas decisões de política energética têm implicações para a segurança energética e a sustentabilidade do meio ambiente, em uma dimensão global (IEA, 2011, p. 245). O que faz com que o seu posicionamento, dada a perspectiva de elevação de temperatura mundial, em função da liberação de carbono na atmosfera pelo consumo de energia, seja de amplo interesse.

A Rússia foi o terceiro maior produtor de energia do mundo, em 2011. A sua produção total foi de 1.314,88 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), isto é, aproximadamente 10% da produção mundial (IEA, 2013a, p. 54). A demanda interna bruta[i] total, nesse mesmo ano, foi de 730,97 Mtep (IEA, 2013, p. 240). Isso representou um crescimento de 4,1%, em relação ao ano anterior (IEA, 2012, p. 13). Ainda assim, o seu percentual no total do consumo mundial diminuiu ligeiramente de 6% para 5,6% e ela passou a ser o quarto maior demandante de energia, sendo ultrapassada pela Índia (IEA, 2013, p. 13; IEA, 2012, p. 13).

Em 2011, a Rússia emitiu 1.653,23 Mt de dióxido de carbono, isto é, 5,3% das emissões mundiais, o que faz dela a quarta maior emissora de CO2 (IEA, 2013a, p. 54). Estima-se que entorno de 82% das emissões de gases de efeito estufa russas sejam provenientes do setor energético (IFC, 2011, p. 11). O pico das emissões de CO2 acorreu em 1989 e, a partir de então, caíram continuamente até 1998, com ilustra o Gráfico 1 (BP, 2013). No ano seguinte, concomitantemente à mudança de governo e ao início de sua recuperação econômica, essa tendência se inverteu. Entre 1999 e 2011, as emissões russas cresceram em média 0,9% ao ano, porém ainda são, aproximadamente, 30% menores do que em 1989. Continue lendo »

Os desafios da energia no Brasil em vídeo III

In energia on 27/03/2014 at 00:15

edmar102013O Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentou em outubro de 2013  o Seminário GEE2013: Os Desafios da Energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se deu em dois dias, e foi estruturado em torno da discussão dos temas considerados decisivos para a evolução do setor energético brasileiro.

Os vídeos com as apresentações do seminário estão sendo disponibilizados no YouTube através do Canal GEE.

Abaixo, as palestras do segundo dia.

Desafios do Crescimento da Produção de Petróleo no Brasil

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Os desafios da energia no Brasil em vídeo II

In energia on 24/02/2014 at 00:15

edmar102013O Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentou em outubro de 2013  o Seminário GEE2013: Os Desafios da Energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se deu em dois dias, e foi estruturado em torno da discussão dos temas considerados decisivos para a evolução do setor energético brasileiro.

Os vídeos com as apresentações do seminário estão sendo disponibilizados no YouTube através do Canal GEE.

Abaixo, as entrevistas dos participantes das mesas.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

Maurício Tolmaskin – EPE

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Segurança energética e mudança climática na China

In energia on 10/02/2014 at 00:15

Por Felipe de Souza *

felipe022014O suprimento de energia na China tem se baseado na utilização do carvão doméstico e, nos anos mais recentes, também do importado. Na última década, mais de 80% do aumento da demanda global por carvão ocorreu em razão da China (Best; Levina, 2012). O carvão é um fator de competitividade para importantes setores da economia chinesa incluindo setor elétrico e industrial.

Devido ao fundamental papel da China na economia global e, pelo fato de ser a maior consumidora de energia e maior emissora de dióxido de carbono, a política energética chinesa terá cada vez mais que lidar com o dilema entre segurança energética e mudança climática no contexto do objetivo mundial estabelecido durante a COP 15: controlar o nível de emissões de gases de efeito estufa no sentido de evitar o aumento da temperatura em mais de 2º Celsius neste século (United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), 2010).

Em 2009, diante da pressão da comunidade internacional, o então presidente Hu Jintao anunciou a meta da China em reduzir as emissões em 40% a 45% por unidade de PIB em relação ao nível de 2005 até o ano de 2020 (Yu, 2009). Continue lendo »

Retrospectiva 2013 em vídeo

In energia on 27/01/2014 at 00:15

edmar122013O ano de 2013 foi um ano de mudanças importantes na política energética nacional. Assistimos a implementação da MP 579 que deu uma verdadeira guinada econômica no setor elétrico, desenhando um novo cenário muito mais complexo e nebuloso para o setor. Já no setor de óleo e gás, este foi um ano difícil, mas com um balanço positivo. A realização das três rodadas de licitação sinalizou para uma política mais favorável para o setor que reafirmou a perspectiva de crescimento.

No programa Infopetro do Canal GEE, o professor Edmar de Almeida faz uma balanço do setor energético brasileiro em 2013.

INFOPETRO – RETROSPECTIVA 2013 – Setor Elétrico no Brasil

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Os desafios da energia no Brasil em vídeo I

In energia on 13/01/2014 at 00:15

edmar102013O Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentou em outubro de 2013  o Seminário GEE2013: Os Desafios da Energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se deu em dois dias, e foi estruturado em torno da discussão dos temas considerados decisivos para a evolução do setor energético brasileiro.

Os vídeos com as apresentações do seminário estão sendo disponibilizados no YouTube através do Canal GEE.

Abaixo, as palestras do primeiro dia.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

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Mensagem de fim de ano

In energia on 16/12/2013 at 00:15

O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano de 2013 às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção em 2014, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.

Natal 2013

Setor de energia no Brasil: O balanço de 2013

In energia on 09/12/2013 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar122013O ano de 2013 foi um ano de mudanças importantes na política energética nacional. Assistimos a implementação da MP 579 que deu uma verdadeira guinada econômica no setor elétrico, desenhando um novo cenário muito mais complexo e nebuloso para o setor. Já no setor de óleo e gás, este foi um ano difícil, mas com um balanço positivo. A realização das três rodadas de licitação sinalizou para uma política mais favorável para o setor que reafirmou a perspectiva de crescimento.

O Novo Desafio do Setor Elétrico

Encerramos 2012 com uma grande discussão na sociedade em torno dos possíveis impactos econômicos relativos à implementação da MP 579, que extinguiu vários encargos do setor elétrico; antecipou a renovação das concessões de hidrelétricas e linhas de transmissão com tarifas muito reduzidas; e criou importantes passivos para o Governo Federal relativos às indenizações às empresas (principalmente federais) de ativos não amortizados.

Infelizmente, essas medidas não foram suficientes para garantir a redução de 20% nas tarifas elétricas prometidas pelo governo. No mesmo período em que a redução deveria acontecer, apareceu uma conta enorme a ser paga pelos consumidores. A baixa hidraulicidade do final de 2012 e 2013 resultou na necessidade de despachar as termelétricas para evitar a queda dos reservatórios. Para não permitir que o custo adicional do combustível das térmicas impedisse a prometida redução de 20%, o governo resolveu também mudar os critérios de remuneração deste custo, repassando para o tesouro nacional a conta relativa ao ano de 2013. Continue lendo »

O carro do futuro I: alternativas e desafios

In energia on 11/11/2013 at 00:25

Por Michelle Hallack e Miguel Vazquez

michelle112013Hoje há uma grande discussão de como será o carro do futuro em diversos aspectos (desenho, funcionalidades, tecnologias, usos…) e certamente esta indústria impactará fortemente no futuro do mercado energético. Atualmente cerca de 20% da demanda mundial de energia advém do setor de transporte, como mais de 90 % desta demanda ainda é concentrada em derivados de petróleo, significa que cerca de 60% do consumo de petróleo mundial depende do setor de transporte[1]. Rapidamente, podemos imaginar o que ocorreria com o mercado de petróleo mundial caso alguma tecnologia substituta realmente consiga deslocar os combustíveis derivados do petróleo.

A distância que estamos deste futuro é uma questão que vale certamente muito mais que um milhão de dólares. Contudo, o que se pode observar é um forte movimento de desenvolvimento de diversas tecnologias alternativas. Algumas destas tecnologias podem se complementar, mas certamente haverá (e já está presente) uma disputa entre as tecnologias por participação no mercado. Por outro lado, os carros baseados em gasolina e diesel buscam inovações para o aumento de eficiência dificultando assim a sua superação. Será que não haverá um carro do futuro, mas sim conjunto de possibilidades? Será que a matriz de combustíveis será diversificada e heterogênea como a matriz elétrica?

Logo, desculpem-nos os grandes amantes das tecnologias automotivas, mas ao contrário do que o título pode levar a crer, não analisaremos a possibilidade de ter os nossos carros dirigidos pelos softwares do Google ou se em breve entraremos voando em um dos carros dos Jetsons. Este é o primeiro de uma série de textos que objetiva discutir o desenvolvimento de combustíveis alternativos. Mais precisamente, a interação entre a indústria da energia (mercado, regulação e política), a indústria do transporte (considerando aspectos da mobilidade urbana) e a promoção de novos combustíveis.  Continue lendo »

A matriz energética nacional

In energia on 28/10/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho102014Para acompanhar a discussão sobre a evolução da matriz energética brasileira é imprescindível conhecer uma publicação editada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Ministério de Minas e Energia (MME): O Balanço Energético Nacional (BEN).

O relatório consolidado do Balanço Energético Nacional apresenta, anualmente, a contabilidade relativa à oferta e o consumo de energia no Brasil, contemplando as atividades de extração de recursos energéticos primários, sua transformação em formas secundárias, a importação e exportação, a distribuição e o uso final da energia.

O documento final do BEN é disponibilizado no segundo semestre do ano posterior ao ano base. Dessa forma, os dados consolidados para o ano passado (2012) ficaram disponíveis no segundo semestre de 2013. Contudo, como forma de disponibilizar estatísticas energéticas ainda no primeiro semestre, a EPE elabora o documento intitulado “Resultados Preliminares do BEN”, cuja edição de 2013 – ano base 2012 – ficou disponível no seu site, até a publicação no segundo semestre dos atuais dados consolidados .

Além de trazer os resultados do ano anterior, o BEN traz uma série de balanços consolidados que cobre o período que vai de 1970 até o último ano disponível, que, no momento, é 2012. Portanto, são mais de quarenta anos de dados sobre a maneira como a energia vem sendo produzida, transformada e utilizada no Brasil.

Nesse sentido, o BEN constitui uma base de dados muito interessante para quem acompanha as discussões sobre energia. Para que se possa aproveitá-la plenamente, é necessário conhecer alguns conceitos-chave na sua construção, que facilitam a compreensão do alcance desse instrumento. Continue lendo »

A energia do Brasil e seus desafios

In energia on 07/10/2013 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Ronaldo Bicalho

edmar102013No livro a Energia do Brasil o professor Antonio Dias Leite descreve e analisa a saga brasileira na construção do seu setor energético. Nessa obra clássica, o professor emérito do Instituto de Economia da UFRJ disseca a maneira como o país soube encontrar a energia necessária para a sustentação do seu desenvolvimento econômico. Desenvolvimento econômico baseado em uma forte industrialização voraz no consumo de energia.

Nessa trajetória, o país construiu um setor energético moderno, vigoroso e sofisticado. Das águas profundas à gestão dos grandes sistemas elétricos continentais, passando pelo enriquecimento de urânio e pelos biocombustíveis, o país conseguiu a energia necessária ao seu crescimento econômico e ao bem estar da sua população.

O novo milênio traz desafios maiores e mais complexos para o setor energético. Mais uma vez é necessário ir em busca da energia do Brasil. Não mais aquela que nos sustentou no século passado; mas aquela que poderá nos sustentar neste século que se inicia.

Os desafios para o setor de energia brasileiro neste século que se inicia são consideravelmente distintos dos já enfrentados até o momento. No século passado a questão central foi a segurança energética e a redução da dependência externa. O Brasil busca agora se tornar um grande exportador de energia, em particular de petróleo. Este objetivo muda de patamar as complexidades e desafios para os setor de energia nacional. A dinâmica do setor energético nacional passa a ter um dimensão internacional. Ou seja, as relações econômicas e políticas que o país desenvolverá no plano internacional terão implicações para o setor energético nacional. Continue lendo »

A transição energética: aberta, indefinida e indeterminada

In energia on 23/09/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho092013Duas questões fundamentais caracterizam o atual contexto energético e sua evolução futura: a segurança energética e a mudança climática.

A garantia do suprimento de energia necessário ao crescimento econômico e ao bem-estar da sociedade e a mitigação do processo de mudança climática mediante o controle do aquecimento global via a redução das emissões de gases de efeito estufa são objetivos drasticamente interdependentes e contraditórios.

Interdependência e contradição essas que nascem do papel crucial desempenhado pelos combustíveis fósseis tanto na segurança energética quanto na mudança climática.

Esses combustíveis representam, por um lado, 80% do consumo mundial de energia e, por outro, 80% das emissões de CO2 de origem humana.

Dessa forma, reduzir as emissões de CO2 tem um custo energético, representado pela indisponibilidade de um recurso chave para o atendimento das necessidades energéticas. Em contrapartida, atender essas necessidades mediante o uso intenso desse recurso tem um custo ambiental, representado pela explosão das emissões, intensificação do aquecimento global e aceleração da mudança climática.

Esse trade-off estrutura o processo de transição energética. Essa transição de uma economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis para uma economia sustentada por combustíveis limpos encontra-se no coração da dinâmica energética que definirá a evolução do contexto energético neste século.

A maneira como se percebe, se administra e se reduz esse trade-off é fundamental na definição da necessidade, do conteúdo, do ritmo e da duração da transição energética. Continue lendo »

Os desafios da energia no Brasil

In energia on 30/07/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

seminario2Quais são as questões fundamentais para o desenvolvimento do setor energético brasileiro no atual contexto nacional e internacional? De que maneira a energia pode ser um fator decisivo no desenvolvimento econômico e social do país? Quais são os grandes desafios a serem vencidos para que a energia possa servir de alavanca para esse desenvolvimento?

Para responder a essas questões o Grupo de Economia da Energia realizará no próximo mês de Outubro o seminário: Os desafios da energia no Brasil.

Esse fórum de debates, reunindo especialistas do setor produtivo, do governo e da universidade, se dará em dois dias, e está estruturado em torno da discussão de seis grandes temas e duas grandes questões decisivas para a evolução do setor energético brasileiro.

O Contexto Energético Internacional: Um Mundo em Transição

O primeiro grande tema é a inserção do debate brasileiro no debate energético internacional. Nesse sentido, quais são as grandes tendências e dilemas do cenário energético internacional?

Duas questões fundamentais definem o atual contexto energético internacional: segurança energética e mudança climática. Os diferentes Estados Nacionais encaram de maneiras distintas essas duas questões e, principalmente, a problemática correlação existente entre elas. Essas percepções distintas geram estratégias distintas, que interagindo umas com as outras vão desenhando os cenários possíveis de evolução desse contexto.

Essa pluralidade de percepções, estratégias e evoluções configura um quadro no qual o processo de transição entre a atual economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis e uma futura economia sustentada nas energias renováveis é acima de tudo indefinido e aberto, com várias trajetórias, conteúdos e tempos de duração possíveis. Continue lendo »

Investimentos no setor energético: os caminhos de uma nova dinâmica

In energia on 06/05/2013 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar052013O Governo Brasileiro há tempos vem buscando sem sucesso encontrar um caminho para alcançar um nível de investimentos na economia que garanta o crescimento sustentado. Atualmente, o país tem uma taxa de investimentos sobre o PIB (18%) que não é compatível com um crescimento econômico sustentado a taxas almejadas pela sociedade (4-5%). Quando comparamos a taxa atual de investimentos com períodos onde o país conseguia investir mais de 20% do PIB, percebemos que a grande diferença foi a queda do investimento público. Ou seja, o Estado Brasileiro, apesar de ter elevado fortemente a carga tributária, não consegue mais priorizar os investimentos no orçamento nacional.

Esta condição de contorno da questão do investimento parece ser mais estrutural que conjuntural. Apesar do esforço e do discurso político de vários governos para priorizar investimentos, os resultados não foram animadores. O investimento público continua muito aquém do necessário para uma taxa geral de investimento na economia compatível com o crescimento sustentável.

Nos últimos anos, o setor energético, em particular o segmento de óleo e gás  passou a ser uma importante oportunidade para a retomada do crescimento dos investimentos. As grandes descobertas de óleo e gás na província do Pré-Sal, o grande potencial do gás não convencional e das energias renováveis abriram oportunidades para transformar o Brasil num grande exportador de energia. Os cenários de crescimento da produção de petróleo e gás da Petrobras e do Governo Federal apontam para um forte aumento da participação dos investimentos em óleo e gás nos investimentos totais. A participação da indústria de óleo e gás nos investimentos totais da economia já tinha saído de 2% em 1995 para 9% em 2008. Continue lendo »

O desafio energético chinês

In energia on 22/04/2013 at 00:22

Por Ronaldo Bicalho e Felipe de Souza

bicalho042013Em Dezembro de 2012, a China tomou o lugar dos Estados Unidos como o maior importador de Petróleo do mundo. Nesse mês, de acordo com dados preliminares da US Energy Information Administration, a China importou o correspondente a 6,12 b/d enquanto os Estados Unidos importaram 5,98 b/d. Os americanos lideravam o ranking dos importadores desde meados dos anos 1970 e, apesar dos dados se referirem apenas ao mês Dezembro e no consolidado do ano os EUA seguirem liderando, analistas acreditam que essa ultrapassagem mensal sinaliza claramente a tendência de longo prazo de supremacia chinesa nas importações mundiais de petróleo.

Embora a China seja o maior produtor de carvão do mundo, a forte expansão do consumo e os preços domésticos desfavoráveis fizeram com que a importação de carvão começasse a crescer a partir de 2002; de tal forma que em 2009 o país já era um importador líquido e em 2010 ocupava o segundo lugar no ranking mundial de importações carboníferas, perdendo apenas para o Japão.

Mesmo no caso do gás natural, a China se tornou um importador dessa fonte de energia pela primeira vez em 2007. Desde então a participação da importação líquida cresceu fortemente, saltando de 2% do consumo nesse ano para 22% em 2011.

Assim, a China, que em 1971 apresentava uma importação líquida negativa, correspondente a (-) 0,5% da sua demanda total de energia, em 2010 importava 14 % da energia que consumia e era responsável por 8% das importações mundiais de energia. Continue lendo »

A energia dos BRICs

In energia on 07/01/2013 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

bicalho012013Segundo os dados da Agência Internacional de Energia (AIE)*, Brasil, Rússia, Índia e China respondem por 32% da demanda de energia mundial. Entre eles o destaque fica com a China com 2.417 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo)[1], que correspondem a 19% da demanda de energia do mundo[2]. A Rússia vem em seguida com 701 milhões de tep (6% da demanda mundial), depois a Índia com 692 milhões de tep (5%) e finalmente o Brasil com 265 milhões de tep (2%).

Embora a China apresente a maior demanda de energia do mundo, seu consumo per capita (1,81 tep/hab) está abaixo da média mundial (1,86 tep/hab). Do mesmo modo a Índia que, mesmo alcançando 5% da demanda mundial, apresenta um baixo consumo per capita (0,59 tep/hab). Por outro lado, a Rússia apresenta um consumo per capita de energia (4,95 tep/hab) de país desenvolvido[3]. O consumo brasileiro (1,36 tep/hab) fica em uma posição intermediária entre os BRICs, um pouco abaixo do consumo chinês. Para situar esses valores, os Estados Unidos, segundo maior consumidor de energia do mundo, têm uma demanda per capita de 7,15 tep/hab. Continue lendo »

Mensagem de fim de ano

In energia on 17/12/2012 at 00:15

O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano de 2012 às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção em 2013, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.


Cartao Blog-GEE 2012-2013

Eficiência energética em edificações dá samba no Brasil?

In energia on 26/11/2012 at 00:15

Por Gustavo Haydt

A ideia de ter uma construção energeticamente eficiente e certificada não é nada nova, apesar do assunto ter-se tornado constante nos últimos tempos. Mas qual o objetivo da eficiência energética na edificação? Um dos objectivos gerais da eficiência energética em edifícios é economizar no uso de energia sem comprometer os níveis de saúde, conforto e produtividade. Em outras palavras, utilizar menos energia no uso diário do edifício, mas tendo construções de igual ou melhor qualidade.

Historicamente se pode indicar a Europa como sendo uma pioneira na formalização de uma regulamentação com intuito de obter redução do uso da energia nas edificações. Para tal, desenvolveu regulamentos sobre a construção das envoltórias dos edifícios no final da década de 1970 para reduzir a transferência de calor através de elementos da envoltória (e.g. paredes e janelas) e de difusão de vapor e controle de permeabilidade ao ar, seguido por regulamentos e recomendações de melhores práticas sobre o cálculo, projeto e manutenção de conforto térmico (e.g. aquecimento, ventilação e ar condicionado – AVAC e água quente sanitária – AQS) (Pérez-Lombard et al., 2009). Continue lendo »

Energia e Desenvolvimento II: Em busca do Elo Perdido no Setor Elétrico

In energia, energia elétrica on 05/11/2012 at 00:15

Por Edmar de Almeida

No artigo anterior desta série, tentamos colocar em evidência os fatores por detrás do “elo perdido” entre energia e desenvolvimento. Argumentamos que um dos principais fatores foi a dificuldade de encontrar um equilíbrio entre as políticas públicas visando garantir o suprimento energético num contexto de participação do capital privado e as políticas para promover a qualidade e modicidade tarifária.

Esta dificuldade foi mais patente no caso do setor elétrico nacional, que agora passa a ser matéria de políticas para promoção da modicidade tarifária. Após a progressiva liberalização do mercado elétrico na década de 1990, todos os esforços do governo se orientaram para buscar garantir a atratividade para o investimento privado a fim de assegurar novos investimentos e segurança de suprimento.

A privatização do setor de distribuição de eletricidade através da oferta de contratos de concessão atrativos; a oferta de crédito farto pelo BNDES aos investidores privados; as regras de self-dealing para os investimentos na geração por parte das distribuidoras; e o Programa Prioritário de Geração Termelétrica (PPT) lançado em 2000 são exemplos de iniciativas para atrair os investimentos do capital privado para setor elétrico, num contexto de escassez de capital no mercado internacional e instabilidade econômica no país. Continue lendo »

Fósseis e renováveis na disputa pela Casa Branca

In energia on 29/10/2012 at 00:10

Por Renato Queiroz

A imprevisibilidade da disputa presidencial americana vem mexendo com os analistas em política energética e os consultores dos portfólios da indústria mundial de energia, sobretudo com a possibilidade da volta de um governo republicano. Está no ar a seguinte questão no ambiente energético global: quais energéticos vencerão as eleições americanas?

As discussões sobre os programas de governo e os discursos e as entrevistas dos candidatos Obama e Romney são analisados nos seus pormenores pela “comunidade energética mundial” na busca de sinais sobre que energéticos poderão ter prioridades em seus usos indicando, assim, os negócios promissores da indústria energética que movimenta centenas de milhões de dólares pelo mundo.

A crescente demanda mundial por energia, em conjunto com as políticas dos governos para diversificar as fontes de energia – seja por razões de redução de emissões de gases de efeito estufa, seja pela busca de uma maior segurança energética ou na estratégia de alavancar as economias em tempos de crise – têm impulsionado a demanda de energéticos não convencionais.

Nesse bojo não se encontram somente os renováveis, mas também o gás natural como um representante de respeito entre o time dos fósseis. Afinal, o peso do gás natural na agenda energética dos Estados Unidos vem crescendo em ritmo acelerado nos últimos 10 anos, e o gás não convencional vem puxando esse movimento. Continue lendo »

O desafio energético Indiano: pobreza, segurança energética e mudança climática

In energia on 15/10/2012 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

Na Índia, 25% da população não têm acesso à eletricidade e 72% usam lenha para cozinhar. Isto significa que 289 milhões de indianos não têm luz elétrica em suas casas e que 836 milhões não têm fontes de energia modernas para preparar seus alimentos.

A Índia tem uma demanda energética (692,6 Mtep) 40% maior do que a do Japão (496,8 Mtep), contudo, cada indiano consome (0,59 tep) apenas o correspondente a 15% da energia consumida por um japonês (3,90 tep).

Mesmo considerando as reduções previstas para essas carências energéticas, em 2030 as parcelas da população indiana sem acesso à energia elétrica (194 milhões) e às fontes modernas para a cocção (778 milhões) continuarão sendo significativas (10% e 53%, respectivamente).

Desse modo, a demanda de energia de uma grande parte da população indiana não é atendida hoje e, mais do que isso, continuará sem ser atendida por um longo tempo.

Em função das graves consequências econômicas e sociais dessa pobreza, prover o acesso às energias modernas para toda a sua população, principalmente à eletricidade, é a prioridade maior da política energética indiana. Essa inclusão tem sido, historicamente, o grande desafio das políticas públicas do Estado indiano na área de energia.

A Índia apresenta a terceira maior demanda de energia do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Continue lendo »

Observatório de geopolítica da energia III: parcerias estratégicas entre Brasil e China nos setores de energia e transportes

In energia on 03/09/2012 at 00:15

Por Amaro Pereira e Renato Queiroz

A China apresentou na última década (2000-2010) um crescimento econômico muito expressivo, passando de 10% ao ano, segundo dados do Banco Mundial. O país, dessa maneira, consolidou-se não somente como uma potência asiática, mas também como um dos principais atores econômicos mundiais.

Tal evolução vem demandando expressivos investimentos, com destaque para a área de infraestrutura com a construção de rodovias, ferrovias, aeroportos e centrais de geração de energia elétrica, tal como a hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo, com 18 GW de capacidade. O Brasil, como grande exportador de produtos básicos, como minérios, e semimanufaturados, se beneficiou tanto do desempenho da economia chinesa que se tornou o seu principal  parceiro comercial, superando os EUA.

No entanto,  na última década, o crescimento econômico brasileiro foi bem mais modesto do que o da China, de 3,6% ao ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.  Alguns autores argumentam que os dois países tiveram estágios de grande desenvolvimento econômico em épocas diferentes. Afinal o milagre econômico brasileiro já ocorreu na década de 70. Continue lendo »

Pré-Sal e Desenvolvimento: a contribuição do pensamento de Antonio Barros de Castro

In energia, petróleo on 27/08/2012 at 00:15

Por Helder Queiroz

Há exatamente um ano, em agosto de 2011, o Brasil perdeu um de seus mais brilhantes economistas. Antonio Barros de Castro foi um dos principais pensadores do desenvolvimento econômico. Desde então, muitos colegas já prestaram o justo reconhecimento da importância de suas reflexões, abordagens e dos textos mais significativos de sua obra.

Castro foi sempre um dos maiores incentivadores dos trabalhos do Grupo de Economia de Energia. Em particular, sempre  nos chamou atenção a sua incrível capacidade de  manejar os fundamentos macroeconômicos e microconômicos das questões de desenvolvimento econômico. Era igualmente notável sua capacidade de identificar e integrar novas abordagens teóricas, como os trabalhos neoschumpeterianos e institucionalistas, aos seus esquemas de análise. Além disso, entendia como poucos o processo de evolução das estruturas industriais. Para tal, ia sempre “a campo”, realizando entrevistas frequentes com atores do meio empresarial, formuladores de política e seus pares acadêmicos.

Castro estava sempre presente em nossos seminários e, nos últimos, nos tornamos privilegiados interlocutores com relação à importância do Pré-Sal para o desenvolvimento econômico e  social brasileiro. A troca de ideias com ele e suas indagações foram de suma importância para o amadurecimento do tema no GEE. Continue lendo »

Energia e desenvolvimento: em busca do elo perdido – 1

In energia on 13/08/2012 at 00:15

Por Edmar de Almeida

Qual deve ser o objetivo da intervenção do Estado no setor de energia do Brasil? É interessante notar que atualmente esta pergunta pode suscitar um grande número de respostas divergentes.

Para uns, o objetivo principal é garantir a sustentabilidade ambiental e uma transição para uma matriz descarbonizada. Para outros, o papel do Estado é velar pelo bom funcionamento do mercado energético de forma a atrair investimentos privados e garantir a segurança do abastecimento. Outros ainda poderiam apontar o objetivo de viabilizar a expansão do setor energético através da exportação de energia, criando renda e empregos no país.

Esta gama de possibilidades representa objetivos que se sobrepõem/coabitam na política energética nacional. Entretanto, a diversidade de objetivos tem contribuído para o enfraquecimento do tradicional elo existente entre o setor energético e o desenvolvimento econômico nacional.

Energia deixou de ser uma vantagem comparativa do Brasil. Os preços da energia no Brasil são comparáveis e muitas vezes mais elevados do que os dos países sem dotação de recursos energéticos. A incontrolável elevação dos custos energéticos no país é o sintoma de que a política energética nacional perdeu sua capacidade de elaborar e implementar uma visão estratégica, em que o setor energético representa uma infraestrutura para a promoção do crescimento e desenvolvimento econômico nacional. Continue lendo »

As instituições e o futuro da energia

In energia on 06/08/2012 at 11:44

Por Ronaldo Bicalho

As instituições têm um papel decisivo na configuração do futuro da energia. Este texto discute o papel das políticas energéticas dos diversos Estados nacionais na evolução do cenário energético no médio (2030) e no longo (2050) prazos.

O peso das instituições

Dois fatores determinam a evolução estrutural do cenário energético: tecnologia e instituições.

Se, por um lado, as tecnologias vão definindo o horizonte de possibilidades de mediação entre as necessidades energéticas e os recursos naturais, por outro, as instituições vão enquadrando essas possibilidades; incentivando ou penalizando, sancionando ou vetando tecnologias, estratégias, empresas e países.

A evolução energética no médio e no logo prazo, vista sob a perspectiva de hoje, depende do posicionamento das instituições que regulam, em sentido amplo, o mercado energético frente a dois temas cruciais: segurança energética e mudança climática.

Esse posicionamento, na medida em que se traduza em políticas públicas, definidoras das ações dos diversos Estados Nacionais no enfrentamento desses dois problemas, irá se constituir em um dos elementos chave para a definição dos futuros possíveis da energia. Continue lendo »

O cenário energético atual

In energia on 16/07/2012 at 00:19

Por Luciano Losekann

Nos dias 24 a 27 de junho, a 35ª edição da conferência internacional da Associação Internacional de Economia da Energia (IAEE) foi sediada em Perth na Austrália. Essa conferência é a mais importante da área de economia de energia. Os principais temas discutidos foram: as perspectivas para o gás natural resultantes da oferta não convencional, o panorama da energia nuclear no Japão pós-Fukushima e a mitigação de emissão de CO2 no setor elétrico.

A relação entre as indústrias de petróleo e gás natural foi discutida, principalmente quanto a formação de seus preços. A apresentação de Fereidun Fesaraki abordou o tema, recorrendo a seguinte ilustração: “se o petróleo é um namoro, o gás natural é um casamento”. Apesar da introdução de flexibilidade a partir da difusão do GNL e da maior importância de mercados spot, a infraestrutrura de gás exige maior comprometimento entre os envolvidos. Assim, os contratos de longo prazo ainda tendem a ser dominantes. Usualmente, contratos de GNL têm duração de quatro a dezessete anos. São os contratos longos que permitem o financiamento dos projetos, já que bancos só aceitam participar quando os contratos de compra de longo prazo são apresentados. Continue lendo »

Perspectivas tecnológicas e emissões de CO2

In energia on 02/07/2012 at 00:15

Por Jacqueline Batista Silva

Em junho foi lançada a edição 2012 do Energy Technology Perspectives (ETP), da Agência Intenacional de Energia (AIE).  A publicação é apresentada como sendo a mais ambiciosa e abrangente no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias em energia. Nela, é demonstrado como tecnologias – de veículos elétricos a parques eólicos – podem contribuir significativamente para o objetivo internacionalmente acordado de limitar o aumento global da temperatura em, no máximo, 2°C sobre os níveis pré-industriais. O relatório é norteado, portanto, pelo cenário de 2°C ou 2DS (2 Degrees Scenario).

O Energy Technology Perspectives 2012 ganhou repercussão no New York Times e no The Guardian, numa época em que, a despeito dos resultados, vimos diversos países envolvidos em torno de questões ambientais na Rio+20.

O estudo disponibiliza no site a visualização do padrão de emissões e projeções de diferentes países (incluindo o Brasil) para os diferentes cenários de emissão. O gráfico que apresenta a condição do Brasil para o nível de emissões de CO2 em Gt, numa projeção para 2050, é reproduzido a seguir: Continue lendo »

A política energética europeia: racionalização do uso e introdução de renováveis

In energia on 18/06/2012 at 00:15

Por Gustavo Haydt

As estratégias de incentivos a utilização de energias renováveis e a utilização racional de energia não são uma novidade no contexto Europeu, ou melhor, nos países que formam a Comunidade Europeia (CE). A CE, em virtude da primeira crise mundial de petróleo, que abalou o mercado da energia em 1973, definiu em 1974 uma resolução [1] na qual estabeleceu uma maior racionalização do consumo de energia, sem que isto afetasse o crescimento da sua economia e alterasse os objetivos de melhoria no conforto e qualidade de vida dentro da Comunidade. Além da racionalização no lado da demanda, a oferta de energia também foi alvo desta mesma resolução.

Com o objetivo de melhorar a segurança do abastecimento (principal motivo da época com foco na segurança da economia), a resolução recorria ao apoio ao desenvolvimento da produção de energia (electricidade) de origem nuclear (mais estável do ponto de vista do custo de energia na época) e ao apoio a extração de recursos fósseis provenientes da própria Comunidade. Apesar de alguma preocupação com o meio ambiente e o grande foco com a segurança do abastecimento, as energias renováveis ainda não eram vistas como oportunidade para a Comunidade. Continue lendo »

Novos desafios para os reguladores de energia

In energia on 28/05/2012 at 00:15

Por Helder Queiroz

Um dos traços mais marcantes das mudanças estruturais e institucionais no modo de organização das indústrias energéticas, observadas desde o fim da década de 1980, foi a criação das agências reguladoras. Em todos os países que promoveram tais transformações, a criação de órgãos de regulação setorial de energia promoveu uma redefinição das fronteiras de competência e responsabilidades dentro do próprio Estado.

Cabe destacar que a multiplicação recente do número de órgãos reguladores em todos os países ampliou a variedade e a qualidade do exercício da regulação. As agências reguladoras ainda não atingiram a plena maturidade para o exercício de sua atividade e qualquer análise comparativa de suas estruturas e desempenhos pode revelar a imensa variedade de situações de um país a outro.

Desse modo, é sempre de grande utilidade confrontar as experiências de diferentes países e órgãos reguladores a fim de aprimorar a qualidade da regulação. É nessa perspectiva que se realizam, a cada três anos, os Fóruns Mundiais de Regulação de Energia. A sua quinta edição, realizada em maio de 2012, em Quebec, no Canadá, reuniu representantes de mais de 70 (setenta) países. Continue lendo »

A independência energética americana

In energia on 30/01/2012 at 00:14

Por Ronaldo Bicalho

Em um curto período de uma semana, no final de Outubro do ano passado, três grandes jornais anunciaram que os Estados Unidos estavam a um passo de alcançar a sua independência energética.

Se no New York Times as novas tecnologias redesenhavam o quadro energético mundial, no Washington Post nascia uma nova ordem petrolífera mundial, enquanto que no Financial Times o pendulo energético mudava o seu curso e passava a apontar na direção da independência petrolífera americana.

Por trás das boas novas encontravam-se os avanços na produção de petróleo e gás não convencionais – das areias betuminosas do Canadá à revolução mundial do shale gás – e na exploração offshore em águas profundas – do Golfo do México às costas brasileiras e africanas – que colocavam à disposição do ocidente um volume significativo de hidrocarbonetos que redesenharia completamente o mapa energético mundial; em detrimento do oriente médio, que perderia a sua relevância no suprimento da energia ocidental. Continue lendo »

Mensagem de fim de ano

In energia on 19/12/2011 at 00:19

O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano de 2011 às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção em 2012, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.

Observatório de geopolítica da energia I: incertezas críticas globais em tempos turbulentos

In energia on 12/12/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

Os formuladores de política energética e executivos da indústria de energia estão, certamente, nesse  momento debruçados nas análises voltadas a economia da energia  e  a geopolítica energética na busca de um entendimeno do atual cenário mundial que os levem a implantar ações que minimizem os riscos  de abastecimeno energético em seus  países  e  em suas empresas.

Afinal  o mundo atual que convoca revoluções via facebook ,twitter,  pega de surpresa os estrategistas das corporações e de governos que avaliam o complexo mundo da indústria da energia. Métodos tradicionais  e modelos clássicos racionais para prever desempenhos econômicos, preços de combustíveis, inserção de novas tecnologias podem trazer,nesse novo contexto,uma dose de inocência. A sofisticação é uma exigência para o entendimento do imenso leque de informações que as “ redes” nos proporcionam. A geopolítica  da energia que trata das relações entre energia ,economia e políticas dos países pode aumentar o feeling  dos profissionais e reduzir os riscos de suas decisões. Continue lendo »

Redução das emissões de CO2: distribuindo custos e sacrifícios

In energia on 07/11/2011 at 00:12

Por Ronaldo Bicalho

Segundo a nossa última postagem, pensar a transição entre a atual economia baseada no uso intensivo dos combustíveis fósseis  e uma futura economia sustentada nas energias renováveis como um processo definido, com uma trajetória única, um timing único e um conteúdo único, é uma simplificação que não ajuda no entendimento da natureza dessa transição, de suas possibilidades e de suas dificuldades.

A transição, de fato, é um processo indefinido e aberto, com várias trajetórias, conteúdos e tempos de duração possíveis.

Em outras palavras, não há uma transição única, mas várias transições.

Nesse sentido, analisar as possibilidades de evolução do setor de energia no mundo hoje implica na análise dessas várias transições.

Mapeando transições

Para se identificar essas diferentes possibilidades de transição é fundamental mapear as distintas maneiras de se perceber o trade-off segurança energética versus mudança climática e as diversas formas de enfrentá-lo.

Para isso, pode-se considerar, em termos gerais, que a redução da intensidade do processo de mudança climática seja o objetivo principal e, a partir daí, se avaliar qual o tipo de impacto negativo (custos) que a redução das emissões de CO2 tem sobre a segurança energética, em função de diferentes hipóteses para a obtenção dessa redução. Continue lendo »

Segurança energética e mudança climática: a difícil convergência

In energia on 19/09/2011 at 00:10

Por Ronaldo Bicalho

Duas questões fundamentais dominam o debate contemporâneo sobre energia: mudança climática e segurança energética.

A princípio, essas questões pertencem a áreas de políticas públicas diferentes, contudo, a evolução recente dos acontecimentos, tanto no âmbito energético quanto no ambiental, fez com que a interdependência entre elas crescesse de forma significativa.

Face a isto, a peculiaridade do atual momento não se encontra simplesmente na presença do tema ambiental – mudança climática – no debate sobre energia, mas no protagonismo adquirido por esse tema na evolução do quadro energético atual. Em consequência, não basta reconhecer a necessidade de incorporar a variável ambiental no debate, mas reconhecer a necessidade de incorporá-la como uma questão de primeira ordem, em igualdade de condições com o tema energético por excelência que é a segurança energética.

A necessidade de se colocar as dimensões ambiental e energética no mesmo patamar na discussão sobre energia é fruto da presença marcante dos combustíveis fósseis tanto na mudança climática quanto na segurança energética.

Para a área de meio ambiente, os combustíveis fósseis constituem a principal causa da mudança climática, em função do aumento da temperatura gerado pela concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera; em particular, do CO2 emitido pela queima desses combustíveis.

Para a área de energia, os combustíveis fósseis desempenham um papel fundamental na garantia do suprimento de energia necessário ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar social; graças a um conjunto de atributos – estocabilidade, densidade, disponibilidade e controle – que permite a utilização desses combustíveis em níveis de escala e custo extremamente favoráveis. Continue lendo »

Os combustíveis fósseis e o aquecimento global no intrincado jogo da política energética

In energia on 08/08/2011 at 00:15

Por Renato Queiroz

Ao formularem e reavaliarem as políticas energéticas, os países enfrentam uma questão: as futuras matrizes energéticas devem refletir as ações que diminuam em ritmo crescente a queima do petróleo, gás natural e carvão, na busca de frear o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Essa questão vem acompanhada de relatórios de organizações respeitadas, como aqueles do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), advertindo que se tais ações não se concretizarem haverá elevação dos oceanos, secas em determinadas regiões, alterações no clima, etc.

Outro exemplo é o documento publicado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, em 2 de agosto de 2011, “A Ásia 2050”, e cujas conclusões foram divulgadas recentemente pela mídia.  Essa instituição, fundada em 1966 e cujo objetivo é promover o crescimento econômico para países em desenvolvimento na Ásia, alerta, nesse documento, que o impacto das mudanças climáticas está entre os principais entraves, para que a região recupere a posição econômica dominante que tinha antes da Revolução Industrial. Continue lendo »

Dos fósseis aos renováveis: a difícil transição energética

In energia on 18/07/2011 at 00:10

Por Ronaldo Bicalho

A construção de uma política energética, que administre a difícil passagem de uma economia baseada nos combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono, não é uma tarefa fácil.

A massiva substituição dos combustíveis fósseis pelas fontes de energia renováveis envolve mudanças tecnológicas, econômicas e institucionais significativas. Essas mudanças transcendem o setor energético e abarcam temas que dizem respeito a um conjunto de valores associados ao papel crucial da energia no desenvolvimento econômico e no bem estar social e à relação com os recursos naturais e o meio ambiente derivada, justamente, dessa crucialidade.

A compatibilização entre os imperativos da segurança energética e os da mudança climática, mediante o recurso à penalização dos combustíveis fósseis e ao incentivo às renováveis, tem-se demonstrado na prática muito mais complexa do que o imaginado inicialmente.

A idéia de reunir o melhor dos dois mundos – a autossuficiência e a baixa emissão, o aumento da segurança energética e o combate aos fatores geradores da mudança climática – em torno da ampliação das fontes renováveis na matriz energética vem encontrando dificuldades tecnológicas, econômicas e político-institucionais crescentes.

A primeira dificuldade é tecnológica e diz respeito à necessidade de que haja avanços significativos nas tecnologias renováveis para que elas possam competir de fato com as tecnologias tradicionais. Esses avanços referem-se à superação dos problemas associados às baixas estocabilidade, densidade e escala, características do atual estágio de desenvolvimento das renováveis. Continue lendo »

O Pré-sal e a eficiência energética

In energia on 13/06/2011 at 00:10

Por Renato Queiroz e Agenor Garcia*

O Brasil vem trilhando um processo de transformações econômicas estruturais que o colocará, em futuro próximo, em estágio de desenvolvimento no padrão de países desenvolvidos. Muitas ações e decisões ainda devem ser tomadas, é verdade, porém há um sentimento reinante interno no país de que as políticas econômicas que vêm sendo tomadas trarão bons frutos para as gerações futuras.

Os resultados das ações e programas sociais implantados nos últimos anos, no entanto, dão indicação aos  planejadores energéticos de que o país deve ter muita cautela nas decisões que visam a atender a demanda projetada de energia.

O crescimento da renda nacional e sua redistribuição farão com que o consumo de energia por habitante aumente signicativamente. O Brasil já é a 5ª quinta maior população do mundo, situando-se em torno de 191 milhões de habitantes. Os estudos do IPEA sinalizam que, dependendo da taxa de fecundidade, a população brasileira pode ficar entre 209 e 217 milhões de habitantes em 2020. E a sociedade brasileira tem muita demanda reprimida. A nova classe média que surge com as ações sociais e o aumento de renda busca um grau de igualdade de acesso aos bens.

Continue lendo »

Segurança energética e mudança climática: diferentes visões, diferentes políticas

In energia on 23/05/2011 at 00:10

Por Ronaldo Bicalho

Segurança energética e mudança climática são os dois grandes eixos em torno dos quais se estruturam atualmente as políticas energéticas no mundo.

Com isto, garantir o suprimento de energia e reduzir as emissões dos gases de efeito estufa tornaram-se grandes objetivos estratégicos dos Estados Nacionais no campo da energia, com reflexos significativos na composição desejada da matriz energética futura e na configuração das estratégias mais adequadas para alcançá-la.

Contudo, a avaliação das reais conseqüências da presença desses dois objetivos no cerne da política energética necessita de uma qualificação. Principalmente, no que diz respeito à maneira como os Estados Nacionais percebem, hierarquizam e introduzem em seu conjunto de políticas públicas esses objetivos; o que, ao fim e ao cabo, se traduz no volume de recursos que, de fato, esses Estados estão dispostos a mobilizar para alcançá-los. Continue lendo »

Mensagem de fim de ano

In energia on 20/12/2010 at 14:04

O Grupo de Economia da Energia agradece aos leitores pela atenção dispensada ao longo do ano às discussões sobre energia levadas a cabo neste blog.

Esperando continuar contando com essa atenção no próximo ano, desejamos um feliz natal e um próspero ano novo a todos aqueles que têm nos acompanhado nesse debate sobre os rumos da energia no mundo e no Brasil.

O planejamento energético em uma era de transitoriedade

In energia on 01/11/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz

O mundo contemporâneo vive sob um contexto de profundas e contínuas mudanças. Praticamente todas as atividades humanas estão submetidas à transitoriedade, entendendo esse termo como um “lugar” pelo qual se passa, mas não se permanece. As tecnologias inovadoras certamente têm grande influência nessa necessidade permanente de mutação.

As organizações que não se renovam continuamente, seja introduzindo novas tecnologias em seus produtos, seja implantando novos processos de gestão, tendem a perder mercado ou a criarem estruturas decisórias “pesadas”  que não respondem aos novos estímulos que vêm do mundo exterior. A criatividade é uma característica desejável nesse ambiente  inovador, pois a repetição das mesmas situações e/ou rotinas levam os profissionais a ficarem contaminados, estagnados em atitudes passivas.

Nesse quadro empresarial de inércia, o comprometimento com o trabalho diminui porque o cotidiano fica em desacordo com um ambiente externo nômade. Em suma pode-se criar  um quadro de insatisfação cujos  resultados desejáveis certamente não serão alcançados. Continue lendo »

Energia e transporte: emissões, dependência ou mobilidade? Qual é o problema?

In energia on 18/10/2010 at 00:15

Por Helder Queiroz

Tal como mencionamos num artigo de março de 2010, as políticas energéticas em diferentes países e as estratégias das empresas de energia estão sendo progressivamente reorientadas, a fim de atingir, no longo prazo, padrões de produção e uso de energia que levem em consideração as novas condições de contorno do setor de energia. Surge como principal vetor deste processo de transição o componente tecnológico. Neste sentido, abre-se hoje um leque importante de novas possibilidades tecnológicas que envolvem novas fontes de energia e novos equipamentos. É possível citar como ilustrações exemplares dessa tendência na geração de energia elétrica com: i) o papel esperado de uma contribuição crescente de fontes renováveis; ii) a incorporação de novas tecnologias  em programas de eficiência energética e iii) as transformações esperadas no setor de transporte automotivo.

Este texto está dedicado a análise deste último ponto. Depois de décadas sem transformações significativas, o setor de transportes se encontra, hoje, no centro dos debates acerca de estratégias factíveis que permitam alterar o binômio “motores a combustão-derivados de petróleo”.  Não é por acaso que, dentre as grandes corporações internacionais se encontrem os fabricantes de automóveis e as empresas de petróleo. As vantagens inerentes deste binômio consolidaram um padrão de mobilidade do consumidor individual em torno dos automóveis com motores a combustão. O crescimento da demanda de carros de passeio e da gasolina e do diesel contribuiu, em grande medida, para o sucesso dessas corporações ao longo do século XX. Continue lendo »

As incertezas sem precedentes sobre o futuro da energia

In energia on 27/09/2010 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

De acordo com Alex Forbes, no European Energy Review, um dos destaques do último Congresso Mundial de Energia, em Montreal, foi a apresentação do economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, sobre alguns dos temas-chave do próximo World Energy Outlook.

Birol identificou quatro fatores cruciais para a definição do nosso futuro energético: as grandes incertezas sobre a recuperação econômica, o gás de xisto e as políticas de mudança climática; a insensibilidade crescente dos mercados de petróleo a mudanças de preços; o impacto cada vez mais amplo da China na dinâmica global da energia; e a mudança do papel da política pública de energia. Esse conjunto de fatores, segundo Birol, gera um contexto de “incerteza sem precedentes” para a indústria de energia global.

Incertezas: recuperação econômica, gás de xisto e mudança climática

Segundo o economista-chefe da AIE, a forma e o ritmo da recuperação econômica após a crise global é, sem dúvida, a grande fonte de incerteza que a indústria de energia enfrenta no curto e médio prazo; na medida em que a trajetória de recuperação é fundamental face à correlação entre a atividade econômica, a demanda e a oferta de energia e, portanto, os investimentos em energia. Continue lendo »

A complexidade da Política Energética Nacional: os desafios de se tornar um player internacional

In energia on 13/09/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz e Felipe Botelho

O Grupo de Economia da Energia (GEE) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) promoveram um debate em 30 de Agosto, passado, sob o título  “Política Energética: da dependência à inserção internacional”. Esta postagem apresenta as principais questões abordadas durante esse debate.

A complexidade de uma política energética em transição

Todo país busca elaborar, em um processo contínuo, estratégias para assegurar seu abastecimento energético, pois é sabido que as sociedades modernas têm como imprescindível o acesso aos serviços de energia. De fato, o homem moderno tem a energia como ingrediente essencial para sua vida cotidiana, no consumo em residências, nas indústrias, no transporte e no lazer, permitindo um nível cada vez maior de bem-estar a sociedade. Mas prover energia exige um processo complexo, pois envolve interesses políticos, econômicos, sociais e geopolíticos.  O Estado atua na organização desse intricado processo que envolve diversos agentes, elaborando instrumentos de política energética. Em suma, a política energética exige uma coordenação do Estado e tem como função básica garantir o suprimento de energia para a sociedade. Continue lendo »

A inexorável interdependência das políticas energéticas nacionais

In energia on 30/08/2010 at 00:15

Por Helder Queiroz

Dia 30 de agosto, o Grupo de Economia da Energia (GEE) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) promovem um debate, na sede do próprio IBP, intitulado “Política Energética: da dependência à inserção internacional”. A iniciativa visa promover uma reflexão ampla sobre tema e contará com convidados externos ao GEE.

A oportunidade de promover este tipo de reflexão vai muito além do fato de que teremos um novo governo em janeiro de 2011. O debate sobre as questões energéticas tem sido pautado, no plano internacional e nacional, sobre o futuro da produção e uso das fontes de energia, o qual não pode ser mais dissociado das políticas que visam atingir simultaneamente três objetivos: a segurança do abastecimento energético, a redução da dependência energética dos Estados nacionais e a diminuição dos impactos das mudanças climáticas provocadas por gases de efeito estufa, em especial oriundos da queima de combustíveis fósseis. Não há nada de trivial na compatibilização desses objetivos, os quais provavelmente apontam para uma crescente importância do binômio Energia-Tecnologia no processo de busca de soluções. Continue lendo »

A dinâmica energética mundial: de como recursos naturais, tecnologia, mercados e instituições determinam hoje a energia de amanhã.

In energia on 09/08/2010 at 00:15

Por Ronaldo Bicalho

O objetivo deste texto é identificar os fatores que atualmente determinam a  evolução do contexto energético no mundo.

Os  recursos naturais

O primeiro fator determinante da dinâmica energética é a dotação de recursos naturais, tanto em termos de quantidade e qualidade quanto em termos de localização.

Um dos traços marcantes do atual quadro energético mundial é a disputa entre detentores de recursos naturais, que buscam valorizar ao máximo a sua posse, tanto em termos econômicos quanto políticos, e seus consumidores, que buscam reduzir os impactos dessas pressões econômicas e políticas. Continue lendo »

A gestão energética eficiente da demanda de energia: um tema para a primeira página das agendas de políticas energéticas

In energia on 19/07/2010 at 00:15

Por Renato Queiroz

Qualquer coisa que você possa fazer, ou sonha que possa fazer, comece a fazê-la. A ousadia tem em si genialidade, força e magia” (Goethe, poeta e escritor alemão, 1749-1836).

Em uma postagem anterior apontamos, entre um leque de alternativas visando à segurança energética, dois temas: vulnerabilidade ambiental e a gestão energética eficiente da demanda de energia. No que se refere ao primeiro, já há uma espécie de “consciência coletiva” da importância da preservação ambiental para um desenvolvimento sustentável. Isso não quer dizer que haja um consenso entre os países na adoção de medidas para atender os requisitos defendidos nos fóruns que tratam do aquecimento global. Mas, de fato, mesmo com diferentes acepções sobre segurança ambiental, há um entendimento de que ações devem ser implantadas, para que  não haja uma perda de condições mínimas da qualidade de vida das sociedades. Continue lendo »

Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2019: trajetórias principais

In energia on 07/06/2010 at 00:30

Por Luciano Losekann

No início de maio, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou o Plano Decenal de Expansão de Energia no horizonte 2019 (PDE 2019). Esse documento descreve o planejamento do setor energético brasileiro, sendo possível identificar as principais trajetórias da oferta e demanda de energia e as diretrizes de política energética do país.

Como não poderia ser diferente, o principal destaque do PDE 2019 é o incremento da produção de petróleo e gás natural, decorrente do aproveitamento das reservas do pré-sal. Esse fator irá transformar o segmento de energia no Brasil. Também são destaques, (i) o forte crescimento do consumo de energia no país, (ii) a concentração da expansão do parque de geração em hidrelétricas e fontes alternativas; (iii) a redução de expectativas quanto à produção e exportação de etanol. Continue lendo »

Um panorama sobre os desafios da energia

In energia on 31/05/2010 at 00:30

Por Ronaldo Bicalho

A Associação Brasileira de Estudos em Energia (AB3E) criou o prêmio João Lizardo de Araújo para homenagear aqueles profissionais que contribuíram para o avanço do conhecimento na área de economia da energia no país.

O prêmio será entregue  na 33a Conferência Internacional da Associação Internacional de Economia da Energia, que ocorrerá no Rio de Janeiro de 6 a 9 de Junho, e o primeiro agraciado será o professor  Antonio Dias Leite.

O professor João Lizardo de Araujo dedicou mais de quarenta anos ao ensino e à pesquisa no campo da energia, a maior parte na Universidade Federal do Rio de Janeiro – inicialmente na COPPE e depois no Instituto de Economia.

Pouco tempo antes de falecer, já como diretor do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL) da Eletrobrás, João Lizardo deu uma longa entrevista ao Jornal da UFRJ, de junho de 2008, na qual traçou um amplo panorama sobre os grandes temas envolvendo a energia no Brasil e no mundo. Continue lendo »

Integração energética na América do Sul: motivações, percalços e realizações

In energia on 24/05/2010 at 00:30

Por Renato Queiroz e Thaís Vilela

Motivações e Percalços

Apesar de diversos acordos bilaterais realizados ao longo dos anos, o processo de integração energética na América do Sul evolui de forma gradual. A obtenção de um mercado completamente integrado depende da superação de determinadas barreiras que serão explicitadas mais adiante. Vale assinalar que o ponto aqui levantado é a integração energética entre países de um continente, envolvendo questões estratégicas, políticas e econômicas. Não deve ser confundido, portanto, com interligação energética, que é uma transmissão de energia de um país para o outro. O primeiro conceito corresponde a um processo complexo, uma vez que está submetido a fatores inerentes às relações internacionais. Continue lendo »

Energia = tecnologia + instituições

In energia on 17/05/2010 at 00:30

Por Ronaldo Bicalho

A relação entre as necessidades e os recursos energéticos não é estática no tempo e homogênea no espaço; na verdade, ela é dinâmica no tempo e heterogênea no espaço.

Para entender melhor esse dinamismo e essa heterogeneidade é preciso lembrar que entre as necessidades e os recursos energéticos há um conjunto de tecnologias – de produção, transporte e armazenamento, transformação e utilização – que estrutura as cadeias energéticas ao longo do tempo, definindo um conjunto de possibilidades, cujo aproveitamento, tanto em termos de timing quanto de intensidade, é definido a partir das instituições. Continue lendo »

Regulação: a construção de uma ponte sobre um oceano de distância

In energia on 26/04/2010 at 01:00

Por Luís Eduardo Duque Dutra

O determinismo geográfico é implacável, oceanos separam culturas, povos e países e, assim, vencer as distâncias ditadas pelos grandes mares exige dar passos ousados na direção do enfrentamento da diversidade cultural e da superação de traumas históricos. Apenas isto bastaria para saudar a iniciativa espanhola de reunir, em uma mesa de discussão, os reguladores de energia europeus e latino-americanos. Ao assumir a presidência rotativa da União Européia, a partir deste ano, o governo espanhol convidou alguns membros da Associação Ibero-Americana de Reguladores de Energia (ARIAE) para uma reunião com o Conselho Europeu de Reguladores de Energia (CEER); reunião que ocorreu 8 de abril passado. Além de marcar a chegada da Espanha à Presidência e de dar oportunidade à confrontação das experiências, a intenção foi preparar duas importantes reuniões que acontecerão em paralelo no final de abril: o Fórum Eu-Latam de energias renováveis em Berlim, dias 30 e 31, e o encontro anual da Ariae em Salvador, entre 28 e 30. A oportunidade não poderia ser melhor e poucos países poderiam assumir a liderança de fazê-la com tanta propriedade, como a Espanha. Continue lendo »

Políticas para o desenvolvimento do sistema produtivo energia no Brasil

In energia on 12/04/2010 at 01:00

Por Ronaldo Bicalho

O primeiro grande desafio político para o desenvolvimento do sistema produtivo energia hoje é a definição do regime regulatório do pré-sal. Nesse caso, a grande questão é como configurar um novo marco institucional que responda às mudanças impostas pela alteração radical nas condições de exploração e produção colocadas pelo próprio pré-sal. É evidente que o equacionamento político dessa questão não é simples, porém, sem ele, não é possível avançar nos objetivos principais colocados para o setor de petróleo neste trabalho: i) o aumento da capacidade produtiva em E&P e no refino; ii) a elevação da competitividade da indústria para-petrolífera nacional; e iii) promover a pesquisa tecnológica para otimização das atividades de E&P. Continue lendo »

Segurança energética

In energia on 05/04/2010 at 01:00

Por Renato Queiroz

“Todos os homens podem ver as táticas pelas quais conquisto, mas ninguém consegue antever a estratégia em que se baseia a minha vitória.” Sun Tzu (544 – 496 A.C)

1. INTRODUÇÃO

A segurança energética é cada vez mais um fator prioritário na agenda política dos países. No entanto, medidas efetivas para afastar da sociedade o risco da falta de energia ou para diminuir a instabilidade da falta de acesso às fontes energéticas exigem a identificação e aplicação de ações de modo a permitir que o Estado tenha um planejamento de cunho estratégico, levando ao estabelecimento de ações de política energética de médio e longo prazo. Continue lendo »

Evolução do arcabouço institucional das indústrias energéticas no Brasil

In energia on 01/03/2010 at 01:00

Por Edmar de Almeida

Desde a década de 1990, o setor de energia no Brasil tem sido um laboratório em busca de uma nova forma de organização industrial e de um novo arcabouço institucional que viabilizem a introdução do capital privado, sem comprometer a segurança do abastecimento. A taxa relativamente elevada de crescimento da demanda de energia e a grande dimensão da economia brasileira representam um grande desafio para garantir o nível de investimento necessário à segurança do abastecimento energético. Continue lendo »

Perspectivas de médio e longo prazos dos investimentos no sistema produtivo Energia no Brasil

In energia on 01/03/2010 at 00:30

Por Ronaldo Bicalho

Neste texto são apresentados dois cenários sobre as perspectivas para o investimento no sistema produtivo Energia no Brasil (*). Um cenário denominado de “possível”, que contempla o médio prazo (2012), e outro denominado “desejável”, que contempla o longo prazo (2022). O primeiro considera a continuidade dos ambientes regulatório, econômico e institucional. O segundo leva em conta uma situação ótima em termos das mudanças que seriam desejáveis nesses ambientes. Se o primeiro é um prolongamento da situação atual, o segundo representa a superação dos desafios e o aproveitamento das oportunidades existentes. Continue lendo »

Futuro da energia e os caminhos de uma longa transição

In energia on 01/03/2010 at 00:00

Por Helder Queiroz

Ao longo da última década, o tema do desenvolvimento sustentável foi alçado ao primeiro plano das discussões e ações que envolvem empresas, instituições, governos e consumidores/cidadãos. Não obstante a multiplicação de estudos e trabalhos sobre o assunto, ainda não há um consenso sobre uma definição precisa sobre os conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. Isto é explicado provavelmente por eles abarcarem um sem número de dimensões e de definições. Continue lendo »