Grupo de Economia da Energia

Posts Tagged ‘Petrobras’

Estão dadas as condições para a retomada do setor de petróleo e gás no Brasil?

In petróleo on 20/03/2017 at 00:15

Por Edmar de Almeida

Após experimentar um verdadeiro boom de crescimento econômico entre 2007 e 2013, o setor de petróleo e gás brasileiro mergulhou numa crise que parece não ter fim. Os investimentos da Petrobras que atingiram quase US$ 50 bilhões em 2013, caíram para apenas US$ 14,5 bilhões em 2016. O pouco investimento no upstream está concentrado no desenvolvimento de campos descobertos. Por esta razão, o nível da atividade de perfuração no Brasil caiu para o pior patamar histórico, assombrando a indústria parapetrolífera nacional.

Gráfico 1 – Evolução do número de sondas em operação no Brasil

Fonte: Baker Hughes Rig Count

Diante da gravidade da crise setorial atual, todos se perguntam se já chegamos ao “fundo do poço” e quando se dará o início da recuperação do nível de atividade no setor. Para responder a esta pergunta é importante identificar e avaliar os fatores condicionantes da retomada dos investimentos no setor. Este é objetivo deste artigo. Em nossa opinião três são os principais condicionantes para a retomada do crescimento do setor de petróleo no Brasil: Leia o resto deste post »

O papel do Estado na inovação: o não convencional nos EUA e o Pré-sal no Brasil

In gás natural, petróleo on 07/11/2016 at 00:15

Por Yanna Clara Prade (*)

yanna112016Desde o início dos anos 2000, os Estados Unidos vêm experimentando uma revolução energética através da exploração e produção de recursos não convencionais. O shale boom se deve à melhoria de técnicas de perfuração e novas tecnologias, as quais tornaram os recursos não convencionais viáveis economicamente. Os recursos não convencionais vêm sendo estudados desde a década de 1970, mas apenas na virada do século a produção dos não convencionais ganhou escala devido ao sucesso das novas tecnologias, resultando em um significante aumento da produção de petróleo e gás do país.

Em paralelo, temos outro caso de sucesso tecnológico na indústria de petróleo, com as descobertas dos recursos do Pré-sal em 2006, fruto da melhoria tecnológica das sísmicas, que permitiu a visualização dos recursos que se encontravam além da camada de sal, a profundidades jamais exploradas ou conhecidas. Com a descoberta de uma das maiores jazidas de petróleo do mundo, o Brasil e, mais especificamente, a Petrobras vem buscando superar as dificuldades tecnológicas de exploração em águas ultra profundas com as especificidades do Pré-sal, tornando-se um case de sucesso mundialmente reconhecido. Leia o resto deste post »

Os tempos e os desafios das escolhas atuais da indústria de gás natural no Brasil

In gás natural on 21/09/2016 at 17:32

Por Michelle Hallack

michelle092016A indústria de gás no Brasil encontra-se em uma encruzilhada crucial para o seu desenvolvimento futuro. As decisões que serão tomadas agora irão definir o potencial de crescimento da indústria nos próximos anos. Portanto, é essencial que: (1) se tenha muito claro o modelo de mercado que se quer implantar (um target model); (2) as decisões sejam legitimadas tanto pelos agentes da indústria quanto pelos policy makers, (3) medidas transitórias sejam adotadas para que se possa alcançar o modelo desejado sem o risco de se ficar pelo caminho, preso a modelos inacabados e disfuncionais.

A Petrobras historicamente teve um papel central no desenvolvimento de todas as partes da cadeia da indústria de gás; desde a produção até o consumo, passando pela importação, transporte e distribuição. Assim, de forma verticalmente integrada, com objetivos, por vezes, empresariais, por vezes, políticos (públicos?), a empresa construiu a infraestrutura e o portfólio necessário ao suprimento do fluxo de gás requerido pelas diferentes atividades econômicas no país (do transporte veicular à geração termoelétrica).

Nesse cenário, a coordenação de longo prazo é realizada através de um mix reunindo contratos de longo prazo (como contratos ToP e SoP) e adaptações de curto prazo, feitas internamente no portfólio da Petrobras (incluindo a gestão da malha de transporte, terminais de GNL, swing na produção e etc…). Neste contexto, a entrada de novas empresas no mercado, apesar de possível teoricamente, na prática, se mostra impossível; seja pela dificuldade causada pelos contratos de longo prazo (tanto os de gás com os consumidores quanto os de transporte), seja pela incapacidade dos potenciais entrantes fornecerem a flexibilidade necessária ao atendimento de uma demanda firme e variável. Leia o resto deste post »

A reestruturação da Indústria Brasileira do Petróleo: a questão da segurança do abastecimento

In petróleo on 05/09/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder092016No texto publicado em maio passado destacamos alguns elementos da restruturação, já em curso, da indústria brasileira de petróleo e derivados, com foco no papel do Governo e da Petrobras durante esse processo. Embora os fundamentos setoriais sejam robustos, a retomada de ritmo de crescimento dos investimentos é dependente de decisões governamentais importantes, especialmente no que tange à formação de preços, e das novas decisões estratégicas da Petrobras, em particular, visando readequar seu portfólio de ativos.

Tais mudanças se inscrevem num contexto de adaptação às novas condições de contorno da indústria mundial do petróleo. Após a queda de preços de 2014-15, as empresas internacionais de petróleo foram instadas a rever seus planos de negócios, promovendo ações que buscam conjugar três direções: desinvestimento, desendividamento e diversificação.

Neste sentido, todas as companhias, passado o susto da queda de preços, já operam considerando o novo patamar que parece tender a oscilar dentro da faixa de US$ 40 – US$ 50 por barril, o que poderia significar uma nova banda de preços ao longo dos próximos dois anos, com a qual, na prática, as empresas já começam a trabalhar (ver gráfico 1). Leia o resto deste post »

O imbróglio da GásLocal (GNL Gemini) no CADE: defendendo a concorrência ou garantindo o monopólio?

In gás natural, GNL on 18/07/2016 at 11:10

Por Diogo Lisbona Romeiro (*)

diogo072016Há dez anos, a GásLocal, joint venture entre Petrobras e White Martins, comercializa gás natural distribuído sob a forma liquefeita para consumidores localizados em um raio de até mil quilômetros da planta de liquefação instalada em Paulínia (São Paulo), a única em operação no país. Concebido em 2004, com investimento total de US$ 51 milhões, o empreendimento tinha por finalidade suprir consumidores localizados em áreas ainda não atendidas pelas distribuidoras estaduais de gás canalizado. Com capacidade de liquefação de 440 mil m³/dia de gás natural, a Petrobras buscava alavancar o mercado consumidor doméstico, procurando alternativas para destinar a oferta de gás natural contratada com a Bolívia, tendo em vista o aumento gradual da capacidade contratada e a elevada cláusula firmada de take-or-pay (80%).

A GásLocal, nome fantasia da GNL Gemini, tem 40% de capital da Petrobras (através da Gaspetro) e 60% da White Martins. As três empresas formaram um consórcio (Consórcio Gemini), no qual a Petrobras participa como fornecedora do gás, a White Martins como proprietária e operadora da planta de liquefação, inaugurada em 2006, e a GásLocal como distribuidora e comercializadora do gás natural liquefeito (GNL). O gás natural é fornecido à planta de liquefação por ramal direto de transporte do Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL), onde é liquefeito para ser transportado por caminhões com tanques criogênicos. Atualmente, a GásLocal dispõe de uma carteira de ao menos trinta clientes, dispersos em sua área de atuação (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal). Leia o resto deste post »

A restruturação da Indústria Brasileira do Petróleo: sinais esperados do Governo e da Petrobras

In petróleo on 23/05/2016 at 00:15

Por Helder Queiroz

helder052016A instauração de um novo comando no Poder Executivo no Brasil se constituiu num processo traumático decorrente da dimensão das crises política, econômica e social. A estas podemos associar a grave crise setorial nas indústrias de energia no Brasil, em particular para a indústria do petróleo que esteve no centro dessas crises ao longo do último ano.

Seria ilusão imaginar que crises com essa dimensão serão resolvidos num prazo curto. Porém, os problemas atuais são graves; e a administração federal terá de demonstrar muita competência e transparência para buscar os caminhos para solucioná-los. Sem tais requisitos, os quais deverão ser cobrados pela sociedade, os riscos de agravamento dos problemas agudos de agora são consideráveis.

A reflexão proposta neste texto visa apontar os caminhos para mitigar estes riscos, destacando os aspectos de curto e longo prazo que tanto o governo quanto a Petrobras deveriam sinalizar para que seja possível atrair novos investimentos e retomar o desenvolvimento da indústria de petróleo e da cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços. Cabe notar que, do ponto de vista dos atributos setoriais, as perspectivas são favoráveis, dados: i) o volume de recursos descobertos; ii) o domínio e a excelência tecnológica para operar em novas fronteiras de exploração tal como as águas ultra-profundas; iii) a escala de produção e do mercado e iv) a disponibilidade de recursos humanos qualificados. Leia o resto deste post »

Controle de preços da Petrobras: chegou a hora de pagar a conta

In petróleo on 28/03/2016 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Patricia Oliveira (*)

edmar032016Mesmo após a liberalização dos preços dos derivados em janeiro de 2003, o governo continuou controlando os preços através da Petrobras. A partir do argumento de que buscava-se evitar a internalização no Brasil da volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, o governo Brasileiro utilizou o controle dos preços dos derivados nas refinarias como instrumento de política econômica.

A partir do momento que os preços do petróleo internacional dispararam atingindo mais de 100 dólares em 2007, esta política teve um enorme impacto econômico na Petrobras. Uma avaliação do alinhamento dos preços dos principais derivados (gasolina, Diesel e GLP) entre 2007 e 2015 em relação aos preços internacionais mostra que os brasileiros pagaram gasolina, diesel e GLP abaixo do que cobrava o mercado internacional na maioria do período. O valor das perdas acumuladas por vender combustíveis abaixo do mercado internacional foi muito superior ao dos ganhos dos períodos em que a empresa vendeu produtos aqui acima do mercado internacional.

Os gráficos 1 e 2 abaixo mostram a evolução dos preços da gasolina e diesel nas refinarias do Brasil e no mercado spot americano entre 2007 e janeiro de 2016. Estes gráficos não deixam dúvidas de que a Petrobras não praticou um alinhamento de preços na última década. Quando avaliamos todo o período, fica claro que não só a duração dos períodos em que os preços ficaram abaixo do mercado internacional foi maior, mas também que os diferenciais de preços foram mais elevados nos períodos em que os preços praticados foram inferiores ao mercado internacional. Leia o resto deste post »

Desafios para o Brasil no novo cenário do mercado internacional de petróleo

In petróleo on 02/11/2015 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar112015O Brasil foi pego no contrapé pela mudança inesperada do contexto do mercado mundial de petróleo. O país se lançou no desafio de desenvolver uma nova fronteira petrolífera, de custo elevado, num contexto de preços altos. Entretanto, a forte queda dos preços a partir do final de 2014 passou a desafiar a sustentabilidade econômica do projeto de expansão da produção de petróleo brasileira. Desta forma, o contexto do mercado mundial de petróleo impõe uma agenda de reflexões e discussões sobre as melhores estratégias para garantir a sustentabilidade econômica do projeto do Pré-sal.

A mudança do cenário do mercado mundial de petróleo

A produção mundial de petróleo aumentou mais do que a demanda a partir do início de 2014. O excesso de oferta de petróleo no mundo ultrapassa os 3 milhões de barris por dia atualmente. Diante do excesso de oferta, trava-se uma batalha econômica para se decidir quem será o swing producer que pagará o preço do ajuste. A recusa dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em particular da Arábia Saudita, de reduzir seu teto de produção e jogar seu papel histórico de swing producer, exacerbou o nível de incerteza do mercado. Desde então, as especulações sobre o que pode acontecer com a oferta e demanda vêm ditando o ritmo do mercado. Trata-se de uma grande disputa econômica em que os principais atores são os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Arábia Saudita e o restante da OPEP. Leia o resto deste post »

Desinvestimento da Petrobras e reestruturação da indústria de gás no Brasil

In gás natural on 10/08/2015 at 00:15

Por Marcelo Colomer 

marcelo082015É incontestável que as políticas públicas e a atuação da Petrobras desempenharam papel de destaque no desenvolvimento da indústria de gás brasileira. Controlando 93% da produção, 97% da malha de gasodutos e possuindo significantes participações nas empresas locais de distribuição de gás natural e em importantes projetos termoelétricos, a Petrobras não só foi determinante para a rápida expansão da indústria de gás natural no Brasil como também para a definição da estrutura de organização do setor.

Desenvolvido sobre o modelo de “monopólio” [1] estatal, a indústria gasífera brasileira se estruturou à luz dos planos de investimento da Petrobras. Refletindo em algumas ocasiões ações estratégicas da empresa e em outras ações deliberadas de política pública, os investimentos da Petrobras na indústria de gás natural ao longo das últimas décadas consolidaram a estrutura do setor.

Dentro da ótica empresarial, a atuação da Petrobras em todos os segmentos da cadeia produtiva foi a solução encontrada pela empresa para escoar o excesso de produção de gás associado. Em outros termos, a estruturação de um mercado de gás natural mostrava-se essencial no processo de monetização dos campos associados de petróleo garantindo maior rentabilidade das atividades de E&P. Nesse contexto, ao longo das últimas décadas, o mercado de gás natural foi se desenvolvendo com os investimentos da Petrobras em novas unidades de processamento, na infraestrutura de gasodutos, em terminais de importação e na ampliação das redes de distribuição. Leia o resto deste post »

Impactos potenciais da Operação Lava-Jato sobre a curva de produção da Petrobras

In petróleo on 20/04/2015 at 00:15

Por Yanna Clara(*) e Edmar de Almeida

yanna042015A Operação Lava-Jato teve consequências importantes para a evolução da produção de petróleo da Petrobras. O último Plano de Negócios da empresa apontava para um rápido crescimento da produção de petróleo que atingiria 4,2 milhões de barris em 2020. Ou seja, a Petrobras pretendia dobrar sua capacidade de produção de petróleo num horizonte de cinco anos. Entretanto, os impactos da Operação Lava-Jato foram muito importantes e comprometeram este cenário. A empresa sofreu grande perda de credibilidade nos mercados financeiros e, por consequência, o crédito – tão necessário para os vultuosos investimentos projetados – ficou muito mais difícil.

O Plano da Petrobras para os próximos anos já era bastante ousado para a exploração e desenvolvimento do Pré-sal. Mesmo em um cenário em que não houvesse a investigação da Operação Lava-Jato, a empresa já estaria com grandes dificuldades em alcançar suas metas: o sobreinvestimento e a alta alavancagem já vinham sendo apontados como grandes questões da estatal. Com o elevado grau de endividamento e a queda brusca do preço do petróleo no final de 2014, a empresa teria inevitavelmente que repensar projetos e prioridades, a fim de viabilizar não só o pré-sal como os demais projetos estratégicos. Leia o resto deste post »

Os desafios da indústria de petróleo no Brasil

In petróleo on 09/02/2015 at 00:15

AB3EA Associação Brasileira de Estudos em Energia (AB3E) realizou em Dezembro passado o seminário A Agenda de Política Energética Brasileira nos Próximos 4 Anos. 

A palestra abaixo, apresentada pelo professor Edmar de Almeida do Grupo de Economia da Energia (GEE), abriu a mesa Uma Agenda para a Indústria de Petróleo no Brasil no Novo Governo.

Setor de energia no Brasil: o balanço de 2014

In energia on 08/12/2014 at 00:15

Por Edmar de Almeida e Luciano Losekann (*)

edmar122014

O setor de energia no Brasil no ano de 2014 foi marcado pela gestação de uma agenda extremamente negativa. Essa agenda terá que ser revertida nos próximos anos, sob pena de o País desperdiçar um dos seus principais salvo-condutos para o futuro que é sua generosa dotação energética.

A Copa do Mundo, no primeiro semestre, e o processo eleitoral, no segundo, postergaram decisões importantes para o enfrentamento adequado de problemas antigos e novos. Há um enorme conjunto de problemas tanto no setor elétrico quanto no setor de óleo e gás para 2015.

Setor de Petróleo e Gás: Um ano difícil e com incertezas crescentes

O ano de 2014 foi marcado por alguns resultados operacionais bastante positivos para a Petrobras. A empresa conseguiu reverter a dúvida que pairava sobre sua capacidade de efetivamente entregar um aumento da produção de petróleo. Entre janeiro e outubro de 2014, a empresa conseguiu aumentar sua produção de petróleo em cerca de 10%. Além disso, o primeiro módulo da refinaria de Pernambuco (Rnest) entrou em operação. Entretanto, estes resultados foram totalmente ofuscados pela revelação dos esquemas de corrupção e desvio de recursos. Leia o resto deste post »

Setor Energético Brasileiro: a incontornável agenda governamental de 2015

In energia on 18/08/2014 at 00:15

Por Renato Queiroz

renato082014Países em desenvolvimento de tempos em tempos consideram novas prioridades em suas agendas de políticas públicas. No caso brasileiro, desde a volta do regime democrático em 1985, acompanhamos a discussão de temas prioritários para o país como, por exemplo: o controle da inflação, a melhoria na distribuição de renda, a diminuição da violência nas cidades, entre outros. Neste sentido, os governos foram desenvolvendo políticas públicas buscando solucionar tais demandas.

Atualmente se quisermos apontar quais as prioridades que estarão colocadas na mesa do futuro governante brasileiro em 2015, o setor de  infraestrutura certamente encabeça esta lista. Este termo é amplo, pois engloba itens como transporte público, saneamento básico, déficit habitacional, suprimento de energia. E se descermos a lupa para o item  energia abre-se, ainda, um novo leque de segmentos que vai desde a oferta e o transporte da energia até o seu uso pelas indústria, comércio, residências, transporte.

Por conseguinte o setor de energia estará nos próximos anos disputando o topo das prioridades da modernização do setor de infraestrutura no país. Sem dúvida a crise atual do setor elétrico brasileiro e os problemas que enfrentam a ELETROBRÁS e a PETROBRAS trazem preocupações aos que estão envolvidos com o setor.  Assim, o planejamento energético será um alvo crescente de avaliações de especialistas em energia.

As políticas energéticas em seus macros objetivos buscam assegurar o funcionamento do mercado da energia, considerando o papel estratégico que os recursos energéticos ocupam para garantir a segurança energética do país. Importante compreender que tais políticas devem acomodar os diversos interesses econômicos e sociais da sociedade. Leia o resto deste post »

O setor elétrico e as indefinições da política de gás natural no Brasil

In gás natural on 16/06/2014 at 00:15

Por Marcelo Colomer

marcelo062014A mais recente crise do setor elétrico brasileiro vem chamando a atenção para a importância da termoeletricidade como fonte complementar de geração, principalmente da geração térmica a gás natural. Sendo assim, entusiasmados com a “revolução do shale gas norte-americana” e com o potencial de produção nacional (tanto das áreas do cluster do pré-sal quanto das formações convencionais e não convencionais em terra), muitos analistas vêm exaltando a importância do gás natural no futuro da matriz elétrica nacional.

É fato que as mudanças ocorridas no perfil de demanda e oferta de eletricidade exigem um novo modelo para o setor onde a termoeletricidade irá desempenhar um papel cada vez mais importante na geração de base. Contudo, qual o tipo de térmica que melhor se adequa ao novo perfil do setor elétrico brasileiro ainda não é uma questão respondida.

Nos EUA, a recente conversão do parque térmico para gás natural dependeu da disponibilidade de gás abundante e competitivo (preço do Henry Hub em junho de 2014 foi de US$4/MMbtu). No Japão, por outro lado, os elevados preços de importação de GNL (US$16/MMbtu) não só acarretaram em um aumento do déficit comercial de 65% entre 2012 e 2013 (de US$70 para US$112 bilhões) como também aumentaram o custo da geração elétrica em 56% no mesmo período.

Nesse contexto, em junho de 2014, três dos maiores lobbies japoneses (Federação de Negócio Japonesa -Keidanren, a Câmara de Comércio e Indústria e a Associação Japonesa de Executivos – Keizai Doyukai) submeteram uma proposta ao Ministério da Indústria para antecipação da reativação dos reatores nucleares no Japão (World Nuclear Association, 2014). Na China, apesar de todas a pressões ambientais, a falta de um suprimento seguro e barato de gás natural vem forçando o governo a manter seus projetos de expansão do parque térmico a carvão. Leia o resto deste post »

Desafios do setor de petróleo brasileiro

In petróleo on 05/08/2013 at 00:15

Por Edmar Almeida

edmar082013A expansão da produção de petróleo no Brasil constitui atualmente o principal desafio estratégico para o Brasil. Para viabilizar esta expansão, o país deverá trilhar caminhos perigosos e arriscados. A velocidade que se pretende impor à caminhada não deixa margem para erros. Qualquer pequena barbeiragem pode levar a um acidente grave, dado o risco de se passar direto pelas curvas sinuosas que deverão ser trilhadas.

A descoberta do Pré-sal trouxe o petróleo para o centro da cena política nacional. A expectativa criada na sociedade com o “bilhete premiado” canalizou todos os esforços políticos para a discussão sobre a apropriação e divisão da renda petrolífera. Entretanto, pouca atenção política tem sido dada ao fato de que o projeto de expansão da produção nacional de petróleo dos atuais 2 milhões de barris para mais de 4 milhões em 2020 (que denominaremos neste artigo Projeto Pré-sal) constitui empreitada épica para nosso país; comparada a um esforço de guerra. Isto porque requer uma mobilização de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e também políticos numa escala sem precedentes.

Pouca atenção está sendo dada ao fato de que antes de se alcançar o “bilhete premiado” existe um importante período de sacrifícios para a sociedade. A duração deste período dependerá das escolhas e dos acertos da política setorial. O grande risco para o país é o atraso nas metas de crescimento da produção, com a inviabilização do projeto tal como está colocado atualmente.

Analisando-se a questão do ponto de vista macroeconômico, a elevação da produção de petróleo implica num aumento significativo dos investimentos. Estão previstos investimentos de mais de 300 bilhões de dólares no setor de petróleo até 2020. Estes investimentos, por sua vez, contribuirão para a elevação das importações, o que afetará negativamente a balança comercial. Mesmo considerando a manutenção dos atuais níveis de conteúdo local (o que também será um enorme desafio, como veremos adiante), cerca da metade do valor dos investimentos tendem a ser tornarem importações. Leia o resto deste post »

Projeção da importação brasileira de gasolina: cenários e impactos

In etanol, gasolina on 11/03/2013 at 00:15

Por Luciano Losekann e Gustavo Haydt

luciano032013Nos últimos dois anos, a importação de gasolina se tornou uma forte preocupação de política energética e econômica no Brasil. Em 2012, foram importados 3,7 bilhões de litros de gasolina A. O dispêndio com importação foi de US$ 2,9 bilhões e 12% da gasolina A utilizada no Brasil foi importada em 2012. Esses valores não eram observados no país desde a década de 1970, quando o país era fortemente dependente de suprimento externo de energia.

A postagem “Oferta apertada de etanol e perspectivas de importação de gasolina” apontou que a importação de gasolina será muito significativa nos próximos anos se a oferta de etanol continuar restringida. Nessa postagem, serão apresentadas as projeções de importação de gasolina em diferentes cenários de oferta de etanol e de mistura de etanol anidro na gasolina.  Além disso, serão estimados o dispêndio com importações e o prejuízo que pode gerar ao importador, a Petrobras, em contexto que os preços internacionais e domésticos estão descolados.

A restrição de oferta de etanol se reflete em seu preço relativo pouco competitivo com a gasolina. Consideramos três possibilidades de preço relativo de etanol: 0,70, 0,75 e 0,80, e duas possibilidades de mistura de etanol anidro, 20% e 25% (E20 e E25). Leia o resto deste post »

Política e Regulação do Downstream no Brasil: Uma reforma Necessária

In petróleo on 04/03/2013 at 00:15

Por Edmar de Almeida

edmar032013O setor de petróleo Brasileiro passa por um momento especial, impulsionado pelo surgimento de um enorme potencial de crescimento no segmento da exploração e produção de petróleo (upstream). Após a descoberta da província petrolífera do Pré-sal, a atenção da indústria petrolífera mundial se direcionou para o Brasil. Mais recentemente, a revolução tecnológica que resultou na viabilização da exploração do gás e petróleo não convencional descortinou um cenário de uma dinamização da exploração em terra.

Este grande potencial desencadeou um processo de grandes mudanças na indústria de petróleo nacional através de fusões e aquisições, investimentos diretos de empresas do setor parapetrolífero, capitalização da Petrobras e novas políticas públicas para o setor com a aprovação de leis específicas. Este movimento despertou uma expectativa de que o Brasil caminha inevitavelmente para se tornar um player global na indústria de petróleo mundial.

Nos últimos dois anos, as expectativas em relação setor de petróleo nacional vêm sendo frustradas por uma sequência de más notícias no que se refere ao desempenho operacional e financeiro da Petrobras. A dificuldade da empresa em elevar a produção de petróleo e manter um nível seguro de desempenho financeiro lançou uma nuvem de incertezas sobre o setor. Parceiros e empresas parapetrolíferas que se prepararam para participar do processo de crescimento da produção nacional de petróleo começam a se preocupar com a capacidade da empresa seguir o ritmo programado dos investimentos. Leia o resto deste post »

Oferta apertada de etanol e perspectivas de importação de gasolina

In etanol, gasolina on 10/12/2012 at 01:31

Por Luciano Losekann

luciano122012Nos últimos dez anos, a balança comercial brasileira de gasolina sofreu uma inversão (figura 1).  Com a introdução do carro flex e quando os preços do etanol eram competitivos, o país produziu excedentes significativos de gasolina para colocação no mercado internacional até 2009. Em 2007, as exportações líquidas de gasolina alcançaram 3,7 bilhões de litros. Valor que não era observado desde o final da década de 1980, quando os automóveis a etanol eram dominantes no Brasil.

Nos últimos três anos, a situação se transformou radicalmente. O etanol pouco competitivo fez o consumo de gasolina disparar. Em 2011, foram importados 1,9 bilhões de litros de gasolina e, em 2012, as importações líquidas atingiram 2,8 bilhões de litros até o mês de outubro.  Segundo nossas estimativas, 11% da gasolina consumida será importada. O Brasil não importava montantes tão significativos de gasolina desde a década de 1970. Leia o resto deste post »

Vai faltar combustível no Brasil?

In diesel, etanol, gasolina on 19/11/2012 at 02:27

Por Thales Viegas

O aumento do consumo e das importações de gasolina (e diesel) no Brasil suscitou o debate sobre o risco de desabastecimento no país. A Petrobras e a ANP foram convocadas, reiteradamente, a responder sobre essa possibilidade. Nesse contexto, o fito deste artigo é analisar um dos principais problemas do mercado de combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol) no Brasil, qual seja: a dificuldade de aumentar a oferta desses dois combustíveis. A pergunta relevante é a seguinte: há incentivos suficientes para o aumento adequado da produção de combustíveis para veículos leves no país?

Essa questão será respondida por meio da análise de três elementos a partir dos quais será possível compreender as causas das decisões do governo, dos consumidores e das empresas, bem como as suas consequências para o mercado de combustíveis e para a economia brasileira. Os três aspectos são os seguintes: i) o contexto politico-econômico do Brasil; ii) as estruturas de oferta e demanda de combustíveis e; iii) o desempenho econômico dos produtores e os seus investimentos. Leia o resto deste post »

Eficiência em custo na extração petrolífera

In petróleo on 17/09/2012 at 17:26

Por Thales Viegas

Na postagem anterior apresentamos as relações entre os preços do petróleo cru e os custos da indústria petrolífera. Neste artigo iremos tratar do papel da gestão de custos para a competitividade e a eficiência em custos das petroleiras. O foco da análise é na esfera do upstream, envolvendo, especialmente, o desenvolvimento de reservas e a produção.

A primeira dimensão está associada ao Custo de Capital (do inglês Capital Expenditure ou CAPEX) despendido no âmbito do de Desenvolvimento de reservas. A segunda se refere ao Custo Operacional (Operational Expenditure ou OPEX). O fito do artigo é refletir sobre a capacidade das petroleiras aprimorarem sua eficiência em custos de modo autônomo, bem como discutir programas de padronização e redução de custos empreendidos por essas empresas.

A análise dos principais elementos de custo do upstream pode ser abordada a partir de três aspectos centrais, a saber: i) custos dos insumos; ii) disponibilidade de tecnologias e pessoal capacitado para operá-las; iii) processos e procedimentos (rotinas). Neste último merecem destaque as estratégias de procurement e negociação de contratos (relações de mercado). O primeiro possui um caráter exógeno, enquanto o últimoaspecto depende da capacidade endógena das empresas de gerir de forma mais custo-eficiente, já o segundo combina elementos endógenos e exógenos. A seguir abordaremos cada elemento supramencionado em separado.

Primeiro, os custos dos insumos básicos mais importantes são definidos em mercados concorrenciais, nos quais os compradores individuais têm pequena influência sobre os preços. Estes, por seu turno, são condicionados pela escassez relativa do produto, bem como pela estrutura de custos de sua produção. Os contratos de compra e venda de commodities realizados na esfera financeira também repercutem na precificação nos mercados spot. Todavia, os incrementos de custos oriundos de preço de insumos básicos não são passíveis de ajustes relevantes via melhoria na gestão de custos em si. Trata-se de variáveis incontroláveis do ponto de vista do gestor. Leia o resto deste post »

A relação complexa entre custos de extração, preços do petróleo e dos seus derivados

In petróleo on 25/06/2012 at 01:19

Por Thales Viegas

Nos últimos anos os preços internacionais do petróleo e os custos de extração de petróleo e gás aumentaram significativamente. É possível destacar uma forte correlação entre a evolução dessas duas variáveis. Nesse contexto, o objetivo desta postagem é analisar a relação entre os custos de extração e os preços do petróleo. Primeiro são apresentados os principais fundamentos da mesma. Em segundo lugar se discute as suas consequências mais importantes. Por fim, articulamos a influência de preços e custos na política de preços de combustíveis da Petrobras, bem como nas perspectivas de crescimento dos investimentos e da oferta de petróleo no Brasil que a ela estão associadas.

Durante a última década a trajetória ascendente dos preços do petróleo foi consistente e constituiu novos patamares como referência de valor do produto. O gráfico 1 mostra a correspondência tendencial entre os índices de inflação do upstream, dos preços do petróleo e dos preços do aço. Os preços das commodities têm maior conexão com o mercado financeiro e, portanto, apresentam maior volatilidade, enquanto o índice de variação dos custos possui maior rigidez por estarem associados a projetos de longa maturação e contratos de mais largo prazo. Entre meados do ano de 2004 e meados de 2008, tanto o preço do petróleo quanto o índice de custos dobraram de magnitude. O preço do aço quase se duplicou também. Leia o resto deste post »

Preço alto e Pré-sal estimulam mudanças na indústria de gás no Brasil

In gás natural on 21/05/2012 at 00:15

Por Marcelo Colomer

Os altos preços do gás natural, o monopólio da Petrobras e os elevados investimentos necessários para o desenvolvimento da produção na área do Pré-sal têm estimulado a entrada de novos agentes em regiões produtivas marginais e não tradicionais. Nesse sentido, percebe-se atualmente uma tendência de mudança na estrutura de oferta de gás natural embora a não definição de alguns atributos regulatórios ainda impeçam o fortalecimento da competição no setor.

Estudos recentes (FIRJAN, 2011) mostraram que a tarifa média paga pelo setor industrial no Brasil foi cerca de US$ 16,84/MMBtu em 2011. Em termos comparativos, o setor industrial brasileiro paga aproximadamente 17% a mais pelo gás natural do que a média dos principais países consumidores do energético. Em relação aos BRICS, a tarifa industrial de gás natural no Brasil é cerca de duas vezes a média de China, Índia e Rússia. As elevadas tarifas cobradas do setor industrial refletem o elevado preço cobrado das distribuidoras. Em Janeiro de 2012, o preço do gás natural nacional no city-gate foi igual a US$ 12/MMBtu enquanto o preço do gás importado foi em média igual a US$ 10/MMBtu (MME, 2012). Leia o resto deste post »

Expansão do parque de refino brasileiro: uma caminhada para a real autossuficiência

In diesel, gasolina, petróleo on 12/03/2012 at 00:15

Por Marcelo Colomer e Ana Tavares

A recém empossada presidente da Petrobras Graça Foster, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, declarou que caso a Petrobras possuísse mais refinarias com o perfil de produção voltado para o diesel e para a gasolina, a importação desses derivados estaria em um patamar consideravelmente menor e, em consequência, a queda do lucro da empresa que ocorreu no último trimestre de 2011 poderia ter sido minimizada.

Graça também defende que não somente a ampliação do parque de refino nacional irá atender à crescente demanda por combustíveis – entre 2011 e 2010, houve aumento de 6,6% dessa demanda –, mas também o aumento da participação da Petrobras no mercado de etanol, a fim de conceder aos motoristas o poder de escolha nos postos de abastecimento, garantindo de tal forma o equilíbrio econômico aliado a essa crescente demanda.

A fim de garantir o suprimento da demanda interna, houve, no último ano, um aumento de 22% nas importações de barris de petróleo e derivados. Contudo, esse incremento nas importações, principalmente de derivados, não foi acompanhado pelo repasse do aumento dos preços internacionais para o mercado doméstico. Sendo assim, em 2011, verificou-se uma defasagem média real para a gasolina de 15% e, para o diesel, de 16%. Leia o resto deste post »

A encruzilhada da política de precificação dos combustíveis no Brasil

In petróleo on 05/03/2012 at 00:15

Por Edmar de Almeida

Com a descoberta do pré-sal o Brasil colocou na sua agenda aquele que deve se tornar o principal desafio da política energética nacional nas próximas décadas. Mais precisamente, trata-se da tentação política de praticar preços de combustíveis no país abaixo dos praticados no mercado internacional. Os países que são exportadores de petróleo em sua grande maioria acabam cedendo à esta tentação política, com grandes impactos negativos para a política econômica e energética.

O Brasil pelejou com este problema constantemente durante as décadas de descontrole inflacionário. Naquele momento, o país era grande importador de petróleo. O fato de segurar os preços do petróleo tinha efeitos econômicos desastrosos para a Petrobras e também para as contas públicas. Foi justamente a consciência de que as conseqüências seriam desastrosas que garantiu um mínimo de racionalidade na política de preços de combustíveis no Brasil ao longo do tempo.

Atualmente, no limiar de se tornar um grande exportador de petróleo, uma nova visão do problema vem se instalando em algumas esferas políticas e do governo. Seria a idéia de que a autossuficiência na produção de petróleo e derivados dará à Petrobras maior margem para não seguir o mercado internacional de derivados. Esta é uma visão tácita. Não é fruto de uma reflexão técnica e política. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências III

In gás natural, petróleo on 02/01/2012 at 00:15

Por Thales Viegas

As duas primeiras postagens a respeito de E&P em águas profundas (*) caracterizaram essa atividade nos âmbitos global e nacional. Aspectos como a importância e a atratividade desse negócio podem ser apontadas como fatores que contribuíram para o aumento dos investimentos, das descobertas e da produção no âmbito offshore em grandes profundidades.

No presente texto será discutido o processo de aprendizagem tecnológico e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados pelas empresas de petróleo. O objetivo é motivar a reflexão a cerca do surgimento e da consolidação de novas tecnologias. É também demonstrar que o aumento dos esforços inovativos das petroleiras apontam para uma busca crescente por capacitação tecnológica, como forma de compensar os custos crescentes.

No entanto, a maturidade de um conjunto de tecnologias e o seu domínio pelos agentes é um processo que requer prática e tempo. Nesse contexto, cabe analisar alguns dos limites e das oportunidades tecnológicas que surgiram ao longo do desenvolvimento das competências para operação em águas profundas, com destaque para o caso do pré-sal. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências II

In gás natural, petróleo on 24/10/2011 at 00:43

Por Thales Viegas

A nossa última postagem sobre E&P em águas profundas procurou situar esse segmento setorial no bojo da Indústria Mundial do Petróleo (IMP). A presente abordagem se propõe a analisar as atividades petrolíferas em grandes profundidades que são executadas no Brasil. Demonstra o alto índice de sucesso exploratório e a liderança do país no que tange às maiores descobertas da década. Discute o circulo virtuoso criado em torno das novas descobertas. Discorre sobre o potencial remanescente e o alto grau de atratividade que possui o Brasil em geral, e a província do pré-sal, em particular. Destaca que a magnitude dos reservatórios e a qualidade dos hidrocarbonetos encontrados são fortes atrativos para as petroleiras internacionais.

O pré-sal vem demonstrando possuir uma das maiores estruturas geradoras de petróleo do mundo. No Brasil, o pré-sal pressionou para cima o índice de sucesso na perfuração de poços. A tabela 1 mostra o sucesso excepcional das perfurações do pré-sal no pólo de Lula (Ex-Tupi), na Bacia de Santos. Fica evidente a superioridade da média de sucesso na província do pré-sal em relação à média mundial. Isso denota que o risco exploratório nesse ambiente tem sido baixo no pré-sal em relação às alternativas ao redor do mundo. Até o início dos anos 2000 a média nacional era compatível ao índice médio de sucesso no mundo, que tem variado em torno de 25%. Leia o resto deste post »

Exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas: evolução e tendências I

In gás natural, petróleo on 15/08/2011 at 00:10

Por Thales Viegas

A exploração e produção offshore (no mar) de hidrocarbonetos não é recente. As primeiras atividades teriam ocorrido ainda no início do século passado, no Golfo do México, Estados Unidos. Elas eram realizadas a partir da adaptação de equipamentos e técnicas da exploração em terra. Desde então, até os dias atuais, ocorreram muitas transformações tecnológicas e operacionais nesse segmento do upstream da produção de petróleo e gás. A partir delas, muitos recursos antes considerados inacessíveis, ou inviáveis economicamente, passaram a ser objeto de maior interesse e se tornaram reservas economicamente recuperáveis.

Nesta postagem inicial serão abordados o potencial de descoberta de recursos e o nível de reservas em águas profundas.

Inicialmente é importante registrar que o intenso desenvolvimento tecnológico associado ao segmento offshore resulta de pesquisas, inovações tecnológicas e operacionais que vêm permitindo uma constante redução de custos na exploração e produção. Cumpre notar, inclusive, que foi a partir da exploração offshore que se intensificaram as relações entre as petroleiras, as para-petroleiras e as instituições de pesquisa. Isso teria resultado no aumento das atividades de P&D e em um grande avanço tecnológico desde a década de 1960 até a presente década. Leia o resto deste post »

The future of biofuels VIII: The contrasting strategies of major oil companies and the future of the bio-economy

In biofuels on 04/07/2011 at 00:30

By José Vitor Bomtempo

The recent Ethanol Summit organized by UNICA in São Paulo, on June 6th and 7th, it seemed to be an interesting event for the line of reasoning that we have developed this series of articles. In some way, the Ethanol Summit addressed clearly – for the first time, I guess, in a relevant event in Brazil – the issue of industry of the future. Of course, many subjects of specific interest for Brazilian ethanol industry were highlighted and addressed in most, but some plenary sessions and meetings on Future and Technology addressed issues not so urgent.

Due to the Ethanol Summit, we propose a change in this blog that seems to be consistent with what we have developed: no more talk about biofuels of the future but we will talk about he new industry which includes in addition to biofuels, bio-products, biorefining and other bios that may arise. How should we name this industry?   As initial suggestion we have chosen bio-economy, which seems pretty comprehensive. Thus, we can say that the Ethanol Summit has provided a discussion of a number of questions related to the development of bio-economy worldwide and particularly in Brazil. In fact, all the videos of conference and plenary sessions can be watched here.

We will highlight in this article the plenary session O futuro do petróleo e o papel dos biocombustíveis (The future of oil and role of biofuels). The plenary session brought together executives from four major oil companies on biofuels: BP, Petrobras, Shell and Total. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustiveis VIII: Os contrastes das estratégias das grandes empresas de petróleo e o futuro da bioeconomia

In biocombustíveis on 04/07/2011 at 00:26

Por José Vitor Bomtempo

O recente Ethanol Summit organizado pela UNICA, em São Paulo, nos dias 6 e 7 de junho, nos pareceu um evento interessante para a linha de raciocínio que temos desenvolvido nesta série de artigos. De certa forma, o Ethanol Summit colocou com clareza – pela primeira vez, me parece, num evento desse peso no Brasil – a questão da indústria do futuro. Claro que muitos assuntos de interesse específico da indústria brasileira de etanol foram destacados e preencheram boa parte da pauta, mas algumas plenárias e as mesas sobre Futuro e Tecnologia se dedicaram a questões não tão imediatas.

Aproveitando a deixa do Ethanol Summit, propomos uma mudança neste blog que nos parece coerente com o que temos desenvolvido: não falaremos mais de biocombustíveis do futuro mas da nova indústria que inclui além de biocombustíveis, bioenergia, bioprodutos, biorrefino e outros bios que surjam. Que nome dar a essa indústria?   Ficamos, como sugestão inicial, com bioeconomia, que nos parece bastante abrangente. Assim, podemos dizer que o Ethanol Summit nos proporcionou a discussão de uma série de questões ligadas ao desenvolvimento da bioeconomia no mundo e no Brasil em particular. Aliás, todos os vídeos das plenárias e conferências podem ser assistidos aqui.

Vamos destacar nesta postagem a plenária que teve por titulo O futuro do petróleo e o papel dos biocombustíveis. A plenária reuniu executivos das quatro empresas de petróleo mais importantes em biocombustíveis: BP, Petrobras, Shell e Total. Leia o resto deste post »

The future of biofuels VII – what does Brazilian role?

In biofuels on 09/05/2011 at 00:30

By José Vitor Bomtempo

In last article, we discussed the Petrobras strategy, arguably the most important actor in the future of energy in Brazil. We can infer from the initiatives of the company an effective participation in the biofuels industry. But this participation seems to occur in a view more committed to the current industry – so-called first-generation – than with the industry of the future – so-called advanced biofuels and other bio-products.

This perspective is supported when comparing Petrobras with other major oil companies such as Shell and BP (see the previous articles, the future of biofuels IV and V), which combine position in the current industry and a strategy for building new industry. Total is other oil company that has increased interestingly its portion on biofuels of the future. Total will be back on the next article. The question today is to examine the Brazilian role in the industry of the future and for this we must examine beyond the role of Petrobras. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustiveis VII – qual o papel do Brasil?

In biocombustíveis on 09/05/2011 at 00:10

Por José Vitor Bomtempo

Na postagem anterior, discutimos a estratégia da Petrobras, sem dúvida o ator mais importante no futuro da energia no Brasil. Vimos que se pode depreender das iniciativas da empresa uma postura de participação efetiva na indústria de biocombustíveis. Mas essa participação parece se dar dentro de uma visão comprometida mais com a indústria de hoje – dita de primeira geração – do que com a indústria do futuro – dita de biocombustíveis avançados e outros bioprodutos.

Essa perspectiva é reforçada ao se comparar a Petrobras com outras grandes empresas de petróleo, como a Shell, BP, por exemplo (ver as postagens anteriores; o futuro dos biocombustíveis IV e V), que combinam um posicionamento na indústria atual com uma estratégia de construção da nova indústria. Outra empresa de petróleo que tem reforçado de forma interessante sua participação nos biocombustíveis do futuro é a Total. Voltaremos ao caso da Total na próxima postagem. A questão hoje é examinar o papel do Brasil na indústria do futuro e para isso devemos examinar bem mais do que o papel da Petrobras. Leia o resto deste post »

The future of biofuels VI: Petrobras’ strategy

In biofuels on 14/03/2011 at 00:30

By José Vitor Bomtempo

In the previous article, we compared the BP and Shell’s strategies for biofuels. Today we present the case of Petrobras. We have to recall the reasons for the analysis. We start with a basic distinction between competition within the existing industrial structure – ethanol and biodiesel – and the competition in what we call biofuels and bioproducts industry of the future – new processes and new biofuels and bioproducts. In the first case we have a typical competition based on positioning within a known industrial structure. In the second case, the industrial structure is not yet established, and the basis of competition is the ability to innovate and shape the new industrial structure. These points are developed in more detail in previous articles of this the series.

It is also important to note that the first-generation biofuels industry conversion technologies are available to investors from accessible external sources such as engineering/technology companies and equipment manufacturers. In the biofuels industry of the future – based on innovation in new commodities, new processes, new products – a fundamental change is to move the source of technology into the companies; thus, the technology tends to be much more advanced in bioproducts of the future and, therefore, owned. Therefore, there are large differences in the technological strategies of the current industry and the future of the industry. Leia o resto deste post »

O futuro dos biocombustiveis VI: a estratégia da Petrobras

In biocombustíveis on 14/03/2011 at 00:18

Por José Vitor Bomtempo

Na postagem anterior, comparamos as estratégias da BP e da Shell em biocombustíveis. Hoje, apresentamos o caso da Petrobras. Vale recordar rapidamente a fundamentação da análise. Partimos de uma distinção de base entre a competição dentro da estrutura industrial existente – etanol e biodiesel – e a competição no que denominamos indústria de biocombustíveis e bioprodutos do futuro – novos processos e novos biocombustíveis e bioprodutos. No primeiro caso, temos tipicamente uma competição baseada no posicionamento dentro de uma estrutura industrial conhecida. No segundo, a estrutura industrial ainda não está estabelecida e a base da competição é a capacidade de inovar e moldar a nova estrutura industrial. Esses pontos estão desenvolvidos com mais detalhes nas postagens anteriores da série.

É importante ainda notar que na indústria de biocombustíveis de primeira geração as tecnologias de conversão estão disponíveis para os investidores a partir de fontes externas acessíveis como as empresas de engenharia/tecnologia e fabricantes de equipamento. Na indústria de biocombustíveis do futuro – baseada em inovação em novas matérias-primas, novos processos, novos produtos – uma mudança fundamental é o deslocamento da fonte de tecnologia para dentro das empresas, com isto, a tecnologia tende a ser muito mais sofisticada nos bioprodutos do futuro e consequentemente proprietária. Existem portanto grandes diferenças nas estratégias tecnológicas entre a indústria de hoje e indústria do futuro.

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